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Mulher pode ser pastora? O que a Bíblia diz

Por Bíblia Online  - 
Mulher com estola branca fala diante de um livro aberto no púlpito, com fiéis sentados ao fundo.

O que a Bíblia diz sobre mulher ser pastora

A Bíblia não tem um versículo que diga "a mulher pode ser pastora" nem outro que diga "não pode" — e é por isso que igrejas igualmente comprometidas com o texto chegam a respostas opostas. Quem responde "não" se apoia principalmente em 1 Timóteo 2:12, onde Paulo não permite que a mulher ensine nem exerça autoridade sobre o homem. Quem responde "sim" se apoia em Gálatas 3:28, onde o mesmo Paulo diz que em Cristo já não há "homem e mulher", e nas mulheres que o Novo Testamento mostra profetizando, ensinando e servindo.

A pergunta no ponto exato: ninguém discute se a mulher pode orar, evangelizar, profetizar ou ensinar outras mulheres — o Novo Testamento mostra tudo isso. A divergência é sobre um cargo: a mulher pode ocupar a posição de quem ensina e governa a congregação inteira? As duas respostas têm nome:

  • Complementarismo: mesmo valor diante de Deus, funções diferentes na igreja e no lar; o ensino doutrinário à congregação e o governo dela cabem aos homens.

  • Igualitarismo: a redenção em Cristo removeu a distinção de gênero para o ministério; as restrições de Paulo respondiam a situações específicas das igrejas a que ele escrevia.

As duas existem dentro da teologia evangélica, leem a Bíblia como Palavra de Deus e usam o mesmo método. Separam-se no julgamento sobre o que, naquelas instruções, vale para todo tempo e o que respondia a um problema do século I.

O que o texto diz, de um lado e de outro

Um detalhe que muita gente não sabe: o Novo Testamento quase não usa "pastor" como título. A palavra aparece como dom em Efésios 4:11, mas os cargos com requisitos são presbítero (ou bispo) e diácono. "Mulher pode ser pastora?" é, no fundo, "mulher pode ser presbítera?".

Os textos que restringem são poucos. O principal:

Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva.(1 Timóteo 2:12,13, ACF)

Olha o que está em volta: no versículo 11, Paulo pede que a mulher aprenda em silêncio; no 12, não permite que ensine nem exerça autoridade; no 13, dá o motivo — Adão foi formado primeiro; no 14, acrescenta que Eva foi enganada. É uma ordem com razão declarada, e isso pesa para os dois lados. Os outros são 1 Coríntios 14:34-35, que manda as mulheres estarem caladas nas igrejas, e os requisitos para presbítero, que supõem um homem, "marido de uma só mulher" (1 Timóteo 3:2; Tito 1:6).

Do outro lado, três capítulos antes de pedir silêncio, Paulo regula como a mulher deve orar e profetizar no culto — ou seja, ela falava na igreja de Corinto, e ele não proíbe:

Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.(1 Coríntios 11:5, ACF)

Em Atos, uma mulher ensina um pregador famoso:

Ele começou a falar ousadamente na sinagoga; e, quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus.(Atos 18:26, ACF)

Priscila é nomeada antes do marido, o que em textos antigos costuma indicar destaque. Em Romanos 16, Paulo chama Febe de diakonos (Romanos 16:1) e saúda Júnia e Andrônico como notáveis "entre os apóstolos" (Romanos 16:7). No Antigo Testamento, Débora julga Israel e profetiza (Juízes 4). E em Pentecostes, Pedro cita Joel: "vossas filhas profetizarão" (Atos 2:17-18).

Até aqui é texto. Nenhum lado nega nenhum desses versículos; a diferença começa em como eles se encaixam.

A leitura que reserva o pastorado aos homens

Para o complementarista, a chave é o motivo de 1 Timóteo 2:13. Paulo não apela a uma situação local, e sim à criação — que vale para todos os povos e épocas. Ele usa o mesmo raciocínio em 1 Coríntios 11:8-9, sinal de que não era argumento improvisado.

Essa leitura não proíbe a mulher de ensinar; reserva ao presbítero um tipo de ensino — o doutrinário, à congregação reunida, ligado ao governo dela. O próprio Paulo manda as mulheres mais velhas ensinarem as mais novas (Tito 2:3-5) e elogia Lóide e Eunice por ensinarem as Escrituras a Timóteo (2 Timóteo 1:5).

E as mulheres que o texto mostra atuando?

  • Débora: Juízes narra, não prescreve; ela julga e profetiza, mas não ocupa cargo de ensino numa congregação.

  • Febe: diakonos é a palavra comum para "servo"; e diácono não é presbítero.

  • Júnia: "notáveis entre os apóstolos" pode ser "estimados pelos apóstolos", e "apóstolo" tem sentido amplo — "enviado", missionário.

  • Priscila: ensinou em casa, com o marido, a um homem só — não é pregação à igreja reunida.

  • Profecia em Corinto: profecia não é ensino autoritativo; em 1 Coríntios 14:29 ela é avaliada pelos outros, e o ensino do presbítero é o que avalia.

Quem sustenta essa posição não a vê como rebaixar a mulher, mas como obedecer a uma instrução cuja razão o próprio apóstolo deu.

A leitura que abre o pastorado às mulheres

Para o igualitário, o ponto de partida é este:

Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.(Gálatas 3:28, ACF)

As três divisões que Paulo cancela — judeu e grego, escravo e livre, homem e mulher — eram as que decidiam quem podia o quê. Se caem para a salvação, caem para o serviço. E os dons são distribuídos pelo Espírito "como quer" (1 Coríntios 12:11), sem lista por sexo. Débora, Priscila, Febe e Júnia seriam o princípio em prática.

Como esse lado lê 1 Timóteo 2?

  • A situação de Éfeso. Há falso ensino na igreja (1 Timóteo 1:3-7), jovens viúvas falando o que não devem (1 Timóteo 5:13-15) e, na segunda carta, mulheres "sempre aprendendo" sem chegar à verdade (2 Timóteo 3:6-7). Daí a hipótese: mulheres mal instruídas ensinavam errado, e Paulo manda que primeiro aprendam. Vale ser honesto — é uma reconstrução a partir de pistas, não algo que o texto diga com todas as letras.

  • A palavra "autoridade". O verbo authentein aparece uma única vez no Novo Testamento, e fora da Bíblia vai de "ter autoridade" a "dominar à força". Se é "dominar", Paulo proíbe um abuso, não um cargo.

  • Eva enganada. Não como prova de que a mulher é mais fácil de enganar, mas como exemplo de quem errou por falta de instrução. A solução é ensinar, não calar para sempre.

E 1 Coríntios 14:34? Como Paulo acabou de regular mulheres profetizando no mesmo culto, o silêncio não pode ser absoluto; trataria de ordem — interrupções no meio da reunião. Quanto a "marido de uma só mulher", descreveria o caso típico, não excluiria ninguém — do contrário excluiria também o solteiro.

Quem sustenta essa posição não a vê como ceder à cultura, mas como ler Paulo inteiro — o que escreveu 1 Timóteo 2 é o que trabalhou com Febe, Priscila e Júnia.

O que fica aberto

Razoavelmente firme. Paulo amarrou 1 Timóteo 2:12 à ordem da criação. Mulheres profetizavam em Corinto com o conhecimento dele. Priscila ensinou Apolo. Febe é diakonos. E Júnia era mulher: a maioria dos estudiosos, dos dois lados, lê o nome como feminino, porque a forma masculina "Junias" praticamente não existe nos documentos antigos.

Indeciso. O sentido exato de authentein. Se "entre os apóstolos" quer dizer "pertencente ao grupo" ou "conhecida por eles". Se a reconstrução de Éfeso descreve o que acontecia ou é só plausível. E, acima de tudo, se um argumento baseado na criação torna a instrução permanente — ou se Paulo podia usar a criação para fundamentar uma medida pastoral local.

Nenhuma dessas perguntas se resolve descobrindo um versículo novo; os dois lados têm os mesmos textos. O que decide é um julgamento sobre como Paulo raciocina — e dizer que a evidência fecha a questão seria dizer mais do que o texto permite.

O que fazer com isso

Se você está escolhendo uma igreja, pergunte como ela lê 1 Timóteo 2 e por quê. Uma resposta que parte do texto vale mais que um rótulo.

Se você é mulher e sente chamado, o que está em discussão é um cargo específico, não se Deus usa mulheres — isso o Novo Testamento responde sem ambiguidade. Dentro de cada posição há caminhos amplos de ministério; a diferença é se o presbitério está entre eles.

Se o assunto aparece numa conversa, trate-o como questão de segunda ordem: a igreja que reserva o púlpito a homens está tentando obedecer a Paulo; a que ordena pastoras está tentando obedecer ao mesmo Paulo.

O melhor lugar para continuar é 1 Timóteo 2 inteiro, lido devagar, e depois Romanos 16, onde Paulo cumprimenta uma a uma as pessoas com quem trabalhou. Os dois capítulos saíram da mesma mão — e é isso que torna a pergunta difícil.

Mulher pode pregar na igreja?

Depende do que se entende por pregar. As duas correntes concordam que a mulher pode profetizar, orar em público e ensinar outras mulheres e crianças (1 Coríntios 11:5; Tito 2:3-5). A divergência é sobre o ensino doutrinário à congregação reunida, que o complementarismo reserva ao presbítero e o igualitarismo abre a quem tem o dom.

Existe alguma pastora na Bíblia?

Com esse título, não — mas também não há nenhum "pastor" nomeado assim; o Novo Testamento fala de presbíteros e diáconos. Mulheres aparecem como profetisas (Débora, as filhas de Filipe em Atos 21:9), como diakonos (Febe, Romanos 16:1) e como cooperadoras de Paulo (Priscila, Júnia). Se alguma exerceu função equivalente à de presbítero é exatamente o que está em disputa.

Júnia era homem ou mulher?

A maioria dos estudiosos lê Júnia, em Romanos 16:7, como nome feminino: a forma masculina "Junias" quase não aparece nos documentos antigos. O que continua discutido é se ela e Andrônico eram "notáveis entre os apóstolos" ou "estimados pelos apóstolos", e em que sentido "apóstolo" é usado ali.

O que significa "exercer autoridade" em 1 Timóteo 2?

O verbo grego é authentein, que aparece só nessa passagem no Novo Testamento. Fora da Bíblia vai de "ter autoridade sobre" a "dominar". Quem lê como "ter autoridade" entende que Paulo reserva o governo da igreja aos homens; quem lê como "dominar" entende que ele proíbe um abuso. A raridade da palavra é o que mantém a questão aberta.

Mulher pode ser diaconisa?

Aqui há mais acordo. Febe é chamada diakonos em Romanos 16:1, e 1 Timóteo 3:11 traz requisitos para "mulheres" no meio da lista dos diáconos, o que muitos leem como diaconisas. Várias igrejas complementaristas as têm porque, na leitura delas, o diaconato é serviço, não governo. Outras entendem que Paulo fala das esposas dos diáconos. É uma discussão separada da do pastorado.

adriano pereira limaEdimilsom Nascimento
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