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A ressurreição nos lembra que a esperança nunca morre

Por Bíblia Online
Mãos de uma pessoa sobre mesa de madeira com Bíblia, óculos, xícara e crucifixo

Por que essa esperança não morre

A esperança cristã não morre porque não está apoiada em algo que ainda vai acontecer, e sim em algo que já aconteceu: Jesus saiu do túmulo. Esperar que a vida melhore é frágil, porque o dia bom pode não vir. Esperar a partir de alguém que já passou pela morte e voltou é outra coisa — o pior já foi testado, e não segurou.

Foi assim que Pedro escreveu, para cristãos longe de casa e debaixo de pressão:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,

Vale notar o adjetivo. Pedro não diz "uma esperança grande" nem "uma esperança firme": diz viva. E diz de onde ela vem — "pela ressurreição de Jesus Cristo". A esperança está viva porque aquele em quem ela se apoia está vivo. Se Jesus tivesse ficado no túmulo, a esperança teria ficado lá com ele.

O que Pedro quis dizer com "esperança viva"

Ajuda saber para quem ele escrevia. A carta vai aos "forasteiros dispersos" em cinco regiões da atual Turquia (1 Pedro 1:1) — gente deslocada, em minoria, que poucas linhas depois ele descreve como "entristecidos por várias provações" (1 Pedro 1:6). Não é um texto para quem está bem. É um texto para quem está perdendo coisas.

A esses, Pedro diz que Deus os "regenerou". A palavra grega, anagennáo, é literalmente "fazer nascer de novo". Nascer para quê? Para uma esperança. E no Novo Testamento esperança (elpís) não é um "quem sabe dá certo"; é a expectativa confiante de algo que foi prometido por quem cumpre o que promete.

Por que "viva"? Uma leitura comum entre comentaristas é que Pedro a contrasta com as esperanças mortas — as que dependem de circunstâncias e acabam quando as circunstâncias mudam. Mas o próprio versículo já dá a razão principal: ela é viva "pela ressurreição". O objeto dela não é uma ideia; é uma pessoa que está de pé.

No versículo seguinte, Pedro diz o que essa esperança espera: uma herança "que não se corrompe, não se mancha e não murcha", guardada nos céus (1 Pedro 1:4). Três coisas que acontecem com tudo o que a gente guarda aqui — e que não acontecem com isso.

Por que a ressurreição de Jesus garante a nossa

Paulo trata disso de frente em 1 Coríntios 15. Alguns na igreja de Corinto diziam que não existe ressurreição dos mortos (1 Coríntios 15:12). Paulo responde levando a ideia até o fim: se ninguém ressuscita, então Cristo também não ressuscitou. E aí:

E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.(1 Coríntios 15:17)

Ele não suaviza. Sem o domingo, a fé cristã é vazia, os pecados continuam onde estavam e, nas palavras dele, quem esperou em Cristo só para esta vida é "o mais infeliz de todos os homens" (1 Coríntios 15:19). Olha a honestidade disso: Paulo sabe que a esperança cristã é ou tudo ou nada.

E então ele vira a página:

Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem.(1 Coríntios 15:20)

"Primícias" é uma imagem agrícola. Era o primeiro feixe da colheita, levado ao templo antes de se colher o resto (Levítico 23:10). O primeiro feixe não é a colheita inteira — mas é a prova de que o campo amadureceu e o resto vem. Jesus ressuscitado é o primeiro feixe. Quem está nele é a colheita que ainda vai ser recolhida.

Isso não é metáfora de "ele vive na nossa memória". Paulo fala de corpo: semeado corruptível, ressuscita incorruptível (1 Coríntios 15:42-44). Que a ressurreição de Jesus foi corporal, e que a nossa também será, é ponto em que católicos, ortodoxos e protestantes concordam; as diferenças entre tradições estão no que acontece entre a morte e esse dia, não no dia em si.

A sexta-feira em que a esperança pareceu morrer

Antes de a ressurreição virar doutrina, ela foi uma surpresa. Na sexta-feira os discípulos não tinham esperança nenhuma — e o texto registra isso com as palavras deles.

No domingo à tarde, dois deles caminham para Emaús e desabafam com um desconhecido que se junta ao caminho:

E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas, agora, com tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram.(Lucas 24:21)

"Esperávamos." No passado. A esperança deles tinha data de óbito: sexta-feira, por volta das três da tarde. Eles ainda não sabiam que o desconhecido ao lado era Jesus.

Três homens de túnica caminham por uma estrada de terra rumo a uma vila de pedra.

O mesmo acontece com as mulheres que vão ao túmulo de manhã cedo: levam perfumes para um corpo, não flores para um ressuscitado (Marcos 16:1-3). E Maria Madalena, diante do túmulo aberto, chora e pergunta onde puseram o corpo (João 20:11-16). Nenhum deles estava esperando. A esperança não nasceu de otimismo; nasceu de um túmulo vazio e de um homem vivo que eles conseguiram tocar.

É por isso que a ressurreição "lembra" que a esperança não morre: não porque a vida ensine isso — a vida ensina o contrário —, mas porque uma vez a esperança morreu de fato, e Deus a trouxe de volta.

Como isso sustenta quem está de luto

A pergunta que mais aparece ao redor desse tema é a mais dolorosa: e quem já morreu? Paulo responde a uma igreja que tinha enterrado gente:

Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele.(1 Tessalonicenses 4:13,14)

Repare no que ele não diz. Não diz "não se entristeçam". Diz "não como os outros, que não têm esperança". A tristeza fica; o que muda é o final da história. E ele chama os mortos de "os que dormem" — um jeito de falar que já pressupõe acordar.

O próprio Jesus chorou diante do túmulo de um amigo (João 11:35). Instantes antes, tinha dito a Marta, irmã do morto:

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;(João 11:25)

Vale notar o momento: a frase vem com o túmulo ainda fechado, antes do milagre. Jesus não esperou Lázaro sair para dizer quem era a ressurreição. Ela não é um evento que ele faz; é quem ele é.

O que isso promete, concretamente, é a última palavra — não que a dor vá embora agora, nem que a perda seja desfeita nesta vida. A Bíblia não promete isso, e um texto honesto não deve prometer no lugar dela. O que ela promete é que a morte não encerra a história de quem está em Cristo, porque não encerrou a dele.

Quem escreveu isso sabia o que é perder a esperança

Quem escreveu "esperança viva" foi um pescador que, numa sexta-feira, negou três vezes conhecer Jesus e saiu chorando (Lucas 22:61-62). Pedro sabe o que é uma esperança morta: ele enterrou a dele. Por isso, quando fala de uma que não morre, não está fazendo discurso.

Leia o trecho inteiro em 1 Pedro 1:3-9: ele começa na ressurreição, passa pelas provações e termina em alegria — nessa ordem.

Qual é a diferença entre esperança bíblica e otimismo?

Otimismo é a aposta de que as coisas vão melhorar; esperança, no sentido do Novo Testamento (elpís), é a expectativa confiante de algo prometido por Deus. O otimismo depende das circunstâncias e pode ser contrariado por elas. A esperança bíblica se apoia num fato passado — a ressurreição de Jesus — e numa promessa futura, e por isso 1 Pedro 1:3 a chama de "viva".

Onde a Bíblia fala da ressurreição dos mortos?

O capítulo mais completo é 1 Coríntios 15, onde Paulo liga a ressurreição de Cristo à dos cristãos e descreve o corpo ressurreto. Também aparece em 1 Tessalonicenses 4:13-18, João 5:28-29, João 11:25-26, Daniel 12:2 e Apocalipse 20-21. Jó 19:25-26 é lido por muitos como uma das expressões mais antigas dessa esperança.

Por que Paulo chama Jesus de "primícias dos que dormem"?

Primícias era o primeiro feixe da colheita, oferecido a Deus antes de se colher o resto (Levítico 23:10). O primeiro feixe garantia que o campo estava maduro e a colheita viria. Paulo usa a imagem em 1 Coríntios 15:20 para dizer que a ressurreição de Jesus é o começo e a garantia da ressurreição de todos os que estão nele.

A ressurreição de Jesus foi corporal ou só espiritual?

Os evangelhos insistem no corpo: Jesus come peixe (Lucas 24:42-43), mostra as mãos e o lado a Tomé (João 20:27) e diz que um espírito não tem carne nem ossos (Lucas 24:39). Paulo descreve o corpo ressurreto como transformado, mas ainda corpo (1 Coríntios 15:42-44). Que a ressurreição foi corporal é consenso histórico entre católicos, ortodoxos e protestantes.

O que acontece com quem morre antes da ressurreição?

Aqui a Bíblia diz menos do que gostaríamos, e as tradições cristãs leem de modos diferentes. Paulo fala em "estar com Cristo" logo após a morte (Filipenses 1:23; 2 Coríntios 5:8), e Jesus promete ao ladrão arrependido "hoje estarás comigo no paraíso" (Lucas 23:43). A ressurreição do corpo, porém, fica para o retorno de Cristo (1 Tessalonicenses 4:16). A leitura evangélica histórica entende que o cristão está consciente na presença de Deus nesse intervalo, aguardando a ressurreição; outras tradições descrevem esse estado de outras formas.

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