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Casa de Deus: o que a Bíblia diz sobre este lugar

O que a Bíblia chama de casa de Deus

Na Bíblia, a "casa de Deus" não é uma construção física feita para conter o Criador, mas o espaço onde Ele escolhe manifestar a sua presença e se relacionar com as pessoas. Esse conceito se desenvolve ao longo das Escrituras: começa com altares e tendas no deserto, passa pelo templo de Jerusalém e culmina no Novo Testamento, onde a morada divina passa a ser o próprio crente e a comunidade da fé.

A primeira vez que a expressão surge associada a um lugar específico ocorre quando Jacó acorda de uma visão no deserto e chama aquele local de Betel — que significa literalmente "casa de Deus":

Quando Jacó acordou do sono, disse:

— Sem dúvida, o Senhor está neste lugar, mas eu não sabia!

Com muito medo, ele disse:

— Temível é este lugar! Não é outro senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus.(Gênesis 28:16,17)

Mais tarde, Israel ergueu o tabernáculo móvel e, depois, o templo de Salomão. Ainda assim, os profetas e apóstolos sempre enfatizaram que Deus transcende qualquer espaço construído por mãos humanas:

Assim diz o Senhor:

"O céu é o meu trono,

e a terra, o estrado dos meus pés.

Que espécie de casa vocês edificarão para mim?

Onde seria o meu lugar de descanso?

Não foram as minhas mãos que fizeram todas essas coisas

e, por isso, vieram a existir?",

declara o Senhor.

"Mas a este eu estimo:

ao humilde e contrito de espírito,

que treme diante da minha palavra.(Isaías 66:1,2)

— No deserto, os nossos antepassados tinham o tabernáculo da aliança, que fora feito segundo a ordem de Deus a Moisés, de acordo com o modelo que ele tinha visto. Tendo recebido o tabernáculo, os nossos antepassados o levaram, sob a liderança de Josué, quando tomaram a terra das nações que Deus expulsou de diante deles. Esse tabernáculo permaneceu nessa terra até a época de Davi, que recebeu o favor de Deus e pediu que ele lhe permitisse providenciar uma habitação para o Deus de Jacó.Foi Salomão, porém, quem lhe construiu a casa.

— Todavia, o Altíssimo não habita em casas feitas por homens. Como diz o profeta:

"O céu é o meu trono,

e a terra, o estrado dos meus pés.

Que espécie de casa vocês edificarão para mim? — diz o Senhor —.

Ou onde seria o meu lugar de descanso?

Não foram as minhas mãos que fizeram todas essas coisas?".(Atos 7:44-50)

O desejo pela presença nos Salmos

Nos Salmos, a expressão "casa do Senhor" frequentemente expressa a saudade e o anseio pela comunhão viva com Deus, e não mero apego às paredes do santuário. Estar na casa de Deus significava desfrutar de paz, segurança e abrigo sob o cuidado do Criador:

Uma coisa pedi ao Senhor

e a buscarei:

que eu possa habitar na casa do Senhor

todos os dias da minha vida,

para contemplar a bondade do Senhor

e buscar a sua orientação no seu templo.(Salmos 27:4)

Melhor é um dia nos teus átrios

do que mil em outro lugar;

prefiro ficar à porta da casa do meu Deus

a habitar nas tendas dos ímpios.(Salmos 84:10)

Alegrei-me com os que me disseram:

"Vamos à casa do Senhor!".(Salmos 122:1)

Os autores bíblicos usam essa imagem para descrever a estabilidade espiritual de quem confia no Senhor:

Certamente a bondade e o amor leal me seguirão

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor para sempre.(Salmos 23:6)

Eu, porém, sou como uma oliveira

que floresce na casa de Deus;

confio no amor de Deus

para todo o sempre.(Salmos 52:8)

Bem-aventurados aqueles que escolhes

e trazes a ti para que vivam nos teus átrios!

Transbordamos de bênçãos da tua casa,

do teu santo templo!(Salmos 65:4)

Jesus e o zelo pelo templo

Nos evangelhos, Jesus trata o templo físico com reverência solene, confrontando os líderes religiosos que haviam transformado o local sagrado em mercado lucrativo:

Jesus entrou no templo e expulsou todos os que estavam vendendo e comprando. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas e lhes disse:

— Está escrito: "A minha casa será chamada casa de oração", mas vocês estão fazendo dela um "covil de ladrões".(Mateus 21:12,13)

A postura de Cristo ao expulsar os vendilhões cumpriu o sentimento profético registrado nos Salmos sobre o compromisso irrestrito com as coisas do Pai:

Quando já se aproximava a Páscoa judaica, Jesus subiu a Jerusalém. No pátio do templo, encontrou alguns vendendo bois, ovelhas e pombas, e outros sentados diante de mesas, trocando dinheiro. Então, ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois. Espalhou as moedas dos cambistas, virou as suas mesas e disse aos que vendiam pombas:

— Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa do meu Pai um mercado!

Os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: "O zelo pela tua casa me consumirá".(João 2:13-17)

O zelo pela tua casa me consumiu,

e os insultos daqueles que te insultam caíram sobre mim.(Salmos 69:9)

Nesse mesmo episódio, Jesus apontou para a transição definitiva: ao anunciar que reedificaria o templo em três dias, Ele falava da ressurreição do seu próprio corpo, inaugurando uma nova forma de encontro com o Criador.

A morada espiritual: a igreja e o corpo do cristão

Com a nova aliança estabelecida por Cristo e a vinda do Espírito Santo, o conceito de templo físico perde a centralidade. A morada de Deus deixa de ser um endereço geográfico e se torna pessoal e comunitária.

Individualmente, o corpo do cristão é santuário do Espírito:

Acaso não sabem que o corpo de vocês é templo do Espírito Santo, que está em vocês, o qual receberam de Deus? Vocês não são de vocês mesmos;(1 Coríntios 6:19)

Coletivamente, a comunidade dos que creem — a igreja — é a verdadeira família e habitação viva de Deus na terra:

mas, se eu demorar, saiba como as pessoas devem comportar-se na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade.(1 Timóteo 3:15)

mas Cristo é fiel como Filho sobre a casa de Deus; essa casa somos nós, se é que nos apegamos firmemente à confiança e à esperança gloriosa.(Hebreus 3:6)

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