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Amor verdadeiro: como Jesus nos mostra esse sentimento

Por Bíblia Online
Homem de cabelos longos e barba abraça uma criança de cabelos cacheados junto ao peito.

Jesus ensina que o amor verdadeiro não é um sentimento abstrato, mas uma decisão prática de servir, perdoar e se entregar pelo outro — inclusive quando não há reciprocidade. Nos Evangelhos, esse amor se manifesta no mandamento de amar os inimigos, no socorro aos marginalizados e, de forma suprema, na entrega voluntária da própria vida na cruz.

Amar e orar pelos inimigos

Mas eu digo: amem os seus inimigos e orem por aqueles que perseguem vocês,(Mateus 5:44)

No Sermão do Monte, Jesus eleva o amor ao próximo a um nível que contrariava a lógica comum da época. Amar quem retribui o afeto é natural; o mandamento de orar por quem persegue exige agir ativamente em favor de quem deseja o mal. Na perspectiva bíblica, esse amor não depende de simpatia nem da aprovação das atitudes alheias, mas reflete o próprio caráter misericordioso de Deus, que faz nascer o sol sobre justos e injustos.

O Bom Samaritano e o amor que supera barreiras

Em resposta, Jesus disse:

— Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto. Coincidentemente, um sacerdote descia por aquela estrada e, tendo visto o homem, passou pelo outro lado. De igual modo, um levita, quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele. Ele se aproximou e lhe enfaixou as feridas, depois de derramar vinho e óleo nelas. Então, colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e lhe disse: "Cuide dele. Quando eu voltar, pagarei todas as despesas que você tiver a mais".

— Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?

— Aquele que teve misericórdia dele — respondeu o perito na lei.

Jesus lhe disse:

— Vá e faça o mesmo.(Lucas 10:30-37)

Ao responder a um intérprete da Lei sobre quem seria o "próximo", Jesus contou a história de um homem espancado e deixado na estrada entre Jerusalém e Jericó. Tanto um sacerdote quanto um levita — líderes religiosos de Israel — passaram pelo ferido e decidiram desviar. Quem prestou socorro, tratou as feridas e pagou a hospedagem foi um samaritano, membro de um povo historicamente rival dos judeus. Com isso, Jesus ensinou que o amor ao próximo não faz acepção de nacionalidade, etnia ou religião: o próximo é qualquer pessoa necessitada que cruza o caminho.

A mulher adúltera: compaixão e restauração

Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todose disseram a Jesus:

— Mestre, esta mulher foi surpreendida no ato de adultério.Na lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E, você, o que tem a dizer?

Eles estavam usando essa pergunta para testá-lo, a fim de terem fundamento para acusá-lo.

Jesus, porém, inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e disse:

— Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela.

Ele inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão.

Os que o ouviram, acusados pela consciência, foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos, até que Jesus ficou só com a mulher que estava diante dele.Então, Jesus pôs-se em pé e perguntou-lhe:

— Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou?

— Ninguém, Senhor — disse ela.

Jesus declarou:

— Eu também não a condeno. Vá e, de agora em diante, abandone a sua vida de pecado.(João 8:3-11)

Quando escribas e fariseus levaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, a intenção era testá-lo diante da prescrição de apedrejamento da Lei mosaica. Em vez de legitimar o julgamento precipitado, Jesus confrontou a consciência dos acusadores ao desafiar quem não tivesse pecado a atirar a primeira pedra. Diante do recuo de todos, Ele não minimizou a gravidade do erro nem a condenou, ordenando que ela fosse embora e não pecasse mais. O episódio demonstra que o amor bíblico acolhe o culpado e oferece perdão restaurador, sem negociar a verdade.

O servo do centurião e a compaixão sem fronteiras

Quando Jesus entrou em Cafarnaum, um centurião se dirigiu a ele, pedindo-lhe ajuda. Ele disse:

— Senhor, o meu servo está em casa, paralítico, em terrível sofrimento.

Jesus lhe disse:

— Eu irei curá-lo.

O centurião respondeu:

— Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Basta que digas uma palavra, e o meu servo será curado. Pois eu também sou homem sujeito à autoridade e com soldados sob o meu comando. Digo a um: "Vá", e ele vai; a outro: "Venha", e ele vem. Digo ao meu servo: "Faça isto", e ele o faz.

Ao ouvir isso, Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam:

— Em verdade lhes digo que nem mesmo em Israel encontrei alguém com tamanha fé. Eu digo que muitos virão do oriente e do ocidente e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. Mas os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.

Então, Jesus disse ao centurião:

— Vá! Como você creu, assim acontecerá!

Na mesma hora, o servo do centurião foi curado.(Mateus 8:5-13)

Em Cafarnaum, um centurião romano — comandante do exército que ocupava a Judeia — aproximou-se de Jesus para interceder por um servo paralítico que sofria em casa. O oficial reconheceu a autoridade de Cristo a ponto de afirmar que bastava uma palavra para que a cura acontecesse, sem necessidade de Jesus entrar sob o seu teto. Jesus atendeu ao pedido e destacou a fé daquele homem estrangeiro. A narrativa revela que o amor de Jesus alcança quem estava fora da comunidade da aliança, atendendo prontamente à aflição humana.

O sacrifício na cruz: o ápice do amor

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida pelos seus amigos.(João 15:13)

Na noite anterior à sua prisão, Jesus afirmou aos discípulos que não existe maior demonstração de amor do que abrir mão da própria vida em favor dos amigos. Esse ensino encontrou cumprimento histórico na crucificação, onde Cristo se ofereceu voluntariamente pela humanidade. Para a teologia bíblica, a cruz é o padrão definitivo do amor: não uma teoria sobre afeto, mas uma entrega custosa, concreta e voluntária pelo bem eterno do outro.

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