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Como era a cidade de Corinto no tempo de Paulo

Redação Bíblia Online Publicado em

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A cidade de Corinto nos dias de Paulo

Multidão circula por mercado ao ar livre com templos de colunas e barracas, sob um rochedo.

No tempo do apóstolo Paulo, Corinto era uma metrópole romana próspera, cosmopolita e estratégica, situada no estreito istmo que ligava a Grécia continental à península do Peloponeso. Reerguida por Júlio César em 44 a.C. como colônia romana e capital da província da Acaia, a cidade funcionava como o grande centro comercial da região, atraindo marinheiros, mercadores, funcionários imperiais, artesãos e escravos libertos de todo o Mediterrâneo.

Quando Paulo chegou a Corinto durante sua segunda viagem missionária, encontrou uma sociedade jovem e dinâmica, voltada para o comércio, a ascensão financeira e o entretenimento, sem a aristocracia tradicional da antiga Grécia clássica.

Este artigo faz parte de Estudos Bíblicos Contexto Histórico

Posição estratégica e os dois portos

A riqueza de Corinto vinha da geografia. A cidade controlava dois portos importantes separados por poucos quilômetros de terra: Lequeu, voltado para o mar Jônio a oeste (em direção à Itália), e Cencreia, voltado para o mar Egeu a leste (em direção à Ásia Menor).

Para evitar a perigosa rota naval ao sul do Peloponeso, mercadores descarregavam suas cargas em um porto e as transportavam por terra até o outro por meio de uma via pavimentada (diolkos), ou até mesmo arrastavam navios menores sobre trilhos de madeira. Esse tráfego incessante gerava volumosa arrecadação de tributos, além de movimentar pousadas, oficinas, armazéns e serviços locais.

Cultura, religião e costumes

A vida em Corinto era marcada pela pluralidade e pela busca de prestígio social:

  • Os Jogos Ístmicos: a cada dois anos, a região sediava uma das maiores competições esportivas do mundo greco-romano, superada apenas pelas Olimpíadas. O evento atraía multidões de atletas e espectadores, servindo de pano de fundo para as metáforas de Paulo sobre corrida e coroa incorruptível.

  • Religião e templos: a cidade abrigava santuários dedicados a deuses gregos e romanos, como Apolo e Asclépio (deus da cura), além do culto imperial a Roma e a César. No cume da Acrocorinto erguia-se o antigo santuário de Afrodite.

  • Ambiente moral: cidades portuárias costumavam concentrar tavernas, prostituição e vida boêmia. O termo grego korinthiazesthai ("viver como coríntio") era usado na época como sinônimo pejorativo de licenciosidade e vida desregrada.

A chegada de Paulo e o trabalho na cidade

Paulo permaneceu em Corinto por dezoito meses entre os anos 50 e 52 d.C. Ao chegar, associou-se a Áquila e Priscila, casal de judeus cristãos recém-chegados de Roma que dividia com ele o ofício de fabricar tendas de couro. O apóstolo debatia semanalmente na sinagoga local até transferir as reuniões para a casa de Tício Justo, vizinha à sinagoga, onde Crispo, o líder da congregação judaica, creu no evangelho com toda a família.

A comunidade cristã que se formou ali refletia o perfil da cidade: era composta por judeus e gentios, escravos e pessoas de posses (como Erasto, tesoureiro da cidade), mas em sua maioria pessoas de origem simples.

Passagens bíblicas sobre Corinto

Ekubindaho ayo Paolo akahauka Asene akaita Kolinto. Uko akakintana na Myahudi yumwe etangwae Akula mwenyezi wa Ponto, hamwe na mkaziwe etangwae Pilisila keza kulawa Italia misi idaida kwaajii Kaisalia Kilaudio nekawa akawakunda Wayahudi wose wahauke Lumi. Paolo nee kaita kuwavuia, nae kwaviya ne ni fundi wa kushona matwea inga wao, Paolo akekaa akagosoa ndima hamwe nao. Kia Msi wa Kuhumwiiza, Paolo nekawa akatambaisana nao mwe Nyumba ya kuvikia Wayahudi, akageeza kuwabibiiza Wayahudi na Wagiiki.

Sila na Timoseo wekubuaho kulawa si ya Makedonia, Paolo nekawa akatumia kisingi chakwe chose kubiikia na kuwamba Wayahudi kuwa Yesu nee Klistu. Akini Wayahudi wakavoka kuhigana na kumdumua Paolo, yee akakung’uta nguo zakwe na kuwamba, "Mkaga ni mbwii yenu wenye miye khina masa yoyose kuusu mbui inu. Na kuvokea isasa nendaniite kwa wantu wesao kuwa Wayahudi." Naho akahauka aho na kuita kwekaa kwa mntu yumwe mwesekuwa Myahudi etangwae Tito Yusito mwekuwa akamzumiiya Muungu na kaya yakwe neiwa ihehi na Nyumba ya kuvikia Wayahudi. Kilisipo mkuu wa Nyumba ya kuvikia Wayahudi, akamzumiiya Zumbe hamwe na wanduguze wose, naho Wakolinto wangi wekutegeezaho mbui iyo wakamzumiiya Yesu na kubatizwa.

Msi umwe na kio Paolo akaonyeshwa kintu na Zumbe akamwamba, "Usekuogoha endeea kubiikia, naho usekunyamaa, kwaviya miye ni hamwe nawe khahana mntu endae adahe kukuumiza, kwaviya hanu he mzi hana wantu wangi wa phande yangu." Naho Paolo akekaa uko akahinya mbui ya Muungu gatigati yao kwa kisingi cha mwaka umwe na unusu.(Ntendwa 18:1-11)

O relato em Atos mostra o trabalho diário de Paulo ao lado de Priscila e Áquila, o sustento obtido pelo trabalho manual e o encorajamento de Deus em visão para que não temesse, pois havia ali "muito povo" a ser alcançado.

Kisingi icho Galio nekawa mkuu wa hantu ha Akaya, Wayahudi wekuwao uko wakamgwiiya Paolo kwa hamwe na kumwegaa he mkonga. Wakamba, "Mntu uyu ageeza kuwabibiiza wantu wamvikie Muungu kwa sia yesayokukundigwa he miko!"

Kisingi Paolo khazati kutamwiiya, Galio akawamba Wayahudi, "Tegeezani nywie Wayahudi, inga nee mumhaia masa mntu uyu kwaajii ya ubanasi au kwaajii ya ufyaimi nee nikakundigwa kuwategeeza. Akini inga ni mbui ya kuhigana kuusu mazina na miko yenu amueni nywie wenye, miye khikunda kuwa muamua wa mbui iyo!" Aho akawaguusa kulawa he mkonga. Naho wose wakamgwia Sositenesi, mgookezi wa Nyumba ya kuvikia Wayahudi, wakamtoa chongoi ya hada ekuamuiwao masa. Akini Galio khekupatiiza mbui iyo hata kidodo.(Ntendwa 18:12-17)

Líderes da comunidade judaica levaram Paulo diante do tribunal (bema) de Júnio Ânio Gálio, procônsul da Acaia e irmão do filósofo Sêneca. Ao recusar julgar uma disputa de lei religiosa interna, Gálio estabeleceu uma distinção civil que permitiu ao cristianismo nascente continuar sua pregação sob a proteção da lei romana.

Miye Paolo, nekwetangwae kwa ukundiso wa Muungu, niwe muagiiwa wa Klistu Yesu, bauwa inu khiandika miye hamwe na ndugu yangu Sositenesi, tawaandikia nywie zumwezumwe da wantu wamzumiiyao Klistu da uko mwe mzi wa Kolinto, nywie ambao Muungu kawasagua kuwa kintu kimwe na Yesu Klistu na kuwetanga kuwa wantu wakwe. Tawaandikia nywie hamwe na wantu wose ambao wamuombeza Zumbe Yesu Klistu, ambae nee Zumbe yenu, viyaviya na Zumbe yetu swie.

Namuombeza Muungu Tati yetu na Zumbe Yesu Klistu awekhe wedi na uivanisi.(1 Wakolinto 1:1-3)

Na saudação da primeira carta, Paulo lembra à comunidade de Corinto a sua identidade: um povo chamado para ser santo, contrastando com as práticas e os valores comuns da metrópole em que viviam.

Como o contexto de Corinto explica as cartas paulinas

A atmosfera urbana de Corinto explica boa parte dos conflitos tratados nas duas epístolas aos Coríntios:

  • Divisões e culto à personalidade: o apego à retórica e à sabedoria filosófica gerava partidos internos em torno de nomes como Paulo, Apolo e Pedro.

  • Processos jurídicos entre irmãos: o costume romano de buscar prestígio por meio de disputas em tribunais públicos era reproduzido dentro da igreja.

  • Carnes sacrificadas a ídolos: o mercado de carnes era abastecido por restos de sacrifícios pagãos, gerando escândalo entre cristãos de diferentes convicções.

  • A Ceia do Senhor: a disparidade entre ricos e pobres transparecia nos banquetes comunitários, onde os mais abastados comiam antes e deixavam os trabalhadores sem alimento.

A realidade de Corinto mostra que a pregação apostólica não operava em um vácuo espiritual: ela confrontava as estruturas econômicas, sociais e morais concretas de uma das cidades mais influentes do Império Romano.

Perguntas frequentes

  • Qual era a importância dos portos de Corinto para o comércio do mundo antigo? A cidade controlava os portos de Lequeu e Cencreia, permitindo o transporte rápido de cargas e barcos pelo istmo. Esse atalho evitava o contorno perigoso pelo sul do Peloponeso e tornava a cidade uma das rotas comerciais mais movimentadas entre Roma e o oriente.

  • Como a decisão do procônsul Gálio ajudou o ministério de Paulo? Ao declarar que a acusação contra Paulo se tratava de uma controvérsia religiosa e não de crime contra a lei romana, Gálio recusou intervir. Essa decisão serviu de precedente legal favorável para que o evangelho continuasse a ser pregado publicamente na província da Acaia.

  • Quais eram os principais desafios morais da igreja em Corinto? Os cristãos conviviam com a forte influência da prostituição ligada à vida portuária, banquetes em templos pagãos, litígios públicos por vaidade social e divisões internas alimentadas pela valorização da eloquência humana em detrimento do amor fraternal.

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