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Compaixão: a dor no estômago que vira gesto na Bíblia

Redação Bíblia Online Publicado em

O que a Bíblia chama de compaixão

Homem de camisa xadrez oferece um pão a um homem sentado na calçada, sobre papelão.

Na Bíblia, compaixão é a dor que você sente no fundo quando vê alguém sofrer — e que não fica parada ali: ela vira gesto. Pena olha e segue; compaixão para, se aproxima e faz alguma coisa. E, antes de ser uma ordem para nós, ela é um retrato de Deus: a Escritura usa essa palavra primeiro para dizer quem ele é, e só depois para dizer como devemos tratar os outros.

Vale olhar a palavra de perto, porque ela explica muito. No hebraico, o verbo é racham, da mesma família de rechem, que significa "útero". Compaixão, para o israelita, era um sentimento de mãe: algo que mexe nas entranhas, não só na cabeça. No grego do Novo Testamento, o termo é splanchnizomai, que vem de splanchna, "vísceras". É literalmente "sentir no estômago". Quando a Bíblia diz que alguém "teve compaixão", ela está dizendo que a dor do outro doeu dentro dele.

O versículo que melhor junta tudo isso é o Salmo 103:13, que compara a compaixão de Deus à de um pai:

Como um pai tem compaixão dos seus filhos,

assim o Senhor tem compaixão dos que o temem;

Repare na comparação. Um pai não se compadece do filho porque o filho merece — se compadece porque é filho. É esse o ponto de partida de tudo o que a Bíblia ensina sobre compaixão: ela nasce de vínculo, não de cálculo.

Este artigo faz parte de Dúvidas e Explicações Significado de Palavras

Como Deus se apresenta: "compassivo e misericordioso"

Quando Deus se descreve para Moisés no Sinai, a primeira palavra que ele usa sobre si mesmo é essa. Em Êxodo 34, logo depois de Israel ter feito o bezerro de ouro, Deus passa diante de Moisés e proclama: "Senhor, Senhor Deus, compassivo e misericordioso, tardio em irar-se e grande em benignidade e fidelidade". Note o momento: isso é dito a um povo que tinha acabado de quebrar a aliança. A compaixão não espera o povo se recuperar; ela é anunciada no meio da falha.

Essa frase do Sinai virou uma espécie de credo em Israel. Ela reaparece em vários salmos e profetas, quase com as mesmas palavras. O Salmo 86:15 é um exemplo — Davi repete a fórmula quase inteira, como quem lembra Deus da própria promessa:

Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso,

tardio em irar-se e cheio de amor leal e fidelidade.(Salmos 86:15)

Olha o contexto: o Salmo 86 é uma oração de alguém cercado de inimigos e sem força (versículos 1 e 14). Ele não começa dizendo "eu mereço ajuda"; ele começa dizendo "tu és assim". A compaixão de Deus é o argumento da oração.

O profeta Miqueias faz a mesma coisa, mas com uma pergunta. Depois de capítulos anunciando juízo sobre Judá, ele termina o livro perguntando quem é como Deus — e a resposta é um Deus que perdoa porque gosta de perdoar:

Quem é comparável a ti, ó Deus,

que perdoas o pecado e te esqueces da transgressão

do remanescente da tua herança?

Tu, que não permaneces irado para sempre,

mas tens prazer em mostrar amor leal.(Miqueias 7:18)

Esse "tem prazer" é importante. Deus não perdoa de má vontade, como quem cede. Miqueias diz que a misericórdia é a coisa de que Deus gosta. No versículo seguinte (Miqueias 7:19), o profeta usa o verbo racham de novo: "tornará a compadecer-se de nós". A iniquidade é jogada no fundo do mar; a compaixão fica.

A compaixão que segura quando tudo desaba

Alguns dos textos mais fortes sobre compaixão na Bíblia foram escritos em ruínas, literalmente. Lamentações é um livro composto depois que Jerusalém caiu diante da Babilônia, em 586 a.C. O templo estava queimado, o povo estava deportado, e o autor passa dois capítulos e meio descrevendo fome, humilhação e silêncio de Deus. E então, no meio do capítulo 3, vem isto:

Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos,

pois as suas misericórdias são inesgotáveis.

Renovam-se cada manhã;

grande é a sua fidelidade!(Lamentações 3:22,23)

Note duas palavras que aparecem no hebraico. "Misericórdias" na primeira linha é chesed, o amor leal da aliança; "misericórdias" na segunda é rachamim, as entranhas compassivas de que falamos no início. O autor está dizendo: nós não fomos destruídos até o fim porque a compaixão de Deus não acabou — e ela recomeça cada manhã. Não é um texto escrito por quem está bem. É escrito por quem olhou para a cidade em cinzas e decidiu dizer isso mesmo assim.

Isaías 30 vem de outra crise. Judá, ameaçada pela Assíria, foi buscar socorro no Egito em vez de buscar em Deus (Isaías 30:1-7). O profeta denuncia isso duramente. Mas o capítulo não para na denúncia:

Contudo, o Senhor espera o momento de ser bondoso com vocês;

ele ainda se levantará para mostrar compaixão a vocês.

Pois o Senhor é Deus de justiça.

Bem-aventurados todos os que nele esperam!(Isaías 30:18)

Repare no verbo "espera". Deus espera o momento de ter compaixão — como quem está pronto e aguardando o filho voltar. E a frase termina ligando compaixão com justiça: "porque o Senhor é Deus de equidade". Na Bíblia, essas duas coisas nunca brigam. Deus é compassivo justamente porque é justo, e não apesar disso.

A imagem da mãe e o povo que achava que tinha sido esquecido

Se o Salmo 103 usa a figura do pai, Isaías 49 usa a da mãe. O contexto é o exílio: Sião reclama, no versículo 14, "o Senhor me desamparou e se esqueceu de mim". A resposta de Deus é uma pergunta que qualquer pessoa entende:

"Haverá mãe que possa esquecer-se do seu bebê que ainda mama

e não ter compaixão do filho que gerou?

Embora ela possa se esquecer dele,

eu não me esquecerei de você!

Veja, eu gravei você nas palmas das minhas mãos;

os seus muros estão sempre diante de mim.(Isaías 49:15,16)

Aqui o verbo é racham de novo, e a imagem é exatamente a da raiz da palavra: uma mãe e o filho que ela ainda amamenta. Deus diz que mesmo isso — o laço mais forte que existe entre seres humanos — pode falhar, mas o dele não. E depois vem o detalhe das palmas das mãos: a cidade gravada ali, como uma tatuagem que não sai. A compaixão divina não é humor passageiro; é algo inscrito.

Zacarias fala ao mesmo povo décadas depois, já de volta a Jerusalém, tentando reconstruir o templo. Ele anuncia que Deus vai restaurar as tribos dispersas — e o motivo dado é a compaixão:

"Assim, eu fortalecerei a tribo de Judá

e salvarei as tribos de José.

Eu os restaurarei

porque tenho compaixão deles.

Eles serão como se nunca os tivesse rejeitado,

porque eu sou o Senhor, o Deus deles,

e lhes responderei.(Zacarias 10:6)

"Serão como se eu não os tivesse rejeitado." Isso é compaixão que restaura, não só que perdoa. O exílio tinha sido um juízo real; ninguém no texto finge que não foi. Mas a compaixão de Deus trabalha para apagar a marca dele.

É por isso que Davi, escondido no deserto de Judá, consegue dizer o que diz no Salmo 63. O título do salmo informa onde ele estava; não havia conforto nenhum em volta. E ainda assim:

O teu amor leal é melhor do que a vida!

Por isso, os meus lábios te exaltarão.(Salmos 63:3)

A palavra traduzida como "benignidade", "amor leal" ou "graça" é chesed — o amor fiel que anda junto com a compaixão em toda a Bíblia hebraica. Davi diz que esse amor vale mais do que a própria vida. Quem já perdeu tudo e ainda tinha isso entende a frase.

Jesus "teve compaixão": o que ele fazia depois

No Novo Testamento, a compaixão de Deus ganha rosto. Os evangelhos usam o verbo splanchnizomai para Jesus várias vezes, e vale notar o padrão: toda vez que o texto diz que Jesus "teve compaixão", a frase seguinte é uma ação.

Em Marcos 6, ele vê uma multidão "como ovelhas sem pastor", tem compaixão — e começa a ensinar. Depois, no mesmo capítulo, alimenta todo mundo. Em Mateus 14, ele tem compaixão e cura os doentes. Em Lucas 7, ele encontra uma viúva em Naim enterrando o único filho; o texto diz que, ao vê-la, se compadeceu, disse "não chores" e devolveu o rapaz vivo. Ninguém tinha pedido nada. A compaixão veio antes do pedido.

Jesus também contou histórias sobre isso, e nas duas parábolas mais conhecidas o verbo é o mesmo. O samaritano de Lucas 10 vê o homem caído e "se compadece" — depois desce do animal, limpa as feridas, carrega, paga a hospedaria. O pai de Lucas 15 vê o filho de longe, "se compadece" — e sai correndo. Em nenhum dos casos a compaixão fica dentro do peito.

Homem barbudo ampara um ferido encostado em rochas, ao lado de um jumento na estrada.

Hebreus leva isso um passo adiante e diz que essa compaixão de Jesus não acabou com a sua vida terrena. Ele continua sendo o sacerdote que entende:

pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, ainda que sem pecado.(Hebreus 4:15)

A palavra grega aqui é sympatheo, de onde vem "simpatia" — mas no sentido original: "sofrer junto". O argumento de Hebreus é que Jesus não se compadece de longe. Ele passou pela fraqueza, pela tentação, pelo cansaço. Por isso o versículo seguinte (Hebreus 4:16) convida a chegar perto com confiança. Compaixão, para esse autor, é o motivo de a oração fazer sentido.

Compaixão e misericórdia são a mesma coisa?

Essa é uma dúvida comum, e a Bíblia ajuda a responder porque usa as duas palavras lado a lado muitas vezes — "compassivo e misericordioso", "misericórdia e compaixão". Se fossem idênticas, não precisaria das duas.

Uma distinção útil, que a maioria dos estudiosos evangélicos e também católicos adota, é esta: compaixão (racham, splanchnizomai) é o movimento interior — a dor sentida diante do sofrimento alheio. Misericórdia (chesed no hebraico, eleos no grego) é mais ampla: é o amor fiel que age em favor de alguém, inclusive de quem não merece. Compaixão é o que você sente quando vê; misericórdia é o que você faz com o que sentiu, sustentado ao longo do tempo.

A parábola do samaritano mostra as duas num mesmo texto. No versículo 33 de Lucas 10, ele "se compadece" (compaixão); no versículo 37, Jesus pergunta quem foi o próximo, e a resposta é "o que usou de misericórdia". A compaixão foi o começo; a misericórdia foi o conjunto todo — o óleo, o vinho, a hospedaria, as moedas, a promessa de voltar.

Paulo usa ainda uma terceira palavra quando fala de Deus em 2 Coríntios: "consolação". E mostra como as três se encadeiam:

Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que possamos consolar os que estão passando por tribulações com a consolação que recebemos de Deus.(2 Coríntios 1:3,4)

Olha a lógica: Deus é "Pai das misericórdias", e por isso consola. E quem foi consolado passa a conseguir consolar. Paulo está escrevendo depois de uma aflição séria na Ásia, que ele descreve nos versículos seguintes (2 Coríntios 1:8-9). A compaixão que ele recebeu não terminou nele; virou capacidade de cuidar de outros. Esse é o desenho bíblico inteiro em dois versículos.

Por que a Bíblia não aceita compaixão só de sentimento

Aqui está uma coisa importante. Se compaixão é o que a gente sente, seria fácil dizer "eu sinto muito" e dar o assunto por encerrado. A Bíblia fecha essa porta com força, no Antigo e no Novo Testamento.

Zacarias 7 começa com uma pergunta religiosa: o povo quer saber se ainda precisa jejuar em certa data. Deus responde mudando de assunto para o que realmente importa:

— Assim diz o Senhor dos Exércitos: "Administrem a verdadeira justiça, mostrem misericórdia e compaixão uns para com os outros. Não oprimam a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o necessitado. Não tramem maldades uns contra os outros no coração".(Zacarias 7:9,10)

A lista do versículo 10 — viúva, órfão, estrangeiro, pobre — aparece dezenas de vezes na lei e nos profetas, porque eram as pessoas sem proteção numa sociedade agrária. Deus está dizendo que a compaixão que ele quer tem endereço: são essas pessoas. E repare no fim: "não tramem o mal uns contra os outros no coração". A compaixão bíblica começa dentro, mas é medida pelo que faz fora.

João, séculos depois, usa a própria palavra "entranhas" para fazer o mesmo teste:

Se alguém tiver recursos materiais, vir o seu irmão em necessidade e não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?(1 João 3:17)

No grego, "fechar as entranhas" (splanchna) é o oposto exato de splanchnizomai. É ver o irmão em necessidade e trancar justamente o lugar onde a compaixão deveria acontecer. João conclui que, nesse caso, é razoável perguntar se o amor de Deus está ali. É duro, mas coerente: se Deus é compassivo, quem é dele vai se parecer com ele nisso. Tiago faz a mesma cobrança em Tiago 2 — desejar "ide em paz, aquecei-vos" a quem está com frio, sem dar o agasalho, não serve de nada.

Como praticar: três ordens do Novo Testamento

Os apóstolos não deixam a compaixão como ideal vago; eles dão comandos concretos. Três merecem atenção.

O primeiro é de Colossenses 3, e a imagem é de roupa. Paulo acaba de dizer que o cristão "despiu" o velho modo de viver (3:9) e agora diz o que vestir:

Portanto, como escolhidos de Deus, santos e amados, vistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência.(Colossenses 3:12)

A expressão traduzida como "profunda compaixão" ou "entranhas de misericórdia" é splanchna oiktirmou — de novo as vísceras. O que vale notar é a figura: roupa é algo que você escolhe pôr de manhã. Paulo trata a compaixão como decisão diária, não só como temperamento. Há gente que nasce mais sensível; mas o mandamento é para todos.

O segundo é de Efésios 4, e liga compaixão com perdão:

Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, como Deus os perdoou em Cristo.(Efésios 4:32)

A palavra para "misericordiosos" ou "compassivos" aqui é eusplanchnoi — "de boas entranhas". E o padrão é dado na mesma frase: "como Deus os perdoou em Cristo". Perdoar é a forma mais difícil de compaixão, porque a pessoa que precisa dela é justamente quem te feriu. Paulo não diz que é fácil; diz qual é a medida.

O terceiro é o mais curto e talvez o mais prático, em Romanos 12:

Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram.(Romanos 12:15)

Chorar com quem chora é compaixão no sentido mais literal: deixar a dor do outro doer em você. Mas repare que o versículo tem duas metades. Alegrar-se com quem se alegra também é exigido — e, para muita gente, é a parte mais difícil. Quem só consegue estar perto na tragédia, mas se afasta quando o outro prospera, ainda não aprendeu a metade do versículo.

O que a compaixão faz numa igreja

Pedro e Paulo encerram cartas com listas de virtudes, e a compaixão aparece nas duas. Pedro escreve a cristãos espalhados pela Ásia Menor, pressionados de fora, e pede que dentro da comunidade a coisa seja diferente:

Quanto ao mais, tenham todos o mesmo modo de pensar, sejam compassivos, amem-se fraternalmente, sejam misericordiosos e humildes.(1 Pedro 3:8)

Duas palavras dessa lista pertencem ao nosso tema. "Compassivos" é sympatheis — a mesma raiz usada para Jesus em Hebreus 4:15, "sofrer junto". E "misericordiosos" ou "cheios de compaixão" é eusplanchnoi, a palavra de Efésios 4:32. Pedro está dizendo que o que Deus faz por nós e o que Cristo sente por nós devem ser o clima normal entre irmãos.

Paulo termina 2 Coríntios — uma carta cheia de tensão com a igreja — com um pedido parecido:

Finalmente, irmãos, alegrem-se! Procurem aperfeiçoar-se, encorajem-se mutuamente, tenham um só pensamento e vivam em paz. E o Deus de amor e paz estará com vocês.(2 Coríntios 13:11)

Ele não finge que a relação foi fácil. Passou treze capítulos lidando com acusações e divisão. Mesmo assim, o último pedido é unidade e paz, e a promessa que vem junto é que "o Deus de amor e de paz" estará com eles. Uma igreja onde a compaixão circula é o lugar onde isso se torna visível.

Voltando ao pai do Salmo 103

Depois de passar pelos profetas, pelos evangelhos e pelas cartas, o Salmo 103:13 fica ainda mais claro: "como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem". Tudo o que a Bíblia pede de nós em compaixão é um reflexo do que ela diz que Deus já é. Leia o Salmo 103 inteiro — ele começa com a alma bendizendo a Deus, passa por perdão, cura e paciência, e no versículo 14 explica por que Deus é assim: "ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó".

Qual é a diferença entre compaixão, pena e empatia?

Pena é sentir tristeza pela situação de alguém, geralmente de longe. Empatia é conseguir se colocar no lugar do outro e entender o que ele sente. Compaixão, no sentido bíblico, inclui a empatia mas vai além: é a dor sentida que se transforma em ação concreta. O samaritano de Lucas 10:33-35 é o modelo — ele sentiu, se aproximou e cuidou.

Compaixão é sinônimo de fraqueza ou de tolerar tudo?

Não. Na Bíblia, compaixão e justiça andam juntas. Isaías 30:18 diz que Deus se compadece "porque é Deus de justiça", e Zacarias 7:9 manda "executar juízo verdadeiro" e "mostrar misericórdia" na mesma frase. Ter compaixão de alguém não significa aprovar o que ele fez; significa querer o bem dele e agir por isso.

Jesus teve compaixão de quem?

Os evangelhos registram a compaixão de Jesus por multidões sem direção (Marcos 6:34), por doentes (Mateus 14:14), por cegos (Mateus 20:34), por um leproso (Marcos 1:41) e por uma viúva que enterrava o filho (Lucas 7:13). Nas parábolas, ele atribui o mesmo sentimento ao samaritano (Lucas 10:33) e ao pai do filho perdido (Lucas 15:20).

Como ter compaixão por alguém que me magoou?

Efésios 4:32 liga compaixão a perdão e dá a medida: "como Deus os perdoou em Cristo". A Bíblia não apresenta isso como sentimento que surge sozinho, mas como algo que se "veste" (Colossenses 3:12), isto é, uma decisão renovada. O ponto de partida é lembrar que quem perdoa já foi perdoado.

Por que a Bíblia tanto fala de viúvas, órfãos e estrangeiros?

Porque numa sociedade agrária antiga essas pessoas não tinham quem as defendesse: sem marido, sem pai, sem clã. Textos como Zacarias 7:10 e Deuteronômio 24:17-21 fazem deles a medida da compaixão real de um povo. Hoje o grupo muda de nome, mas o princípio continua: compaixão bíblica se dirige primeiro a quem não tem a quem recorrer.

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