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Koinonia: o que significa essa palavra grega na Bíblia

Redação Bíblia Online Publicado em

O que koinonia significa

Mulher idosa conta moedas numa mesa de casa de pedra enquanto visitantes chegam à porta

Koinonia (κοινωνία) é a palavra grega que o Novo Testamento usa para o que as Bíblias em português chamam de comunhão — e ela é mais concreta do que soa. Vem de koinos, que quer dizer "comum". Koinonia é ter alguma coisa em comum com alguém e tomar parte nela junto: partilhar, participar, ser sócio.

É por isso que a mesma palavra aparece na Bíblia tanto para a vida da igreja de Jerusalém quanto para uma coleta de dinheiro. Para Paulo, as duas eram o mesmo gesto: o que é meu passa a ser nosso.

E se você chegou aqui porque passou em frente a uma Igreja Batista Koinonia, o primeiro esclarecimento é este: Koinonia não é uma denominação. É um nome que centenas de congregações locais — batistas, sobretudo, mas não só — escolheram sem ligação entre si, para dizer na fachada o que pretendem ser. Mais abaixo tem uma seção só sobre isso. Antes, vale ver o que a palavra carrega, porque é isso que o nome promete.

Este artigo faz parte de Dúvidas e Explicações Significado de Palavras

Tudo o que a Bíblia chama de koinonia

Olha, vale notar o alcance da palavra. Ela aparece cerca de vinte vezes no Novo Testamento, e os tradutores precisaram de várias palavras portuguesas para dar conta dela:

  • Comunhão entre os cristãos — a vida partilhada da igreja de Jerusalém (Atos 2:42).

  • Coleta para os pobres — quando Paulo organiza uma oferta das igrejas da Grécia para os irmãos pobres de Jerusalém, a palavra é koinonia (Romanos 15:26, 2 Coríntios 9:13). Repartir dinheiro era um ato de comunhão, não um assunto à parte dela.

  • Participação na Ceia — o cálice e o pão são "participação" (koinonia) no sangue e no corpo de Cristo (1 Coríntios 10:16).

  • Parceria no evangelho — Paulo agradece aos filipenses pela "cooperação" deles na obra, que incluía sustento financeiro (Filipenses 1:5).

  • Comunhão com Deus — com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo (1 João 1:3; 2 Coríntios 13:13).

A palavra-irmã koinonos ajuda a sentir o peso. Lucas a usa para dizer que Tiago e João eram "sócios" de Pedro no negócio da pesca (Lucas 5:10). Sócio é quem divide barco, rede, lucro e prejuízo — quem perde junto quando o dia foi ruim. Quando a Bíblia chama a igreja de koinonia, é esse tipo de ligação que ela tem em mente. Não um grupo de conhecidos que se cumprimenta aos domingos.

Isso já corrige o uso mais comum da palavra hoje. "Comunhão", em português, virou quase sinônimo de clima agradável: a igreja tem "boa comunhão" quando o cafezinho depois do culto é animado. No grego, o cafezinho é o menos. Koinonia é o que acontece com o seu dinheiro, o seu tempo e a sua mesa quando outra pessoa passa a ter parte neles.

Como a igreja de Jerusalém vivia a comunhão

A primeira vez que a palavra descreve a igreja é logo depois do Pentecostes. Cerca de três mil pessoas haviam acabado de crer num mesmo dia, e Lucas resume em uma frase a que elas se dedicavam:

Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.(Atos 2:42, NVI)

São quatro práticas, e a comunhão é uma delas — lado a lado com o ensino, a Ceia e a oração. Isso aqui é importante: a koinonia não era o clima que sobrava entre as outras três. Era um compromisso em si, com a mesma seriedade do ensino dos apóstolos. O verbo que Lucas escolhe, "dedicavam-se" (ou "perseveravam", na ACF e na NAA), é o mesmo que ele usa para oração insistente. Não é algo que acontece sozinho; é algo em que se persevera.

Os versículos seguintes mostram como isso funcionava no dia a dia. Em Atos 2:44-47, Lucas conta que eles tinham tudo em comum, vendiam propriedades e bens para repartir com quem precisava, iam juntos ao templo todos os dias e partiam o pão nas casas uns dos outros. Em Atos 4:32 ele repete: ninguém considerava seu o que tinha; era tudo comum (koina, a mesma raiz de koinonia).

Grupo de homens e mulheres sentados em círculo repartindo pães em um cômodo de pedra.

Dois detalhes evitam uma leitura apressada. Primeiro, a partilha era voluntária, não uma regra. Quando Ananias mente sobre o preço de um terreno, Pedro deixa claro que a propriedade era dele e ele podia ter guardado o dinheiro (Atos 5:4). O pecado foi a mentira, não ter ficado com parte do valor. A igreja de Jerusalém não aboliu a propriedade; ela tinha gente que, por vontade própria, deixou de tratar a propriedade como só sua.

Segundo, a comunhão incluía orar junto, e não só dividir bens. A igreja já estava reunida em oração antes do Pentecostes (Atos 1:14) e continuou assim quando Herodes prendeu Pedro — a igreja orava sem parar por ele (Atos 12:5). Quando um dos sócios estava em perigo, os outros ficavam acordados.

Então a koinonia de Jerusalém tinha bolso, mesa e joelhos. Dinheiro repartido, pão partido em casa, oração em grupo quando um irmão estava preso. Tire um dos três e a palavra perde um pedaço.

Antes de ser entre pessoas, a comunhão é com Deus

Aqui está a parte que muita gente pula. Se koinonia fosse só "pessoas que se dão bem e dividem as contas", qualquer cooperativa teria. O que torna a comunhão cristã diferente é de onde ela vem. João explica:

Proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. A nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho, Jesus Cristo.(1 João 1:3, NVI)

Repare na ordem. João não diz "venham ter comunhão conosco porque somos simpáticos". Ele diz: a nossa comunhão é com o Pai e com o Filho — e, por causa disso, convidamos vocês para dentro dela. A comunhão entre cristãos é um desdobramento da comunhão que cada um deles tem com Deus. O que eles têm em comum, antes de qualquer coisa, é Cristo.

Isso explica por que a comunhão sobrevive a diferenças que destroem outros grupos. Dois irmãos podem discordar em quase tudo — política, criação dos filhos, estilo de culto — e ainda assim ter em comum o que mais importa. E explica também o que a quebra: alguns versículos adiante, João liga a comunhão uns com os outros a andar na luz (1 João 1:7). Pecado escondido não rompe só a relação com Deus; afasta das pessoas também, porque esconde justamente a parte da vida que deveria estar em comum.

Na leitura evangélica histórica, que é a desta página, esse é o fundamento de tudo o mais: a igreja não cria a comunhão; ela recebe a comunhão que Deus já estabeleceu em Cristo e a vive. Outras tradições cristãs — a católica e a ortodoxa, em especial — põem mais peso nos sacramentos e na estrutura da igreja como o lugar onde essa comunhão se dá. Mas todas concordam no ponto de partida: ela começa em Deus, não nas pessoas.

Um corpo com muitos membros

Paulo pega essa ideia e dá a ela uma imagem que ficou para sempre:

Como cada um de nós tem um corpo com muitos membros, e esses membros não têm todos a mesma função, assim, em Cristo, nós, que somos muitos, formamos um só corpo, e cada membro está ligado a todos os outros.(Romanos 12:4,5, NVI)

A imagem do corpo responde a uma pergunta prática: como gente tão diferente forma uma coisa só? Em Roma, como em Corinto, a igreja juntava judeus e gregos, escravos e livres, ricos e pobres — pessoas que fora dali não se sentariam à mesma mesa. Paulo diz que isso não é um problema a resolver; é o desenho. Um corpo feito só de olhos não enxerga melhor. Não enxerga nada, porque não se move nem se alimenta.

Dois pontos saem direto do texto. Primeiro, a diferença de funções é querida por Deus: os membros não têm todos a mesma função. Ninguém precisa fazer tudo, e ninguém é dispensável — o que cuida das crianças e o que prega estão no mesmo corpo. Segundo, a ligação é mútua: cada membro está ligado a todos os outros. Isso é koinonia dita de outro jeito. O que acontece com uma parte afeta o todo, queira ela ou não.

Em 1 Coríntios 12:13 Paulo explica o que faz esse corpo existir: todos foram batizados num só Espírito para formar um só corpo, judeus e gregos, escravos e livres. Não foi afinidade que juntou essas pessoas. Foi o Espírito. A comunhão, mais uma vez, começa em Deus — e por isso não depende de que todos gostem dos mesmos assuntos.

Por que tantas igrejas se chamam Koinonia

Se você digitou "igreja batista koinonia", provavelmente procurava uma igreja específica — e aqui vale repetir com calma. Koinonia não é uma denominação. É um nome que centenas de congregações locais escolheram, no Brasil e em outros países, em várias cidades e sem ligação direta entre si. Duas Igrejas Batistas Koinonia em estados diferentes podem não ter nenhuma relação além do nome e da fé que professam — e podem até pertencer a convenções batistas distintas.

O nome é especialmente comum entre batistas por um motivo que tem a ver com a própria tradição deles. Igrejas batistas são, em geral, autônomas: cada congregação local se governa, escolhe seus pastores e escolhe seu nome. Sem uma hierarquia que padronize ("Paróquia de São Pedro", "Catedral Metropolitana"), ficou natural que cada igreja se nomeasse pelo que quer ser. Daí tantos nomes em grego e hebraico nas fachadas — Koinonia, Ágape, Maranata, Shalom, Betel.

Escolher "Koinonia" é dizer, na placa da frente, o que a igreja considera central: ser uma comunidade de fato, no sentido de Atos 2, e não só um auditório onde se assiste a um culto. Também combina com uma ênfase batista antiga — a igreja como grupo de pessoas que confessaram a fé pessoalmente e se comprometeram umas com as outras. Uma koinonia visível, de nomes conhecidos, em que o pastor sabe quem faltou.

Vale notar que o nome não é exclusivo dos batistas. Há igrejas presbiterianas, independentes e de outras famílias com o mesmo nome, e você também vai encontrar a grafia "Coinonia" ou "Koinonía". É a mesma palavra. O que ela promete, em qualquer dos casos, é o que esta página descreve. Se a igreja da sua rua cumpre a promessa, só visitando dá para saber — mas agora você sabe o que perguntar: aqui se reparte a mesa, o bolso e a oração?

O que a Bíblia manda fazer quando conviver fica difícil

Aqui o texto bíblico é honesto: a koinonia não é fácil. Lucas registra uma briga por causa da distribuição de comida às viúvas ainda no começo (Atos 6:1) — a mesma igreja que tinha tudo em comum poucas páginas antes. E boa parte das cartas de Paulo foi escrita para igrejas que estavam se desentendendo. A Bíblia não finge que comunidade é natural. Ela dá instruções para quando não é.

A primeira é não desistir de se reunir:

Importemo-nos uns com os outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. E não deixemos de nos reunir como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar uns aos outros, sobretudo agora que vocês veem aproximar-se o Dia.(Hebreus 10:24,25, NVI)

O autor de Hebreus sabia que alguns já tinham "o costume" de se afastar — isso não é problema novo. A resposta dele não é culpa, mas um motivo: você não se reúne apenas para receber, e sim para incentivar os outros. Quem some tira do corpo um membro de que ele precisava. E repare no verbo do versículo 24, "importemo-nos": comunhão exige atenção ativa a como o outro está, não só presença física no mesmo salão. Dá para frequentar uma igreja por anos sem nunca ter koinonia com ninguém dela.

A segunda instrução é sobre peso:

Paulo escreve isso logo depois de falar de alguém pego em pecado e de como restaurá-lo com mansidão (Gálatas 6:1). O "fardo" aqui inclui a queda do irmão. Levar o fardo de alguém não é fazer de conta que não aconteceu nada; é entrar debaixo do peso com ele até que ele consiga andar de novo. E Paulo chama isso de cumprir "a lei de Cristo" — o mandamento que Jesus deu na última noite, de amar uns aos outros como Ele amou (João 13:34). Koinonia, no fim, é a forma que esse amor toma entre pessoas que convivem.

Junte as duas instruções e você tem o roteiro bíblico para a convivência difícil: continuar aparecendo, e carregar junto. Nenhuma das duas depende de sentir afinidade. As duas dependem de lembrar que o outro é membro do mesmo corpo — e que o que vocês têm em comum é maior do que o atrito.

Isso devolve ao começo. Os três mil de Jerusalém não eram amigos de infância; a maioria tinha se conhecido naquela semana. O que eles tinham em comum era Cristo, e a partir daí se dedicaram ao ensino dos apóstolos, à comunhão, ao partir do pão e às orações. Leia Atos 2 completo e veja, do versículo 42 ao 47, como esses quatro compromissos se desdobram em uma vida inteira partilhada.

Koinonia e comunhão são a mesma coisa?

Koinonia é a palavra grega; comunhão é a tradução mais comum em português. Mas koinonia é mais ampla: a Bíblia usa a mesma palavra para a coleta de dinheiro aos pobres (Romanos 15:26), para a participação na Ceia (1 Coríntios 10:16) e para a comunhão com Deus (1 João 1:3). "Comunhão", em português, costuma evocar só a parte afetiva; o termo grego inclui partilha concreta de bens, trabalho e oração.

A igreja primitiva praticava um tipo de comunismo?

Não. Em Atos 2 e 4, os cristãos vendiam bens e repartiam com quem precisava, mas isso era voluntário. Atos 5:4 mostra Pedro dizendo a Ananias que a propriedade era dele e ele poderia ter ficado com o dinheiro; o pecado foi mentir sobre o valor. Não havia abolição da propriedade privada nem obrigação imposta, e sim generosidade espontânea motivada pela fé.

Igreja Batista Koinonia é uma denominação?

Não. É um nome adotado por muitas igrejas batistas locais, sem ligação organizacional entre elas. Como as igrejas batistas são autônomas, cada congregação escolhe seu próprio nome, e "Koinonia" ficou popular por expressar o ideal de comunhão de Atos 2:42. Igrejas de outras famílias também usam o nome, às vezes grafado "Coinonia".

Dá para ter koinonia sem frequentar uma igreja?

A Bíblia trata a comunhão como algo vivido em grupo. Hebreus 10:25 pede que os cristãos não deixem de se reunir, e a imagem do corpo em Romanos 12:4-5 só faz sentido com membros ligados uns aos outros. A comunhão com Deus é pessoal, mas ela gera, segundo 1 João 1:3, comunhão com outras pessoas — e isso pede convivência real, com nomes e rostos.

Qual a diferença entre koinonia e ágape?

Ágape é a palavra grega para o amor que se doa, o amor de Deus. Koinonia é a partilha, a participação em algo comum. Elas se complementam: a koinonia é a forma concreta que o ágape toma quando pessoas vivem juntas — repartindo bens, orando umas pelas outras, levando os fardos umas das outras (Gálatas 6:2).

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