Contentamento: como encontrar paz na fartura e na escassez
Redação Bíblia Online Publicado em
Quando a conta não fecha — ou fecha, e a paz não vem
Paz que depende do saldo acaba quando o saldo acaba — e, o que é mais estranho, muitas vezes nem chega quando ele sobra. Se você está no aperto, ou se está bem e mesmo assim não consegue descansar, estes versículos foram escritos por gente que conheceu os dois lados.
O primeiro vem de uma cela. Paulo está preso em Roma, sem saber se sai vivo, e escreve para a igreja de Filipos agradecendo uma oferta que acabou de chegar. É nesse cenário, e não numa fase boa, que ele fala de contentamento.
Tira de você a ideia de que contentamento é um dom que uns têm e outros não. Paulo diz que aprendeu — houve um tempo em que ele também não sabia, e você está no meio da mesma aula, não reprovado nela.
Coloca a fartura e a fome na mesma frase, e é isso que desarma as duas: o aperto deixa de ser prova de que Deus esqueceu você, e a fartura deixa de ser prova de que você acertou. O famoso "tudo posso" vem logo depois, em Filipenses 4:13 — e nasce aqui, falando de barriga cheia e barriga vazia, não de vitória.
Anos depois, numa carta a Timóteo, um pastor jovem lidando com gente que usava a fé para enriquecer, Paulo fecha a conta que começou na prisão:
Muda a pergunta que você faz no fim do mês. Em vez de "quanto sobrou?", passa a valer "quanto descanso eu tenho?" — e esse ganho não aparece no extrato, mas é o que você leva para a cama.
Este artigo faz parte de Versículos por Tema Consolo e Paz
Quando o que você tem nunca parece bastar
Às vezes o problema não é a escassez. É que o suficiente nunca chega a parecer suficiente: veio o aumento e as despesas cresceram junto, trocou o celular e já apareceu o próximo. Os versículos a seguir falam com esse coração — e falam com carinho, porque Jesus e os apóstolos sabiam que ninguém se livra disso sozinho.
Encurta a lista do que você acha que precisa para estar bem. Paulo põe o chão no lugar certo — comida e roupa — e, dois versículos adiante, avisa que o amor ao dinheiro é raiz de todo tipo de mal (1 Timóteo 6:10). Tudo acima do básico é bênção para agradecer, não dívida que Deus tem com você.
Troca a garantia que você estava procurando no dinheiro pela única que não desvaloriza. A promessa citada ali foi dita a Josué antes de entrar numa terra desconhecida (Josué 1:5), e o autor de Hebreus a oferece a você pelo mesmo motivo: é dessa companhia que a gente tenta se assegurar quando acumula.
Impede que você meça a própria vida pela régua errada. Jesus disse isso antes de contar a história de um homem rico que planejou celeiros maiores e morreu naquela mesma noite — a parábola está em Lucas 12. Se você sente que está sempre atrasado em relação a alguém, essa frase corta a comparação pela raiz.
Quando o medo de faltar não deixa você dormir
Tem gente que não tem demais; tem de menos, e a conta chega antes do salário. Aí o contentamento não é questão de ganância, é de medo. Estes dois versículos foram ditos para quem conta moedas — e são honestos com a situação, não a fingem pequena.
"Ekyo mwisakamikwa pabumi bwenu nefyo mungalya nangula ukunwa nangu fyakufwala ku mubili, pantu umweo ulikindaminepo pa kyakulya no mubili ulikindaminepo pa fyakufwala.(Mateyo 6:25)
Dá a você permissão de largar um peso que nunca foi seu para carregar sozinho. Jesus não diz que comida e roupa não importam — Ele diz, poucos versículos depois, que o Pai sabe que você precisa delas (Mateus 6:32); a ansiedade não paga a conta, só a cobra duas vezes.
Protege você do atalho que aparece exatamente quando aperta: a nota que ninguém vai conferir, o acerto por fora, o jeitinho que "todo mundo faz". O provérbio garante que a mesa simples com a consciência tranquila vale mais do que a mesa cheia que tirou o seu sono.
Quando a falta já chegou
Falar de contentamento na teoria é fácil. O difícil é quando a perda é real: o emprego que acabou, a reserva que foi embora com uma doença, a casa que precisou ser vendida. Os dois últimos versículos não vêm de teoria. Vêm de dois homens que perderam de verdade.
Paulo pediu três vezes que Deus tirasse dele uma fraqueza, e ouviu um não — a resposta foi que a graça bastava (2 Coríntios 12:8-9). O que ele escreve em seguida é a reação de quem aceitou essa resposta:
Dá outro nome ao seu fim de recursos: o lugar onde a força de Deus fica visível. O contentamento de Paulo não veio de a situação melhorar, mas de descobrir quem o sustentava quando nada mais sustentava.
Jó perdeu num único dia os rebanhos, os empregados e os dez filhos — os mensageiros chegaram um atrás do outro, e a sequência está em Jó 1. Esta foi a primeira coisa que ele fez depois:
Mostra o que fazer quando não sobrou nada: pode rasgar a roupa, pode chorar no chão — Jó fez os dois — e ainda assim virar o rosto para Deus. Essa adoração não nega a dor; ela entrega a dor a quem deu e a quem tomou, e descobre que esse continua sendo o mesmo Senhor.
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