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Quanto tempo Davi esperou para ser rei: os anos no trono

Redação Bíblia Online Publicado em

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Cerca de quinze anos até a coroa — e vinte e dois até o trono inteiro

Homem barbado de túnica e manto marrons, com as mãos entrelaçadas, sentado em uma colina.

Davi esperou por volta de quinze anos entre o dia em que Samuel derramou azeite na cabeça dele, em Belém, e o dia em que os homens de Judá o fizeram rei em Hebrom. Para reinar sobre todo o Israel, foram mais sete anos e meio: a conta fecha em uns vinte e dois anos de espera.

Vale dizer logo de onde saem esses números, porque eles não estão escritos assim na Bíblia. O texto dá um dado firme, e só um: Davi tinha trinta anos quando começou a reinar, e reinou quarenta.

O que a Bíblia não informa é a idade de Davi no dia da unção. Os "quinze anos de espera" nascem de uma estimativa — bem fundamentada, como vai ficar claro adiante, mas estimativa. Quem repete "Davi esperou quinze anos" como se fosse frase da Escritura está citando uma conta, não um versículo. O versículo diz "trinta anos". O resto é dedução a partir das pistas que o texto deixa.

E as pistas são boas. É isso que vamos olhar primeiro.

Este artigo faz parte de Estudos Bíblicos Estudo para Iniciantes

De onde vem o número quinze

A Bíblia não diz quantos anos Davi tinha quando foi ungido, mas deixa três detalhes que, juntos, encurralam a resposta.

O primeiro: Davi era o caçula de oito irmãos. Quando Samuel chega a Belém, Jessé apresenta sete filhos e deixa o mais novo no pasto, cuidando das ovelhas, como se nem valesse a pena chamar — a cena está em 1 Samuel 16.

O segundo: pouco depois, no episódio de Golias, os três irmãos mais velhos estão no exército de Saul, e Davi não está. Ele fica em casa com o rebanho e só vai ao acampamento levar comida para os irmãos (1 Samuel 17). Em Israel, a idade para sair à guerra era vinte anos para cima (Números 1:3). Então Davi tinha menos de vinte quando enfrentou o gigante.

O terceiro é o jeito como o chamam. Saul tenta dissuadi-lo de lutar com um argumento simples: ele é moço demais.

A palavra hebraica aqui é na'ar, que pode descrever desde um menino até um rapaz jovem — sozinha, não fecha a idade. Mas somada ao fato de ele não servir no exército e de ser o caçula de oito, aponta para um adolescente. Golias, aliás, o despreza exatamente por isso: vê um moço de boa aparência, não um guerreiro (1 Samuel 17:42).

Daí a conta. Se Davi tinha algo entre treze e dezessete anos quando Samuel o ungiu, e trinta quando começou a reinar em Hebrom, a espera ficou entre treze e dezessete anos. A tradição arredonda para quinze, e é um arredondamento honesto — desde que a gente saiba que é arredondamento.

O dia da unção: o que mudou e o que não mudou

Samuel foi a Belém a contragosto. Ele ainda estava de luto pelo fracasso de Saul, e Deus precisou mandá-lo (1 Samuel 16:1). Na casa de Jessé, o profeta olha para Eliabe, o mais velho, e pensa que achou o rei. Deus o corrige com uma frase que virou famosa: o homem vê a aparência, o Senhor vê o coração (1 Samuel 16:7).

Sete filhos passam. Nenhum. Samuel pergunta se não falta alguém, e Jessé lembra do caçula no pasto. Mandam buscar.

Ancião derrama óleo de um chifre na cabeça de um jovem diante de sete homens, num pátio.

Olha o que esse versículo diz e o que ele não diz. Ele diz que o Espírito do Senhor veio sobre Davi "desde aquele dia em diante". Não diz que Davi virou rei naquele dia. A unção foi um ato quase doméstico: só a família viu. Saul continuou no trono, sem saber de nada. E Davi voltou para as ovelhas — tanto que, quando Saul manda buscá-lo para tocar harpa na corte, a mensagem a Jessé pede "teu filho Davi, que está com as ovelhas" (1 Samuel 16:19).

Isso aqui é importante para entender a espera inteira: na Bíblia, ser ungido e ser coroado são coisas diferentes. A unção dizia quem Deus havia escolhido. A coroa dependia de o povo reconhecer isso. Entre um e outro, Davi viveu metade da vida que tinha até ali.

O que Davi fez durante a espera

Ele não ficou sentado. Os quinze anos têm pelo menos quatro fases bem distintas, e cada uma deixou marca no rei que ele viria a ser.

Na corte de Saul

Davi entra no palácio como músico: Saul sofria de um tormento, e a harpa do rapaz o acalmava (1 Samuel 16:21-23). Depois vem Golias, e o pastor vira herói nacional. Saul o coloca à frente dos soldados, casa a filha Mical com ele, e as mulheres cantam nas ruas que "Saul matou seus milhares, Davi seus dez milhares" (1 Samuel 18:7). Foi essa música que estragou tudo.

Dali em diante Saul tenta matá-lo de todas as formas: uma lança atirada na sala, emboscadas na casa dele, soldados mandados atrás. Jônatas, filho de Saul e amigo de Davi, avisa que não há mais volta. Davi foge pela janela com a ajuda de Mical e nunca mais dorme no palácio. Os capítulos 18 a 20 de 1 Samuel contam essa virada.

Fugitivo no deserto

Essa é a fase mais longa e a menos datada. Davi passa por Nobe, finge loucura em Gate para escapar do rei filisteu Aquis, e acaba na caverna de Adulão, onde quatrocentos homens — devedores, amargurados, gente sem lugar — se juntam a ele e o tomam como chefe (1 Samuel 22:1-2). Depois vêm Queila, o deserto de Zife, En-Gedi, Maom. Saul atrás.

Homens com túnicas e lanças reunidos numa caverna, conversando ao redor de uma fogueira.

Quanto tempo durou isso? A Bíblia não dá o total. Se ele fugiu da corte com uns vinte e poucos anos e Saul morreu quando Davi tinha trinta, a fuga ocupou entre sete e dez anos — mas é outra estimativa. O que o texto registra com precisão é só o último trecho, que vem a seguir.

Vale notar que vários salmos têm no título a marca desse período: o Salmo 57 e o Salmo 142 dizem ter sido escritos "na caverna", quando Davi fugia de Saul; o Salmo 59, quando Saul mandou vigiar a casa dele. A espera não produziu só um rei. Produziu orações que o povo de Deus reza até hoje.

Duas chances de encurtar o caminho

Duas vezes Davi teve Saul ao alcance da mão. Numa caverna em En-Gedi, Saul entra sem saber que Davi está lá dentro; Davi corta um pedaço do manto do rei e deixa o resto intacto (1 Samuel 24). Depois, no acampamento de Saul à noite, Abisai se oferece para pregar o rei no chão com uma lança, e Davi proíbe (1 Samuel 26).

A justificativa é a mesma nas duas vezes:

Repare: Davi sabia que era o escolhido. Samuel havia dito a Saul que o reino lhe seria tirado e dado a outro (1 Samuel 13:14; 15:28). Mesmo assim, Davi tratou o azeite na cabeça de Saul como coisa de Deus, não dele. Ele podia ter antecipado o trono em uma noite. Escolheu esperar.

Em terra filisteia

Cansado da perseguição, Davi vai morar entre os inimigos de Israel. Aquis, rei de Gate, lhe dá a cidade de Ziclague, e Davi fica ali "um ano e quatro meses" (1 Samuel 27:7) — o único número exato de toda a fase de fuga. É um período ambíguo: ele engana Aquis sobre quem ataca, e quase acaba lutando contra o próprio povo. Enquanto isso, Saul e Jônatas morrem no monte Gilboa, em batalha contra os filisteus (1 Samuel 31).

A fuga termina. A espera, ainda não.

Rei de Judá em Hebrom: sete anos e meio

Com Saul morto, Davi não marcha sobre Israel. Ele consulta o Senhor sobre para onde ir, e sobe a Hebrom, no território da própria tribo. Lá, os homens de Judá o ungem rei — a segunda unção da vida dele.

Só que o norte não o aceita. Abner, general de Saul, instala Isbosete, filho de Saul, como rei sobre o restante de Israel, em Maanaim (2 Samuel 2:8-9). O país fica dividido, e a Bíblia resume o que veio depois em uma frase:

Esses anos em Hebrom são tensos. Abner acaba sendo morto por Joabe, comandante de Davi, numa vingança pessoal que Davi condena publicamente. Isbosete é assassinado na própria cama por dois dos seus capitães, que levam a cabeça dele a Davi esperando recompensa — e Davi os executa (2 Samuel 4). Ele se recusa, de novo, a construir o trono sobre sangue que não pediu.

Rei de todo o Israel: a terceira unção

Sem Abner e sem Isbosete, as tribos do norte vêm a Hebrom por conta própria. Os anciãos dizem a Davi que ele é osso e carne deles, lembram que o Senhor já havia dito que ele apascentaria Israel, e fazem uma aliança.

É a terceira vez que Davi é ungido, e a única que vale para a nação inteira. A conta dos anos vem logo em seguida:

Daqui dá para tirar tudo o que falta. Davi começou a reinar aos trinta, em Hebrom. Sete anos e meio depois, aos trinta e sete, tornou-se rei de todo o Israel. Reinou trinta e três anos em Jerusalém, que ele mesmo conquistou dos jebuseus logo depois (2 Samuel 5:6-9). Total: quarenta anos de reinado, confirmados em 1 Reis 2:11, e uns setenta anos de vida quando morreu.

A cronologia resumida

Para quem quer a linha do tempo de uma vez, com o que é texto e o que é estimativa separado:

  • Cerca de 15 anos (estimativa, a Bíblia não diz) — ungido por Samuel em Belém. 1 Samuel 16:13.

  • Pouco depois, ainda "moço" — vence Golias; entra na corte de Saul. 1 Samuel 17.

  • Anos na corte (sem número) — comandante militar, casamento com Mical, início da perseguição. 1 Samuel 18–20.

  • Vários anos de fuga (sem número; talvez entre sete e dez) — Adulão, Zife, En-Gedi, Maom. 1 Samuel 21–26.

  • 1 ano e 4 meses — em Ziclague, território filisteu. 1 Samuel 27:7.

  • 30 anos — rei de Judá em Hebrom. 2 Samuel 2:4; 5:4.

  • 7 anos e 6 meses — reinado em Hebrom, em guerra com a casa de Saul. 2 Samuel 5:5.

  • Cerca de 37 anos — rei sobre todo o Israel. 2 Samuel 5:3.

  • 33 anos — reinado em Jerusalém. 2 Samuel 5:5.

  • 40 anos de reinado, cerca de 70 de vida — morte "em boa velhice". 1 Reis 2:10-11; 1 Crônicas 29:28.

Da unção ao trono de Judá: por volta de quinze anos. Da unção ao trono de todo o Israel: por volta de vinte e dois.

Por que a espera foi tão longa

A Bíblia não para a narrativa para explicar o atraso. Mas o próprio texto dá três razões, e uma delas é a que a tradição cristã mais destaca.

A primeira é a mais simples: Saul ainda era rei. Deus havia rejeitado Saul, mas não o havia tirado do trono, e Davi entendeu que não cabia a ele fazer isso. Enquanto o ungido anterior vivia, o ungido seguinte esperava. Não foi falta de oportunidade — foi recusa de usá-la.

A segunda é política, no sentido bom da palavra. Em Israel, o rei reinava porque as tribos o reconheciam. Judá o reconheceu primeiro; o norte, só sete anos e meio depois, e por decisão própria. Davi não conquistou Israel: Israel veio a ele e fez aliança (2 Samuel 5:1-3). Um rei que chega assim governa diferente de um que chega pela espada.

A terceira é a que o próprio Antigo Testamento sugere ao olhar para trás. Um salmo posterior resume a história de Davi assim:

O salmista liga o pastor de ovelhas ao pastor de povo. A leitura evangélica histórica — e aqui vale dizer que é leitura, embora quase toda a tradição cristã concorde com ela — vê nesses anos uma formação: no pasto, Davi aprendeu a cuidar do que não era dele; na caverna, aprendeu a liderar gente difícil; na fuga, aprendeu a depender de Deus, e os salmos daquele período são a prova disso. O texto não usa a palavra "preparo". Mas mostra um Davi de trinta anos que não é o mesmo rapaz de quinze, e mostra o que aconteceu no meio.

Há quem leia a espera de outro jeito, mais focado na soberania de Deus sobre o calendário da história do que na formação do personagem. As duas leituras não se excluem, e o texto comporta ambas.

O que essa demora diz para quem está lendo

Quem procura "quanto tempo Davi esperou" quase sempre está contando a própria espera. E o texto não promete que a sua vai durar quinze anos, nem que vai terminar em trono. O que ele mostra é outra coisa: que entre a promessa de Deus e o cumprimento dela pode haver um deserto comprido, e que a atitude de Davi nesse deserto foi não forçar a porta.

Ele poderia ter matado Saul em En-Gedi e sido rei na semana seguinte. Preferiu esperar que Deus fizesse do jeito de Deus, mesmo sem saber quanto tempo levaria. Isso não é passividade — Davi guerreou, liderou, errou, fugiu. É recusa a tomar pela mão o que foi prometido pela boca de Deus.

No fim, o que a Bíblia registra com precisão é uma frase seca: Davi tinha trinta anos quando começou a reinar, e reinou quarenta. Tudo o que veio antes dos trinta está contado, com nomes e lugares, de 1 Samuel 16 até 2 Samuel 5. Vale ler o arco inteiro de uma vez: é ali que os quinze anos deixam de ser um número e viram uma vida.

Com quantos anos Davi foi ungido por Samuel?

A Bíblia não diz. O que ela informa é que ele era o caçula de oito irmãos, não tinha idade para o exército (que começava aos vinte, Números 1:3) e foi chamado de "moço" por Saul em 1 Samuel 17:33. Isso aponta para um adolescente, e a tradição costuma estimar cerca de quinze anos. É dedução, não versículo.

Quantas vezes Davi foi ungido rei?

Três. A primeira por Samuel, em Belém, diante da família (1 Samuel 16:13). A segunda pelos homens de Judá, em Hebrom, depois da morte de Saul (2 Samuel 2:4). A terceira pelos anciãos de todo o Israel, também em Hebrom, sete anos e meio depois (2 Samuel 5:3). Só a terceira o fez rei de toda a nação.

Quanto tempo Davi fugiu de Saul?

A Bíblia dá um único número exato para a fuga: um ano e quatro meses em Ziclague, território filisteu (1 Samuel 27:7). O resto não é datado. Se Davi saiu da corte com vinte e poucos anos e Saul morreu quando Davi tinha trinta, o período total de fuga ficou entre sete e dez anos — uma estimativa, não um dado do texto.

Quanto tempo Davi reinou no total?

Quarenta anos: sete anos e seis meses em Hebrom, só sobre Judá, e trinta e três em Jerusalém, sobre todo o Israel (2 Samuel 5:4-5; 1 Reis 2:11). Como começou aos trinta, morreu com cerca de setenta anos, "em boa velhice", segundo 1 Crônicas 29:28.

Por que Davi foi rei só de Judá primeiro?

Porque as tribos do norte continuaram fiéis à casa de Saul. Abner, general de Saul, instalou Isbosete como rei em Maanaim, e houve uma longa guerra entre as duas casas (2 Samuel 2:8-9; 3:1). Só depois da morte de Abner e de Isbosete os anciãos de Israel foram a Hebrom, fizeram aliança com Davi e o ungiram rei de toda a nação (2 Samuel 5:1-3).

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