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É melhor ter paz do que razão: o limite da briga

Redação Bíblia Online Publicado em

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  • Reúne os devocionais de 10 de setembro de 2024, 31 de março de 2025, 3 de fevereiro de 2026 e 27 de agosto de 2026.

A mensagem que você ainda não enviou

Asa ubbaara saron daanaw hinttew dandda7ettiya ubbaa oothite.

Um homem gesticula e uma mulher de braços cruzados o encara, à mesa de cozinha.

Nove da noite, grupo da família. Alguém escreveu uma coisa errada — errada mesmo, e sobre você. A resposta já está digitada. Tem tudo: os fatos, a data, o tom educado que esconde a vontade de ganhar. O cursor pisca. O dedo está em cima do "enviar".

A gente conhece essa conta: "dou um boi para não entrar numa briga, mas dou uma boiada para não sair dela". Quando se está certo, recuar parece perder.

Paulo faz a conta ao contrário. A paz que ele pede não é a que vem quando o outro reconhece que você tinha razão. É a que depende de você — e, quase sempre, ela começa não enviando.

Este artigo faz parte de Devocionais

O que depende de você

"Se possível, naquilo que depender de vocês, vivam em paz com todos" (Romanos 12.18, NVI). Paulo escreve para cristãos em Roma que viviam no meio de gente que não pensava como eles, e coloca duas ressalvas na frase. A primeira é "se possível": ele admite que nem sempre vai dar. A segunda é "naquilo que depender de vocês": existe uma parte que é sua, e só essa parte Deus cobra.

A cena ajuda a ver isso porque separa as duas coisas. A reação do outro não depende de você. O botão, sim. O versículo não manda convencer ninguém; manda não ser você quem mantém a briga acesa.

E essa paz com os outros se apoia numa paz anterior. Paulo já tinha dito, na mesma carta, que quem está em Cristo tem paz com Deus. Quem já está em paz com Deus não precisa vencer a discussão para ficar inteiro. A paz que excede todo entendimento guarda o coração — não o resultado da conversa.

Mas e quando é sério?

Nem toda discussão é sobre uma data errada. Às vezes é sobre a sua fé, a sua honra, o que você acredita. O próprio Jesus avisou que não veio trazer paz, mas espada: quem segue a Cristo vai esbarrar em gente. Paulo sabia disso quando escreveu "se possível".

Então não é paz a qualquer preço. Mas vale olhar o preço de ter razão: quase nunca ele é a verdade. É o orgulho. Dá para ficar firme no que você crê sem precisar que o outro admita que perdeu.

Jesus mostrou como. Na cruz, acusado do que não fez, ele não defendeu a razão dele — orou pelos que erravam. Era isso que ele tinha ensinado antes: amar os inimigos, perdoar quem nos ofende. E disse que os pacificadores serão chamados filhos de Deus — o parentesco com o Pai aparece justamente aí, no momento em que a gente podia ganhar e escolhe não brigar.

Um gesto para hoje

Apague a mensagem. Ou troque por uma frase que não ganha nada: "Pode ser que você tenha razão. Depois a gente conversa."

Isso decorre do versículo porque é exatamente a parte que depende de você. Se o outro continuar, a discussão perde combustível de um lado. Se ele parar, sobrou paz. Nos dois casos você fez o que estava na sua mão — e nada além disso foi pedido.

A vontade de responder volta amanhã. Tudo bem. Amanhã o versículo continua valendo.

A paz possível começa no que depende de você.

O cursor ainda pisca. Deixe piscar.

Senhor, eu quero paz com as pessoas e nem sempre consigo. Ensina-me a largar a razão quando ela só serve ao meu orgulho, e a ficar firme no que é teu sem precisar vencer. Faz de mim alguém que leva paz. Amém.

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