Pular para o conteúdo
Publicidade

Fazei isto em memória de mim: estudo sobre a Ceia

Redação Bíblia Online Publicado em

  • Publicado em .
  • Atualizado em .

A ordem é repetir a refeição — e não deixar a cruz sair do centro

Homem barbudo de cabelos longos e túnica branca estende um pedaço de pão sobre a mesa.

"Fazei isto em memória de mim" (Lucas 22:19, ARC) é uma ordem para refazer a ceia, não um convite para sentir saudade. Jesus não pede que os discípulos pensem nele de vez em quando; pede que façam uma coisa com as mãos, juntos, repetidas vezes: partir o pão, erguer o cálice e dizer por quê. "Memória", na linguagem da Bíblia, é isso — um ato que mantém um acontecimento vivo na vida de um povo, não uma lembrança guardada na cabeça de cada um.

É por isso que a Ceia existe até hoje. Ela não nasceu de costume: é a única prática que Jesus mandou, com essas palavras, a igreja repetir em sua memória.

Este artigo faz parte de Estudos Bíblicos Doutrinas e Teologia

Onde a frase aparece

Lucas é o único evangelho que registra a frase. Mateus 26:26-28 e Marcos 14:22-24 contam a mesma cena, mas sem o "fazei isto". Quem a repete — duas vezes, no pão e no cálice — é Paulo, escrevendo aos coríntios uns vinte e poucos anos depois:

Olha o detalhe: Paulo diz ter recebido isso "do Senhor" e entrega como tradição já fixada (1 Coríntios 11:23). Em menos de uma geração, a ordem daquela noite tinha virado prática regular de igrejas que nunca viram Jesus. Leia a passagem inteira em 1 Coríntios 11.

"Memória" na Bíblia: lembrar é agir

No Antigo Testamento, o verbo hebraico zakar ("lembrar") quase nunca descreve só um pensamento. Quando a Bíblia diz que Deus "se lembrou" de Noé (Gênesis 8:1), o que vem em seguida é a água baixando. Quando ele "se lembrou" de Ana (1 Samuel 1:19-20), ela engravida. Lembrar, nesse uso, é voltar-se para alguém e agir.

E o substantivo zikkaron ("memorial") é sempre uma coisa concreta: as doze pedras tiradas do Jordão (Josué 4:7), as festas marcadas no calendário. Um memorial é algo que fica no meio do povo para que a história não seja esquecida — e para que a geração seguinte pergunte "o que significa isto?".

A Páscoa era um memorial — e Jesus trocou o centro dela

Esse é o cenário da frase. Jesus a disse numa ceia de Páscoa (Lucas 22:15), a refeição que Israel repetia todo ano por ordem direta de Deus:

smitaṯ ayuh n as. tferḥem diyes. rahiy d tfeṣka y lliy diyma yella. aḏ d lwajeb n diyma, ateggem kennim aḏ ṭarwiwiṯuwem lliy tadesen beƹduwem lkul.(Exod 12:14)

Durante quinze séculos, aquela mesa apontou para o Egito: o cordeiro, o sangue nos batentes, a saída da escravidão. Jesus pega o pão e o cálice dessa mesma refeição e diz: isto é o meu corpo, isto é o meu sangue, a nova aliança. O memorial continua, mas o acontecimento que ele guarda muda. Não é mais a noite do Egito; é a cruz. Paulo tira a conclusão em 1 Coríntios 5:7: Cristo é a nossa Páscoa.

O grego anamnese — e o que ele não decide

A palavra traduzida por "memória" é anamnesis. Ela aparece quatro vezes no Novo Testamento: em Lucas 22:19, duas vezes em 1 Coríntios 11:24-25, e em Hebreus 10:3, falando dos sacrifícios do templo:

Esse uso em Hebreus ajuda: anamnese é um rito repetido que traz algo à mente de todos. Mas aqui é preciso ser honesto. A palavra, sozinha, não resolve a discussão que divide cristãos há quinhentos anos sobre o que acontece na Ceia:

  • Na leitura memorialista (Zuínglio; batistas e boa parte das igrejas evangélicas), o pão e o vinho são sinais, e a Ceia é lembrança e proclamação.

  • Na leitura da presença espiritual (Calvino; presbiterianos e reformados), Cristo está realmente presente pela fé, embora o pão continue pão.

  • Na leitura da presença real (Lutero; e, com a transubstanciação, a Igreja Católica), o corpo de Cristo está no próprio elemento.

Esta explicação segue a tradição evangélica histórica, que fica entre as duas primeiras. Mas isso é interpretação, não gramática: quem diz que "anamnese prova" uma dessas posições está pedindo à palavra mais do que ela entrega.

O que a igreja faz quando "faz isto"

Paulo diz o que a repetição produz:

A Ceia olha para três lados ao mesmo tempo. Para trás: a morte do Senhor. Para o lado: é a igreja reunida que a faz, e por isso Paulo exige exame de consciência e reconciliação antes de comer (1 Coríntios 11:28). Para a frente: "até que venha" — o memorial tem data de validade, e ela é a volta de Jesus.

O que isso muda na sua semana

Na próxima Ceia, antes de pegar o pão, faça o que Israel fazia na Páscoa: diga em palavras, nem que seja baixinho, do que você está se lembrando — e com quem, na mesma sala, você ainda precisa se reconciliar.

Com que frequência a Ceia deve ser celebrada?

A Bíblia não fixa uma frequência. Jesus disse "todas as vezes que o fizerdes" (1 Coríntios 11:26), e Atos 2:46 sugere que a igreja de Jerusalém partia o pão com frequência. Hoje há igrejas que celebram toda semana, outras uma vez por mês ou por trimestre; é decisão de cada comunidade, não um mandamento.

Quem pode participar da Ceia?

O texto bíblico dirige a Ceia aos discípulos de Jesus e pede que cada um "examine a si mesmo" antes de comer (1 Coríntios 11:28). Quanto a crianças, visitantes e membros de outras igrejas, as denominações têm regras diferentes; a Bíblia não traz uma lista de requisitos além da fé e do exame pessoal.

O que é "comer e beber indignamente"?

Em 1 Coríntios 11:27-29, Paulo repreende coríntios que faziam da Ceia uma festa dividida, com uns comendo bem enquanto outros passavam fome (11:21). "Indignamente" descreve essa participação desatenta e sem comunhão com os irmãos, não a condição de pecador — todo participante é pecador perdoado.

"Memória" e "memorial" são a mesma coisa na Bíblia?

São próximos. "Memorial" (hebraico zikkaron) é o objeto ou rito que guarda a lembrança — as pedras em Josué 4:7, a Páscoa em Êxodo 12:14. "Memória" ou "lembrança" (grego anamnesis) é o efeito que esse rito produz. A Ceia é as duas coisas: um memorial que a igreja repete para que a cruz permaneça na memória.

1 pessoa deu Amém

Este artigo te tocou? Faça uma oração!

+581 estão orando agora.

Junte-se à corrente de oração.