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3 principais festas judaicas e seus significados

Homem de barba com xale de oração observa homem tocando shofar, mulheres e menino com palma.

As três festas que levavam Israel a Jerusalém

As três principais festas judaicas são a Páscoa (Pessach), o Pentecostes (Shavuot) e os Tabernáculos (Sucot). Cada uma lembrava um momento da saída do Egito — a noite do cordeiro, a chegada ao Sinai, os anos de tenda no deserto — e cada uma caía no fim de uma colheita: cevada, trigo e frutas. Eram as únicas em que todo homem de Israel tinha obrigação de deixar a casa e subir até o santuário.

É por isso que são "as três principais". Há outras festas na Lei de Moisés, e duas delas (Trombetas e Dia da Expiação) aparecem adiante neste texto. Mas só estas três exigiam peregrinação, e o versículo que as agrupa é este:

너희 중 모든 남자는 일년 삼차 곧 무교절과 칠칠절과 초막절에 네 하나님 여호와의 택하신 곳에서 여호와께 보이되 공수로 여호와께 보이지 말고(신명기 16:16)

Vale notar o que o texto manda e o que não manda. Manda que os homens compareçam, porque eram eles que respondiam pela família diante da Lei; mas Deuteronômio 16:14 convida filhos, filhas, servos, levitas e estrangeiros para a alegria da festa. E manda ir ao lugar que o Senhor escolhesse — depois de Salomão, isso significou Jerusalém.

Duas camadas em cada festa: a colheita e a história

Olha só este detalhe, porque ele destrava o assunto inteiro. Israel era um povo de agricultores, e as festas foram marcadas no calendário do campo: a cevada madura na primavera, o trigo no início do verão, as uvas e os figos no outono. Quem subia a Jerusalém levava nas mãos o que a terra tinha dado.

Mas Deus colou em cada colheita um pedaço da história do povo. A primeira colheita lembra a noite em que foram libertos. A segunda, a chegada ao monte onde receberam a Lei. A última lembra os quarenta anos em que não tiveram casa.

O resultado é que um israelita não conseguia agradecer pelo pão sem lembrar de onde tinha saído. Isso é pedagogia: a festa ensinava o filho pequeno a história da família enquanto todo mundo comia. Levítico 23 descreve esse calendário em sequência; o capítulo inteiro está em Levítico 23.

Páscoa (Pessach): o sangue nas portas e a saída do Egito

A Páscoa cai no dia 14 do primeiro mês, chamado Abibe na Lei e Nisã nos livros mais tardios — fim de março ou abril no nosso calendário. É a mais antiga das festas, porque nasceu antes mesmo de Israel sair do Egito. Êxodo 12 conta a noite: cada família separa um cordeiro sem defeito, mata-o ao entardecer e passa o sangue nos dois lados e no alto da porta.

내가 애굽 땅을 칠 때에 그 피가 너희의 거하는 집에 있어서 너희를 위하여 표적이 될찌라 내가 피를 볼 때에 너희를 넘어가리니 재앙이 너희에게 내려 멸하지 아니하리라(출애굽기 12:13)

O nome vem daí. Pessach está ligado ao verbo hebraico que significa "passar por cima", "poupar". O juízo que atingiu os primogênitos do Egito passou por cima das casas marcadas com sangue. Não foi o mérito da família que a salvou; foi o sinal na porta.

Homem pinta o batente da porta com sangue usando ramos, enquanto mulher e duas crianças observam.

Grudada na Páscoa vem a Festa dos Pães Asmos, de sete dias, a partir do dia 15. "Asmo" é pão sem fermento. Naquela noite não houve tempo de deixar a massa crescer — o povo saiu às pressas — e Deus mandou repetir isso todo ano: sete dias comendo pão achatado, para o corpo lembrar a pressa da liberdade. Na prática, os judeus tratavam Páscoa e Pães Asmos como uma festa só de oito dias.

A camada agrícola é a cevada, o primeiro cereal a amadurecer. Durante os Pães Asmos o sacerdote apresentava a Deus um feixe das primeiras espigas (Levítico 23:10-11), antes que o povo começasse a colher. O princípio é simples: o primeiro que a terra dá pertence ao Senhor. A sequência completa daquela noite — a escolha do cordeiro, o jantar em pé, a saída — está em Êxodo 12.

Pentecostes (Shavuot): cinquenta dias depois, a colheita do trigo

A segunda festa não tem data fixa no texto; ela é contada. A partir do dia em que o feixe de cevada foi apresentado, contam-se sete semanas completas, e no dia seguinte ao sétimo sábado — o quinquagésimo dia — é a festa.

제 칠 안식일 이튿날까지 합 오십일을 계수하여 새 소제를 여호와께 드리되(레위기 23:16)

Por isso os dois nomes. Shavuot é "semanas" em hebraico, porque se contam sete. Pentecostes é a palavra grega para "quinquagésimo", porque é o dia cinquenta. É a mesma festa vista por dois idiomas.

Agora a colheita é a do trigo, e a oferta muda: em vez de espigas cruas, dois pães fermentados feitos da farinha nova (Levítico 23:17). O pão pronto, assado, sinal de que a colheita terminou e virou alimento. E logo depois do mandamento sobre a festa vem um sobre o campo: não colher até a beira nem apanhar o que caiu, porque aquilo é do pobre e do estrangeiro (Levítico 23:22). Festa de colheita e cuidado com quem não tem colheita vêm juntos na mesma lei.

E a camada histórica? Aqui preciso ser honesto com o texto. A Lei de Moisés não diz que Pentecostes lembra o monte Sinai. Essa ligação é da tradição judaica posterior, que fez a conta: Israel saiu do Egito na Páscoa e chegou ao Sinai no terceiro mês (Êxodo 19:1), mais ou menos cinquenta dias depois. A associação faz sentido e é antiga, mas é interpretação, não mandamento. Vale saber a diferença.

É no Pentecostes, com Jerusalém cheia de peregrinos, que acontece o que Atos 2 narra: o Espírito Santo descendo sobre os discípulos e cada um ouvindo em sua própria língua — a passagem está em Atos 2:1-4. Deus escolheu para a igreja nascer o dia em que a cidade estava mais cheia.

Tabernáculos (Sucot): sete dias morando em cabanas

A terceira festa fecha o ano agrícola. Cai no dia 15 do sétimo mês (setembro ou outubro), quando uvas, figos, azeitonas e romãs já foram recolhidos. É a festa mais alegre do calendário — Deuteronômio 16:14-15 manda, literalmente, alegrar-se — e dura sete dias, com um oitavo de encerramento solene.

O mandamento curioso é o de morar fora de casa. Durante a semana, cada família arma uma cabana de ramos (sucá, no plural sucot) e vive nela. O motivo o próprio texto dá:

이는 내가 이스라엘 자손을 애굽 땅에서 인도하여 내던 때에 초막에 거하게 한줄을 너희 대대로 알게 함이니라 나는 너희 하나님 여호와니라(레위기 23:43)

Pense no que isso faz com uma família. O lavrador acabou de encher o celeiro, está no ponto mais seguro do ano — e justamente aí Deus o tira da casa de pedra e o põe debaixo de folhas por uma semana. A cabana diz: tudo isso que você colheu veio de um Deus que te sustentou quarenta anos sem celeiro nenhum. É a festa que impede a fartura de virar esquecimento.

Família monta uma cabana com folhas de palmeira no terraço de um prédio, com cestas de frutas.

Nos tempos de Jesus, Sucot tinha ganhado dois ritos que a Lei não descreve: um sacerdote trazia água da fonte de Siloé e a derramava junto ao altar, e grandes candelabros iluminavam o pátio do templo à noite. João 7 e 8 situam Jesus nessa festa, falando de água viva e chamando-se luz do mundo (veja João 7:37-38). Para quem estava ali, as palavras tinham cenário.

Trombetas e Dia da Expiação: as festas que vêm antes dos Tabernáculos

O sétimo mês é denso. Antes da alegria de Sucot, no dia 15, vêm duas datas de tom bem diferente: o dia 1 e o dia 10.

No dia 1, o Memorial das Trombetas:

이스라엘 자손에게 고하여 이르라 칠월 곧 그 달 일일로 안식일을 삼을찌니 이는 나팔을 불어 기념할 날이요 성회라(레위기 23:24)

A palavra hebraica é teruá, um som forte — pode ser toque de trombeta ou grito de aclamação. Tocava-se o shofar, o chifre de carneiro. A Lei dá pouco detalhe sobre a função desse dia; ele anuncia o mês mais sagrado e chama a atenção do povo. O nome Rosh Hashaná ("cabeça do ano") e a ideia de que ali começa o ano novo judaico são posteriores à Bíblia, e os "dez dias de arrependimento" entre as Trombetas e o Dia da Expiação são tradição rabínica, não mandamento de Moisés. A tradição é bonita e coerente com o texto — o som que acorda, os dias que preparam — mas é bom saber o que é Lei e o que veio depois.

No dia 10, o Yom Kipur, Dia da Expiação. É o único dia do ano em que o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, a sala interna do santuário onde ficava a arca. Levítico 16 descreve tudo: ele se banhava, vestia linho simples, oferecia um novilho pelos próprios pecados, depois um bode pelo povo, e aspergia o sangue dentro do véu. Um segundo bode recebia, por confissão, os pecados de Israel e era levado para o deserto. O povo, nesse dia, não trabalhava e jejuava.

이 날에 너희를 위하여 속죄하여 너희로 정결케 하리니 너희 모든 죄에서 너희가 여호와 앞에 정결하리라(레위기 16:30)

Kipur vem de uma raiz que significa "cobrir". A ideia é que o pecado do ano inteiro era coberto diante de Deus — mas só até o próximo ano, quando tudo precisava ser repetido. Esse "repetir" vai importar daqui a pouco. O rito completo está em Levítico 16.

Então o sétimo mês tem uma ordem: o som que chama (dia 1), o perdão (dia 10), a alegria (dia 15). Não é por acaso que a festa mais feliz vem depois do dia mais sério.

Como Jesus cumpre as festas

O Novo Testamento não trata as festas como coincidência de calendário. Ele diz que elas apontavam para alguma coisa, e que essa coisa chegou. Isso aqui é importante: cumprir não é cancelar — é a sombra encontrando o corpo que a projetava (a imagem é de Colossenses 2:17 e Hebreus 10:1).

Páscoa. Jesus morre em Jerusalém na semana da Páscoa, e Paulo chama Cristo de "nossa Páscoa", o cordeiro que foi sacrificado (1 Coríntios 5:7). João Batista já o tinha apresentado como o Cordeiro de Deus (João 1:29). O que o sangue na porta fez por uma família numa noite, o sangue de Cristo faz por quem crê, de uma vez.

Pentecostes. A festa das primeiras colheitas vira o dia da primeira colheita da igreja: três mil pessoas em um dia, segundo Atos 2:41. A oferta de Shavuot eram dois pães fermentados, feitos de trigo recém-colhido; em Atos 2 o que é apresentado a Deus são pessoas de toda nação reunidas em Jerusalém.

Dia da Expiação. É a festa que o livro de Hebreus mais explora, e ele faz questão de mostrar a diferença:

염소와 송아지의 피로 아니하고 오직 자기 피로 영원한 속죄를 이루사 단번에 성소에 들어 가셨느니라(히브리서 9:12)

Repare nas comparações do versículo e do trecho em volta (Hebreus 9:11-15). O sumo sacerdote entrava num santuário feito por mãos; Cristo entra no céu. Aquele levava sangue de bodes e novilhos; este, o próprio sangue. Aquele entrava uma vez por ano, todo ano; este, uma vez por todas. O texto diz que o resultado é redenção eterna — não uma cobertura até o próximo outubro.

Tabernáculos. João escolhe uma palavra para dizer que o Verbo se fez carne:

말씀이 육신이 되어 우리 가운데 거하시매 우리가 그 영광을 보니 아버지의 독생자의 영광이요 은혜와 진리가 충만하더라(요한복음 1:14)

No grego, o verbo é eskēnōsen, que vem de skēnē, "tenda". Literalmente: armou a sua tenda entre nós. Para quem conhecia Sucot, a frase tem eco — Deus, que fez Israel morar em cabanas e morou com eles na tenda do deserto, agora arma a tenda dele no meio da gente, em carne. E Apocalipse 21:3 fecha o ciclo com a mesma imagem: o tabernáculo de Deus com os homens, para sempre.

Trombetas. Esta é a única das cinco que o Novo Testamento não liga explicitamente a um evento. Muitos leitores evangélicos a associam à volta de Cristo, porque Paulo fala do Senhor descendo ao som de trombeta (1 Tessalonicenses 4:16). É uma leitura razoável e antiga, mas é uma leitura — o texto de Paulo não menciona a festa.

Os cristãos precisam guardar essas festas?

Na leitura evangélica histórica — a que este texto segue — não. As festas eram parte da lei cerimonial dada a Israel, e aquilo para que elas apontavam já chegou. Paulo trata do assunto de frente: ninguém deve julgar o cristão por causa de dia de festa, lua nova ou sábado, porque essas coisas eram sombra do que estava por vir (Colossenses 2:16-17). Em Romanos 14:5-6 ele deixa a questão de datas à consciência de cada um, com a condição de que seja feito para o Senhor. E em Gálatas 4:9-10 ele se preocupa com cristãos gentios que voltavam a guardar dias e meses como se a salvação dependesse disso.

Dito isso, é preciso reconhecer que há cristãos que leem diferente. Judeus messiânicos celebram as festas como herança própria, agora com Jesus no centro. Algumas igrejas realizam um jantar de Páscoa judaica como aula viva da Ceia. E há grupos que entendem Levítico 23 como vigente para todos os crentes. A diferença entre essas posições e a evangélica histórica está no modo de ler a relação entre a Lei de Moisés e a nova aliança — não na importância das festas, que todos reconhecem.

O que a leitura evangélica histórica afirma, então, é isto: celebrar uma festa judaica como memória e ensino é liberdade; guardá-la como obrigação para estar certo com Deus é voltar à sombra depois que o corpo chegou. E ignorar as festas por completo é perder o idioma em que o Novo Testamento foi escrito — "cordeiro", "primícias", "sumo sacerdote", "tabernáculo" são todas palavras de festa.

Voltando ao versículo

Deuteronômio 16:16 manda que todo homem de Israel apareça três vezes no ano diante do Senhor. Jesus obedeceu a esse versículo. Lucas 2:41 diz que a família dele subia a Jerusalém todo ano para a Páscoa; João o mostra na Festa dos Tabernáculos (João 7:10) e na da Dedicação (João 10:22); e a última Páscoa, ele passou em Jerusalém sendo o cordeiro.

O calendário inteiro de Levítico 23 cabe em um capítulo, e vale ler de uma vez, na ordem em que Israel vivia: Levítico 23 completo.

Qual é a diferença entre Páscoa e Festa dos Pães Asmos?

São duas festas emendadas. A Páscoa é o dia 14 do primeiro mês, quando o cordeiro era morto e comido ao entardecer; os Pães Asmos são os sete dias seguintes, do 15 ao 21, em que não se comia nada fermentado (Levítico 23:5-6). Como caíam em sequência, judeus e o próprio Novo Testamento costumam chamar o conjunto só de "Páscoa".

Rosh Hashaná está na Bíblia?

O dia está, o nome não. Levítico 23:24 e Números 29:1 descrevem o dia 1 do sétimo mês como um memorial ao som de trombetas. Chamá-lo de "ano novo" (Rosh Hashaná) é tradição judaica posterior; na Lei, o ano religioso começa no primeiro mês, com a Páscoa (Êxodo 12:2).

Jesus celebrou as festas judaicas?

Sim. Os Evangelhos o mostram subindo a Jerusalém para a Páscoa desde criança (Lucas 2:41-42), ensinando no templo durante os Tabernáculos (João 7:14) e presente na Festa da Dedicação (João 10:22-23). A Última Ceia foi um jantar de Páscoa (Lucas 22:15).

Purim e Hanucá são festas da Lei de Moisés?

Não. Purim nasceu no tempo de Ester, para lembrar a livramento dos judeus na Pérsia (Ester 9:20-28). Hanucá, a Festa da Dedicação, lembra a purificação do templo no período dos Macabeus, cerca de 165 a.C.; a história está nos livros dos Macabeus, que não fazem parte da Bíblia protestante, mas a festa é mencionada em João 10:22.

Por que o Pentecostes é tão importante para os cristãos?

Porque foi nesse dia que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos e a igreja começou a pregar publicamente (Atos 2). Muitas igrejas celebram o domingo de Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa cristã, como o "aniversário" da igreja — não como obrigação da Lei, mas como memória do que Deus fez naquele dia.

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