Filhos de Deus: o que significa essa identidade na Bíblia
O que significa ser filho de Deus
Na Bíblia, todos os seres humanos são criaturas de Deus, mas a filiação divina é apresentada como uma dádiva concedida a quem crê em Jesus Cristo. Não se trata de uma herança biológica ou de merecimento humano, mas de um novo nascimento espiritual firmado na fé.
O Evangelho de João deixa clara a distinção entre a criação da humanidade e a condição de filho:
Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.(João 1:12,13)
Essa nova condição parte da iniciativa de Deus, que enviou Jesus para reconciliar o ser humano consigo mesmo. A fé em Cristo é a porta de entrada para essa relação:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.(João 3:16)
Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.(João 20:31)
Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo.(Gálatas 3:26,27)
Adoção e herança espiritual
No Novo Testamento, o apóstolo Paulo utiliza a figura jurídica da adoção — conhecida no mundo greco-romano — para ilustrar o que ocorre com o cristão. Pela adoção, alguém sem direitos de família recebia plenamente o nome, a herança e o afeto do pai.
Em Cristo, essa mudança de posição encerra a condição de escravidão espiritual e inaugura uma comunhão direta com Deus:
mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.(Gálatas 4:4,5)
Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.(Gálatas 4:7)
Essa certeza interior não repousa em sentimentos passageiros, mas no testemunho do próprio Espírito Santo na vida do cristão:
Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.(Romanos 8:14,15)
O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.(Romanos 8:16)
A promessa na história bíblica
O conceito de ser povo e filho de Deus começa no Antigo Testamento. Deus chamou a nação de Israel como propriedade particular e exigiu dela uma conduta condizente com a santidade do Pai:
Filhos sois do Senhor, vosso Deus; não vos dareis golpes, nem poreis calva entre vossos olhos por causa de algum morto. Porque és povo santo ao Senhor, teu Deus, e o Senhor te escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu povo próprio.(Deuteronômio 14:1,2)
Mesmo diante da infidelidade do povo, os profetas anunciaram que a misericórdia de Deus alcançaria e restauraria os que haviam se distanciado:
Todavia, o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que não pode medir-se nem contar-se; e acontecerá que, no lugar onde se lhes dizia: Vós não sois meu povo, se lhes dirá: Vós sois filhos do Deus vivo.(Oseias 1:10)
As Escrituras explicam que os verdadeiros herdeiros da promessa feita a Abraão não são definidos apenas pela descendência física, mas pela fé na promessa divina:
Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.(Romanos 9:8)
O ápice dessa revelação acontece quando Jesus é reconhecido como o Messias, o Filho do Deus vivo, ponto central de toda a Escritura:
Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.(Mateus 16:15-17)
As marcas de quem é filho
A filiação com Deus não é um conceito abstrato; ela se traduz em atitudes diárias, caráter e transformação de vida. A consciência desse amor gera compromisso com a justiça e com o próximo:
Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não conhece a ele.(1 João 3:1)
Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: qualquer que não pratica a justiça e não ama a seu irmão não é de Deus.(1 João 3:10)
Jesus destacou em seu ministério que os filhos de Deus se parecem com o Pai em suas atitudes, buscando ativamente a paz:
bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;(Mateus 5:9)
Por fim, a paternidade divina inclui a correção paternal. Deus trata seus filhos com disciplina e cuidado, visando ao crescimento e à maturidade espiritual de cada um:
Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois, então, bastardos e não filhos.(Hebreus 12:7,8)
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