Fome e sede de justiça: quando a dor exige um acerto
Redação Bíblia Online Publicado em
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- Reúne os devocionais de 5 de novembro de 2024 e 24 de dezembro de 2024.
A frase que você ficou repetindo
Alguém levou o crédito pelo seu trabalho na reunião. Você passou o trajeto de volta rodando a resposta que não deu, e à noite a cena ainda estava ali, com mais detalhes. Não é só raiva. É fome: a de ver as coisas no lugar certo — o que foi feito, reconhecido; o que foi errado, chamado pelo nome.
Jesus olha para essa fome e a chama de bem-aventurança.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
pois serão satisfeitos.
Fome e sede não são querer um pouco. É o corpo inteiro pedindo. Repare no que Jesus não diz: não é "os que já têm justiça", nem "os que fazem justiça com as próprias mãos". É os que têm fome dela — e a promessa não é que a gente vai produzir essa justiça. É que ela vai ser servida.
Este artigo faz parte de Devocionais
Quem estava sentado na multidão
Mateus descreve essas multidões, alguns capítulos adiante, como gente aflita e sem pastor (Mateus 9:36). Gente que pagava imposto a mais, que apanhava de quem devia proteger. Essa gente tinha fome de justiça: alguém me devia e não pagou.
Mas na mesma multidão havia cobrador de imposto, soldado, gente com a consciência pesada. Para esses, justiça era palavra assustadora. Se as coisas fossem postas no lugar certo, eles ficariam do lado errado da conta.
E aqui está o difícil: a gente costuma ser as duas pessoas no mesmo dia. Fome de justiça para o outro, medo dela para si.
O Justo que paga a conta
João tem um nome para o que Jesus faz com essas duas fomes: Advogado.
Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Mas, se alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.(1 Juáán 2:1, NAA)
A palavra grega é parákletos: alguém chamado para ficar ao seu lado diante de quem julga. A NAA traduz por "Advogado"; a NVI, por "intercessor". Mas o que decide a frase é o título que vem junto — o Justo. Ele não defende você dizendo que você é inocente. Defende apresentando a justiça dele no lugar da sua. Pedro diz como:
Porque Cristo também sofreu pelos pecados de uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzi-los a Deus. Ele foi morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito,(1 Pédro̱ 3:18, NVI)
O justo pelos injustos. A dívida que você não tinha como pagar foi paga, e por isso Paulo diz que a pessoa é justificada pela fé, não por acerto de contas (Romanos 3:28).
É isso que sacia as duas fomes. A do culpado, porque a justiça foi feita — na cruz, sobre Cristo, e não sobre você. E a de quem foi lesado: Deus não deu de ombros para o que te fizeram. Ele leva a injustiça tão a sério que ela custou a vida do Filho. O acerto final não foi esquecido; está nas mãos de quem é Justo e não erra a conta.
Isso não quer dizer que a cena da reunião para de doer hoje. Lucas registra a mesma bem-aventurança com o verbo no futuro: serão satisfeitos (Lucas 6:21). A fome é real agora. A mesa está prometida.
O que fazer com a fome hoje
Quando a frase voltar à cabeça, não engula e não revide. Dê nome ao que foi: isso foi injusto. Entregue a conta a quem tem como cobrar — e a quem já pagou a sua. Talvez a conversa com o colega aconteça; talvez não. Mas a fome tem para onde ir.
A justiça que sacia não é a que você faz. É a que foi feita por você.
Senhor Jesus, o Justo, eu tenho fome de ver as coisas no lugar. Entrego a você o que me fizeram e o que eu fiz. Obrigado por ficar ao meu lado quando eu não tinha defesa. Amém.
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