Julgamento: o limite entre discernir e condenar
O que a Bíblia ensina sobre julgar
A Bíblia não proíbe o discernimento, mas condena com firmeza a hipocrisia e o impulso humano de condenar o próximo assumindo o lugar de Deus. Enquanto a inclinação comum é apontar os erros alheios com severidade, a Escritura ensina que todo juízo deve ser guiado pela verdade e pela misericórdia, pois cada pessoa prestará contas de si mesma ao Criador.
Quando Jesus advertiu para não julgar, o contexto era a postura dos fariseus e daqueles que procuravam falhas minúsculas nos outros enquanto ignoravam pecados graves em si mesmos.
Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós.
Por que reparas tu o cisco no olho de teu irmão, mas não percebes a viga que está no teu próprio olho? E como podes dizer a teu irmão: Permite-me remover o cisco do teu olho, quando há uma viga no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão.(Mateus 7:1-5)
Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.
Dai sempre, e recebereis sobre o vosso colo uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante; generosamente vos darão. Portanto, à medida que usares para medir o teu próximo, essa mesma será usada para vos medir.(Lucas 6:37,38)
Julgar pela aparência versus julgar com reta justiça
Existe uma diferença essencial nas Escrituras entre a condenação presunçosa e a avaliação prudente. Em João 7, o próprio Cristo instruiu os seus ouvintes a não julgarem conforme as aparências externas, mas a praticarem um juízo reto e justo.
Discernir entre a verdade e o erro moral é responsabilidade de quem busca maturidade na fé. O problema começa quando esse discernimento se transforma em arrogância e difamação contra o irmão, esquecendo que há apenas um Legislador e Juiz capaz de salvar e de destruir.
Não julgueis de acordo com a aparência, mas decidi com justos julgamentos."(João 7:24)
Caros irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem se põe a falar contra algum irmão ou passa a julgar o seu irmão, acaba protestando contra a Lei e a julga também. Ora, se passas a julgar a Lei, cessas de obedecê-la e assumis a posição de juiz. Um só é o Legislador e Juiz, Aquele que pode salvar e aniquilar. Tu, no entanto, quem és, para julgar o teu semelhante?(Tiago 4:11,12)
Mas, tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, igualmente, por que desprezas teu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus. Porquanto está escrito: "Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, diante de mim todo o joelho se dobrará e toda língua confessará que Eu Sou Deus".
Deste modo, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.(Romanos 14:10-12)
O Tribunal de Cristo e a responsabilidade pessoal
A Escritura afirma categoricamente que todos comparecerão diante de Deus. Para quem está em Cristo Jesus, o julgamento final não é um veredito de condenação penal eterna, mas um acerto de contas onde cada intenção oculta, palavra e atitude será exposta diante da luz da verdade divina.
Saber que Deus examina o íntimo deve afastar qualquer desejo de policiar a vida do próximo, trazendo o foco de volta para o próprio coração e conduta.
Portanto, agora não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.(Romanos 8:1,2)
Porquanto, todos nós deveremos comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba o que merece em retribuição pelas obras praticadas por meio do corpo, quer seja o bem, quer seja o mal.(2 Coríntios 5:10)
Porque Deus conduzirá a Juízo tudo quanto foi realizado e até mesmo o que ainda está escondido; quer seja bem, quer seja mal.(Eclesiastes 12:14)
Deus é o único juiz perfeito e imparcial
Os julgamentos humanos são frequentemente falhos, condicionados por preconceitos, mágoas e informações incompletas. Deus, ao contrário, julga com retidão absoluta porque conhece os segredos mais profundos de cada indivíduo e não se deixa impressionar por discursos ou aparências exteriores.
Confiar no julgamento do Senhor liberta o cristão da necessidade de vingança e do peso de carregar ressentimentos, na certeza de que a justiça perfeita pertence exclusivamente a Deus.
O SENHOR reina
para sempre;
para o julgamento firmou o seu trono.
Ele julga o mundo
com justiça,
governa os povos
com retidão.(Salmos 9:7,8)
Enquanto eu, pasmo, admirava esses animais,
eis que tronos foram trazidos,
e um ancião pleno de dias se assentou.
Suas roupas eram brancas como a neve;
e seus cabelos alvos
como a pura lã.
Seu trono estava todo envolvido por labaredas de fogo,
e as rodas do trono
eram chamas ardentes.
De diante dele, brotava e fluía um rio de fogo.
Milhares de milhares o serviam;
milhões e milhões
prostravam-se diante dele.
Então o Tribunal deu início ao julgamento,
e todos os livros foram abertos.(Daniel 7:9,10)
Vi também os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono e alguns livros foram abertos. Então, abriu-se um outro livro, o Livro da Vida, e os mortos foram julgados pelas observações que estavam registradas nos livros, de acordo com as suas obras realizadas. O mar entregou os mortos que jaziam nele, e a morte e o Hades entregaram os mortos que neles havia; e um por um foi julgado, de acordo com o que tinha feito.(Apocalipse 20:12,13)
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