Legalidades: o que a Bíblia diz sobre leis e impostos
Redação Bíblia Online Publicado em
O que a Bíblia diz sobre leis e impostos
A Bíblia manda o cristão cumprir a lei do país e pagar o imposto que ela cobra — não por medo da multa, mas porque quem cobra foi colocado ali por Deus. O limite é um só: quando a lei exige desobedecer a Deus, o cristão obedece a Deus e aceita as consequências, sem revolta e sem violência.
Isso soa simples, mas vale saber de onde vem. O texto mais direto sobre o assunto foi escrito por Paulo por volta do ano 57, para cristãos que moravam em Roma — a capital de um império pagão, governado por Nero. Não era um governo cristão, não era eleito, e boa parte do imposto arrecadado ia para templos de deuses romanos e para as legiões que mantinham a Judeia ocupada. Foi para essa gente, nessa cidade, que Paulo escreveu o seguinte:
Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer à autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz em vão a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência.
Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.
Olha o que está dito, na ordem. Primeiro: toda autoridade vem de Deus (v. 1). Não "a autoridade boa" — toda. Segundo: a autoridade existe para castigar o mal e proteger o bem, e por isso carrega "a espada" (v. 4), que é poder real de punir. Terceiro: a razão para obedecer não é só o castigo, mas a consciência (v. 5). Quarto: isso inclui dinheiro — tributo e imposto (v. 6-7).
Tem um detalhe no grego que ajuda a sentir o peso disso. No versículo 6, Paulo chama os que cobram imposto de leitourgoi de Deus — a mesma palavra usada no Antigo Testamento grego para o serviço dos sacerdotes no templo. O cobrador romano, que o judeu comum odiava, é descrito como alguém prestando um serviço a Deus sem saber. Paulo não está dizendo que o cobrador é santo; está dizendo que a função dele entra no plano de Deus para conter o caos.
E quando ele distingue "tributo" de "imposto" no versículo 7, não é enfeite. Phoros era o tributo direto, cobrado por cabeça e por propriedade; telos eram as taxas indiretas, sobre mercadorias e alfândega. É como se ele dissesse: imposto de renda, imposto sobre o que você compra — paga os dois.
Este artigo faz parte de Vida Cristã Ética e Integridade
"Dai a César o que é de César": o que Jesus respondeu sobre imposto
Antes de Paulo, Jesus foi encurralado com a mesma pergunta — e de propósito. Fariseus e herodianos, que não se suportavam, se juntaram para armar uma pergunta sem saída: pode pagar imposto a César ou não? Se Jesus dissesse "sim", perdia o povo, que via o imposto romano como humilhação. Se dissesse "não", podia ser denunciado por sedição.
Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?
Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas?
Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro.
E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição?
Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.(Mateus 22:17-21)
O imposto em questão era o kēnsos, uma taxa por cabeça paga diretamente a Roma, em moeda romana. E a moeda era o problema. O denário de prata da época trazia o rosto de Tibério e a inscrição "Tibério César, filho do divino Augusto". Para um judeu, aquilo era uma peça de propaganda que chamava um homem de filho de deus.
Jesus pede a moeda e faz uma pergunta: de quem é a imagem? "De César." Então devolvam a César o que carrega a imagem dele. O verbo que Ele usa é "devolver", "restituir" — não é um favor que se faz a Roma; é entregar o que já é de Roma.
E aí vem a segunda metade, que a pergunta deles não previa: "e a Deus o que é de Deus". A moeda tem a imagem de César. O ser humano tem a imagem de Deus (Gênesis 1). César pode ficar com a prata; a vida inteira pertence a outro.
É por isso que essa frase resolve duas coisas de uma vez. Pagar imposto a um governo pagão não é idolatria — Jesus mandou pagar. Mas o governo não é Deus — a lealdade que se deve a ele tem teto, e o teto é a imagem de Deus em você.
Jesus pagou imposto? A moeda na boca do peixe
Pagou. E num caso em que, tecnicamente, tinha razão para não pagar.
E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?
Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?
Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos.
Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti.(Mateus 17:24-27)
Esse imposto não era romano. Era a taxa do templo: meio siclo por adulto judeu, prevista em Êxodo 30, que na época era paga em duas dracmas. O argumento de Jesus para Pedro é fino: reis não cobram imposto dos próprios filhos. O templo é a casa do Pai dele. Logo, o Filho está isento.
E mesmo assim Ele paga. O motivo está escrito: "para que não os escandalizemos". Jesus abre mão de um direito que tinha para não dar a ninguém motivo de dizer que Ele desprezava a casa de Deus. A moeda que aparece na boca do peixe, um estáter, valia exatamente quatro dracmas — duas para Ele, duas para Pedro.
O que isso ensina sobre leis e impostos é algo que Romanos 13 só diz de forma abstrata: dá para estar certo e, ainda assim, pagar. Às vezes a questão não é "tenho obrigação?", mas "o que a minha recusa diria sobre o Deus que eu sigo?".
Sonegar imposto é pecado?
Sim — e não é preciso forçar o texto para chegar aí. Paulo nomeia o imposto pelo nome em Romanos 13:6-7 e fecha o pensamento com uma frase que vai além do dinheiro:
A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.(Romanos 13:8)
Não é coincidência que esse versículo venha logo depois de "dai a cada um o que deveis". No grego, é o mesmo verbo: opheilō, dever. O que você deve ao Estado em imposto e o que deve ao vizinho em dinheiro emprestado estão na mesma categoria — dívida que precisa ser quitada. A única dívida que o cristão pode carregar sem pagar é a do amor, porque essa nunca termina.
A objeção aparece na hora: "mas o governo desvia o dinheiro". É verdade, e Roma também desviava. Nero gastava com espetáculos e, mais tarde, incendiou a própria cidade segundo os boatos da época. Paulo sabia disso e não abriu exceção. O que o governo faz com o imposto é responsabilidade do governo diante de Deus. O que você faz com o imposto que deve é responsabilidade sua.
Pedro escreve na mesma linha, para cristãos espalhados pela Ásia Menor, e dá o motivo que mais pesava naquele contexto:
Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.
Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem.(1 Pedro 2:12-14)
Repare na ordem. O versículo 12 fala de pagãos que acusam os cristãos de malfeitores — porque era isso que acontecia: o cristão era visto como gente estranha, que não adorava os deuses da cidade e podia estar tramando algo. A resposta de Pedro não é um discurso de defesa; é conduta. Pague o que deve, respeite o governador, viva de modo que a acusação não cole. "Por amor do Senhor", diz o versículo 13 — não por amor ao rei.
Então, sonegar não é só crime; é tirar da fé o argumento mais forte que ela tem num mundo que desconfia dela.
Quando o cristão pode desobedecer uma lei
A Bíblia tem exemplos de desobediência à autoridade — e todos seguem o mesmo padrão. As parteiras hebreias não matam os bebês que Faraó mandou matar (Êxodo 1). Daniel continua orando quando o rei proíbe (Daniel 6). Seus três amigos não se curvam à estátua (Daniel 3). Os apóstolos continuam pregando depois de proibidos pelo Sinédrio, e resumem a regra numa frase: "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (Atos 5:29, ACF — leia a cena em Atos 5).
O padrão é este: a desobediência acontece quando a lei manda pecar ou proíbe o que Deus mandou. Nunca por imposto alto, nunca por lei inconveniente, nunca por antipatia ao governante. E quem desobedece não pega em armas nem foge: fica e aceita a pena. Daniel vai para a cova. Os amigos vão para a fornalha. Pedro e João vão para a cadeia.
Jesus avisou que isso ia acontecer, e vale notar o que Ele prometeu — e o que não prometeu:
E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios. Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer.(Mateus 10:18,19)
Ele não diz "vocês não serão levados a tribunal". Diz que serão, e que a prisão vai servir de testemunho. A promessa não é livramento; é palavra certa na hora certa. Quem desobedece por fidelidade a Deus deve ir preparado para pagar o preço, não para escapar dele.
E há um detalhe que muita gente perde: mesmo o tribunal injusto que condenou Jesus estava, de algum modo, sob Deus.
Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?
Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.(João 19:10,11)
Pilatos se gaba do poder que tem. Jesus não nega que ele o tem — diz de onde vem: "de cima". A autoridade de um governador corrupto, num julgamento armado, ainda é autoridade dada por Deus. Mas a frase seguinte mostra que receber autoridade de cima não isenta de culpa: "aquele que me entregou a ti maior pecado tem". Governante presta contas. Autoridade dada por Deus é autoridade cobrada por Deus.
Aqui é honesto dizer que os cristãos não concordam em tudo. A tradição reformada, a partir do século XVI, desenvolveu argumentos para resistir a governantes tiranos por meio de autoridades intermediárias — magistrados, parlamentos. A tradição anabatista e as igrejas pacifistas leem Romanos 13 e o exemplo de Jesus diante de Pilatos como proibição de qualquer resistência que não seja a recusa pessoal de pecar. A leitura evangélica histórica que orienta este texto fica mais perto da segunda, mas reconhece que a primeira tem raízes bíblicas sérias. O que ninguém discute é o núcleo: obedecer até o ponto em que a lei exige pecar, e aí obedecer a Deus.
Cristão pode processar alguém?
Pode, mas Jesus coloca o processo como último recurso, não primeiro:
Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te lancem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último centavo.(Mateus 5:25,26)
A cena é de alguém que vai sendo levado ao tribunal por uma dívida. Jesus diz: resolve no caminho. Faz acordo antes de chegar lá, porque, uma vez na mão do juiz, você perde o controle do que acontece. O tom é prático, quase de conselho de advogado — mas o ponto é espiritual: o cristão deveria ser a pessoa mais fácil do mundo de se chegar a um acordo.
Com um irmão na fé, Paulo é mais duro. Em 1 Coríntios 6 ele estranha que cristãos levem uns aos outros a tribunais pagãos e diz que seria melhor sofrer o prejuízo do que dar esse espetáculo. A igreja deveria ser capaz de resolver suas próprias brigas.
Mas processo em si não é pecado. O próprio Paulo usou a lei romana a seu favor mais de uma vez: invocou a cidadania para evitar açoite (Atos 16) e apelou a César para escapar de um julgamento viciado em Jerusalém (Atos 25). A lei civil é um instrumento; o cristão pode usá-lo. O que a Bíblia pede é que ele não corra para o tribunal com a mesma pressa com que o mundo corre.
O recenseamento de César e o nascimento de Jesus
Tem um caso em que a lei do império, cumprida à risca, colocou uma família no lugar exato que a profecia pedia.
E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse (Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria). E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), A fim de alistar-se com sua mulher Maria, desposada com ele, a qual estava grávida.(Lucas 2:1-5)
Um decreto de Augusto manda todo mundo se alistar na cidade de origem. José, que mora em Nazaré, pertence à casa de Davi e por isso tem que ir a Belém — uns 150 quilômetros a pé, com a esposa grávida. Ele vai. Não há sinal de que tenha questionado, atrasado ou tentado uma exceção.
E Belém era onde Miqueias, séculos antes, tinha dito que o governante de Israel nasceria (Miqueias 5). O imperador queria contar contribuintes. Deus usou a burocracia dele para cumprir a palavra. Vale dizer que historiadores debatem a data exata desse recenseamento em relação ao governo de Quirino na Síria; o que o texto afirma, e que importa aqui, é que uma ordem civil pagã foi o meio pelo qual a promessa se cumpriu.
Para quem lê hoje, a lição é desconfortável e boa ao mesmo tempo: as leis que você cumpre sem entender por quê podem estar servindo a um plano que você não vê.
Por que obedecer a um governo que não vai durar
Isso tudo fica mais leve quando se olha o governo do tamanho que ele tem diante de Deus. Isaías escreveu para um povo pequeno, espremido entre impérios, e disse o seguinte sobre esses impérios:
Eis que as nações são consideradas por ele
como a gota de um balde,
e como o pó miúdo
das balanças;
eis que ele levanta as ilhas
como a uma coisa
pequeníssima.
Todas as nações são
como nada perante ele;
ele as considera menos do
que nada e como uma coisa vã.(Isaías 40:15,17)
Uma gota que sobra no balde. Poeira na balança. Isso é o que as nações são para Deus — não porque Ele as despreze, mas porque a escala é outra. E aqui vale perceber o que Paulo não está dizendo em Romanos 13: ele não manda obedecer porque o Estado é grande. Manda obedecer porque Deus é grande, e o Estado é um instrumento nas mãos dele. O cristão que paga imposto a um governo que despreza não está se curvando ao governo; está confiando em quem o pôs ali e em quem vai tirá-lo.
Paulo viveu assim. Escrevendo de Éfeso, cidade do culto a Ártemis, onde logo depois enfrentaria um tumulto por causa do evangelho (Atos 19), ele descreve a situação assim:
Porque uma porta grande e eficaz se me abriu; e há muitos adversários.(1 Coríntios 16:9)
Porta aberta e muitos adversários, na mesma frase. Ele não esperou um ambiente favorável para trabalhar, nem viu a hostilidade como sinal de que a porta estava fechada. O evangelho avançou num império pagão, com imposto pesado, tribunais injustos e leis que em certos momentos proibiram a própria fé. A missão do cristão nunca dependeu de ter o governo a favor.
Por isso o Novo Testamento pede uma coisa que raramente se associa a "leis e impostos": oração pelos governantes. Em 1 Timóteo 2, Paulo manda orar "por todos os que exercem autoridade", para que a igreja viva em paz e o evangelho se espalhe. O governante que você critica é alguém por quem você deve orar — e orar por alguém muda o jeito de falar dele.
Tudo isso é desdobramento do texto com que começamos. Leia Romanos 13 inteiro, do versículo 1 ao 8, com calma: primeiro a autoridade que vem de Deus, depois o imposto que se deve, e no fim a única dívida que nunca se quita — o amor.
Devo pagar imposto mesmo sabendo que o governo é corrupto?
Sim. Paulo escreveu Romanos 13 para cristãos em Roma sob Nero, cujo governo financiava templos pagãos e a ocupação da Judeia, e mesmo assim mandou pagar tributo e imposto (Romanos 13:6-7). O que o governo faz com o dinheiro é responsabilidade dele diante de Deus; quitar a dívida é responsabilidade de quem deve. Corrupção justifica denúncia e voto, não sonegação.
Cristão pode protestar ou criticar o governo?
A Bíblia não proíbe crítica a governantes — profetas como Natã, Elias e João Batista confrontaram reis diretamente, e Paulo chamou um sumo sacerdote de "parede branqueada" (Atos 23:3). O que ela pede é que a crítica venha sem violência, sem desprezo pela autoridade como instituição e acompanhada de oração pelos governantes (1 Timóteo 2:1-2). Protesto pacífico e dentro da lei é compatível com Romanos 13; rebelião armada é o que o texto exclui.
Cristão pode trabalhar como fiscal ou cobrador de impostos?
Pode. Jesus chamou Mateus, um cobrador de impostos, para ser apóstolo (Mateus 9:9), e Zaqueu, chefe de cobradores, foi recebido por Ele sem que lhe pedisse para largar o cargo — apenas para devolver o que tinha roubado (Lucas 19:8). João Batista disse aos cobradores que viessem a ele apenas que não cobrassem além do devido (Lucas 3:12-13). O problema nunca foi a função; foi a extorsão.
Imposto e dízimo são a mesma coisa?
Não. O imposto é devido ao Estado e Jesus mandou pagar (Mateus 22:21); o dízimo e as ofertas dizem respeito à relação com Deus e à igreja. Jesus separou as duas coisas na mesma frase — "a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" — justamente para que uma não substituísse a outra. Pagar imposto não dispensa de generosidade para com a obra de Deus, e dar à igreja não dispensa de pagar imposto.
Preciso obedecer uma lei que considero injusta, mas que não me obriga a pecar?
Sim. O exemplo bíblico de desobediência civil é sempre o de uma lei que manda pecar ou proíbe obedecer a Deus — como a ordem de Faraó às parteiras ou a proibição de pregar em Atos 5. Uma lei que você acha injusta, mas que não exige pecado, continua sendo lei a cumprir, "não somente pelo castigo, mas também pela consciência" (Romanos 13:5). Mudar a lei pelos meios legais é legítimo; ignorá-la porque não concorda, não.
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