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Materialismo: o perigo da riqueza e o contentamento

Redação Bíblia Online Publicado em

O que a Bíblia chama de materialismo

Homem de camisa xadrez abre porta de cômodo lotado de caixas; família almoça à mesa.

Materialismo, na Bíblia, não é ter coisas: é acreditar que a vida está nas coisas. A palavra que a Escritura usa é avareza — ou cobiça, ganância, dependendo da tradução —, e Jesus a define numa frase só: a vida de uma pessoa não consiste na quantidade do que ela possui.

Na xanbi ra, a yi a fala e birin xa, a naxa, "Ɛ a liga ɛ yeren ma milana fe yi amasɔtɔ muxun findi nafulu kanna ra ki ki, a mi nɔɛ luyɛ a sii ra a nafunla fe ra."

Vale olhar de onde essa frase saiu. Em Lucas 12:13, alguém na multidão pede que Jesus resolva uma briga de herança com o irmão. Jesus recusa o papel de juiz e fala do que estava por baixo da briga. O verbo que ele usa é de vigilância — "guardai-vos" —, como quem avisa de um ladrão rondando a casa.

No grego, a palavra é pleonexia, literalmente "querer ter mais". Não é o desejo de ter o suficiente; é a fome que não reconhece suficiente. E Jesus não falava para ricos: falava para gente comum, que brigava por herança.

Em seguida ele conta a história do fazendeiro cuja terra produziu demais (Lucas 12:16-21). O homem não rouba nem explora ninguém. Só planeja: celeiros maiores, guardar tudo, descansar. Deus o chama de louco — não por ser rico, mas porque arrumou a vida inteira em volta de algo que não ia sobreviver àquela noite. O resumo de Jesus: «Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus» (Lucas 12:21, ACF).

Três homens conversam em uma fazenda, e um deles aponta para longe, perto de um celeiro com sacas.

Paulo dá nome ao problema: cobiça é idolatria.

Nanara, dunuɲa fe kobin naxanye ɛ yi, ɛ xa ne yiiba: yanga suxuna, xɔsi feene, kunfa ɲaxine, waxɔn fe ɲaxine, e nun milɛntenyana, naxan findixi se batun na.(Kɔlɔsi Kaane Sora 3:5)

Olha a lista em que a cobiça aparece: imoralidade sexual, impureza, paixões. Todas são desejo desordenado por algo criado. Idolatria é colocar uma coisa no lugar onde só Deus cabe — a fonte de segurança, de identidade, de futuro. Quando o que eu tenho me diz quem eu sou e quanto eu valho, o nome teológico disso é ídolo, por mais que a coisa seja um carro e não uma estátua. Paulo repete a mesma equação em Efésios 5:5.

Este artigo faz parte de Vida Cristã Vida Cristã Prática

Ganhar o mundo e perder a alma

Jesus coloca a conta em termos de troca:

Xa muxun dunuɲa birin sɔtɔ, a bɔnɔ a niini habadan, na tɔnɔn nanse ra? Muxun nɔɛ nanse fiyɛ, alogo a niin mɔn xa kisi?(Matiyu Sora 16:26)

A frase vem logo depois de Jesus anunciar que vai morrer e dizer que quem quiser salvar a própria vida vai perdê-la (Mateus 16:21-25).

A ACF traduz "alma" e a NVI, "vida". As duas estão certas. O grego é psychē, que cobre tanto a vida que se vive aqui quanto o que a pessoa é diante de Deus. Jesus está dizendo que você pode gastar inteiramente a única vida que tem comprando o que não pode levar. Marcos registra a mesma frase, cortada ao essencial:

Xa muxun dunuɲa birin sɔtɔ, a bɔnɔ a niini habadan, tɔnɔn mundun na ra?(Maraka Sora 8:36)

Por isso o materialismo não é um pecado leve, de gente que gosta de conforto: na lógica de Jesus, é um mau negócio em escala eterna.

O dinheiro é a raiz de todo mal?

Não exatamente — e aqui a tradução importa. O que 1 Timóteo 6:10 diz é que o amor ao dinheiro é raiz de males. Dinheiro é papel. O amor ao dinheiro é uma direção do coração.

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.(Timɔte Singen Sora 6:10, ACF)

pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçar o dinheiro, se desviaram da fé e se afligiram com muitos sofrimentos.(Timɔte Singen Sora 6:10, NVI)

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e atormentaram a si mesmos com muitas dores.(Timɔte Singen Sora 6:10, NAA)

Amasɔtɔ gbeti xɔnxɔnna nan fe ɲaxine birin binla ra. Ndee bata mila gbetin xɔn, e masiga dɛnkɛlɛyaan na, e kɔntɔfili fe wuyaxi ti e yɛtɛ ma.(Timɔte Singen Sora 6:10, Yalunka)

A ACF diz "toda a espécie de males"; NVI e NAA dizem "todos os males". No grego, "raiz" aparece sem artigo definido — Paulo está dizendo que o amor ao dinheiro é uma raiz de que brota todo tipo de mal, não a única raiz de tudo o que existe de ruim. A ACF guarda melhor essa nuance.

Paulo escreve isso a Timóteo, em Éfeso, por causa de gente que tratava a religião como fonte de renda (1 Timóteo 6:5). E o versículo anterior descreve o mecanismo:

Koni naxanye waxi findi feni nafulu kanne ra, ne birama nɛn tantan feene yi, e suxu luti ratixin na e nun kunfa xaxilitare ɲaxi wuyaxin naxanye muxune rasinma halagin nun bɔnɔni.(Timɔte Singen Sora 6:9)

Note o sujeito: não "os ricos", mas "os que querem ficar ricos". Querer é o verbo. A imagem é de alguém puxado para baixo pela própria carga — não uma maldição de fora, mas o peso do que ela mesma agarrou.

O que o dinheiro não faz: não enche e não acompanha

Eclesiastes faz o inventário mais seco da Bíblia sobre riqueza. O autor, que fala como alguém que teve de tudo (Eclesiastes 2:4-11), observa:

Nafunla nɛma gboma ayi, a don muxune fan yi wuya ayi. A tɔnɔn mundun se kanne ma nayi ba a mato feen na?(Karamɔxɔn Sora 5:10)

Esse "jamais se fartará" é diagnóstico, não bronca. O capítulo segue a observação: quanto mais bens, mais gente para consumi-los (5:11); o trabalhador dorme bem, mas a fartura do rico não o deixa dormir (5:12); riqueza se perde num negócio ruim (5:14). Vale ler Eclesiastes 5 nesse trecho inteiro. E então vem a conta final:

Gbalon nan mɔn na fan na. A xɛtɛma nɛn alo a faxi kii naxan yi. Nayi, a tɔnɔn mundun sɔtɔma, a to walixi foyen nan fɔxɔ ra?(Karamɔxɔn Sora 5:15)

Paulo retoma o raciocínio em 1 Timóteo e tira dele a conclusão prática:

Amasɔtɔ en mi faxi sese ra en yii dunuɲani ito yi, en mɔn mi sigan sese ra en yii. Nayi, xa donseen nun dugina en yii, en na en wasa so ne yi.(Timɔte Singen Sora 6:7,8)

Se nada veio com você e nada vai com você, tudo o que está no meio é empréstimo. E a medida do bastante é menor do que parece — comida e roupa. Paulo não diz que só isso é permitido; diz que só isso é necessário. A distância entre o necessário e o desejado é onde o contentamento se decide.

A segurança que a riqueza promete e não entrega

Nafulu kanna kɛɛn findixi a taa makantanxin nan na.

A miriyani, yinna na a ra naxan mi nɔɛ kalɛ.(Sandane Sora 18:11)

Leia esse versículo junto com o anterior. Provérbios 18:10 diz que o nome do Senhor é torre forte, para onde o justo corre e fica seguro. Em seguida vem o rico e a sua cidade forte — "na sua imaginação". Um é refúgio real; o outro, um muro que só existe na cabeça do dono.

I nɛma fa i yɛɛn ti nafunla ra

a bata ɲan!

Amasɔtɔ gabutɛne minima a ma nɛn,

a tugan, te kore alo singbinna.(Sandane Sora 23:5)

O conselho que vem antes (Provérbios 23:4) é não se cansar para enriquecer. E a razão é essa: a riqueza tem asas. Quem viveu uma demissão ou um negócio que quebrou sabe o que a imagem descreve.

Sese mi nafunla ra Ala kiti sa lɔxɔni.

Koni tinxinna nan muxune xunbama sayaan ma.(Sandane Sora 11:4)

"Dia da ira" em Provérbios é o dia do juízo — a morte ou o acerto final de Deus. Nesse dia, o que livra é a justiça, não o saldo.

O que é contentamento — e o que não é

Contentamento, na Bíblia, não é conformismo nem falta de ambição. É a capacidade de dizer "tenho o suficiente" porque a fonte do suficiente não é a conta bancária.

Paulo brinca com as palavras: os falsos mestres achavam que piedade era meio de ganho; Paulo responde que a piedade é grande ganho — quando vem com contentamento.

A palavra grega é autarkeia, que os estoicos usavam para "bastar a si mesmo". Paulo pega o termo e troca a base. Em Filipenses 4:11-13, ele diz que aprendeu a estar contente em qualquer situação — na fartura e na fome — e termina com "tudo posso naquele que me fortalece". Esse versículo tão citado é sobre contentamento, não sobre conquista: o "tudo posso" é passar fome ou ter fartura sem que isso decida quem Paulo é. E ele escreveu isso de uma prisão.

Hebreus mostra onde está o chão do contentamento:

Ɛ dunuɲa yi gidin nama findi gbeti xɔnxɔnna ra. Seen naxan ɛ yii, na xa ɛ wasa amasɔtɔ Ala bata a fala, a naxa, "N mi kelɛ i dɛxɔn mumɛ, n mi ɛ rabeɲinɲɛ fefe ma."(Heburune Sora 13:5)

Repare na estrutura: contentem-se com o que têm, porque ele disse que não os deixaria. A promessa vem de Deuteronômio 31:6 e Josué 1:5 — dita a Israel antes de entrar numa terra que ainda não tinham. O contentamento bíblico não nasce de ter. Nasce de não estar sozinho.

Melhor pouco com Deus do que muito sem ele

Provérbios tem uma fórmula — "melhor isto do que aquilo" — que coloca a riqueza na balança. Ela sempre perde.

A fisa i ndedi sɔtɔ i lu Alatala yɛɛragaxuni,

benun i xa nafulu gbeen sɔtɔ kɔntɔfinli.(Sandane Sora 15:16)

O provérbio não diz "melhor pouco do que muito". Diz: melhor pouco com o temor do Senhor do que muito com inquietação. O que está em jogo é o que vem junto.

Fe kolonna sɔtɔn tɔnɔn gbo

dangu xɛmaan na pon!

Xaxilimayaan sɔtɔn fisa gbetin xa ki faɲi!(Sandane Sora 16:16)

Provérbios não despreza o ouro — o livro fala muito de trabalho e colheita. Só insiste em dizer o que vale mais, para que ninguém troque o maior pelo menor sem perceber.

O contentamento na prática: o que você pede e o que você mostra

O primeiro texto é uma oração:

Fuyantenyaan nun wulen masiga n na.

I nama bannayaan fi n ma hanma yiigelitɔyana,

fɔ n mako donseen naxan ma(Sandane Sora 30:8)

Agur pede duas coisas em Provérbios 30:7-9: que Deus afaste dele a mentira, e que não lhe dê nem pobreza nem riqueza. A razão, no versículo 9, é honesta até doer: farto, ele pode negar a Deus; pobre, pode roubar. É um homem que conhece o próprio coração e pede "o pão da minha porção" — a medida certa, não o máximo.

O segundo texto é sobre aparência:

Na kiini, ɲaxanle xa e maxidi ki faɲini xurun nun yɛtɛ suturani. E nama e yɛtɛ rayabu e xunna dɛnbɛxin nun xɛmaan nun gɛmɛ tofaɲine nun dugi sare xɔdɛxɛne ra. Koni e xa rayabu e kɛwali faɲine nan xɔn, alo a lan ɲaxanle ma kii naxan yi naxanye a falama e Ala binyaxi.(Timɔte Singen Sora 2:9,10)

O contexto é o culto em Éfeso, e Paulo fala às mulheres — mas ouro, pérolas e roupa cara eram o jeito que a elite da cidade tinha de dizer "olhe quanto eu tenho". O princípio atravessa gênero e século: materialismo não é só acumular; é também precisar que os outros vejam.

Tesouro no céu: onde o coração vai parar

No Sermão do Monte, Jesus não diz "não tenha tesouro". Diz "escolha onde guardar".

Yesu naxa, "Ɛ nama ɛ nafunle ramara dunuɲani ito yi ɛ banxine kui, xɔrinxɔrinna nun mɛlimɛnle a kalama dɛnaxan yi. Muɲadene fan soma nɛn, e yi a muɲa. Koni ɛ xa nafunla ramara ariyanna yi, xɔrinxɔrinna nun mɛlimɛnle mi a kalɛ dɛnaxan yi, muɲadene fan mi soɛ na, e a muɲa(Matiyu Sora 6:19,20)

Três inimigos do tesouro na terra: traça, ferrugem, ladrão. Qualquer bem que você tem está exposto a pelo menos um dos três. Tesouro no céu não está exposto a nenhum.

Repare na ordem. Jesus não diz "onde está o seu coração, aí estará o seu tesouro". Diz o contrário: onde você coloca o tesouro, o coração vai atrás. Por isso ele liga isso, poucos versículos depois, a uma escolha sem meio-termo: ninguém pode servir a dois senhores (Mateus 6:24). Dá para ter dinheiro como servo. Não dá para ter dois senhores.

O jovem rico: rico pode ser salvo?

Pode — mas a história que mais levanta essa pergunta mostra por que é difícil. Em Mateus 19:16-26, um jovem rico pergunta a Jesus o que precisa fazer para ter a vida eterna. Diz que guardou todos os mandamentos. E Jesus lhe diz isto:

Yesu yi a yabi, a naxa, "Xa i waxi a xɔn ma, i xa findi muxu kamalixin na, siga, i sa i yii seene mati, i yi yiigelitɔne ki. I nafunla sɔtɔma nɛn ariyanna yi. Na xanbi ra, i fa bira n fɔxɔ ra."(Matiyu Sora 19:21)

O jovem foi embora triste, porque possuía muitas propriedades (Mateus 19:22). Jesus então comenta que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino. Os discípulos perguntam quem então pode ser salvo, e a resposta é a chave do episódio: «Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível» (Mateus 19:26, ACF).

Jovem de túnica bordada se afasta de grupo de homens barbados em estrada de terra.

O rico se salva do mesmo jeito que o pobre — por um ato de Deus. O que a riqueza faz é tornar isso mais difícil de ver, porque quem tem muito está acostumado a sempre encontrar uma saída.

Jesus mandou todo cristão vender tudo? A leitura evangélica histórica entende que a ordem foi dirigida àquele homem, para expor o ídolo específico dele. Zaqueu deu metade dos bens e Jesus declarou salvação na casa dele (Lucas 19:8-9); José de Arimateia, homem rico, sepultou Jesus (Mateus 27:57). Há tradições cristãs — como a franciscana — que leram a pobreza voluntária como um chamado que alguns devem seguir ao pé da letra. O que ninguém discute é o diagnóstico: o que você não consegue soltar é o que segura você.

Paulo escreve instruções diretas aos ricos da igreja, e elas não são "vendam tudo":

Yamarini ito fi waxatini ito nafulu kanne ma, a e nama waso ayi, a e mɔn nama e yigi sa nafunli naxan ɲanma, koni e xa a sa Ala yi naxan en kima seen birin yi fonisireyani alogo en xa lu sɛwani.(Timɔte Singen Sora 6:17)

Não ser arrogante, não confiar numa riqueza instável, confiar em Deus — que dá as coisas para que sejam desfrutadas. Aproveitar o que Deus dá não é pecado. Os versículos seguintes completam: que os ricos sejam ricos em boas obras, generosos, prontos a repartir (1 Timóteo 6:18-19).

Generosidade: o jeito de soltar a mão

Se o problema é a mão fechada, o remédio é a mão aberta.

E kunfaxi e waxɔn seene xɔn waxatin birin,

koni tinxin muxune kiin tiin fonisireyaan nin.(Sandane Sora 21:26)

O cobiçoso cobiça o dia inteiro — uma atividade que nunca termina. O justo dá e não retém. Dar não é o preço da salvação; é o exercício que mostra onde o tesouro está.

A primeira igreja de Jerusalém levou isso longe:

Xaxili kedenna nun nii kedenna yi lu dɛnkɛlɛya yamaan muxune birin ma. Muxu yo mi yi a falama, a naxa, n gbeen ni ito ra, bayo e birin malanna nan yi e yii seene ra.(Kɛwanle Sora 4:32)

Isso era voluntário, movido pelo Espírito, não regra imposta: quando Pedro confronta Ananias, deixa claro que a propriedade era dele e o pecado foi mentir (Atos 5:4). O texto não é um programa econômico. É o retrato de gente que, cheia de Deus, parou de precisar de muro em volta do que tinha. Leia Atos 4:32-35.

Prosperidade é sinal de bênção?

A pergunta aparece porque a Bíblia fala, sim, de Deus abençoando com bens. Abraão, Jó e Salomão foram ricos; Deuteronômio 28 promete colheita e gado a Israel se o povo guardasse a aliança.

Mas a mesma Bíblia tira qualquer base para ler riqueza como nota de aprovação divina. Jó era o homem mais íntegro da terra e perdeu tudo num dia (Jó 1). O Salmo 73 é a queixa de um justo que vê os ímpios prosperarem (Salmos 73:3-12). Jesus conta a história do rico que vai para o tormento e do mendigo Lázaro que vai para o consolo (Lucas 16:19-31), e diz "ai de vós, ricos" em Lucas 6:24.

A leitura evangélica histórica fica neste ponto: Deus dá bens, e eles podem ser desfrutados com gratidão; mas riqueza não prova favor, e pobreza não prova pecado. Quem ensina que fé produz prosperidade material garantida está prometendo o que a Bíblia não promete.

Olhar para o que não se vê

Paulo resume o que separa a pessoa materialista da pessoa de fé: para onde ela olha.

Nxu bata nxu yigin sa se totarene fari. Bayo seen naxanye toma, ne mi buma, koni seen naxanye mi toma, ne luma nɛn habadan!(Kɔrɛnti Firinden Sora 4:18)

O que se vê é temporário — o carro, a casa, a aposentadoria e a crise do mês. Paulo não diz que isso não importa; diz que não é para fixar os olhos ali.

É isso que Jesus queria que o homem da multidão entendesse quando pediu ajuda com a herança. Leia Lucas 12 do versículo 13 ao 34: começa na briga de herança, passa pelo fazendeiro dos celeiros e termina com Jesus dizendo para não andar ansioso, porque o Pai sabe do que você precisa.

Ter dinheiro é pecado segundo a Bíblia?

Não. Abraão, Jó e Davi tiveram muito, e 1 Timóteo 6:17 diz que Deus dá as coisas para que sejam desfrutadas. O que a Bíblia condena é o amor ao dinheiro (1 Timóteo 6:10) e a confiança nele (Provérbios 11:28). A pergunta não é quanto você tem, mas o que aconteceria com você se perdesse.

O que é Mamom?

É uma palavra aramaica para riqueza, que Jesus usa em Mateus 6:24 e Lucas 16:13 quase como nome próprio de um senhor rival. Não é um demônio nomeado na Bíblia; é o dinheiro quando passa a dar ordens em vez de recebê-las.

Avareza, cobiça e ganância são a mesma coisa?

Na Bíblia, costumam traduzir a mesma palavra grega, pleonexia (Lucas 12:15; Colossenses 3:5). A ACF prefere "avareza"; a NVI usa "ganância" ou "cobiça". Em português, avareza lembra quem não gasta, mas a palavra bíblica é mais larga: o desejo de ter sempre mais, gaste-se ou não.

Como saber se estou sendo materialista?

A Bíblia oferece alguns testes: onde está o que você mais valoriza (Mateus 6:21); se você consegue dizer "basta" (Eclesiastes 5:10); se a ideia de perder o que tem lhe tira o sono (Eclesiastes 5:12); se consegue dar sem calcular (Provérbios 21:26). Não é um teste de quantidade, mas de quanto a mão está fechada.

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