Quem é o Messias? O significado do título de Jesus
Redação Bíblia Online Publicado em
O que significa Messias
Messias quer dizer "ungido" — alguém sobre quem derramaram óleo para marcar que Deus o escolheu para uma tarefa. Em hebraico a palavra é mashiach; quando o Antigo Testamento foi traduzido para o grego, virou Christos; em português, Cristo. Então "Jesus Cristo" não é nome e sobrenome. É nome e título: Jesus, o Ungido. Jesus, o Messias.
E não qualquer ungido. Israel tinha ungido muitos reis e sacerdotes ao longo dos séculos, mas as promessas de Deus foram se concentrando em um só: um rei da família de Davi que viria para endireitar o que estava torto — libertar o povo, trazer paz, governar com justiça e para sempre. "O Messias", com artigo definido, é esse rei esperado.
Quem é ele é a pergunta que atravessa os Evangelhos. E foi o próprio Jesus quem a fez, em Cesareia de Filipe, aos homens que caminhavam com ele há mais de dois anos:
— E vocês, quem dizem que eu sou? — perguntou.
Simão Pedro respondeu:
— Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Repare que Pedro não responde "tu és o Messias", e sim "tu és o Cristo". É a mesma palavra em outra língua — Mateus escreveu em grego. O que Pedro está dizendo é: você é aquele que estávamos esperando desde Davi. E Jesus confirma, dizendo que não foi ideia de Pedro, foi o Pai quem revelou. O restante deste artigo é explicar por que essa frase curta era tão grande.
Este artigo faz parte de Estudos Bíblicos Doutrinas e Teologia
Messias e Cristo são a mesma coisa?
Sim, e vale fixar isso porque a dúvida é comum. Messias vem do hebraico, Cristo vem do grego, e as duas significam exatamente "ungido". O Novo Testamento, escrito em grego, usa quase sempre Christos. Em duas ocasiões, porém, João deixa a forma hebraica e traduz na hora para o leitor: quando André encontra o irmão e diz «achamos o Messias (que quer dizer Cristo)» (João 1.41, ACF), e quando a mulher samaritana diz a Jesus que sabe que o Messias vem — e Jesus responde "sou eu".
Então, quando a Bíblia diz "Cristo", leia "Messias", e vice-versa. Não há dois títulos, há um só em duas línguas. O português herdou os dois, e usamos "Cristo" quase como nome próprio — por isso é fácil esquecer que ele carrega uma afirmação enorme toda vez que é dito.
De onde vem a ideia de "ungido"
No Antigo Testamento, ungir era um gesto concreto: derramar óleo perfumado sobre a cabeça de alguém, diante de testemunhas, para dizer que aquela pessoa agora pertencia a uma função dada por Deus. Três grupos recebiam a unção.
Os sacerdotes: Arão e seus filhos foram ungidos para servir no tabernáculo, segundo as instruções de Êxodo 29. Os reis: Samuel ungiu Saul, e depois, quando Saul falhou, foi a Belém e ungiu um pastor adolescente chamado Davi — o texto diz que, a partir daquele dia, o Espírito do Senhor veio sobre ele. E os profetas, ao menos em linguagem figurada: o profeta de Isaías 61 diz que o Senhor o ungiu para anunciar boas-novas aos pobres — e foi exatamente esse texto que Jesus leu na sinagoga de Nazaré, dizendo que se cumpria nele (Lucas 4).
A tradição cristã — a formulação mais conhecida é de João Calvino, mas é comum à teologia evangélica e à católica — observa que Jesus reúne os três ofícios: é profeta que fala a palavra de Deus, sacerdote que oferece o sacrifício, e rei que governa. Isso é leitura teológica, não uma frase que esteja escrita assim na Bíblia. Mas é uma leitura que o próprio Novo Testamento sustenta ao aplicar a Jesus textos sobre cada um dos três.
Uma observação sobre o óleo: o Novo Testamento não registra ninguém ungindo Jesus com óleo para torná-lo rei. A unção dele, segundo Atos 10.38, foi "com o Espírito Santo e com poder" — e os Evangelhos marcam esse momento no batismo, quando o Espírito desce sobre ele. O sinal visível mudou; o sentido ficou.
A promessa a Davi: onde nasce a esperança
A expectativa de um Messias — não vários ungidos, mas um definitivo — tem uma data de nascimento razoavelmente clara. Está em 2 Samuel 7. Davi quer construir uma casa para Deus; Deus responde que quem vai construir uma casa é ele, para Davi — uma dinastia. Promete que um descendente de Davi vai reinar, que Deus será pai para ele, e que esse trono ficará firme para sempre.
"Para sempre" é a palavra que não cabe num rei comum. Salomão reinou e morreu. Seus sucessores foram, em geral, piores. Em 586 a.C. a Babilônia destruiu Jerusalém e a dinastia de Davi saiu do trono — e nunca mais voltou. Foi aí que a promessa virou esperança: se Deus falou "para sempre", então ainda falta alguém.
Os profetas foram dando forma a esse alguém. Isaías, escrevendo mais de sete séculos antes de Belém, numa época em que o reino tremia diante da Assíria, descreve o rei que viria assim:
Porque um menino nos nasceu,
um filho nos foi dado,
e o governo está sobre os seus ombros.
Ele será chamado
Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso,
Pai Eterno, Príncipe da Paz.(Isaías 9:6)
Olha os detalhes: é um menino que nasce — o rei não desce do céu pronto, ele vem como criança. O governo fica "sobre os seus ombros", linguagem de quem carrega responsabilidade de verdade. E os nomes são grandes demais para um rei humano comum: "Deus Forte", "Pai da Eternidade". O próprio Isaías, no capítulo seguinte, chama de "Deus Forte" ao Senhor de Israel. Uma interpretação judaica tradicional lê esses nomes como títulos honoríficos, do tipo que reis do Oriente recebiam; a leitura cristã histórica, que é a desta página, vê neles a primeira pista de que o Messias seria mais que um homem.
Daí vem o título "Filho de Davi", que no tempo de Jesus era praticamente sinônimo de Messias. Mateus abre o Evangelho chamando Jesus de Filho de Davi, as multidões gritam isso quando ele entra em Jerusalém, e o próprio Jesus faz aos fariseus uma pergunta difícil sobre o assunto: se o Messias é filho de Davi, por que Davi, no Salmo 110, o chama de Senhor? Ninguém soube responder. A pergunta aponta na mesma direção de Isaías 9: o Messias é descendente de Davi, e ao mesmo tempo é maior que Davi.
Por que esperavam um libertador político
Aqui entra o contexto histórico, e sem ele muita coisa nos Evangelhos fica estranha. Quando Jesus nasce, a Judeia está sob Roma há cerca de sessenta anos. Antes disso, os judeus tinham vivido quase um século de independência depois da revolta dos Macabeus (século 2 a.C.) — e perderam. Herodes, o rei que manda matar os meninos de Belém, não é da família de Davi e governa por concessão romana. Há impostos pesados, soldados estrangeiros, e no templo um sumo sacerdote escolhido por conveniência política.
Nesse ambiente, as promessas de um rei da linhagem de Davi que livraria o povo soavam de um jeito muito concreto. O Messias esperado por boa parte do povo era um guerreiro-rei: alguém que expulsaria Roma, restauraria o trono em Jerusalém e traria a paz prometida. Não é uma distorção inventada — Salmo 2, por exemplo, fala do Ungido do Senhor quebrando as nações com vara de ferro, e Isaías 11 descreve um rei da raiz de Jessé julgando os pobres com justiça. Havia base para esperar um governante.
Os Evangelhos mostram essa expectativa de dentro. Depois da multiplicação dos pães, João conta que a multidão quis pegar Jesus à força e fazê-lo rei — e ele foge para o monte. No caminho de Emaús, dois discípulos abatidos dizem que esperavam que Jesus fosse redimir Israel, e a morte dele tinha enterrado essa esperança. Até depois da ressurreição, os apóstolos ainda perguntam se é agora que o reino vai ser restaurado a Israel.
Isso explica um detalhe curioso de Mateus 16: logo depois da confissão de Pedro, Jesus ordena que não contem a ninguém que ele é o Cristo. A leitura evangélica histórica entende que Jesus não negava o título — ele acabou de aprová-lo —, mas sabia que a palavra "Messias", solta na boca do povo, significaria "chefe de revolta". E o que ele veio fazer passava por outro lugar.
A parte da promessa que poucos esperavam: o Messias que sofre
Logo depois de aceitar a confissão de Pedro, Jesus começa a falar que vai ser morto em Jerusalém. Pedro reage mal — "isso nunca vai acontecer" —, e Jesus o repreende com dureza. Pedro tinha acertado o título e errado o conteúdo. Para ele, Messias e cruz não cabiam na mesma frase.
Mas havia, no Antigo Testamento, uma linha de textos que falava de um Servo do Senhor que seria rejeitado, ferido, e que carregaria o pecado de muitos. O principal é Isaías 53 — o homem de dores, traspassado pelas nossas transgressões, que depois de morrer "verá a sua descendência" e "prolongará os dias". No tempo de Jesus esse texto não era lido em geral como profecia do Messias; a figura do Servo sofredor e a do Rei vitorioso pareciam duas pessoas diferentes. Juntar as duas foi o que Jesus fez, e foi o que os apóstolos passaram a vida explicando.
Veja como Paulo, preso e julgado diante do rei Agripa, resume sua pregação. Ele insiste que não inventou nada — só está dizendo o que Moisés e os profetas já diziam:
Tenho, porém, contado com a ajuda de Deus até o dia de hoje e, por este motivo, estou aqui e dou testemunho tanto a gente simples como a gente importante. Não estou dizendo nada além do que os profetas e Moisés disseram que haveria de acontecer: que o Cristo haveria de sofrer e, sendo o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, proclamaria luz para o seu próprio povo e para os gentios.(Atos 26:22,23)
Dois pontos nessa frase. Primeiro, "o Cristo devia padecer": Paulo afirma que o sofrimento não foi um acidente no plano, estava escrito. Segundo, "o primeiro da ressurreição dentre os mortos": a cruz não é o fim da história do Messias, é a passagem para a parte em que ele reina. É a mesma coisa que Jesus explicou aos dois de Emaús, perguntando se não era necessário que o Cristo sofresse para entrar na sua glória.
Então o Messias da Bíblia tem duas faces, e as duas são dele: o Servo que morre pelo povo e o Rei que governa para sempre. Deixar uma de fora é ficar com meio Messias.
O anúncio em Belém: três títulos em uma frase
A cena mais conhecida do Natal é também uma das afirmações messiânicas mais densas do Novo Testamento. Um anjo aparece a pastores no campo, de noite, e diz:
Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor.(Lucas 2:11)
"Cidade de Davi" é Belém — o lugar de onde o profeta Miqueias disse que sairia o governante de Israel. Um judeu que ouvisse "nasceu na cidade de Davi" já entenderia a pista. E então vêm três títulos emendados: Salvador, que diz o que ele faz; Cristo, que diz quem ele é segundo as promessas; e Senhor, que no grego do Antigo Testamento é a palavra usada para o próprio nome de Deus. Lucas coloca isso na boca de um anjo falando a trabalhadores humildes, não a sacerdotes.
O menino de Isaías 9 nasceu. A promessa deixou de ser futuro.
Como os apóstolos pregaram que Jesus é o Messias
Depois do Pentecostes, a afirmação "Jesus é o Cristo" se tornou o centro do que a igreja dizia em público. No primeiro sermão, Pedro conclui diante de milhares de pessoas em Jerusalém que Deus fez Senhor e Cristo a este Jesus que vocês crucificaram. Era uma frase arriscada: a mesma cidade que, semanas antes, tinha pedido a morte dele.
E eles não pararam. Presos, açoitados e proibidos de falar, os apóstolos saem do conselho e Lucas registra o que fizeram em seguida:
Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e anunciar que Jesus é o Cristo.(Atos 5:42)
"No templo e de casa em casa" — em público e em particular, sem pausa. E note o conteúdo: anunciar "a Jesus Cristo", ou, como a NVI traduz com clareza, "que Jesus é o Cristo". O que a igreja primitiva pregava, antes de qualquer sistema teológico, era uma identificação: aquele homem é o Messias prometido. Em Tessalônica, Paulo faz o mesmo, provando pelas Escrituras que o Cristo devia sofrer e ressuscitar, "e este Jesus é o Cristo".
Essa é a diferença entre dizer "Cristo" como sobrenome e dizer como título. Para os apóstolos, era uma afirmação que podia custar a vida — e custou.
Por que o judaísmo não reconhece Jesus como Messias
Essa pergunta aparece muito, e merece resposta sem caricatura. O judaísmo continua esperando o Messias, e a razão central para não reconhecê-lo em Jesus é que, segundo a leitura judaica tradicional, o Messias deve realizar coisas que ainda não aconteceram: reunir os dispersos de Israel na terra, restaurar o templo, trazer paz entre as nações e o conhecimento de Deus a toda a terra. Jesus morreu com Roma ainda no poder, o templo foi destruído quarenta anos depois, e o mundo seguiu em guerra. Pela régua judaica, um pretendente a Messias que morre sem completar a tarefa não era o Messias.
Há ainda um texto específico que pesava: a Lei diz que quem é pendurado num madeiro é maldito de Deus. Um Messias crucificado soava como contradição em termos — Paulo, que foi fariseu, sabia disso e enfrenta o texto de frente em Gálatas 3, dizendo que Cristo se fez maldição por nós.
A resposta cristã histórica não é negar que as promessas de paz e restauração ainda não se cumpriram por inteiro. É afirmar que a obra do Messias tem duas etapas: a primeira vinda, em que ele morre e ressuscita para tratar do pecado, e a segunda, em que ele volta para governar visivelmente. A ressurreição é, nessa leitura, a prova de que Deus aceitou a primeira etapa e garante a segunda. É uma divergência real entre duas tradições que leem o mesmo Antigo Testamento, e reconhecer isso é mais honesto do que fingir que a diferença é falta de atenção de um dos lados.
O que o Messias ainda vai fazer
O Novo Testamento é claro em que a história do Ungido não terminou. Ele reina agora, à direita do Pai, e vai voltar. O último livro da Bíblia descreve o momento em que esse reino se torna visível na terra:
Bem-aventurados e santos os que participam da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele durante mil anos.(Apocalipse 20:6)
Os que têm parte na primeira ressurreição são chamados de "sacerdotes de Deus e de Cristo" e reinam "com ele" — o povo do Messias participa do governo do Messias. Sobre os "mil anos", vale dizer de saída que cristãos sinceros leem esse trecho de maneiras diferentes: há quem entenda um reino literal de mil anos após a volta de Cristo (pré-milenismo), quem veja uma figura do período atual da igreja (amilenismo) e quem espere uma era de expansão do evangelho antes da volta (pós-milenismo). O que as três leituras têm em comum é o que importa aqui: Cristo volta, reina, e os seus reinam com ele.
E porque ele volta, Jesus pede uma postura:
Por isso, estejam também preparados, pois não sabem a hora quando o Filho do homem virá.(Mateus 24:44)
"Filho do homem" é outro título que Jesus usava para si — vem de Daniel 7, onde alguém "como filho de homem" recebe de Deus um reino eterno. Jesus liga esse título à sua volta. A instrução não é calcular a data, é estar preparado numa hora que ninguém calcula. Vigilância, na Bíblia, não é ansiedade: é viver hoje de um jeito que faça sentido quando o Rei aparecer.
A pergunta continua aberta
Jesus perguntou "quem dizeis que eu sou?" a doze homens num lugar afastado, e Mateus registrou a resposta de Pedro para que ela chegasse até quem lê agora. Tudo o que esta página explicou — o óleo, Davi, Isaías, Belém, a cruz, a ressurreição, a volta — está dobrado dentro de três palavras: "Tu és o Cristo".
Quem quiser ver a cena inteira, com o que Jesus disse antes e o que veio logo depois — a promessa sobre a igreja, a ordem de silêncio e o anúncio da cruz que Pedro não quis ouvir —, leia Mateus 16 completo.
Jesus disse com as próprias palavras que era o Messias?
Sim, embora com cuidado. À samaritana ele responde diretamente "sou eu" quando ela fala do Messias (João 4.26). No julgamento, quando o sumo sacerdote pergunta se ele é o Cristo, Jesus responde afirmativamente (Marcos 14.61-62). Em outras ocasiões ele evitava o título em público, segundo a leitura evangélica histórica, porque a palavra era entendida como "líder de revolta" e distorceria o que ele veio fazer.
Qual é a diferença entre Messias e Filho de Deus?
Messias é um título de função: o rei ungido prometido a Davi. Filho de Deus, no Antigo Testamento, também podia ser título do rei (2 Samuel 7.14; Salmo 2.7). Mas o Novo Testamento aprofunda a expressão para falar da relação única de Jesus com o Pai, e a confissão de Pedro junta as duas coisas: "o Cristo, o Filho do Deus vivo". Os cristãos entendem que Jesus é o Messias justamente por ser o Filho, não um homem comum promovido ao cargo.
Quais são as principais profecias messiânicas do Antigo Testamento?
As mais citadas pelo Novo Testamento são: a promessa a Davi em 2 Samuel 7; os Salmos 2, 22 e 110; Isaías 7.14, 9.6-7, 11.1-5 e 53; Miqueias 5.2, sobre Belém; Daniel 7.13-14, sobre o Filho do homem; e Zacarias 9.9, sobre o rei que entra em Jerusalém montado num jumento. Nenhuma lista fechada aparece na Bíblia, mas esses textos estão na base da pregação apostólica.
Por que Jesus pediu que os discípulos não contassem que ele era o Cristo?
Mateus 16.20 registra a ordem logo depois da confissão de Pedro. A interpretação mais comum é que o povo entenderia "Messias" como chefe militar contra Roma, e Jesus precisava primeiro ir à cruz e ressuscitar para que o título fosse compreendido no sentido certo. Depois da ressurreição, a ordem cai, e os apóstolos passam a anunciar abertamente que Jesus é o Cristo.
O que quer dizer "o Ungido do Senhor" nos Salmos?
Nos Salmos, "ungido" muitas vezes se refere ao rei de Israel em exercício, descendente de Davi, como no Salmo 2 e no Salmo 89. A tradição cristã e também a judaica leram esses textos como apontando além do rei do momento, para o rei definitivo. O Novo Testamento aplica o Salmo 2 a Jesus em Atos 4.25-27 e Hebreus 1.5.
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