Mordomia da criação: como cuidar da natureza
O mandato bíblico de cultivar e proteger a criação
Cuidar da natureza, na Bíblia, é um dever de mordomia: a Terra pertence a Deus, e o ser humano foi colocado nela não como proprietário livre para explorar, mas como administrador encarregado de zelar pela obra do Criador. Essa mordomia afasta dois desvios: a exploração predatória da terra e a divinização da natureza.
O ponto de partida de toda essa visão é Salmos 24:1:
Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém,
o mundo e os que nele habitam.(Salmos 24:1, ARA)
No relato de Gênesis, a função humana no Éden é definida por dois verbos: cultivar e guardar. No hebraico, o termo para "guardar" (shamar) descreve a ação de vigiar, proteger e preservar. O ser humano tem a permissão de tirar sustento da terra, mas carrega o dever de proteger aquilo que continua pertencendo a Deus.
Leis de descanso para a terra e compaixão pelos animais
A preocupação com o equilíbrio da terra não é ideia moderna; ela já estava expressa de forma muito prática na Lei de Moisés. Deus estabeleceu limites claros para impedir o esgotamento do solo e garantir o sustento das espécies.
O exemplo mais claro é o ano sabático de Levítico 25:4-5: a cada sete anos, a lavoura e a vinha deviam descansar por um ano inteiro, permitindo a recomposição dos nutrientes da terra e deixando o que brotasse sozinho para os pobres e os animais do campo. Além disso, a Lei proibia cortar árvores frutíferas em cercos de guerra e determinava o descanso do sábado inclusive para os animais de carga.
O impacto do pecado sobre a natureza e a esperança de restauração
A ruptura provocada pelo pecado humano atingiu também o equilíbrio de toda a ordem criada. O egoísmo, a ganância econômica e a negligência no uso dos recursos naturais geram degradação real no planeta.
Em Romanos 8:20-21, o apóstolo Paulo mostra que a própria criação aguarda alívio:
Pois a criação está sujeita à vaidade, não por sua própria vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será libertada do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.(Romanos 8:20,21, NAA)
A criação não foi descartada por Deus; ela será libertada da corrupção na redenção final. Se o próprio Deus planeja restaurar todas as coisas, a atitude cristã no presente não pode ser de descaso com o ambiente em que vivemos.
Como praticar a mordomia da criação no dia a dia
O cuidado com o meio ambiente é uma expressão de amor a Deus e de compaixão com o próximo, já que os efeitos da poluição e do esgotamento de recursos quase sempre atingem com mais força as populações mais vulneráveis.
Evite o desperdício: Pratique o consumo responsável de água, alimentos e energia elétrica em casa.
Combata a poluição: Descarte resíduos nos locais corretos, separe o que pode ser reciclado e diminua o consumo desnecessário de descartáveis.
Respeite a vida animal e vegetal: Trate os animais com compaixão, evite qualquer forma de crueldade e apoie a preservação de áreas verdes.
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