O exemplo como ferramenta de ensino e o mimetismo cristão
Redação Bíblia Online Publicado em
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- Reúne os devocionais de 23 de maio de 2025 e 26 de maio de 2025.
O que o seu filho repete
Portanto, suplico que se tornem meus imitadores.
O seu filho repete, no mesmo tom, a frase que você soltou no trânsito ontem. Ele não aprendeu aquilo em aula nenhuma: aprendeu olhando. A fé passa assim também — a gente aprende a seguir Jesus muito mais pelo que vê em alguém do que pelo que ouve explicar. É por isso que Paulo, quando precisa corrigir uma igreja inteira, não manda um manual: aponta para a própria vida.
Dá um frio na barriga. Significa que alguém está aprendendo com você agora, queira você ou não. A pergunta não é se você é exemplo. É exemplo de quê.
Este artigo faz parte de Devocionais
Paulo corrige apontando para si mesmo
Corinto era uma igreja cheia de problemas: grupinhos, orgulho, gente se achando mais espiritual do que o vizinho de banco. Paulo gasta quatro capítulos argumentando. E quando chega a hora de dizer o que fazer, ele não manda relerem a carta: pede que o imitem. A palavra que ele usa é a mesma raiz de "mimetismo" — imitação, do jeito que criança aprende a falar.
Para que isso não ficasse abstrato, ele manda Timóteo:
…trará à lembrança de vocês a minha maneira de viver em Cristo Jesus…(Akpa Ñwed Kọrint 4:17, NVI)
Repare no que Timóteo vai lembrar a eles: não as frases de Paulo, a maneira de viver. O ensino cristão sempre teve essa cara. Jesus não entregou uma apostila aos doze; chamou-os para andar com Ele, comer com Ele, vê-Lo orar. Anos olhando. A fé passa de uma vida para outra.
Isso explica a impaciência de Paulo com a conversa dos orgulhosos de Corinto. Ele avisa que, quando chegar, não vai medir o que eles falam, mas o poder que têm (1 Coríntios 4:19). Fala é barata. Vida se vê.
Quem vale a pena imitar
Aí vem a objeção óbvia: imitar gente? Gente erra. Paulo sabia — ele mesmo carregava um passado pesado. Por isso, antes de pedir que o imitem, ele põe um limite:
…por nosso exemplo vocês aprendam isto: "Não ultrapassem o que está escrito"…(Akpa Ñwed Kọrint 4:6, NAA)
O critério é esse: vale seguir o exemplo que não ultrapassa o que está escrito. Quem acrescenta regra que a Bíblia não dá, ou afrouxa o que ela diz, pode até ser carismático — modelo não é. No capítulo 11, Paulo repete a medida: imitem a mim como eu imito a Cristo (1 Coríntios 11:1). Ele não é o fim da linha; é uma seta. E Efésios 5:1 vai ao ponto: o modelo final é Deus mesmo.
Então olhe para quem você segue — na igreja, no celular, no trabalho. Para onde a vida dessa pessoa aponta? Se aponta para ela mesma, cuidado. Se aponta para Cristo, aprenda à vontade. Num tempo em que cada um define o próprio certo, ter alguém fiel a quem olhar não é fraqueza: é o jeito que Deus sempre usou para ensinar.
O que fazer com isso hoje
Não precisa virar exemplo perfeito até amanhã. Hoje, uma coisa só: antes de corrigir alguém — filho, colega, cônjuge —, faça na frente dessa pessoa aquilo que você queria que ela fizesse. Sem discurso. Deixe a vida falar primeiro.
E quando a frase do trânsito voltar na voz do seu filho, não se desespere. Peça perdão em voz alta, ali, na frente dele. Isso também se aprende olhando.
A fé se ensina mais com os pés do que com a boca.
Senhor, alguém está aprendendo a te seguir olhando para mim. Dá-me uma vida que valha a pena imitar — não perfeita, mas apontando para Ti. E mostra-me quem eu devo seguir de perto. Amém.
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