O poder do perdão: o nome que trava a oração do Pai Nosso
Redação Bíblia Online Publicado em
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- Reúne os devocionais de 24 de novembro de 2024 e 19 de abril de 2026.
Perdoa as nossas ofensas,
como também temos perdoado aqueles que nos ofendem.
O nome que aparece na oração
Você conhece a oração de cor. Pai nosso, que estás nos céus. De noite, com as crianças, ou sozinho antes de apagar a luz, as palavras vêm sem esforço. Até chegar numa linha: "como também temos perdoado aqueles que nos ofendem".
Ali a oração trava. Porque um nome aparece. A pessoa que fez aquilo e nunca voltou atrás. O parente que não atende, o amigo que falou pelas costas, quem foi embora sem explicar. Você diz a frase, mas o nome fica parado no meio dela.
Jesus colocou essa linha dentro da oração mais repetida do mundo. Não foi descuido. Ele sabia que a gente ia tropeçar nela — e queria que tropeçasse.
Este artigo faz parte de Devocionais
Perdoar não é esquecer
Perdoar não é esquecer; isso seria amnésia. Ninguém consegue apagar da memória o que doeu de verdade, e Deus não pede isso. O perdão é outra coisa: é a lembrança da ofensa sem a dor da mágoa.
Pense numa cicatriz. Ela está lá, você vê, lembra como foi. Mas não sangra mais. Perdoar é carregar a marca de uma ferida que foi curada e agora não dói. É lembrar sem cobrar.
Isso também diz o que o perdão não é. Não é fingir que foi pouco. Não é voltar a confiar de olhos fechados em quem ainda machuca — a cicatriz também serve para a gente lembrar onde se cortou. Perdoar é soltar a conta. Você abre a mão da vingança, da exigência de que a outra pessoa pague, da espera por um pedido de desculpas que talvez nunca chegue.
A conta que Deus não cobra
A pergunta que fica é: de onde vem força para isso? Porque sozinho, com o nome ainda doendo, não dá.
A resposta está na própria oração. "Perdoa as nossas ofensas, como também temos perdoado." Jesus amarra uma coisa à outra. O perdão que a gente dá nasce do perdão que a gente recebe — o mesmo pedido, as mesmas palavras, a mesma oração.
E o perdão de Deus é assim: Ele não guarda a conta. O profeta diz que Deus lança as nossas iniquidades nas profundezas do mar (Miqueias 7:18-19). Não é que Ele tenha memória fraca. É que Ele escolhe não cobrar. A dívida existia, era real, e foi paga em Cristo — a cruz é o lugar onde Deus pagou pelo que fizemos contra Ele, para que a conta ficasse zerada.
Quem já teve uma dívida dessas lançada no mar tem de onde tirar perdão para os outros. É esse o poder do perdão: ele não começa em você. Começa no que você recebeu.
Hoje, uma linha de cada vez
Não precisa resolver a relação inteira hoje. Não precisa ligar, nem fingir que está tudo bem.
Hoje, o gesto é menor: na hora de orar o Pai Nosso, não pule a linha. Diga "como também temos perdoado" — e diga o nome. Em voz baixa, só para Deus. Não como quem jura que já conseguiu, mas como quem pede ajuda para começar.
Talvez amanhã o nome ainda apareça, e ainda doa. Tudo bem. A cicatriz demora. Mas cada vez que você diz o nome dentro da oração, em vez de fora dela, você está devolvendo a conta a quem já quitou a sua.
Perdoar é lembrar sem cobrar.
ORE: Pai, ensina-nos a perdoar como Tu nos perdoaste e a amar como Tu nos amaste. Tu lançaste as nossas dívidas no fundo do mar; ajuda-nos a soltar as que ainda carregamos. Amém.
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