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O que aconteceu em cada dia da Semana Santa?

Por Bíblia Online
Homem coroado de espinhos carrega pesada cruz de madeira entre soldados romanos

A sequência dos últimos dias de Jesus

A Semana Santa registra os últimos dias do ministério terreno de Cristo em Jerusalém, culminando em sua crucificação e ressurreição. Os quatro Evangelhos dedicam quase um terço de suas páginas a esses oito dias, que vão da aclamação pública nas ruas da cidade ao sepulcro vazio no domingo seguinte.

Domingo: a entrada triunfal em Jerusalém

A semana começa com a chegada de Jesus a Jerusalém para a festa da Páscoa judaica. Montado em um jumentinho, ele foi recebido por peregrinos que estendiam mantos pelo caminho e agitavam ramos de palmeiras, aclamando-o como o Messias davídico com o grito de "Hosana".

A escolha do animal não foi por acaso: cumpria a profecia de Zacarias sobre o rei que chegaria humilde e pacífico à cidade, como registra Mateus 21:5: "Dizei à filha de Sião: Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado em um jumento".

Segunda-feira: a purificação do templo

No dia seguinte, Jesus entrou no pátio exterior do templo — a única área onde os não judeus podiam orar — e encontrou o espaço ocupado por cambistas e vendedores de animais sacrificiais. O comércio cobrava taxas abusivas sobre as ofertas dos peregrinos.

Jesus derrubou as mesas e expulsou os negociantes, citando Isaías e Jeremias para confrontar a corrupção do culto: "A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de ladrões" (Mateus 21:13). O ato desafiou diretamente a autoridade dos sacerdotes que controlavam o templo.

Terça-feira: confrontos religiosos e o discurso profético

Na terça-feira, as autoridades do Sinédrio — fariseus, saduceus e herodianos — tentaram descredibilizar Jesus em público com armadilhas teológicas e políticas, como o tributo a César e a questão sobre a ressurreição dos mortos.

Jesus respondeu a cada questão, denunciou a hipocrisia dos mestres da lei e proferiu as parábolas dos lavradores maus, das dez virgens e dos talentos. No fim do dia, no Monte das Oliveiras, fez o discurso profético sobre o cerco e a destruição de Jerusalém e o fim dos tempos, orientando os discípulos à vigilância.

Quarta-feira: a conspiração e o acordo de Judas

Tradicionalmente vista como um dia de silêncio e repouso de Jesus em Betânia, a quarta-feira marcou a conspiração formal dos líderes religiosos em Jerusalém. O Sinédrio buscava prendê-lo longe das multidões para evitar levantes populares durante a Páscoa.

O plano avançou quando Judas Iscariotes, um dos doze apóstolos, procurou os chefes dos sacerdotes para negociar a entrega do mestre:

"Então os principais sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás, e deliberaram prender Jesus à traição e matá-lo." (Mateus 26:3-4)

Pelo acordo, Judas recebeu trinta moedas de prata.

Quinta-feira: a Última Ceia e a prisão no Getsêmani

Na noite de quinta-feira, Jesus reuniu os apóstolos no cenáculo para a ceia pascal. Ali, lavou os pés dos discípulos como lição prática de serviço e instituiu a Ceia, ressignificando o pão e o cálice como símbolos de sua entrega voluntária:

"Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim." (Lucas 22:19)

Mais tarde, no jardim do Getsêmani, Jesus enfrentou profunda agonia em oração enquanto seus companheiros adormeciam. A noite terminou com a chegada de Judas acompanhado da guarda armada, que prendeu Jesus após a saudação com um beijo.

Sexta-feira: julgamento, crucificação e sepultamento

Durante a madrugada e a manhã, Jesus passou por dois julgamentos distintos: o religioso judaico (diante de Anás, Caifás e do Sinédrio, acusado de blasfêmia) e o civil romano (diante de Pôncio Pilatos e Herodes Antipas, acusado de sedição política). Sob pressão da liderança religiosa e do clamor popular, Pilatos cedeu e ordenou a execução romana.

Flagelado e humilhado pelos soldados, Jesus carregou a trave da cruz até o Gólgota, fora das muralhas da cidade: "Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram" (Lucas 23:33).

Ele morreu por volta das três horas da tarde. Antes do pôr do sol, José de Arimateia e Nicodemos envolveram o corpo em lençóis com especiarias e o depositaram em um sepulcro novo escavado na rocha.

Sábado: o repouso do sepulcro

O sábado judaico impôs repouso absoluto. Enquanto os discípulos e as mulheres que seguiam Jesus aguardavam em choque e isolamento, os principais sacerdotes pediram a Pilatos uma guarda militar romana e selaram a grande pedra da entrada do túmulo, temendo que o corpo fosse retirado secretamente.

Domingo: a ressurreição

Ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e outras mulheres foram ao túmulo para completar os ritos funerários com óleos perfumados. Ao chegarem, encontraram a pedra removida, a guarda dispersa e o sepulcro vazio.

A mensagem angélica anunciou o acontecimento central da fé cristã: "Ele não está aqui, porque ressuscitou" (Mateus 28:6). A partir dessa manhã, os relatos dos Evangelhos registram as aparições de Jesus vivo aos discípulos, transformando o luto dos seguidores no fundamento da mensagem apostólica.

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