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O que aconteceu em cada dia da Semana Santa?

Redação Bíblia Online Publicado em

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O que aconteceu em cada dia

Homem coroado de espinhos carrega pesada cruz de madeira entre soldados romanos

A Semana Santa vai do domingo em que Jesus entra em Jerusalém montado num jumentinho até o domingo seguinte, quando as mulheres encontram o sepulcro vazio. É a semana mais documentada da vida de Jesus: Marcos dedica a ela os capítulos 11 a 16; João, os capítulos 12 a 20. Os Evangelhos querem que a gente acompanhe isso dia por dia.

Em resumo

  • Domingo de Ramos — entrada em Jerusalém sobre um jumentinho; a multidão grita "Hosana"

  • Segunda-feira Santa — Jesus expulsa os vendedores e cambistas do pátio do templo

  • Terça-feira Santa — debates com sacerdotes, escribas e anciãos; discurso profético no Monte das Oliveiras

  • Quarta-feira Santa — o Sinédrio planeja a morte de Jesus; Judas fecha o acordo por trinta moedas de prata

  • Quinta-feira Santa — a Última Ceia no cenáculo; oração e prisão no jardim do Getsêmani

  • Sexta-feira da Paixão — julgamentos diante de Anás, Caifás, Pilatos e Herodes; crucificação no Gólgota; morte por volta das três da tarde; sepultamento

  • Sábado de Aleluia — o corpo repousa no túmulo selado, com guarda romana

  • Domingo de Páscoa — o sepulcro vazio e as primeiras aparições do Ressuscitado

Uma observação honesta: os Evangelhos não trazem os dias da semana escritos. Essa distribuição é uma reconstrução antiga da igreja a partir das marcas de tempo que Marcos deixa ("no dia seguinte", "dois dias antes da Páscoa"). Onde um Evangelho organiza os fatos de outro jeito, eu aviso.

Este artigo faz parte de Versículos por Tema Datas e Celebrações

Domingo de Ramos: a entrada em Jerusalém

De Betânia, vila a três quilômetros de Jerusalém onde moram Lázaro, Marta e Maria, Jesus manda buscar um jumentinho que ninguém nunca montou e desce o Monte das Oliveiras em direção à cidade (Marcos 11). Mateus diz que aquilo cumpria Zacarias 9:9: o rei chegaria humilde, num jumentinho, não num cavalo de guerra.

A multidão entende o gesto. Espalham mantos, cortam ramos de palmeira — daí o nome do domingo — e gritam as palavras do Salmo 118:

"Hosana" é hebraico para "salva, por favor"; "Filho de Davi" é título de Messias. Na prática, estão coroando Jesus na porta da cidade — na semana da Páscoa, com soldados romanos atentos a qualquer sinal de revolta.

Homem montado em um jumento é recebido por multidão com ramos e mantos no chão

Lucas registra que, à vista da cidade, Jesus chora por ela (Lucas 19:41-44). Marcos fecha o dia seco: Jesus entra no templo, olha tudo e, como já é tarde, volta para Betânia.

Segunda-feira Santa: a purificação do templo

No caminho de volta, Jesus procura figos numa figueira cheia de folhas e não encontra nada; amaldiçoa a árvore, que seca. Marcos põe o episódio em volta da cena do templo de propósito: aparência de fruto sem fruto é o retrato do que ele vai encontrar.

O pátio dos gentios — o único espaço do templo onde um não judeu podia orar — estava tomado por vendedores de animais e cambistas. Jesus derruba as mesas e ensina com palavras de dois profetas:

"Para todas as nações" vem de Isaías 56:7 — justamente o pátio dos estrangeiros estava ocupado. "Covil de ladrões" é de Jeremias 7, onde Deus anuncia que vai destruir o templo. Jesus não está só arrumando a casa: está dizendo quem ele é para fazer isso e o que vai acontecer com aquele templo.

Mateus conta entrada e purificação em sequência, como se no mesmo dia (Mateus 21); Marcos separa com "no dia seguinte". A tradição seguiu Marcos, que marca os dias com mais cuidado; Mateus costuma agrupar por tema. Os sacerdotes "procuravam um modo de matá-lo", mas o povo o protegia.

Terça-feira Santa: os confrontos e o discurso no Monte das Oliveiras

Jesus passa o dia no templo e as autoridades se revezam tentando derrubá-lo com perguntas (Marcos 11:27-33): com que autoridade você fez aquilo? É certo pagar imposto a César? Qual é o maior mandamento? Cada pergunta é uma armadilha para incriminá-lo diante de Roma ou do povo; cada resposta a fecha sobre quem a armou (Marcos 12).

É também o dia das parábolas de julgamento e da denúncia da hipocrisia dos líderes (Mateus 23). No fim da tarde, sentado no Monte das Oliveiras de frente para o templo, Jesus anuncia que nem uma pedra ficaria de pé — o Discurso Profético (Marcos 13, Mateus 24–25): destruição de Jerusalém, perseguições, sua volta, parábolas sobre estar pronto. Cristãos de tradições diferentes discordam sobre quanto disso se cumpriu no ano 70 e quanto ainda espera a volta de Cristo. O que não se discute é o lugar na semana: é a última grande fala pública antes da prisão.

Quarta-feira Santa: a conspiração e as trinta moedas

Os Evangelhos não registram atividade pública de Jesus na quarta — por isso "dia do silêncio". Mas é o dia em que a morte dele é decidida. Faltando dois dias para a Páscoa, os sacerdotes buscam prendê-lo "à traição", longe da multidão (Marcos 14:1-2). A resposta vem de dentro: Judas os procura por conta própria.

Só Mateus dá o valor, e quer que você perceba o eco: em Zacarias 11:12 o pastor rejeitado é pago com trinta moedas — em Êxodo 21:32, o preço de um escravo morto por acidente. Sobre o motivo, João sugere ganância, Lucas diz que "Satanás entrou em Judas"; o texto não fecha a conta.

Marcos e Mateus colocam aqui a unção em Betânia, em que uma mulher quebra um perfume caríssimo sobre Jesus (Marcos 14:3-9). João a situa seis dias antes da Páscoa. Marcos provavelmente a traz para junto da traição por contraste: alguém gasta tudo com Jesus e alguém o vende.

Quinta-feira Santa: a Última Ceia e a prisão no Getsêmani

Jesus manda preparar a Páscoa num cenáculo cujo endereço os Evangelhos não dão (Marcos 14:12-16) — Judas não podia saber com antecedência. À noite, ele lava os pés dos discípulos, trabalho de escravo, e explica: "Eu lhes dei o exemplo" (João 13:1-17). Durante a refeição dá ao pão e ao cálice da Páscoa um sentido novo: seu corpo, seu sangue, a nova aliança (Lucas 22:14-20) — a origem da Ceia do Senhor. Anuncia a traição, Judas sai, Pedro ouve que vai negá-lo três vezes. João 14 a 17 guardam a despedida.

Depois saem para o Getsêmani, jardim de oliveiras onde Jesus costumava ir, e ele vai orar sozinho:

"Cálice", na linguagem dos profetas, é a ira de Deus contra o pecado. Jesus pede três vezes outro caminho. Não há. O Jesus do Getsêmani não é um herói impassível: é alguém que escolhe, com medo, obedecer.

Judas chega com uma tropa e o identifica com um beijo. Pedro corta a orelha de Malco; Jesus o manda parar. Os discípulos fogem (Marcos 14:43-50). Já é madrugada.

Sexta-feira da Paixão: julgamento, crucificação e sepultamento

Os julgamentos. Jesus vai primeiro a Anás, sogro de Caifás (João 18:12-24), depois a Caifás, onde o Sinédrio está reunido de madrugada. As testemunhas se contradizem; a acusação só avança quando Caifás pergunta se ele é o Cristo e Jesus responde que sim. Condenado por blasfêmia (Marcos 14:53-65). No pátio, Pedro nega três vezes, e o galo canta.

Blasfêmia não era crime para Roma, então diante de Pilatos a acusação vira sedição: ele se diz rei. Pilatos não encontra culpa e o manda a Herodes Antipas, que zomba e o devolve (Lucas 23:6-12). Pilatos oferece soltar Jesus ou Barrabás; a multidão escolhe Barrabás. Com medo de uma denúncia a César, ele entrega Jesus, lavando as mãos em público.

A crucificação. Simão de Cirene é obrigado a carregar a trave. O lugar é o Gólgota — "Caveira"; "Calvário" é a forma latina. Nove da manhã (Marcos 15:21-32). Sobre a cabeça, a placa: "Jesus Nazareno, Rei dos Judeus". Dois criminosos ao lado. Ao meio-dia o céu escurece por três horas. Às três da tarde Jesus grita o Salmo 22 e, segundo João, diz uma só palavra:

Tetelestai: "foi completado", "está pago". Não é frase de derrotado; é de quem terminou o que veio fazer. A cortina do templo rasga de cima a baixo, e o centurião diz: "Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus".

O sepultamento. O sábado começa ao pôr do sol. José de Arimateia pede o corpo a Pilatos; Nicodemos traz mirra e aloés. Envolvem Jesus em linho, o põem num túmulo novo escavado na rocha e rolam uma pedra na entrada (João 19:38-42). Nesse dia, segundo Mateus, Judas devolve as moedas e vai se enforcar (Mateus 27:3-10).

Sábado de Aleluia: o repouso no sepulcro

É o sábado da Páscoa, e tudo para. As mulheres preparam especiarias e "guardam o sábado" (Lucas 23:56). Só Mateus conta o que as autoridades fizeram:

Eles lembravam que Jesus dissera que ressuscitaria — os discípulos, não. Pilatos autoriza selo romano e guarda. Quando o túmulo aparece vazio, a explicação do roubo já tinha sido dificultada por quem menos queria uma ressurreição.

Na liturgia o dia é Sábado Santo; o "Aleluia" volta na vigília da noite. No uso brasileiro o nome colou no dia inteiro. O conteúdo bíblico é silêncio e espera.

Domingo de Páscoa: o sepulcro vazio

Antes do sol nascer, Maria Madalena e as outras mulheres vão ao túmulo. A pedra está fora do lugar e um mensageiro lhes diz:

Antes de qualquer explicação, ele aponta o lugar vazio: "Vejam onde o puseram". A ressurreição não começa como ideia; começa como uma ausência que ninguém explicou de outro jeito. Mateus acrescenta o terremoto e os guardas pagos para dizer que dormiram (Mateus 28).

Três mulheres de véu, uma com um jarro, diante de um túmulo aberto na rocha.

João conta que Pedro e João encontram os lençóis no lugar e o pano do rosto dobrado — não a bagunça de um roubo — e que Maria Madalena é a primeira a ver Jesus vivo, confundindo-o com o jardineiro até ouvir o próprio nome (João 20). Lucas narra os discípulos de Emaús, que só o reconhecem ao partir do pão (Lucas 24:13-35). À noite, Jesus aparece aos discípulos a portas trancadas: "paz seja com vocês". A semana que começou com uma coroação na porta da cidade termina com o rei vivo do lado de dentro.

Essa ordem é exata? Como os Evangelhos contam a semana

A divisão se apoia em Marcos: "no dia seguinte" (11:12), "dois dias antes da Páscoa" (14:1), "logo pela manhã" (15:1), "véspera do sábado" (15:42), "primeiro dia da semana" (16:1-2). Contando para trás a partir da sexta, chega-se ao domingo da entrada. Mateus e Lucas seguem a sequência geral, mas agrupam cenas por assunto; João concentra-se na última noite e situa a unção "seis dias antes da Páscoa" (12:1).

Dois pontos geram debate sério: se a terça concentra mesmo todo aquele ensino — a quarta "silenciosa" é dedução, não afirmação do texto — e a relação entre a Ceia e a Páscoa judaica, já que João diz que os sacerdotes ainda não tinham comido a Páscoa na sexta (18:28). Há harmonizações e há quem deixe a tensão em aberto. Nada disso muda o essencial: entrada no domingo, morte na sexta, túmulo vazio no domingo seguinte.

Leia Marcos 11 a 16 de uma vez, se der. Termina onde esta página termina: um jovem sentado num túmulo aberto dizendo "Ele ressuscitou! Não está aqui".

Por que a Sexta-feira Santa também é chamada de Sexta-feira da Paixão?

"Paixão" vem do latim passio, sofrimento — não tem relação com o sentido romântico. "Paixão de Cristo" é o nome tradicional para o conjunto do sofrimento de Jesus, da prisão à morte.

Jesus morreu na sexta e ressuscitou no domingo. Como isso é "três dias"?

Pela contagem judaica, qualquer parte de um dia conta como um dia: sexta é o primeiro, sábado o segundo, domingo o terceiro. Os Evangelhos dizem "ao terceiro dia" (Lucas 24:46), não "depois de três dias completos". Uma minoria propõe quarta ou quinta, mas a leitura amplamente majoritária é a sexta, apoiada em Marcos 15:42 ("véspera do sábado").

O que Jesus fez entre a morte e a ressurreição?

A Bíblia diz pouco. O texto mais citado é 1 Pedro 3:18-19, Cristo "pregando aos espíritos em prisão", que o Credo dos Apóstolos resume como "desceu à mansão dos mortos". Há pelo menos três leituras entre cristãos: anúncio de vitória aos espíritos caídos, proclamação de libertação aos justos do Antigo Testamento, ou o Espírito de Cristo pregando por meio de Noé. A tradição evangélica histórica não é unânime, e o texto não exige uma única resposta.

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