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O que é a Grande Tribulação? Estudo de Apocalipse

Por Bíblia Online  - 
Quatro camponeses em terra rachada observam o céu e uma torre em chamas ao fundo.

O que é a Grande Tribulação

A Grande Tribulação é o período profético final de aflição, juízo divino e crise global que antecede a volta visível de Jesus Cristo à Terra. O próprio Jesus utilizou a expressão em Mateus 24:21 ao descrever um tempo de angústia sem paralelos na história humana:

porque haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias.(Mateus 24:21,22)

Nas Escrituras, esse período não é um conjunto de acidentes caóticos, mas um tempo delimitado por Deus para julgar a rebelião do mundo, purificar Israel e consumar o Seu plano redentor antes de instaurar o Seu Reino messiânico.

As raízes da Tribulação no Antigo Testamento

O conceito de um acerto de contas universal e de aflição para o povo eleito já estava presente nos profetas hebreus muito antes dos escritos do Novo Testamento:

  • O "tempo de angústia para Jacó": O profeta Jeremias descreveu a crise que atingiria o povo de Israel, acompanhada da promessa de libertação final.

Ah! Porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela.(Jeremias 30:7)

  • A angústia sem precedentes: Daniel também registrou o mesmo período crítico, associando o seu desfecho à ressurreição e à vitória do povo de Deus.

E, naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro.(Daniel 12:1)

  • O Dia do Senhor (Yom Yahweh): Expressão constante em Isaías, Joel, Amós e Sofonias para designar a intervenção direta de Deus na história humana, derrubando o orgulho das nações e manifestando Sua santidade.

  • A Septuagésima Semana: Em Daniel 9:24-27, Deus revelou um calendário de setenta semanas de anos (490 anos) para a história do Seu povo.

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o Santo dos santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações. E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.(Daniel 9:24-27)

Na interpretação evangélica histórica, após a morte do Messias ao término da 69ª semana, a 70ª semana de Daniel — um período de 7 anos — permanece no horizonte profético como o palco temporal onde se desenrolam os juízos da Grande Tribulação.

O que acontece durante esse período

A descrição detalhada desses acontecimentos é apresentada por Jesus no Sermão do Monte das Oliveiras (Mateus 24 e 25), nas cartas de Paulo e nas visões do apóstolo João em Apocalipse:

1. Os juízos sucessivos sobre a terra

O livro de Apocalipse descreve o desenrolar da justiça de Deus em três séries de juízos:

  • Os Sete Selos (Apocalipse 6): Revelam as consequências da iniqüidade humana levada ao extremo, incluindo guerras mundiais, colapso econômico, fomes severas e morte em massa.

  • As Sete Trombetas (Apocalipse 8–9): Atingem diretamente a criação, afetando vegetação, oceanos, mananciais de água doce e os corpos celestes, acompanhados por aflições de ordem espiritual.

  • As Sete Taças da Ira (Apocalipse 16): Representam o julgamento final sobre o sistema opressor e sobre aqueles que rejeitaram a Deus voluntariamente.

2. O Anticristo e o falso sistema religioso

A apostasia humana culmina com o surgimento de duas figuras centrais, tratadas em 2 Tessalonicenses 2 e Apocalipse 13:

  • O Anticristo (a Besta do mar): Líder político e militar de alcance mundial que surge oferecendo uma falsa solução de paz. Ele estabelece um pacto de 7 anos com Israel, mas quebra o acordo na metade do período (aos 3 anos e meio), exige adoração para si no templo e persegue os servos de Deus.

  • O Falso Profeta (a Besta da terra): Figura religiosa que opera sinais de engano para direcionar a adoração global ao Anticristo e impor o selo de submissão econômica e política, a marca 666.

3. A duração e os objetivos divinos

As Escrituras delimitam a fase mais aguda da Tribulação em 3 anos e meio, expressos alternadamente como 1.260 dias, 42 meses ou "um tempo, tempos e metade de um tempo" (Apocalipse 11:2-3; Apocalipse 12:14).

Esse período cumpre propósitos específicos no plano de Deus:

  1. Julgar a impiedade do mundo: Evidenciar que todo sistema humano fundamentado na rejeição ao Criador é falido e insustentável.

  2. Reconciliar Israel: Despertar a nação judaica para reconhecer o Messias, em cumprimento à profecia de Zacarias 12:10: "olharão para mim, a quem traspassaram".

  3. Proclamar o Evangelho às nações: Mesmo em meio à crise, o Evangelho do Reino segue anunciado pelo ministério das duas testemunhas de Apocalipse 11, pelos 144 mil selados de Apocalipse 7 e pela proclamação angelical de Apocalipse 14, resultando em uma multidão incontável de redimidos.

O desfecho: o retorno de Cristo e o Armagedom

A Grande Tribulação não termina na ruína da criação, mas com a intervenção visível de Cristo. Quando os exércitos da terra convergem para a batalha do Armagedom, Jesus retorna em majestade:

E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.(Mateus 24:29,30)

A passagem de Apocalipse 19:11-16 mostra Cristo vindo como Rei dos reis e Senhor dos senhores. O Anticristo e o Falso Profeta são derrotados, o mal é contido e o Senhor inaugura o Seu Reino sobre a terra.

A postura do cristão diante do fim dos tempos

Existem três posições históricas entre cristãos evangélicos sobre o momento do Arrebatamento da Igreja em relação a esse período: o pré-tribulacionismo (a Igreja é retirada antes dos 7 anos), o meso-tribulacionismo (a Igreja é retirada na metade da semana) e o pós-tribulacionismo (a Igreja atravessa o período guardada por Deus até a volta de Cristo).

A despeito das divergências de cronologia, o ensino bíblico aponta para as mesmas respostas práticas:

  • Vigilância diária: Jesus adverte em Lucas 21:34-36 para não sobrecarregar o coração com distrações terrenas, mas vigiar em oração contínua.

  • Firmeza doutrinária: O antídoto contra os enganos e os falsos messias do fim dos tempos é o apego à Escritura Sagrada.

  • Compromisso com o Evangelho: A certeza de que o tempo presente é limitado torna urgente a proclamação das Boas Novas à família, aos vizinhos e às nações.

  • Esperança viva: O horizonte do crente não é o medo do Anticristo, mas a "bendita esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo" (Tito 2:13).

A Escritura encerra com a certeza do triunfo final do Redentor em Apocalipse 22:20: "Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus!"

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