Pular para o conteúdo
Publicidade

O que é amor para Jesus? O padrão prático nos Evangelhos

Redação Bíblia Online Publicado em

Amor, para Jesus, é o que se faz pelo outro

Homem barbudo de capuz escuro abraça mulher sorridente coberta por um manto marrom.

Para Jesus, amor não é o que você sente por alguém — é o que você faz por alguém, mesmo quando custa. Nos Evangelhos ele nunca define amor com um adjetivo; define com verbos: servir, perdoar, orar por quem persegue, dar a vida. E a medida não é um sentimento nem uma lista de regras: é a própria vida dele.

Vale notar a palavra. Quando os Evangelhos registram esses ensinos em grego, o termo é agapē. Não é a palavra da atração (eros) nem a do carinho entre amigos (philia); é uma decisão voltada para o bem do outro. Isso explica uma coisa que, de outro jeito, soaria estranha: Jesus ordena o amor. Ninguém manda um sentimento aparecer. Mas pode mandar uma atitude ser tomada.

E ele mandou. Na última noite com os discípulos, depois de lavar os pés deles e já com Judas fora da sala, Jesus deu o que chamou de novo mandamento:

"ऐबै दैणीं मुंह तम्हां लै एक नऊंअ हुकम कि एकी-दुजै संघै डाहा झ़ूरी, ज़ेही मंऐं तम्हां लै झ़ूरी किई तेही झ़ूरी करा तम्हैं एकी-दुजै लै।

A chave está na comparação: amar uns aos outros do jeito que ele amou. A frase seguinte, em João 13:35, diz por que isso pesa tanto — é por esse amor, não por conhecimento nem por milagres, que o mundo vai reconhecer quem é discípulo dele.

Por isso a pergunta "o que é amor para Jesus?" tem uma resposta que dá para conferir: basta olhar o que ele fez e o que ele mandou fazer. Em Mateus 25:40 ele chega a dizer que o que se faz ao faminto, ao doente e ao preso se faz a ele mesmo. O amor, nesse ensino, tem endereço e tem mão.

Este artigo faz parte de Ensinamentos de Jesus Discipulado

Amar a Deus e amar o próximo são um só mandamento

Quando um doutor da lei perguntou qual era o maior mandamento, Jesus respondeu com dois e colou o segundo no primeiro:

एता ई बराबर दुजअ हुकम बी आसा इहअ कि तूह कर आपणैं साथी-संघी संघै आप्पू बराबर झ़ूरी।(मोत्ती 22:39)

Jesus não inventou essa frase: ela vem de Levítico 19:18. O primeiro mandamento, amar a Deus de todo o coração, vem de Deuteronômio 6:5. O que ele fez de novo foi juntar os dois e dizer, em Mateus 22:40, que toda a Lei e os Profetas dependem deles. Não de um. Dos dois, juntos.

Isso corta pela raiz uma separação que se faz sem perceber: a religião de um lado, as pessoas do outro. Para Jesus, não existe amor a Deus que não desça até o vizinho. Em João 14:15 ele diz que quem o ama guarda os seus mandamentos — e o mandamento que ele acabara de dar era amar uns aos outros. João, anos depois, tira a conclusão sem rodeios em 1 João 4:20: quem diz que ama a Deus e odeia o irmão está mentindo. O amor a Deus é a raiz; o amor ao próximo é a prova de que a raiz está viva.

O texto diz "como a ti mesmo". A leitura mais direta é esta: a mesma urgência que você tem para resolver a sua fome, a sua dor e a sua humilhação, você deve ter para a do outro. Não é pedir que você goste dele; é pedir que a necessidade dele pese na sua balança como a sua pesa.

E quem é o próximo? Em Lucas 10:29-37, alguém fez exatamente essa pergunta — provavelmente querendo saber onde a obrigação terminava. Jesus respondeu com a história do samaritano que socorreu um judeu caído na estrada, dois povos que se desprezavam, depois que um sacerdote e um levita passaram ao largo. No fim, ele inverte a pergunta: não "quem é meu próximo?", mas "quem agiu como próximo?". Próximo não é quem está perto de você; é de quem você se aproxima.

Perdoar sem levar a conta

Pedro perguntou até onde a paciência precisava ir, e ofereceu um número que para a época soava generoso:

तेखअ बोलअ पतरासै, "हे प्रभू, ज़ै मेरअ साथी-संघी मुल्है ज़ुल्म करे, तै हुंह केतरी बारी छ़ाडूं तेऊ लै माफी? साता बारी छ़ाडूं तेऊ लै माफी?" ईशू दैनअ तेऊ लै ज़बाब, "हुंह निं ताल्है बोल्दअ कि सिधअ साता बारी कर तेऊ माफ। पर साता बारीए सत्तर गुणा करी छ़ाडै तेऊ लै माफी।(मोत्ती 18:21,22)

Aqui a tradução varia, e vale saber. A maioria das versões em português, como a Almeida e a NVI, traz "setenta vezes sete" (490); algumas mais recentes, como a NTLH, trazem "setenta e sete vezes". O grego permite as duas leituras. Mas o ponto de Jesus não depende de qual é a certa: nenhum dos dois números foi dado para ser contado. Quem chega a 77 ou a 490 já desistiu de contar há muito tempo.

O próprio texto sustenta essa leitura. Logo em seguida, em Mateus 18:23-35, Jesus conta a parábola do servo que foi perdoado de uma dívida impagável — dez mil talentos, uma soma que um trabalhador não juntaria em mil vidas — e depois saiu para cobrar cem moedas de um colega. O rei que o perdoara chama isso de maldade. A lógica é simples: quem recebeu um perdão sem medida não tem como medir o perdão que dá.

E Jesus não ficou só no ensino. Pregado na cruz, segundo Lucas 23:34, ele pediu ao Pai que perdoasse os homens que o estavam executando, dizendo que não sabiam o que faziam. Era a resposta a Pedro posta em prática, no pior momento possível.

O pai que corre: amor que recebe de volta quem errou

A parábola mais conhecida de Jesus é sobre amor, embora a palavra não apareça nela. Em Lucas 15:11-32, um filho pede a herança adiantada, gasta tudo longe de casa e volta com um discurso de empregado ensaiado. O pai não espera o discurso terminar. O texto diz que ele viu o filho ainda longe, teve compaixão, correu — coisa que um homem de respeito no Oriente antigo não fazia — e o abraçou antes de ouvir qualquer explicação.

Olha os detalhes que Lucas registra: a melhor roupa, o anel, as sandálias, o bezerro gordo. Nenhum deles é necessário para readmitir um filho em casa. São gestos de festa, e o pai os faz diante dos empregados e da vizinhança. O amor, aqui, não é só perdoar em silêncio; é restaurar em público quem se envergonhou em público.

Mas a parábola tem um segundo filho, e é com ele que ela termina. O mais velho fica do lado de fora, com raiva, fazendo a conta do que o irmão não merece. E o pai sai de novo — pela segunda vez na história — para buscar um filho. "Tudo o que é meu é teu", ele diz. Jesus contou isso, segundo Lucas 15:1-2, para fariseus que reclamavam de vê-lo comer com pecadores. O recado tem dois lados: o amor do Pai recebe de volta quem errou, e também vai atrás de quem se acha certo demais para entrar na festa.

Amar quem faz mal

No Sermão do Monte, Jesus repete uma fórmula: "ouvistes que foi dito… eu, porém, vos digo". A ruptura mais dura vem aqui:

"पर हुंह बोला तम्हां लै इहअ कि आपणैं दुशमणा संघै डाहै झ़ूरी। ज़ुंण ताल्है ज़ुल्म करा, तेऊ लै करै प्राथणां।(मोत्ती 5:44)

Olha o que o texto pede, e o que não pede. Ele manda amar e orar pelo inimigo; não manda chamar a injustiça de justiça, nem desistir de que ela seja corrigida. O que ele retira é o ódio como resposta — e troca por um desejo ativo de bem para quem agride. Orar por alguém é pedir a Deus que lhe faça bem. É difícil continuar odiando uma pessoa pela qual você ora de verdade.

O motivo vem no versículo seguinte, Mateus 5:45: para que sejam filhos do Pai, que faz o sol nascer sobre bons e maus. Em seguida Jesus faz a pergunta que desmonta a nossa versão do amor: se vocês amam só quem os ama, que mérito há nisso? Até quem não conhece Deus faz igual.

Isso sugere uma coisa importante: para Jesus, o amor só prova que é amor quando não há retorno. Gostar de quem nos trata bem é natural, e ele não condena isso. Só não chama de agapē.

Servir é descer, não subir

Homem ajoelhado lava os pés de outro sentado, diante de homens reunidos à mesa

Em João 13:1-5, antes da ceia, Jesus tirou a roupa de cima, amarrou uma toalha na cintura e lavou os pés dos doze. Era trabalho do servo mais baixo da casa: tirar a poeira e o esterco das estradas de pés que andavam de sandália. Nenhum mestre fazia isso; nem discípulo fazia isso por mestre. Depois, ele explicou o gesto:

ज़ै मंऐं गूरू अर प्रभू हई बी थारै खूर धोऐ, ठीक इहै ई लागा तम्हां बी एकी दुजे खूर धोणैं। किल्हैकि मंऐं रहैऊअ तम्हां का पैहलै आप्पू करी ताकि ज़िहअ मंऐं तम्हां संघै किअ, तिहअ करा तम्हैं बी।(जोहन्‍ना 13:14,15)

O texto diz duas coisas. Primeiro, que Jesus sabia quem era — Senhor e Mestre — e lavou os pés por causa disso, não apesar disso. Segundo, que o gesto foi um exemplo para ser copiado. Na leitura evangélica histórica, que orienta este texto, o exemplo é o serviço concreto a quem está abaixo; algumas igrejas também praticam o lava-pés literalmente como ordenança, e leem aqui uma instrução direta. As duas leituras concordam no essencial: amor, para Jesus, usa a autoridade para descer até a necessidade do outro, não para manter distância dela.

E vale notar quem estava na sala. Judas ainda não tinha saído. Jesus lavou os pés do homem que ia entregá-lo em algumas horas.

Amor não é tolerância: Jesus amava e dizia a verdade

Uma confusão comum é achar que, se amor é não julgar a pessoa, então amor é aceitar tudo o que ela faz. Os Evangelhos não sustentam isso. Em Marcos 10:17-22, um jovem rico pergunta a Jesus o que falta para herdar a vida eterna. O texto diz que Jesus olhou para ele e o amou — e, justamente por isso, disse a coisa mais difícil que o rapaz podia ouvir: venda tudo, dê aos pobres, venha. O jovem foi embora triste. Jesus não suavizou a frase para segurá-lo.

Com a mulher pega em adultério, em João 8:10-11, ele faz os dois movimentos na mesma frase: "nem eu te condeno" e "vai e não peques mais". O perdão vem primeiro e vem inteiro; mas vem junto com o chamado a mudar. Tolerância deixaria a mulher onde estava. Amor a mandou para outro lugar.

Até as palavras mais duras de Jesus saem de dentro desse amor. Em Mateus 23:37, depois de uma série de "ai de vós" aos líderes religiosos, ele lamenta por Jerusalém: quantas vezes quis juntar os filhos dela como a galinha junta os pintinhos debaixo das asas. A censura e o lamento estão no mesmo capítulo, na mesma boca.

O texto sugere, então, uma distinção útil. Tolerância quer o conforto da relação: não incomoda, não confronta, não se arrisca a perder a pessoa. Amor quer o bem da pessoa — e, quando esse bem exige uma verdade incômoda, paga o preço de dizê-la. Jesus nunca trocou a verdade pela aprovação de quem ouvia, e nunca usou a verdade como pretexto para humilhar. As duas coisas, juntas, fazem parte do "como eu vos amei".

O limite do amor é a própria vida

Ainda na mesma noite, já falando da videira e dos ramos, Jesus disse até onde vai esse amor:

एता का खास्सी झ़ूरी निं कोहिए आथी कि कोई आपणैं साथी लै ज़ान दैए।(जोहन्‍ना 15:13)

Um versículo antes, em João 15:12, ele repete o mandamento de amar como ele amou. E então mostra a medida: a vida inteira, entregue. Horas depois, ele estava preso; no dia seguinte, morto. Não foi uma frase bonita de despedida — foi o anúncio do que ele ia fazer.

A primeira geração de cristãos leu exatamente assim. Em 1 João 3:16, João escreve que é na morte de Jesus que conhecemos o que é amor, e tira a consequência: nós também devemos dar a vida pelos irmãos. E Paulo, em Romanos 5:8, lembra que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores — ou seja, antes de qualquer reciprocidade. É o amor ao inimigo de Mateus 5 levado até o fim.

Para a maioria de nós, "dar a vida" não vai acontecer num ato só. Vai acontecer em pedaços: tempo, dinheiro, conforto, a razão numa discussão, a vontade de revidar, a tarde de sábado que seria sua. Cada pedaço é um pouco de vida que deixa de ser gasto em você para ser gasto no outro. É isso que o texto chama de amor.

Volte ao mandamento

Tudo o que Jesus mostrou nos Evangelhos é o desdobramento de uma só frase: "como eu vos amei". João 13:34 não é um ideal para admirar à distância; é um modelo com rosto, com gestos e com um preço conhecido, dado por quem já estava a horas da cruz.

Leia João 13 a 15 de uma vez, do lava-pés até a videira. São três capítulos de uma só conversa, a última antes da prisão, e é ali que Jesus mais explica, com as próprias palavras, o que ele quer dizer com amor.

O que há de "novo" no novo mandamento, se Levítico já mandava amar o próximo?

A novidade não é o verbo amar, mas a medida: "como eu vos amei". Em Levítico 19:18 o padrão é o amor que você tem por si mesmo; em João 13:34 o padrão passa a ser a vida de Jesus, que acabara de lavar os pés dos discípulos e em poucas horas iria para a cruz. O alvo subiu.

Amar o inimigo significa aceitar a injustiça?

Não. Em Mateus 5:44 Jesus manda amar e orar pelo perseguidor; ele não manda negar o mal nem desistir de que ele seja corrigido. O que o texto retira é o ódio e a vingança como resposta. É possível denunciar uma injustiça e, ao mesmo tempo, desejar e pedir a Deus o bem de quem a cometeu.

Perdoar "setenta vezes sete" obriga a voltar a confiar na pessoa?

O texto fala de perdão, não de confiança. Perdoar, em Mateus 18:21-22, é renunciar à cobrança e à retaliação; confiança é algo que se reconstrói com o tempo e com mudança de conduta. A Bíblia não exige que você se exponha de novo a quem continua fazendo mal — exige que não guarde a conta para cobrar depois.

Jesus mandou amar a si mesmo?

Não como mandamento. Em Mateus 22:39 o amor a si mesmo aparece como algo já dado — todo mundo cuida da própria fome e da própria dor — e serve de régua para o amor ao próximo. O texto não condena cuidar de si; usa isso como medida do quanto se deve cuidar do outro.

Qual a diferença entre agapē e os outros tipos de amor?

O grego tinha palavras diferentes: eros para a atração, philia para a amizade, storgē para o afeto de família. Agapē, a palavra dos Evangelhos nesses textos, descreve uma decisão em favor do outro, independente de merecimento ou retorno. Por isso é a única que pode ser ordenada: Jesus não manda sentir, manda agir.

Seja o primeiro

Este artigo te tocou? Faça uma oração!

+581 estão orando agora.

Junte-se à corrente de oração.