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O que foi a Septuaginta e qual a sua importância histórica

Por Bíblia Online  - 
Homens de túnica leem e escrevem em pergaminhos numa biblioteca antiga de pedra.

A Septuaginta é a tradução grega mais antiga das escrituras hebraicas. Esta obra monumental foi produzida durante a antiguidade e serviu como a ponte cultural que conectou a tradição judaica ao mundo helenístico. Antes de sua criação, os textos sagrados dos judeus estavam restritos àqueles que compreendiam o hebraico antigo ou o aramaico.

Com a disseminação do grego como o idioma universal da época, a necessidade de tornar as escrituras acessíveis aos judeus da dispersão tornou-se urgente. O resultado desse esforço não apenas preservou a fé judaica no exterior, mas também preparou o terreno literário para a expansão do cristianismo primitivo.

Origem e significado no idioma original

O termo deriva da palavra latina septuaginta, que significa literalmente setenta. Esta nomenclatura faz referência direta a um antigo relato preservado em documentos históricos (como a Carta de Aristeias) que descreve que 72 eruditos judeus, sendo seis de cada uma das doze tribos de Israel, foram levados a Alexandria, no Egito, para traduzir a Lei de Moisés.

Com o passar do tempo, o número foi arredondado para setenta na cultura popular e acadêmica. Por esse motivo, a obra é frequentemente identificada pela abreviação em algarismos romanos LXX. Embora a tradução inicial tenha focado apenas nos cinco primeiros livros da Bíblia por volta do século III antes de Cristo, os demais livros proféticos e históricos foram gradualmente traduzidos para o grego ao longo dos séculos seguintes.

Desenvolvimento do contexto histórico e teológico

Após as conquistas militares de Alexandre, o Grande, a cultura e o idioma grego se espalharam por todo o mundo mediterrâneo. Muitos judeus que viviam fora da terra de Israel, na chamada Diáspora, adotaram o grego como sua língua principal e começaram a perder a fluência no hebraico. Alexandria era um dos maiores centros intelectuais e culturais do mundo antigo e abrigava uma imensa comunidade judaica. O rei Ptolomeu II Filadelfo, buscando enriquecer a famosa Biblioteca de Alexandria, teria patrocinado a tradução das leis judaicas para o grego.

Do ponto de vista teológico, este evento marcou a primeira vez que os conceitos sagrados da fé monoteísta hebraica foram expressos através do vocabulário filosófico grego. Palavras gregas comuns ganharam novos e profundos significados religiosos para traduzir ideias de aliança, salvação e redenção. Esta transição linguística padronizou os termos que, mais tarde, seriam essenciais para os escritores do período cristão ao comunicarem o evangelho a outras nações.

Passagens bíblicas de destaque

O impacto da versão grega pode ser visto claramente na forma como ela moldou a compreensão de certos textos hebraicos citados no período do Novo Testamento. Como as escrituras originais não são citadas literalmente aqui, é possível notar essas diferenças por meio de paráfrases de eventos conhecidos.

O relato do evangelho de Mateus sobre o nascimento do Messias utiliza a linguagem exata da Septuaginta ao referenciar as profecias do livro de Isaías. Enquanto o texto hebraico original usa um termo que aponta de forma geral para uma jovem mulher em idade de se casar, a tradição grega dos setenta optou por uma palavra muito específica para virgem. Os evangelistas basearam a explicação profética do nascimento virginal de Jesus apoiados nesta exata escolha de tradução grega.

Outro exemplo ocorre quando Jesus é aclamado pelas crianças no templo de Jerusalém. Ao responder às críticas dos líderes religiosos, ele faz referência a uma passagem do livro de Salmos. O texto hebraico original fala sobre Deus estabelecer força ou poder através da boca das crianças e dos recém-nascidos. No entanto, a versão grega traduziu a ideia como o estabelecimento de um perfeito louvor. A resposta de Jesus aos sacerdotes reflete a versão da Septuaginta, validando e justificando o cântico alegre daquelas crianças.

Significado teológico e aplicação para a vida cristã

Para os cristãos atuais, a história da Septuaginta demonstra como Deus atua através dos movimentos culturais e políticos da história humana para cumprir seus propósitos. A tradução das escrituras para a língua universal da época serviu como uma preparação divina para a chegada do cristianismo. Quando os apóstolos começaram a viajar pelo Império Romano para pregar, eles não precisaram ensinar hebraico aos gentios nem traduzir o Antigo Testamento do zero. Eles já possuíam uma Bíblia em grego amplamente aceita, pronta para ser lida e compreendida em diversas sinagogas ao redor do mundo.

Isso ensina à igreja a importância da acessibilidade e da tradução das escrituras. O esforço daqueles sábios em Alexandria nos lembra que a palavra divina não está presa a um único idioma ou cultura. O trabalho contínuo de traduzir o texto sagrado para as línguas modernas reflete o mesmo espírito da antiguidade: garantir que todas as pessoas possam compreender a mensagem de salvação em sua própria língua materna.

Perguntas frequentes

  • Quem foram os tradutores da Septuaginta?

Segundo a tradição antiga, a etapa inicial da tradução foi realizada por 72 sábios judeus que possuíam profundo domínio tanto da língua hebraica quanto da cultura e idioma grego literário em Alexandria.

  • Por que o símbolo lxx é usado para representá-la?

As letras LXX formam o número 70 em algarismos romanos. Trata-se de um arredondamento do número original de 72 estudiosos que, segundo os relatos da antiguidade, trabalharam na primeira grande tradução dos textos sagrados.

  • Qual versão das escrituras os apóstolos liam no primeiro século?

Os apóstolos e os primeiros autores cristãos utilizavam amplamente a Septuaginta em suas pregações, pois o grego era o idioma comum da época. A grande maioria das referências aos textos antigos encontradas no Novo Testamento reflete diretamente a linguagem e o vocabulário desta versão grega.

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