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Mateus 19:8: explicação sobre o divórcio

Por Bíblia Online  - 
Homem de barba e cabelos longos conversa com dois ouvintes sobre uma rocha, diante de um lago.

Em Mateus 19:8, Jesus explica que a lei de Moisés permitiu o divórcio não como plano de Deus, mas como concessão diante da dureza do coração humano. No propósito original da criação, o casamento foi feito para durar a vida inteira.

O que significa a "dureza do coração" em Mateus 19:8

Quando os fariseus perguntaram por que Moisés havia ordenado dar carta de divórcio, Jesus corrigiu a palavra: Moisés não ordenou, permitiu.

Na sociedade patriarcal do Antigo Testamento, maridos insatisfeitos simplesmente abandonavam suas esposas sem amparo civil ou financeiro, deixando-as expostas à miséria e à marginalidade. O registro de divórcio em Deuteronômio 24:1 funcionava como proteção legal para a mulher: um documento formal de que ela estava livre e não cometia adultério ao casar novamente.

A lei conteve os danos do egoísmo e da crueldade de homens endurecidos pelo pecado. Foi uma regulação para conter abusos, nunca um aval moral divino ao rompimento da união.

O debate entre os fariseus que motivou a pergunta

A pergunta feita a Jesus em Mateus 19:3 — se era permitido repudiar a esposa por qualquer motivo — era uma armadilha armada sobre um debate rabínico da época.

Duas escolas de interpretação dividiam os mestres da lei sobre a regra de Deuteronômio 24:1:

  • A escola de Shammai: mais rígida, defendia que a mulher só podia ser repudiada em caso de imoralidade sexual flagrante.

  • A escola de Hillel: mais tolerante, sustentava que o homem podia se divorciar por qualquer motivo que desagradasse ao marido, até se a comida ficasse ruim.

Ao questionarem Jesus, os fariseus queriam que ele tomasse partido entre uma das correntes. Em vez de escolher um lado no debate humano, Jesus levou a conversa de volta à criação.

"No princípio não foi assim": o padrão da criação

Jesus responde à polêmica citando a criação em Mateus 19:4-6. Antes de haver leis mosaicas, concessões sociais ou pecado humano, Deus criou homem e mulher para se tornarem uma só carne.

O casamento, no projeto de Deus, é uma fusão espiritual e moral realizada pelo próprio Criador. Por isso, a conclusão em Mateus 19:6 é categórica: o que Deus ajuntou, o ser humano não tem autoridade para separar. O divórcio é o reflexo da quebra dessa ordem original.

A cláusula de exceção e o abandono

Embora o casamento seja pensado para ser permanente, as Escrituras reconhecem situações em que a quebra da aliança atinge raízes profundas:

  • Imoralidade sexual: Em Mateus 19:9, Jesus estabelece que quem repudia a esposa — exceto por porneia (termo grego para relações sexuais ilícitas e infidelidade conjugal) — e casa com outra comete adultério. A traição rompe a integridade da união de uma só carne. O divórcio se torna juridicamente tolerado, embora o arrependimento, o perdão e a reconciliação permaneçam como o ideal bíblico.

  • Abandono por parte do não crente: O apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 7:15, trata de lares mistos onde um cônjuge não crente decide abandonar o casamento por causa da fé do outro. Nessa circunstância de abandono irreversível, o cônjuge abandonado fica livre do vínculo.

A mensagem de Jesus em Mateus 19:8 não busca justificar regras fáceis para encerrar votos, mas confrontar a inclinação humana a legitimar o desamor por meio da lei. Para ler o episódio inteiro no Evangelho, veja a conversa completa com os fariseus em Mateus 19.

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