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Salmos 23: explicação completa do versículo ao fim

Pastor barbado sentado com cajado ao lado de uma ovelha, olhando um vale ao pôr do sol.

"Nada me faltará" não é "terei tudo"

O hebraico de Davi é curto — lo' echsar, "não terei falta" — e quem fala é uma ovelha. Isso muda a frase: não é a ovelha que define o que é falta, é quem cuida dela. Davi pastoreou rebanho antes de ser rei e sabia disso de perto.

מִזְמ֥וֹר לְדָוִ֑ד יְהוָ֥ה רֹ֝עִ֗י לֹ֣א אֶחְסָֽר׃(Psalms 23:1)

Pastos, vale e mesa: três cenas, um cuidado

Nas colinas de Judá, pasto verde e água parada são raros. Por isso os versículos 2 e 3 falam de condução, não de paisagem: o pastor leva, e leva "por amor do seu nome" — a reputação em jogo é a dele.

No versículo 4 o tom muda: "ele" vira "tu". É no vale que a oração vira conversa. A vara era um porrete contra predadores; o cajado, o bastão de guiar. ("Sombra da morte" ou "vale escuríssimo"? Tsalmavet permite as duas; as traduções divergem.)

גַּ֤ם כִּֽי־אֵלֵ֨ךְ בְּגֵ֪יא צַלְמָ֡וֶת לֹא־אִ֘ירָ֤א רָ֗ע כִּי־אַתָּ֥ה עִמָּדִ֑י שִׁבְטְךָ֥ וּ֝מִשְׁעַנְתֶּ֗ךָ הֵ֣מָּה יְנַֽחֲמֻֽנִי׃(Psalms 23:4)

Nos versículos 5 e 6 o pastor vira anfitrião. Mesa, óleo na cabeça e taça cheia eram sinais de hospitalidade — e o inimigo assiste de fora. "Seguir" (v. 6) é radaph, perseguir: bondade que corre atrás. Jesus toma o título para si em João 10:11.

אַ֤ךְ ׀ ט֤וֹב וָחֶ֣סֶד יִ֭רְדְּפוּנִי כָּל־יְמֵ֣י חַיָּ֑י וְשַׁבְתִּ֥י בְּבֵית־יְ֝הוָ֗ה לְאֹ֣רֶךְ יָמִֽים׃(Psalms 23:6)

O que muda

Quem decide o que é falta passa a ser quem conduz, não quem anda — e dá para testar isso na próxima conta que não fecha.

Priscila MenesesCidnei Meirelles
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