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Oração: parábola do credor incompassível

Redação Bíblia Online Publicado em

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Oração baseada na parábola do credor incompassível

Mulher de mãos postas, cabeça baixa, ao lado de uma Bíblia aberta sobre a mesa.

Esta é uma oração para quem recebeu de Deus um perdão enorme e ainda não consegue dar um perdão pequeno — a situação exata do servo da parábola de Jesus em Mateus 18. Antes de rezar, respira uma vez, devagar. Se há um nome que pesa, deixa que ele venha. A oração é para ele.

Senhor, a minha dívida contigo era de um tamanho que eu nunca conseguiria pagar, e tu a perdoaste inteira. Hoje trago diante de ti a dívida que alguém tem comigo: o nome, a cena, a frase que ainda dói. Venho cobrando por dentro, e a cobrança já me prende mais do que prende essa pessoa. Tem compaixão de mim mais uma vez, e dá-me compaixão por quem me feriu, como tiveste por mim. Ensina-me a soltar o que eu não consigo largar. A justiça, deixo nas tuas mãos. A mágoa, entrego a ti agora. Amém.

(Mateus 18:21-35)

Este artigo faz parte de Orações Vida de Oração

A parábola que a oração ecoa

Tudo começa com uma pergunta de Pedro. Quantas vezes é preciso perdoar quem me ofende — sete? Ele achava que estava sendo generoso. Jesus responde com um número que não é para contar, setenta vezes sete, e então conta a história.

Um rei vai acertar as contas. Um dos servos lhe deve dez mil talentos. É uma soma impossível: um talento valia milhares de dias de trabalho, e dez mil talentos são mais do que uma vida inteira poderia produzir. O homem não tem como pagar. O rei manda vender tudo, inclusive ele e a família. O servo se joga no chão e pede tempo. E o rei, compadecido, perdoa a dívida. Inteira.

Homem em pé agarra a gola de outro ajoelhado entre moedas espalhadas, diante de três observadores.

O mesmo homem sai dali e encontra um companheiro que lhe deve cem denários — uns três meses de salário. Agarra-o pelo pescoço: paga o que me deves. O outro cai de joelhos e pede tempo, com as mesmas palavras que ele acabara de usar diante do rei. Ele não cede. Manda prendê-lo.

Os outros servos veem, e contam ao rei. O rei chama o homem de volta:

É esse versículo que a oração repete, só que virado para dentro: como tiveste compaixão de mim. A parábola termina com o servo entregue à prisão de onde não sairia. E Jesus fecha com uma frase para quem está ouvindo, não para o personagem.

Por que ele é chamado de "credor incompassível"

O nome não está no texto. Foi dado por editores de Bíblia, como título da seção, e pegou. Mas ele diz algo preciso: o servo era, ao mesmo tempo, devedor e credor. A dívida dos cem denários era real; cobrá-la não era injusto. O que o condena é cobrar depois de ter sido perdoado, como se o perdão recebido não tivesse nada a ver com o perdão a dar.

Algumas traduções chamam a passagem de "o servo mau", eco do que o rei lhe diz no versículo 32. Mas "incompassível" acerta no ponto: a palavra que o texto usa quando o rei perdoa, no versículo 27, é a mesma raiz de "compaixão" que ele cobra do servo no versículo 33. O rei não exige que ele seja perfeito. Exige que a compaixão que entrou passe adiante.

Talvez valha parar aqui um instante. Em que lado da história você se reconhece agora — no devedor que foi solto, ou no credor com a mão no pescoço de alguém? É possível ser os dois no mesmo dia.

Perdoar "de coração": o que a oração pede, e o que não pede

A frase final de Jesus está em Mateus 18:35:

"De coração" é o lugar onde a oração acima quer chegar. Não é um perdão de boca, declarado para constar, enquanto a conta continua aberta por dentro. Por isso a oração não decreta nada. Ela pede — porque, na parábola, quem perdoa a dívida impossível é o rei. O servo não fabricou o perdão que recebeu, e nós também não fabricamos o que precisamos dar.

Perdoar de coração também não é fingir que não doeu. O texto não pede que a dívida seja chamada de outra coisa; cem denários eram cem denários. Pede que a cobrança seja solta. É diferente de dizer que foi certo, e é diferente de voltar a confiar no mesmo dia: a reconciliação depende de duas pessoas, o perdão depende de uma. A oração cuida da parte que cabe a quem reza.

E o final duro, o servo entregue à prisão? Uma leitura tradicional vê ali um aviso sério sobre o juízo de Deus para quem recusa perdoar. Outra sublinha que quem não perdoa já vive preso, cobrando uma dívida que o consome. As duas leituras podem ser verdade ao mesmo tempo, e Jesus não suaviza nenhuma delas.

Como rezar esta oração ao longo dos dias

Perdão quase nunca acontece de uma vez. A mesma oração pode ser rezada hoje e amanhã, e depois de amanhã, com o mesmo nome dentro. Isso não é fracasso; é o setenta vezes sete acontecendo por dentro.

Um jeito de rezar: ler a parábola inteira devagar, uma vez só, e parar na frase que prende a atenção. Pode ser "tem paciência comigo", pode ser "paga o que me deves", pode ser "como eu tive compaixão de ti". Ficar ali um pouco, sem analisar. Depois rezar a oração, dizendo o nome em voz baixa no lugar de "alguém". E então ficar em silêncio por um minuto. O silêncio também é parte da oração.

Não espere um sentimento. A oração não promete que a mágoa evapora ao fim do Amém. O que ela faz é abrir a mão — e a mão aberta é a posição em que Deus pode agir.

Se a ofensa foi grave, se envolveu violência ou abuso, perdoar não significa abrir mão da proteção, da distância ou de uma ajuda profissional. O rei da parábola perdoou a dívida; não disse ao servo que ele não devia nada a ninguém. Perdão e segurança não competem.

No fim, a parábola deixa uma cena para carregar: um rei que olhou para uma dívida impossível e se compadeceu. É dele que a oração pede emprestada a compaixão que não tem. Como eu tive compaixão de ti. Respira. Deixa a frase assentar.

Quanto eram dez mil talentos e cem denários?

Um denário era o salário de um dia de trabalho; cem denários, mais ou menos três meses. Um talento valia cerca de seis mil denários, então dez mil talentos equivalem a dezenas de milhões de dias de trabalho — uma soma que ninguém pagaria em muitas vidas. Jesus escolhe números absurdos de propósito, para que o contraste salte aos olhos.

Perdoar significa voltar a confiar na pessoa?

Não necessariamente. Perdoar é soltar a cobrança; confiar de novo depende de tempo, de mudança e de uma relação que se reconstrói a dois. A parábola fala do perdão, não da reconciliação. É possível perdoar alguém e, ao mesmo tempo, manter distância ou limites claros.

E se eu não sinto vontade de perdoar?

A oração não espera o sentimento chegar antes. Ela começa pela verdade — "venho cobrando por dentro" — e pede a compaixão que falta. Na parábola, o perdão vem do rei, não da capacidade do servo. Rezar sem vontade é rezar com honestidade, e é por aí que se começa.

Posso rezar essa oração se fui eu quem errou?

Pode, trocando o lado. A primeira metade da parábola é sobre um devedor que pede tempo e recebe perdão. Quem errou pode rezar o versículo 26 como oração própria — "tem paciência comigo" — e confiar que o rei da história se compadece de quem se joga diante dele.

Onde mais a Bíblia liga o perdão recebido ao perdão dado?

Na oração do Pai-Nosso, em Mateus 6:12, e no comentário de Jesus logo depois, em Mateus 6:14-15. Também em Lucas 6:37, Efésios 4:32 e Colossenses 3:13, onde Paulo pede que os cristãos perdoem "como Deus os perdoou em Cristo". A parábola de Mateus 18 é a versão em história desse mesmo ensino.

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