Oração pelo novo nascimento e batismo no Espírito
Redação Bíblia Online Publicado em
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Antes de pedir, pare um instante. Deixe o telefone descansar na mão, solte os ombros e respire devagar, uma, duas, três vezes. A oração que vem abaixo nasce de uma conversa que aconteceu de noite, quando um homem cansado de religião procurou Jesus em segredo e ouviu dele que a vida com Deus começa por um nascimento, não por um esforço. Você pode ler o encontro inteiro em João 3.
Yesu kamwidika, "Nokulongela ghendo, kuduhu munu iyodaha kuwona ufalume wa Imulungu ka ng’elekighwe keli baye."(Yohana 3:3)
Agora, se quiser, faça destas palavras as suas.
Senhor Jesus, as minhas forças acabaram e eu não consigo me refazer. Cansei de ouvir falar de ti com o coração longe.
Sopra o teu Espírito sobre mim. Faz-me nascer de novo, como disseste a Nicodemos naquela noite. Batiza-me no teu Espírito: toma o que em mim ainda está seco e enche. Renova o que eu sinto, o que eu quero, o que eu faço com os meus dias.
Eu te entrego o controle que sempre tentei guardar. Ensina-me a descansar na tua graça e a andar no teu passo.
Amém.
Nascer de novo: o que Jesus disse a Nicodemos
Nicodemos não era um homem perdido, no sentido comum da palavra. Era fariseu, mestre em Israel, alguém que conhecia a Lei de cor e ensinava os outros. E foi exatamente ele quem procurou Jesus de noite, talvez por medo de ser visto, talvez porque a noite é a hora em que as perguntas que a gente carrega finalmente aparecem.
A resposta de Jesus desmonta a lógica dele. Nicodemos esperava, provavelmente, uma instrução a mais, um passo a mais na escada da religião. Jesus fala de nascer. Ninguém nasce por mérito, ninguém nasce porque se esforçou. Nascer é algo que acontece conosco, e não algo que fazemos.
Um pouco adiante, Jesus compara o Espírito ao vento, que ninguém controla, ninguém vê, mas cujo som se ouve e cujo efeito se sente.
Libeho lyoduma kokose kwalibama. Kohulika litsi lyake, lekeni ng’umanya baye kwalilawa wala kwalighenda. Apfi pfipfo pfaili kwa chila munu yelekighwe na Iloho Yelile."(Yohana 3:8)
Repare na imagem. O vento não pede licença, não segue mapa, não obedece a horário. E ainda assim ele passa, e as folhas se mexem. Pedir o novo nascimento é pedir para ser atravessado por esse vento. O resto do Antigo Testamento já havia prometido algo parecido: em Ezequiel 36, Deus fala de dar um coração novo e de colocar o seu próprio Espírito dentro do povo. Nicodemos conhecia esse texto. Jesus o estava chamando para dentro dele.
Este artigo faz parte de Orações Vida de Oração
O que é o batismo no Espírito
Aqui vale uma pausa honesta, porque os cristãos não dizem exatamente a mesma coisa quando usam essa expressão, e a oração acima foi escrita para que qualquer um deles possa rezá-la.
Para boa parte da tradição cristã, ser batizado no Espírito é o que acontece no próprio novo nascimento: o Espírito vem habitar na pessoa quando ela crê, e é isso que a torna parte do corpo de Cristo. Paulo escreve em 1 Coríntios 12 que todos fomos batizados em um só Espírito para formar um só corpo. Nessa leitura, pedir o batismo no Espírito e pedir o novo nascimento é pedir a mesma coisa com palavras diferentes.
Para outra parte, sobretudo as igrejas pentecostais e carismáticas, o batismo no Espírito é uma experiência distinta, que pode vir depois da conversão: um revestimento de poder para a vida e o testemunho, como Jesus anuncia aos discípulos em Atos 1 e como se cumpre no dia de Pentecostes. Nessa leitura, alguém já nascido de novo pode e deve continuar pedindo mais do Espírito.
As duas visões têm raízes bíblicas sérias, e a Bíblia Online não escolhe entre elas. O que importa, para quem reza, é o que elas têm em comum: ninguém se batiza a si mesmo. Batismo é algo que se recebe. É por isso que a oração diz "batiza-me" e não "eu me declaro batizado". O pedido reconhece quem dá e quem recebe.
Por que pedir, e não exigir
Há um jeito de orar que soa como ordem: decretar, reivindicar, tomar posse. A oração acima vai por outro caminho, mais antigo, e talvez mais pobre, no bom sentido da palavra. Ela pede.
Jesus mesmo mostrou esse caminho. Em Lucas 11, ele compara Deus a um pai que não negaria pão ao filho que pede, e conclui que o Pai dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem. O verbo é esse: pedir. Não arrancar, não forçar, não combinar.
E há algo libertador nisso. Quem pede não carrega o peso de produzir o resultado. Quem pede pode esperar. Quem pede pode ficar em silêncio depois, porque a parte dele terminou quando a palavra saiu.
Pergunte a si mesmo, sem pressa: o que muda em você quando a oração deixa de ser uma exigência e vira um pedido? Onde fica a sua ansiedade, quando a resposta não depende da força da sua voz?
Como rezar esta oração
Não existe modo certo, mas existe um ritmo que ajuda. Leia a oração uma vez inteira, só para conhecê-la. Depois volte ao começo e leia devagar, parando onde alguma frase for sua. Se uma linha disser exatamente o que você sente, fique nela. Repita-a baixinho. Não é preciso chegar ao fim rápido.
Se quiser, troque uma palavra. A oração fala de uma rotina religiosa com o coração longe; talvez o seu caso seja outro: um cansaço de tentar ser bom, uma fé que você herdou mas nunca sentiu sua, uma distância que começou depois de uma perda. Diga isso a Deus com a sua palavra. A oração escrita é um empréstimo, não uma fórmula.
E se nada acontecer? Essa é a pergunta mais comum, e merece resposta direta: o vento sopra onde quer, e Jesus não prometeu que ouviríamos o som dele na hora. Nem sempre o novo nascimento vem com sensação; muitas vezes ele se revela depois, em pequenas mudanças de direção que só se notam olhando para trás. Pedir hoje e não sentir nada hoje não significa que não foi ouvido. Significa que você pediu.
O silêncio da entrega
Quando terminar de rezar, não corra para a próxima coisa. O Espírito trabalha também no espaço vazio, e o recomeço muitas vezes tem a forma de um silêncio que a gente aceita em vez de preencher.
Fique alguns instantes assim, apenas respirando. Sinta o ar entrar e sair, sem controlar. Esse ar que você não fabrica e que ainda assim sustenta você é uma pequena parábola do que acabou de pedir.
O que você ainda tenta segurar com as próprias mãos? O que precisaria ser solto agora, nesta noite, para que a vida nova encontre lugar em você?
Se quiser dizer algo ainda, que seja curto: «Senhor, eu entrego. Vem.»
Depois, silêncio. Amém.
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