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Oração para vencer o rancor guardado por anos

Por Bíblia Online  - 
Mulher de cabelo escuro, olhos fechados, com a mão no peito diante de uma Bíblia aberta.

Para rezar agora

O rancor guardado por anos não grita: ele mora. Antes de falar com Deus sobre ele, respira uma vez devagar, e deixa que venha o nome, o dia, as palavras que ainda não saíram de você.

A oração abaixo ecoa o que Paulo escreveu aos cristãos de Éfeso sobre tirar de dentro a amargura e a ira, e perdoar como Deus perdoou:

Toda amargura, cólera, ira, gritaria e blasfêmia sejam eliminadas do meio de vós, bem como toda a maldade! Pelo contrário, sede bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando uns aos outros, da mesma maneira como Deus vos perdoou em Cristo.(Efésios 4:31,32)

Senhor, há um rancor que carrego há anos. Tu sabes o nome, o dia, as palavras. Eu ainda sei.

Ele já se fez parte de mim, e eu me cansei de ser a casa onde ele mora. Não venho dizer que não doeu, nem que foi justo. Venho porque não consigo soltar sozinho.

Tira de mim a amargura e a ira que guardei. Cura o que ficou ferido por baixo delas. Ensina-me a perdoar como tu, em Cristo, me perdoaste — não de uma vez, mas hoje, e de novo amanhã, se for preciso.

O que não consigo largar, deixo nas tuas mãos. Fica com ele. Amém.

Depois do Amém, não precisa dizer mais nada. Fica um instante no silêncio, com as mãos abertas.

De onde vem o pedido desta oração

Em Efésios 4:31-32, Paulo escreve a uma comunidade que estava aprendendo a viver de um jeito novo. Alguns versículos antes, ele usa a imagem da roupa: despir o que a pessoa era antes, vestir o que ela é agora em Cristo.

A amargura, a ira, a indignação entram nessa lista do que se tira. O texto não diz que elas somem sozinhas. Diz que são tiradas — e isso pressupõe alguém que ainda as está vestindo, como quem usa um casaco pesado há tanto tempo que nem lembra mais que ele pode ser tirado.

E logo depois vem a medida do perdão: "como também Deus vos perdoou em Cristo". Não é perdoar porque o outro mereceu. É perdoar a partir de um perdão que você já recebeu, antes de merecer qualquer coisa.

É por isso que a oração não pede força para perdoar. Pede para ser ensinado por quem perdoou primeiro.

Quando o sol já se pôs muitas vezes

No mesmo capítulo, um pouco antes, Paulo diz algo que costuma doer em quem carrega rancor antigo: "não se ponha o sol sobre a vossa ira" (Efésios 4:26).

Quem guarda uma mágoa há anos viu o sol se pôr sobre ela milhares de vezes. Mas repara: Paulo escreve isso justamente para pessoas que já estavam com a ira dentro de casa. O conselho não é uma acusação sobre o que passou. É um convite para o pôr do sol de hoje.

Vale uma pergunta, feita sem pressa: o que esse rancor esteve protegendo em você todos esses anos? Às vezes ele é o muro que ficou de pé no lugar de uma ferida que ninguém cuidou. Nomear a ferida, diante de Deus, costuma ser o começo.

Perdoar não é dizer que foi justo

A oração acima faz questão de dizer: "Não venho dizer que não doeu, nem que foi justo." Isso não é falta de fé. É honestidade, e Deus não pede outra coisa.

Perdoar, na Bíblia, não é apagar a memória nem fingir que a ofensa foi pequena. É abrir a mão que estava fechada em volta de uma pedra. A pedra continua sendo pedra. O que muda é que você não precisa mais segurá-la.

Também não é o mesmo que voltar a confiar ou reaproximar-se de quem feriu. A reconciliação depende de dois; o perdão, só de quem perdoa. Pode haver perdão sem retorno, e isso não o torna menor.

Quando a pessoa já não está, ou nunca pediu perdão

Muito rancor de anos é por alguém que já morreu, que se mudou, ou que seguiu a vida como se nada tivesse acontecido. Como soltar algo que o outro nunca reconheceu?

Esta oração funciona porque não precisa da outra pessoa na sala. Ela é feita entre você e Deus. E a Bíblia entrega a justiça do que ficou sem resposta a ele, não a você: "minha é a vingança", diz o Senhor em Romanos 12:19.

É isso que a última frase da oração faz. Ela não resolve o passado. Ela muda de mãos o que você vinha segurando: "O que não consigo largar, deixo nas tuas mãos." Aquilo que o outro nunca consertou pode descansar onde a justiça é certa, e você fica livre para dormir.

Rezar uma vez não costuma bastar

Um rancor que levou anos para se enraizar dificilmente sai numa só oração. Isso não é fracasso da oração — é a natureza do que está sendo arrancado.

Por isso ela diz "hoje, e de novo amanhã, se for preciso". Pode ser rezada devagar, à noite, nos dias em que o nome voltar. Cada vez que você abre a mão, ela se acostuma um pouco mais com o gesto de ficar aberta.

E, no fim, sempre o mesmo silêncio. Como quem tirou a roupa pesada e ainda não vestiu outra: por um instante, só a pele, e a presença de Deus sobre ela — "como também Deus vos perdoou em Cristo".

Perdoar significa esquecer o que aconteceu?

Não. A Bíblia nunca pede esquecimento como condição para o perdão; pede que a amargura seja tirada de dentro (Efésios 4:31). A memória pode ficar, mas sem o veneno. Com o tempo, muitas pessoas percebem que a lembrança perdeu o peso, mesmo sem ter sumido.

Preciso procurar a pessoa para perdoar de verdade?

O perdão acontece primeiro no coração de quem perdoa, diante de Deus, e não depende de o outro saber ou aceitar. Procurar a pessoa pode ser um passo de reconciliação, que é outra coisa e exige disposição dos dois lados. Há situações em que a reaproximação não é segura nem sábia, e o perdão continua possível mesmo assim.

E se eu perdoo e a raiva volta?

É comum. Rancor antigo volta em ondas, especialmente quando algo lembra a ferida. A volta da raiva não anula o perdão dado; é o momento de rezar de novo e abrir a mão outra vez. Jesus falou de perdoar "setenta vezes sete", e muitos leem isso também como perdoar a mesma ofensa quantas vezes ela voltar a doer.

Guardar rancor é pecado?

Efésios 4:31 coloca a amargura e a ira entre as coisas que o cristão deve tirar de si, e Jesus liga diretamente o perdão que damos ao perdão que recebemos. A tradição cristã, de modo geral, vê o rancor cultivado como algo a confessar e a soltar — mas distingue isso da dor legítima de quem foi ferido. Sentir a ferida não é pecado; alimentar o desejo de que o outro pague é o que a Bíblia pede para entregar a Deus.

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