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Oração para não ter pesadelos e dormir em paz

Mulher de cabelo preso sentada na cama, de cabeça baixa, com as mãos unidas junto à testa.

Oração para não ter pesadelos

Antes de rezar, respira uma vez devagar. Esta oração nasceu de um salmo que termina na cama — Davi escreveu o Salmo 4 ao fim de um dia difícil, e a última linha é ele deitando. Pode ser a tua também.

Em paz me deito

e logo pego no sono,

porque só tu, Senhor,

me fazes repousar seguro.(Salmos 4:8, NAA)

Senhor, é noite e eu tenho medo de dormir. Não é o escuro: é o que vem quando fecho os olhos e já não posso vigiar.

Antes de me deitar, falo contigo do que ficou no meu coração hoje — e depois me calo.

Guarda este quarto, guarda o meu sono, guarda as imagens que a noite trouxer. Se eu acordar com o coração acelerado, lembra-me de que tu não dormes.

O que não consigo controlar, eu entrego: a noite, os sonhos, o amanhã.

Em paz me deito, porque só tu me fazes repousar seguro. Amém.

Se quiseres só isso, está bem. Reza, apaga a luz, deita. O resto desta página é para quem quiser entender de onde vem a calma dessa última linha — e o que fazer quando ela parece longe.

A noite em que Davi escreveu isto

O Salmo 4 não é o salmo de um homem tranquilo. Nas primeiras linhas, Davi pede que Deus o ouça quando clama, e logo depois fala de pessoas que estão transformando a sua honra em vergonha, que amam a mentira (Salmo 4:2). Mais adiante, ele repete uma pergunta que ouve à sua volta, uma pergunta cansada: "Quem nos mostrará o bem?" (Salmo 4:6).

Repara no cenário. Há gente contra ele. Há incerteza sobre o dia seguinte. E, no meio disso, vem a noite, que é quando tudo isso costuma crescer.

É esse homem que escreve, oito versículos depois, que se deita em paz e logo adormece. O salmo não resolve o problema antes de chegar à cama. O problema continua lá fora. O que muda, ao longo do texto, é o que Davi faz com o próprio coração antes de dormir — e a quem ele entrega a vigília.

Vale ler o Salmo 4 inteiro, devagar, de preferência já com a luz baixa. São oito versículos. É um caminho curto do grito até o sono.

Falar com o coração na cama — e depois calar

No meio do caminho, o salmo dá uma instrução que parece pequena e não é.

Perturbai-vos e não pequeis;

falai com o vosso coração

sobre a vossa cama, e calai-vos. (Selá.)(Salmos 4:4, ACF)

Há duas coisas aqui, e a ordem importa. Primeiro: falar com o próprio coração, na cama. Depois: calar.

O texto não diz "não pense nisso". Não manda afastar o que incomoda, nem fingir que o dia foi leve. Ele pede o contrário — que a pessoa olhe para o que está sentindo, nomeie, converse com aquilo diante de Deus. Só então vem o silêncio.

Quem tem medo de pesadelos conhece a tentação inversa: ir para a cama empurrando o medo para baixo, trocando de pensamento, ligando o telefone até o sono vencer. O salmo sugere que o que não foi dito acordado tende a vir visitar no sono. E que a quietude verdadeira não é a ausência de pensamento; é o que fica depois que o pensamento foi dito e entregue.

Na prática, isto pode ser simples. Deitado, antes de orar, pergunta-te: o que eu estou carregando agora? Uma conversa que não terminou? Uma conta? A lembrança de uma noite ruim que não quero repetir? Diz isso para Deus, com as tuas palavras, sem arrumar a frase. E depois faz o que o versículo pede: cala. Deixa a frase assentar. Respira.

Uma observação sobre o texto: a primeira palavra desse versículo é traduzida de jeitos diferentes — "perturbai-vos" na ACF, "quando vocês ficarem irados" na NVI, "tremei" em outras versões. O hebraico permite as duas leituras, e as duas servem a quem vai dormir: o que agita e o que irrita vão para a cama conosco, se não forem conversados antes.

A alegria que não depende de o dia ter dado certo

Logo antes de deitar, Davi diz uma coisa que soa estranha para quem está apertado.

Puseste no meu coração alegria maior

do que a alegria dos que desfrutam trigo e vinho em tempo de fartura.(Salmos 4:7, NVI)

Trigo e vinho, no mundo de Davi, eram a colheita farta: tudo resolvido, celeiro cheio, mesa garantida para o ano. É a imagem de quem pode dormir porque não falta nada e nada ameaça.

Davi não tem isso. As pessoas que o cercam continuam perguntando "quem nos mostrará o bem?", e ele mesmo não dá a resposta que elas querem. Mas ele diz que Deus colocou no seu coração uma alegria maior do que a daquela colheita.

O que isso tem a ver com pesadelos? Talvez isto: muita gente adia a paz para quando o dia tiver dado certo. "Quando resolver aquilo, eu durmo." O salmo sugere outra ordem. A alegria que Deus coloca não espera a colheita. Ela cabe num dia incompleto, numa noite em que o problema ainda está lá fora.

Isso não é uma promessa de que a noite será boa. É uma observação sobre de onde a calma vem — e de onde ela não vem.

"Só tu": o que se solta na última linha

Volta à última linha, a que abre esta página. "Só tu, Senhor, me fazes repousar seguro."

Há uma palavra ali que muda tudo: "só". Não é Davi que se faz seguro. Não é a sua vigilância, a sua força, a porta trancada. É Deus, e só ele.

O medo do pesadelo é, no fundo, o medo do que acontece quando eu não estou de guarda. Acordado, eu controlo o que penso — mais ou menos. Dormindo, não. E a mente que passou o dia inteiro segurando as coisas resiste a largar, porque largar parece perigoso.

O salmo propõe uma troca. A segurança não estava na tua vigília; ela nunca esteve. Estava em quem não dorme. Então deitar e adormecer deixa de ser abandonar o posto — é entregar o posto a quem já o guardava.

É por isso que a oração desta página pede, não declara. Ela não diz "não terei pesadelos". Ela diz: o que não consigo controlar, eu entrego. A noite fica com Deus. É uma frase pequena. Pode ser dita com os olhos já fechados.

O que a Bíblia não promete sobre pesadelos

Aqui é preciso honestidade, porque a honestidade também acalma.

A Bíblia não promete uma vida sem sonhos ruins. Jó, em meio ao seu sofrimento, diz a Deus que é assombrado por sonhos e visões quando tenta descansar (Jó 7:14) — e Jó era um homem justo. Ter um pesadelo não significa que Deus se afastou, nem que algo está errado com a tua fé. A Escritura não ensina que todo sonho carrega uma mensagem, e não autoriza ninguém a ler culpa onde houve só uma noite difícil.

O que o Salmo 4 oferece é outra coisa: a segurança de quem dorme não depende de o sono ser perfeito. Davi deita em paz porque Deus o guarda, não porque a noite lhe garantiu ausência de imagens. Se um sonho ruim vier, ele vem para dentro de uma noite que já estava entregue.

E uma palavra prática, dita de passagem: quando pesadelos se tornam frequentes, voltam noite após noite ou passam a atrapalhar o dia, isso merece a atenção de um médico ou psicólogo. Orar e procurar ajuda não são caminhos opostos. Muitas vezes, são o mesmo cuidado.

Se acordares no meio da noite

Às vezes a oração foi feita, o sono veio — e às três da manhã o coração está disparado, o quarto escuro parece outro, e o sonho ainda está perto demais.

Não discutas com o sonho. Ele não precisa ser entendido agora. Senta, se precisar; acende uma luz baixa, se ajudar. E volta à ordem do salmo, que vale também para o meio da noite: fala com o teu coração, depois cala.

Diz a Deus o que viste, em uma frase. Diz que tens medo, se tens. E depois fica em silêncio um pouco, respirando, até o corpo acreditar no que a boca disse.

Se quiseres palavras, estas bastam:

Senhor, acordei com medo. O que vi não é maior do que tu.

Guarda o resto desta noite. Eu volto a deitar — e o que falta dormir, eu entrego a ti.

Amém.

(Salmo 4:8)

Darci OliveiraEriberto Pinto Ferreira
2 deram Amém

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