Oração no luto gestacional: consolo para o casal
Redação Bíblia Online Publicado em
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Oração pelo casal em luto gestacional
Esta oração é para rezarem juntos, em voz alta, dizendo diante de Deus o que cada um vem carregando calado — com as palavras do Salmo 34:18.
Dimaadua le e noho i baahi digau ala gu manawa paagege,
Mee e haga dagaloaha digau ala gu deai nadau hagadagadagagee ai.(Psalm 34:18)
Senhor, voltamos para casa com os braços vazios. O bebê que esperávamos não vai nascer, e o silêncio ficou no quarto, nas conversas, entre nós dois.
Tu estás perto de quem tem o coração quebrantado. Chega perto de nós agora. Chega perto dela, cujo corpo ainda lembra. Chega perto dele, que não sabe o que dizer.
Não deixes que esta dor nos afaste. Dá-nos paciência com o choro e o silêncio um do outro, cada um no seu tempo.
Levanta o nosso espírito abatido, sem pressa, com a tua presença.
Entregamos a ti este filho e a nossa ferida. Amém.
Este artigo faz parte de Orações Família e Filhos
O que o salmo promete — e o que não promete
O Salmo 34 foi escrito por alguém que estava fugindo. O título que acompanha o salmo o liga a Davi num tempo em que ele não tinha casa, nem segurança, nem garantia de amanhã. É dessa boca que sai a frase: o Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado.
Reparem no que o versículo não diz. Não diz que o coração vai parar de doer logo. Não diz que a perda tinha um motivo. Não diz que virá outro filho. Diz uma coisa só, e a repete de outro jeito: ele está perto, e ele salva quem está abatido. Perto é a palavra. Não "do outro lado", não "esperando lá em cima" — perto, na mesma casa onde o berço talvez já estivesse montado.
Um versículo depois, o salmo reconhece que "muitas são as aflições do justo" (Salmo 34:19). Ou seja, a dor não é sinal de que vocês fizeram algo errado. O texto conta com ela. O que ele promete não é a ausência da ferida, mas uma presença dentro dela.
Dois lutos no mesmo quarto
Quem perde um bebê antes de nascer costuma descobrir que o casal não chora junto — ou não ao mesmo tempo. Ela carrega o luto no corpo: os sinais da gravidez que não somem de uma vez, as consultas que não vão mais acontecer, a data que estava marcada e agora ficou vazia no calendário. Ele muitas vezes carrega outro luto, mais calado: o de quem queria proteger e não pôde, o de quem não sabe se tem o direito de chorar tanto quanto ela, o de quem volta ao trabalho enquanto ela ainda está em casa.
Nenhum dos dois está errando. Mas é fácil que o ritmo diferente vire distância: um acha que o outro não sente; o outro acha que não pode falar. É por isso que a oração acima pede duas vezes a mesma coisa — chega perto dela, chega perto dele. Não é repetição. É reconhecer que são duas dores, e que as duas cabem na mesma presença.
Uma pergunta para levar para a noite, cada um no seu silêncio: o que o outro está carregando que eu ainda não vi?
Quando as palavras não vêm
Pode acontecer de abrirem esta página e não conseguirem ler a oração até o fim. Tudo bem. A tradição contemplativa cristã sempre entendeu que o silêncio também é oração — talvez a mais honesta que existe quando a garganta fecha. Paulo escreve que, quando não sabemos o que pedir, o próprio Espírito intercede por nós com gemidos que não cabem em palavras (Romanos 8:26). Um gemido conta. Uma respiração que não vira frase conta.
Se for assim, fiquem com uma linha só: "Chega perto de nós agora." Digam uma vez, respirem, digam de novo. Depois, deixem o silêncio ficar. Não é preciso preencher.
As perguntas que vêm de noite
Há perguntas que aparecem quando a casa escurece. Foi algo que eu fiz? Onde está o nosso bebê agora? Deus quis isso?
A Bíblia não responde a todas com a precisão que a dor pede, e é honesto dizer isso. Mas ela deixa alguns sinais. O Salmo 139 fala de um Deus que tece a criança no ventre e já a conhece antes que nasça (Salmo 139:13-16) — esse filho não foi desconhecido dele. Quando Davi perdeu um bebê recém-nascido, disse: "eu irei a ele" (2 Samuel 12:23); muitos cristãos, ao longo dos séculos, leram nessas palavras uma esperança de reencontro, ainda que o texto não explique como. E diante do túmulo de um amigo, Jesus chorou (João 11:35). Ele não explicou primeiro. Chorou primeiro.
Quanto à culpa: o salmo que ancora esta oração não fala de castigo. Fala de proximidade. Se a pergunta "fui eu?" voltar, talvez valha devolvê-la a Deus do jeito que ela vem, sem polir, e deixar que a resposta demore o tempo que precisar.
Como rezar esta oração a dois
Não precisa ser cerimônia. Uma leitura em voz alta, um dizendo e o outro ouvindo; na noite seguinte, trocam. Ou cada um lê um parágrafo. Se a voz quebrar no meio, o outro continua de onde parou — isso também é carregar junto.
Alguns casais escolhem um horário fixo, antes de dormir, enquanto o quarto ainda é o lugar mais difícil da casa. Outros rezam só quando conseguem. Não há jeito certo. Há o jeito que vocês dois conseguem hoje.
E quando a oração terminar, antes de se levantarem, talvez fiquem um instante com a frase que a sustenta: o Senhor está perto. Não longe, não depois. Perto. O Salmo 34 inteiro está aqui, se quiserem lê-lo juntos até o fim.
Como consolar minha esposa depois de um aborto espontâneo?
Mais do que frases, ela costuma precisar de presença: alguém que fique, que não tenha pressa de "melhorar" o assunto, que deixe chorar sem corrigir. Evite explicações sobre o porquê da perda e evite falar de uma próxima gravidez antes que ela fale. O Salmo 34:18 descreve o jeito de Deus consolar — ficando perto — e é um bom modelo para o marido também.
O que dizer ao marido que não fala sobre a perda?
Muitos homens vivem o luto gestacional em silêncio, por acharem que precisam ser os fortes ou por não saberem se têm o mesmo direito de chorar. Em vez de cobrar palavras, pode ajudar perguntar com simplicidade: "como foi para você?" e esperar. Rezar juntos uma oração escrita, como a desta página, dá a ele palavras emprestadas quando as próprias não vêm.
A Bíblia fala sobre bebês que morrem antes de nascer?
Não há um texto que trate do assunto de forma direta. O que existe são passagens que falam do cuidado de Deus com a criança ainda no ventre (Salmo 139:13-16) e a resposta de Davi diante da morte de um filho pequeno: "eu irei a ele" (2 Samuel 12:23). A partir delas, a maior parte da tradição cristã confia que esses bebês estão com Deus, embora as igrejas expliquem isso de maneiras diferentes.
É errado sentir raiva de Deus no luto gestacional?
Os salmos estão cheios de perguntas duras feitas a Deus — "até quando?", "por que te escondes?" — e a Bíblia as preserva como oração, não como pecado. Levar a raiva a Deus, em vez de escondê-la dele, é uma forma de continuar perto. O que fere é o silêncio que afasta, não a honestidade que confronta.
Quanto tempo dura o luto de um bebê que não nasceu?
Não há prazo, e marido e mulher raramente vivem o mesmo tempo. A Bíblia não mede o luto em semanas; ela fala de um Deus que fica perto enquanto durar. Se a dor começar a tirar o sono, o apetite ou a vontade de viver por um período longo, vale procurar também um profissional de saúde mental — buscar ajuda não é falta de fé.
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