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Oração pela cura da autoimagem e restauração da dignidade

Por Bíblia Online  - 
Mulher de cabelo escuro, com uma cruz de madeira nas mãos

Oração pela cura da autoimagem e restauração da dignidade

Esta é uma oração para quem carrega palavras que não eram suas: um apelido, uma crítica que ficou, um olhar que diminuiu. Ela nasce de um versículo só, o do Salmo 139, em que Davi agradece por ter sido feito de modo admirável — e é essa verdade que a oração pede para voltar a enxergar.

Graças te dou pela maneira extraordinária

como fui criado!

Pois tu és tremendo e maravilhoso!

Sim, minha alma o sabe muito bem.(Salmos 139:14)

Antes de rezar, pare um instante. Respire fundo uma, duas vezes. Deixe o ruído do dia ficar lá fora. Depois, fale com Deus como quem fala baixo.

Senhor, trago a ti os apelidos, as palavras duras e os rótulos que colaram em mim. Tu conheces cada um deles, e conheces também o que eles não dizem: que fui tecido por tuas mãos, de modo admirável.

Cura o meu jeito de me olhar. Restaura em mim a dignidade que os outros tentaram tirar e que eu mesmo, tantas vezes, deixei cair.

Abranda a raiva que guardo. Ajuda-me a largar a necessidade de aprovação e a perdoar quem me feriu.

Entrego a ti o espelho. Ensina-me a ver o que tu vês. Amém.

De onde vem esta oração

O Salmo 139 é a oração de alguém que se sente completamente visto. Davi começa dizendo que Deus conhece os seus pensamentos antes que ele os pense, sabe quando se deita e quando se levanta. Não há onde se esconder — e isso, no salmo, não assusta: consola.

É nesse ponto que vem o versículo 14. Davi olha para o próprio corpo, para a própria história, e o que sai da boca dele não é queixa: é louvor. "Tecido de modo admirável" é a linguagem de quem olha uma peça feita à mão e reconhece o cuidado de quem a fez.

Repare no que isso faz com a autoimagem. Quem se vê pelos olhos de quem o feriu vê um defeito, um rótulo, uma falta. Quem se vê pelos olhos de quem o fez vê uma obra. A oração acima pede exatamente essa troca de olhar — não que a ferida desapareça de uma vez, mas que outra voz passe a falar mais alto do que ela.

Por que pedir, e não afirmar

Existe uma diferença entre dizer a Deus "eu me vejo como tu me vês" e pedir "ensina-me a ver o que tu vês". A primeira frase cobra de você um estado que talvez ainda não exista. A segunda admite a distância e a entrega.

A oração contemplativa prefere a segunda. Ela não exige que a pessoa saia da oração curada; pede que Deus faça o que só Ele faz, no tempo que Ele escolher. Por isso o texto acima usa "cura", "restaura", "ajuda-me", "ensina-me" — verbos de quem pede, não de quem decreta.

Isso também desarma uma armadilha comum: a de achar que, se a autoimagem não mudou depois da oração, a oração falhou. Não falhou. Você disse a verdade a Deus. Ele ouviu. O resto é caminho.

Depois de orar: um momento de silêncio

Não tenha pressa de se levantar. Fique um pouco onde está.

Pergunte-se, sem responder depressa: que vozes governaram os seus pensamentos hoje? A de quem o diminuiu, ou a presença discreta dAquele que o tece?

Se quiser, volte ao versículo e leia devagar, uma palavra de cada vez: tecido. De modo admirável. Deixe que ela desça. Depois, silêncio. O silêncio também é diálogo.

O que a Bíblia diz sobre autoimagem?

A Bíblia não usa a palavra "autoimagem", mas fala do valor da pessoa diante de Deus. Gênesis 1:27 diz que o ser humano foi criado à imagem de Deus; o Salmo 139:14, que foi feito de modo admirável. A dignidade, nesse olhar, não vem do que a pessoa alcança nem do que os outros dizem dela — vem de quem a fez.

Como lidar com rótulos e apelidos que me marcaram?

Primeiro, nomeá-los diante de Deus, como a oração faz: dizer em voz baixa o que foi dito sobre você e reconhecer o peso. Depois, colocar ao lado deles a palavra que Deus diz. Em 1 Samuel 16:7, Deus lembra que as pessoas veem a aparência, mas Ele vê o coração. Isso não apaga a lembrança de uma vez, mas tira dela a última palavra.

Posso fazer esta oração todos os dias?

Pode, e talvez seja o melhor jeito de rezá-la. Feridas de identidade raramente se fecham numa única oração; elas pedem repetição paciente, como quem volta a um mesmo lugar até ele ficar familiar. Rezar o mesmo texto várias vezes não é falta de fé — é o modo antigo de deixar a verdade descer da cabeça para o coração.

Perdoar quem me feriu significa esquecer o que aconteceu?

Não. Perdoar, no sentido bíblico, é largar o direito de cobrar, não apagar a memória. Em Efésios 4:32, o convite é perdoar "como Deus em Cristo nos perdoou" — e Deus perdoa sabendo tudo. Você pode lembrar e ainda assim pedir a Deus que a raiva não governe o seu olhar sobre si mesmo.

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