Oração por estabilidade da terra e proteção da comunidade
Redação Bíblia Online Publicado em
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A oração
Para quem olha a encosta depois de dias de chuva e não sabe se a terra vai segurar. E para quem sentiu o chão tremer e ainda não confia nele.
Antes de rezar, respira uma vez, devagar. O salmo começa assim, com alguém que levanta os olhos.
Grádicsok éneke.
Szemeimet a hegyekre emelem, onnan jön az én segítségem. Az én segítségem az Úrtól van, a ki teremtette az eget és földet.(Zsoltárok 121:1,2)
Senhor, levantamos os olhos para os montes, e hoje eles nos dão medo. A chuva encharcou a terra, e há chão que treme sem avisar. De onde virá o nosso socorro? De ti, que fizeste o céu e a terra.
Sustenta as encostas e os barrancos, firma o chão sob as nossas casas. Guarda as famílias no caminho da água e as que dormem sobre terra que se moveu. Dá-nos olhos para ver a tempo a trinca na parede, a água que mina, o aviso que chega — e coragem para sair quando for preciso.
Tu não dormes. Vigia a nossa noite, guarda a nossa saída e a nossa entrada. Em tuas mãos deixamos esta terra e esta gente.
Amém.
O salmo de onde vêm estas palavras: Salmo 121.
Este artigo faz parte de Orações Proteção e Libertação
O salmo de quem olha para os montes
O Salmo 121 nasceu numa estrada. Ele faz parte dos Cânticos de Subida, os quinze salmos que os peregrinos cantavam a caminho de Jerusalém, cidade construída no alto — para chegar lá, era preciso subir. E subir, naquele tempo, era atravessar montes.
Os montes eram duas coisas ao mesmo tempo. Eram o lugar onde a ajuda podia aparecer, uma aldeia, uma fonte, um abrigo. E eram o lugar do perigo: o despenhadeiro, a pedra solta, o assaltante escondido na curva. Quem levanta os olhos para os montes não está admirando a paisagem. Está medindo o risco.
É por isso que a pergunta do primeiro versículo é tão honesta. De onde me virá o socorro? Dos montes, que são grandes e podem desabar? A resposta do salmo é um deslocamento do olhar: não dos montes, mas de quem fez os montes. O socorro não vem da coisa que ameaça. Vem de quem é maior do que ela.
O resto do salmo desenvolve essa ideia com uma imagem que quem já dormiu ao relento entende bem. Numa caravana, as pessoas dormiam em turnos: alguém ficava acordado vigiando enquanto os outros descansavam. O salmo diz que esse vigia, para quem confia em Deus, nunca cochila.
Ímé, nem szunnyad és nem alszik az Izráelnek őrizője!(Zsoltárok 121:4)
Depois vêm o sol do dia e a lua da noite, a saída e a entrada — os dois extremos de cada jornada. A palavra "guardar" aparece seis vezes em oito versículos. É a palavra do sentinela, de quem fica no muro olhando o escuro para que a cidade possa dormir.
Quando a terra escorrega e quando a terra treme
A oração acima nomeia dois medos que têm a mesma raiz. Um é o da terra encharcada: dias de chuva, a encosta pesada de água, o barranco que já cedeu em outro ano. Quem mora em morro ou perto de rio conhece esse olhar para o céu que não é esperança, é cálculo.
O outro é o do chão que se move sozinho. Em Portugal, no litoral da África, em algumas regiões do Brasil onde a terra treme de leve, e em qualquer lugar onde um abalo já aconteceu, há uma desconfiança que fica. O chão deveria ser a única coisa firme. Quando ele falha, parece que nada mais segura.
A Bíblia conhece esse medo. O Salmo 46 fala de uma terra que se abala e de montes que caem dentro do mar, e começa não negando o terremoto, mas dizendo quem é refúgio enquanto ele acontece. O Salmo 121 faz o mesmo movimento, só que mais devagar: não promete que a estrada será segura. Promete um guarda que não dorme no caminho.
Essa distinção importa. A Escritura não diz que a encosta não vai cair, nem que a terra não vai tremer. Diz que, quando tudo isso se move, há alguém que não se move. É menos do que a gente queria ouvir e, ao mesmo tempo, é o que de fato sustenta quem já perdeu uma casa e continuou de pé.
O que a oração pede — e o que ela não promete
Repara no que a oração pede de concreto. Que as encostas sejam sustentadas, sim. Mas também olhos para ver a trinca, a água que mina pelo chão, o aviso que chega pelo telefone — e coragem para sair.
Isso não é falta de fé. É a fé do peregrino do Salmo 121, que confia no guarda que não dorme e, mesmo assim, escolhe o caminho, olha onde pisa, anda em grupo. Rezar pela terra e ouvir a sirene da defesa civil são o mesmo gesto, não dois. A tradição contemplativa chama isso de atenção: estar presente ao que está diante de nós, sem fugir para dentro nem para fora.
Por isso a oração não decreta, não declara, não garante. Pede. E termina entregando: "em tuas mãos deixamos esta terra e esta gente". Entregar não é desistir de agir. É agir sem carregar sozinho o peso do que não depende de nós.
Rezar junto: a oração da comunidade
A oração está escrita no plural porque este medo quase nunca é de uma pessoa só. É da rua inteira, do bairro, da vila que olha o mesmo morro.
Ela pode ser lida por uma voz, no culto ou numa vigília, com todos respondendo "Amém" no fim. Pode ser rezada na cozinha, em família, com as mochilas já prontas perto da porta. Pode ser enviada para quem mora longe e tem gente ali — porque orar por uma terra que não é a sua também é uma forma de estar presente.
Se houver tempo, vale rezar o salmo inteiro antes dela. São oito versículos. Lidos devagar, cabem em um minuto, e dão à oração o chão de onde ela veio.
Depois da oração, o silêncio
Quando a oração acabar, não é preciso dizer mais nada. Talvez seja o momento de ficar um pouco com a janela aberta, ouvindo a chuva ou o silêncio depois dela, e deixar que a pergunta do salmo faça o caminho sozinha dentro de nós: de onde me vem o socorro?
Se as palavras faltarem, basta uma frase, dita baixo: Senhor, o chão é teu.
E depois, silêncio. Esse silêncio também é oração.
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