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Oração por imunidade, discernimento e proteção do lar

Redação Bíblia Online Publicado em

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A oração

Mulher de olhos fechados e mãos postas junto ao rosto, sentada na sala ao lado de uma Bíblia.

Respire fundo uma vez. A oração está aqui embaixo — reze-a inteira, devagar, e depois fique um instante em silêncio antes de seguir.

Senhor, tu és o meu refúgio e a minha fortaleza. Coloco diante de ti esta casa, os que dormem debaixo deste teto e o corpo frágil que nos sustenta.

Guarda a nossa saúde e fortalece a nossa imunidade. O que em nós resiste à doença, tu fizeste; sustenta-o. Cobre com a tua sombra a porta por onde entramos e saímos.

Dá-me discernimento para saber o que é cuidado e o que é pânico, e para separar a precaução que protege da aflição que consome.

Que o terror da noite não nos encontre, nem a peste que anda na escuridão. O que cabe às minhas mãos, eu faço. O que não cabe, eu deixo contigo.

Amém.

A oração ecoa o Salmo 91:5-6. "Terror da noite" e "peste que anda na escuridão" são palavras dele, não minhas.

Este artigo faz parte de Orações Proteção e Libertação

De onde vêm estas palavras

O Salmo 91 começa com alguém falando de outro alguém — e, aos poucos, falando para dentro de si.

He that dwelleth in the secret place of the Most High

Shall abide under the shadow of the Almighty.

I will say of Jehovah, He is my refuge and my fortress;

My God, in whom I trust.(Psalms 91:1,2)

Repare na imagem: não é uma muralha, é uma sombra. Quem se abriga numa sombra não está trancado em lugar nenhum. Está simplesmente perto de algo maior que ele, perto o bastante para que o sol não bata direto. O salmo volta a essa imagem mais adiante, quando fala de asas e de penas — a proteção de uma ave sobre os filhotes, que é quente e é frágil ao mesmo tempo.

Uma tradição judaica antiga chamava este salmo de "cântico contra as pragas", e por séculos ele foi rezado em tempos de epidemia e à beira de camas de doentes. Isso é tradição, não texto. Mas diz algo sobre o lugar que o salmo ocupou na vida de quem tinha medo de adoecer: era para lá que as pessoas iam quando o corpo parecia pequeno demais diante do que rondava.

O que "imunidade" quer dizer quando se ora

Imunidade é o que o corpo tem para resistir ao que entra nele. A gente pede isso a Deus com naturalidade — e pode pedir. Quem fez o corpo conhece as defesas do corpo melhor do que qualquer um de nós.

Mas vale parar um momento no que o salmo promete e no que ele não promete. Ele não diz que a peste deixará de existir. Diz que ela anda na escuridão, e que há um lugar para habitar enquanto ela anda. A promessa não é um mundo sem doença; é uma presença dentro de um mundo onde a doença existe.

Há um episódio nos Evangelhos que ajuda a não torcer o salmo. No deserto, o tentador cita o Salmo 91 para Jesus — justamente os versículos que falam dos anjos que o guardariam — e o convida a se lançar do alto do Templo para provar que a proteção funciona. Está em Mateus 4:5-7. Jesus recusa. Não porque o salmo seja falso, mas porque o salmo não é um contrato a ser testado.

Por isso a oração acima pede, e não declara. Ela não diz "nenhum vírus tocará esta casa". Diz: guarda, fortalece, cobre. E termina entregando o que não está nas mãos de quem ora. Essa entrega é a parte mais difícil — e talvez a mais parecida com o que o salmista estava fazendo.

Discernimento: separar o cuidado do medo

Há um pedido no meio da oração que quase ninguém procura quando digita "imunidade", e que talvez seja o que mais falta: discernimento.

O medo e o cuidado se parecem muito, de fora. Os dois lavam as mãos, os dois fecham a janela, os dois leem a notícia. A diferença está em onde cada um termina. O cuidado faz o que precisa ser feito e depois descansa. O medo faz o que precisa ser feito e continua — lendo mais uma manchete, checando mais uma vez, imaginando mais um cenário.

Você sabe, no seu corpo, qual dos dois está mandando hoje?

Pedir discernimento é pedir para enxergar essa fronteira. "O que cabe às minhas mãos, eu faço" — e o que cabe às mãos é concreto: o remédio na hora certa, o descanso, a comida, a consulta adiada que precisa deixar de ser adiada. "O que não cabe, eu deixo contigo" — e isso também é concreto: o que vai acontecer, o que já aconteceu em outra casa e assusta, o que a mente inventa às três da manhã.

Fé e cuidado não competem. Paulo recomendou a Timóteo um pouco de vinho para o estômago fraco (1 Timóteo 5:23), na mesma carta em que fala de oração e de piedade. Não viu contradição ali.

O lar: a porta, o teto, os que dormem

A oração começa pela casa, e não por acaso. O Salmo 91 também fala da "tenda" de quem ora — nenhuma praga chegará a ela, diz o versículo 10. A tenda é o lugar onde se dorme sem guarda, onde se tira o sapato, onde o corpo se entrega à noite.

Em Israel, a porta da casa era um lugar de palavra: Deus mandou escrever os mandamentos nos umbrais (Deuteronômio 6:9), para que quem entrasse e saísse passasse por elas. Pedir que a sombra de Deus cubra a porta é pedir isso: que o que entra e o que sai desta casa passe por ele primeiro.

Quando rezar "os que dormem debaixo deste teto", deixe os nomes virem. Um por um. Sem pressa. Não é preciso dizê-los em voz alta — basta que passem.

Como rezar esta oração

Não há hora certa, mas há horas em que ela encaixa melhor: antes de deitar, quando a casa já está em silêncio e o medo costuma falar mais alto; antes de sair, com a mão na porta; depois de uma notícia que apertou o peito.

Reze devagar. Se uma frase travar — "o que não cabe, eu deixo contigo" costuma travar —, pare nela. Não force o resto. A frase que trava é a que estava esperando por você.

E depois do "Amém", não levante logo. Fique um minuto. O salmo diz que quem habita no esconderijo "descansa". Descansar leva um tempo que a pressa não dá.

Se houver mais um pouco de tempo, leia o Salmo 91 inteiro, do primeiro ao último versículo, sem pular nada. Ele termina com Deus falando — e a última palavra dele é sobre dias longos e salvação. Deixe que seja ele a terminar.

Rezar o Salmo 91 garante que não vou adoecer?

Não. O salmo é uma confissão de confiança, não um contrato. Ele descreve onde a pessoa habita enquanto a peste anda — não um mundo onde a peste deixou de existir. Jesus recusou usar esse salmo como prova de proteção quando foi tentado no deserto (Mateus 4:5-7). Reza-se pedindo, não cobrando.

Posso rezar esta oração por outra pessoa, que mora em outra casa?

Pode, trocando o "nós" pelo nome dela: "guarda a saúde de fulano, fortalece a imunidade dele, cobre a porta da casa dele". O Salmo 91 já é, em boa parte, uma pessoa falando sobre outra — ele nasce dessa forma.

Pedir imunidade a Deus e tomar remédio ou vacina não é falta de fé?

Não. A Bíblia não opõe oração e cuidado com o corpo. Paulo orientou Timóteo a tomar um pouco de vinho para o estômago (1 Timóteo 5:23), e Lucas, autor de um Evangelho, era médico (Colossenses 4:14). A oração entrega a Deus o que não está nas mãos; o cuidado faz o que está.

Qual a diferença entre esta oração e "declarar" proteção sobre a casa?

Declarar afirma como já feito o que se deseja; pedir reconhece que quem decide é Deus. Esta oração pede — "guarda", "fortalece", "cobre" — e termina entregando. É o modelo dos salmos, que suplicam, e do Pai Nosso, que diz "livra-nos do mal" sem anunciar o resultado.

Preciso rezar esta oração todos os dias?

Não há regra. Algumas pessoas a rezam ao deitar, outras só quando o medo aparece. O que importa não é a frequência, mas o que acontece depois do "Amém": se há um minuto de silêncio, se o corpo desacelera. Uma oração rezada uma vez com atenção vale mais do que dez repetidas correndo.

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