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Oração contra a autocondenação e paz com a própria história

Redação Bíblia Online Publicado em

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Mulher de cabelo curto e cardigã azul segura um livro junto ao peito, sentada em banco de igreja.

Esta é uma oração para quem já pediu perdão a Deus e ainda não conseguiu se perdoar. Ela se apoia numa frase só, a de Romanos 8:1 — já não há nenhuma condenação para quem está em Cristo —, e pede que essa frase desça da cabeça, onde você já a sabe, para o lugar onde ainda doi.

Antes de rezar, respire fundo. Deixe o corpo parar antes da boca.

Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.(Romanos 8:1)

Oração contra a autocondenação

Senhor, tu conheces as lembranças que voltam para me acusar, e o peso do que eu fiz e não posso mais desfazer. Eu já confessei. Tu já perdoaste. E ainda assim eu continuo me condenando. Tu dizes que não há nenhuma condenação para quem está em Cristo. Ensina o meu coração a acreditar nisso. Desarma o tribunal que eu montei dentro de mim. Livra-me da vontade de me punir pelo que a tua misericórdia já cobriu. Ajuda-me a olhar para a minha história como tu olhas: inteira, sem esconder nada, e ainda assim com compaixão. O que ficou para trás, eu deixo nas tuas mãos. Amém.

Este artigo faz parte de Orações Ansiedade e Medo

De onde vem a frase "nenhuma condenação"

Vale saber onde essa frase nasce, porque ela não é dita a alguém tranquilo. Ela vem logo depois do capítulo mais inquieto que Paulo escreveu.

Em Romanos 7, ele descreve um homem dividido: faz o que detesta, não faz o bem que quer, e termina gritando "miserável homem que eu sou" (Romanos 7:24). É a voz de quem se conhece e não gosta do que vê. Qualquer pessoa que já ficou acordada repassando o próprio erro reconhece esse tom.

E é para esse homem — não para outro, melhor — que vem o "portanto" de Romanos 8:1. A sentença de "nenhuma condenação" não é dada a quem se corrigiu. É dada a quem acabou de confessar que não consegue.

Mais adiante no mesmo capítulo, Paulo faz duas perguntas que soam como um tribunal sendo fechado: quem acusará os que Deus escolheu, e quem os condenará, se Cristo é quem morreu por eles (Romanos 8:33-34)? Repare que ele não diz que não há acusação. Diz que a acusação não tem mais juiz disposto a ouvi-la.

O tribunal que a gente mantém aberto

Há uma diferença entre o arrependimento e a autocondenação, e ela quase nunca é sentida na hora.

O arrependimento olha para o erro e se volta para Deus. Ele dói, mas caminha. Paulo chama isso de tristeza segundo Deus, a que leva à vida (2 Coríntios 7:10). A autocondenação olha para o mesmo erro e se volta para dentro, e fica. Ela repete o julgamento, reabre o processo, exige uma pena que ninguém mais está cobrando. A mesma passagem chama isso de tristeza do mundo — a que produz morte.

Faça a si uma pergunta, devagar: quando a lembrança volta, ela leva você para Deus ou para longe dele?

Se a resposta for "para longe", talvez o que você está sentindo não seja contrição. Talvez seja orgulho de cabeça baixa — a recusa silenciosa de aceitar que a conta já foi paga por outro. João escreve que, mesmo quando o nosso coração nos condena, Deus é maior do que o nosso coração (1 João 3:20). O coração não é o juiz. Ele só pensa que é.

Como rezar esta oração devagar

Esta não é uma oração para dizer uma vez e esperar que a memória obedeça. Ela foi escrita para ser rezada ao longo de dias, quase sempre à noite, quando o tribunal costuma abrir.

Comece lendo Romanos 8:1 em voz baixa. Pare na palavra "nenhuma". Deixe que ela fique um pouco no ar antes de continuar.

Depois reze a oração inteira, sem pressa. Se uma frase travar — "tu já perdoaste", por exemplo — não passe por cima dela. Volte. Reze só aquela linha outra vez. A frase que trava costuma ser exatamente a que o coração ainda não aceitou.

No fim, fique em silêncio. Não para esperar uma sensação. Para não preencher.

Quando o que você fez deixou marcas em alguém

Esse é o caso difícil, e não adianta fingir que não existe. Às vezes o erro não foi só contra Deus. Houve alguém que saiu ferido, e talvez essa pessoa não tenha perdoado, ou já não esteja ao alcance para ouvir um pedido.

A Bíblia não propõe esquecer isso. Ela propõe uma ordem diferente para as coisas. Zaqueu, em Lucas 19:8, decide devolver quatro vezes o que roubou — mas repare quando: depois que Jesus já entrou na casa dele, não antes, como condição. A reparação nasce de quem foi recebido, não de quem tenta merecer ser recebido.

E Pedro, depois de negar Jesus três vezes, não ouve "por que fizeste isso?". Ouve três vezes "tu me amas?" (João 21:15-17). A pergunta de Jesus não reabre o processo. Ela aponta para a frente.

Então o que se faz com a marca que ficou? O que puder ser reparado, repara-se, com humildade e sem espetáculo. O que não puder mais ser alcançado vai para a mesma oração: "o que ficou para trás, eu deixo nas tuas mãos". Isso não é fugir da responsabilidade. É reconhecer onde ela termina e onde começa o que só Deus pode fazer.

O silêncio depois do amém

Quando terminar de rezar, não corra para o alívio. Ele pode vir ou não vir hoje, e a oração não deixa de ser verdadeira por isso.

Volte uma última vez à frase: nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus. Não é uma frase sobre o que você sente. É uma frase sobre onde você está.

O que mudaria se você acreditasse que o julgamento já aconteceu — e que não foi você quem o deu?

Fique com essa pergunta. Em silêncio.

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