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Oração por paz interior e sabedoria médica na cirurgia

Mulher de olhos fechados e mãos unidas junto ao rosto, sentada em corredor de hospital.

Oração antes de entrar na sala de cirurgia

Esta é a oração de quem vai ser operado. Se puder, leia duas vezes: uma em silêncio, outra em voz baixa — e deixe que as palavras fiquem suas. O versículo vem antes porque é dele que a oração tira as palavras.

Senhor, daqui a pouco eu entro numa sala em que não vou poder fazer nada por mim. Tu disseste: não temas, eu estou contigo. Eu tenho medo mesmo assim — e venho com ele.

Dá ao cirurgião mãos firmes e olhos atentos: que ele veja o que precisa ser tirado e o que precisa ficar, e saiba a hora certa de cada corte. Dá ao anestesista a medida exata para este corpo, que é o único que eu tenho. Dá à enfermagem atenção até no detalhe pequeno.

Segura-me com a tua mão direita enquanto eu dormir. O resultado eu não controlo. Entrego a ti o meu corpo, a cirurgia e o que vier depois. Amém.

O medo não precisa ir embora antes de orar

Quem lê "não temas" com uma cirurgia marcada costuma ouvir uma cobrança. Como se fosse preciso parar de ter medo primeiro, e só então orar direito.

Mas repare para quem Isaías escreveu essa frase. Era um povo levado para longe de casa, dormindo em terra que não era sua, sem decidir nada sobre o próprio dia. Gente com medo de verdade. Deus não espera o medo passar para falar; ele fala para dentro do medo. "Não temas" é a primeira palavra justamente porque o medo já está ali.

Um hospital tem algo desse exílio. A roupa não é sua. O horário não é seu. Até o seu nome vira uma pulseira. Talvez por isso o versículo sirva tão bem a esse corredor.

Então a pergunta não é "como deixo de ter medo?". É outra, mais simples: o que você está segurando agora com tanta força? Dá para abrir a mão um pouco, só por um instante, e deixar que outra mão a segure?

Se ajudar, respire com o versículo. Ao puxar o ar, em silêncio: não temas. Ao soltar: eu estou contigo. Três vezes. Depois, nada — só o ar entrando e saindo. O silêncio também é oração.

E se a ansiedade estiver grande demais para caber numa respiração, diga isso a alguém da equipe. Muitos hospitais têm quem saiba acompanhar esse momento, e pedir ajuda não é falta de fé. É cuidado.

Oração ao assinar o termo de consentimento

O termo coloca na sua frente, em letra pequena, tudo o que pode dar errado. Ele não foi escrito para tranquilizar; foi escrito para informar. Antes de assinar, cabe uma pausa. O salmista também assinava, à sua maneira, quando dizia em voz alta de quem era o abrigo em que entrava.

Senhor, este papel lista o que eu não queria ler. Eu li. Agora preciso escolher, e não sei escolher sem ti.

Que o médico que me explicou tenha dito a verdade inteira, e que eu tenha entendido o suficiente. Que a decisão de operar seja mesmo a certa para este corpo, neste momento, e não só a mais rápida.

Eu assino à tua sombra. Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza, e é em ti que eu confio — não na caneta, não na estatística. Fica comigo no que vem depois da assinatura. Amém.

Se quem assina é você, por alguém que ama — um pai que já não decide, um filho pequeno — a oração muda de boca. Ela fica assim:

Senhor, eu assino por alguém que não pode assinar, e a mão treme. Eu não pedi para estar neste lugar.

Dá-me discernimento para fazer a pergunta que ainda não fiz, e paz para aceitar que já perguntei o bastante. Abriga quem eu amo à tua sombra, porque eu não consigo entrar na sala com ele.

Tu és o nosso refúgio. Eu confio em ti por nós dois. Amém.

Como esperar na sala de pré-operatório

A espera antes da cirurgia é um tempo estranho. Faz frio. O relógio anda devagar. As pessoas passam com pressa e você está parado, numa maca, sem relógio no pulso, sem telefone, às vezes sem óculos.

O que se faz com um tempo em que não há nada a fazer?

Uma possibilidade é não fazer. Deitar a cabeça. Sentir o peso do corpo sobre a maca e perceber que ele é sustentado — você não está fazendo força nenhuma para não cair. É assim que o salmo descreve quem habita à sombra do Altíssimo: alguém que descansa, não alguém que vigia.

Se quiser palavras, use poucas. Uma oração desse tamanho basta:

Deus, eu estou aqui. Tu também. Amém.

E depois, silêncio. Não é preciso preencher. Se o pensamento fugir para o que pode dar errado, não brigue com ele; volte à frase, como quem volta ao fôlego.

Se o hospital permitir uma Bíblia ou o telefone até o último momento, o Salmo 91 inteiro cabe nessa espera. Ele não promete que nada vai acontecer. Ele diz onde a pessoa está enquanto as coisas acontecem.

Oração pela equipe médica, de quem espera do lado de fora

Enquanto a cirurgia acontece, alguém espera numa sala sem notícia. É talvez o lugar mais difícil do hospital: nada para assinar, nada para decidir, só o painel que não muda.

Quem está ali pode orar por quem está dentro — e não de forma vaga. Uma cirurgia é feita de decisões pequenas e concretas, uma atrás da outra. Nomeá-las na oração ajuda a saber o que se está pedindo.

Senhor, eu não posso entrar. Eles podem. Fica com eles.

Quando aparecer o que o exame não mostrou, dá ao cirurgião clareza para decidir na hora: seguir, mudar o plano ou parar. Que a mão dele não trema no ponto mais delicado, e que o cansaço de outras cirurgias não pese nesta.

Ao anestesista, dá atenção aos números que mudam na tela, e a dose certa — nem a mais, nem a menos. À enfermagem, dá memória para cada contagem e cada instrumento.

Fortalece-os, ajuda-os, sustenta-os com a tua mão. E quando saírem, dá-lhes descanso, porque são gente. Amém.

Depois de orar, não há nada a fazer senão esperar de novo. Talvez valha repetir o mesmo exercício de dentro da sala: puxar o ar com não temas, soltar com eu estou contigo. A promessa feita a quem está na mesa é a mesma feita a quem está no corredor.

Quando acordar

O primeiro momento depois da anestesia costuma ser confuso. Frio, sede, uma voz chamando pelo nome. Antes de qualquer notícia — boa, difícil ou incompleta — cabe uma oração curta, só para marcar que você voltou.

Senhor, eu acordei. Enquanto eu não sabia de nada, tu me sustentaste.

O que o médico vier dizer, eu ouço com a tua mão na minha. Se for bom, obrigado. Se for difícil, não me solta. Continua comigo nos dias que vêm, um de cada vez. Amém.

(Isaías 41:10)

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