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Oração por pureza de intenção e humildade em Mateus 6

Redação Bíblia Online Publicado em

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Antes de orar, um instante

Homem de camisa azul com as mãos unidas sobre uma Bíblia aberta, numa mesa de madeira.

Para um pouco. Respira devagar, três vezes, e deixa cair a pressa de ser notado, agradecido, lembrado. A oração abaixo nasce de uma frase de Jesus em Mateus 6:3-4: servir sem que a mão esquerda saiba o que a direita faz — e descansar no olhar do Pai, que vê em secreto.

Lê a passagem sem correr. Depois, quando o silêncio assentar, fala com Deus.

kintu tvaM yadA dadAsi, tadA nijadakShiNakaro yat karoti, tad vAmakaraM mA j nApaya|

tena tava dAnaM guptaM bhaviShyati yastu tava pitA guptadarshI, sa prakAshya tubhyaM phalaM dAsyati|(Matthew 6:3,4)

Senhor, tu me conheces: eu quero fazer o bem, e quero que vejam. Mesmo quando sirvo, uma parte de mim espera o agradecimento.

Purifica o que me move. Tira de mim a pressa de ser notado, a conta silenciosa do que já dei, a mágoa de quando ninguém percebe.

Ensina-me a servir como quem lava os pés: por baixo, em silêncio, sem olhar para cima esperando. Que a minha mão esquerda não precise saber o que a direita faz.

Basta-me o teu olhar sobre o que ninguém vê.

Recebe hoje o que eu fizer, e recebe também o meu desejo de ser visto. Amém.

Este artigo faz parte de Orações Vida de Oração

O que Jesus pedia em Mateus 6

A frase da mão esquerda e da mão direita está no Sermão do Monte, logo depois de um aviso: cuidado para não praticar o bem diante dos outros só para ser visto por eles. Jesus fala de três gestos que todo judeu piedoso conhecia — dar esmola, orar e jejuar — e para cada um deles repete o mesmo refrão: faz em secreto, e o teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. Vale ler o trecho inteiro, de uma vez, em Mateus 6.

Repara que Jesus não está condenando a esmola, a oração nem o jejum. O problema não é o gesto; é para onde os olhos vão depois dele. Ele chega a usar uma imagem quase cômica: gente que manda tocar trombeta antes de dar a oferta, para que a rua inteira saiba. A trombeta mudou de forma, mas ainda existe.

E a mão esquerda que não sabe o que a direita faz? É um exagero proposital, do jeito que Jesus gostava de falar. Ninguém consegue, de fato, esconder de si mesmo o que acabou de fazer. O que ele pede é outra coisa: não guardar o registro. Não ficar com a conta aberta, esperando que alguém — Deus, o outro, você mesmo — venha pagar.

Fica um pouco com esta pergunta, sem responder depressa: depois de fazer o bem, para onde você olha? Para a pessoa que ajudou? Para quem viu? Ou para o Pai?

Quando a vontade de ser visto não vai embora

Talvez você reze esta oração hoje e amanhã perceba, de novo, aquela espera pelo "obrigado". Isso não quer dizer que a oração falhou. A própria oração já sabia disso: ela não pede que o desejo desapareça, pede que Deus o receba.

A tradição contemplativa aprendeu a não brigar com esses movimentos do coração. Pense em água turva: não se limpa mexendo. Aquieta, e o que estava suspenso vai assentando, devagar, até que dê para ver o fundo. A vontade de ser notado é um pouco assim. Quanto mais a gente a empurra, mais ela volta. Quando a trazemos para a luz, nomeada, diante de Deus, ela começa a perder o peso.

A Bíblia também não promete pureza instantânea. O que Jesus promete, em Mateus 6:4, é que o Pai vê. Isso significa que o seu serviço não precisa estar limpo para ser oferecido. Pode ir misturado — o bem e a vontade de ser visto, juntos — e ainda assim ser recebido. Não é essa a boa notícia escondida nesse versículo?

Há, no entanto, um sinal a observar. Se você sente mágoa quando ninguém percebe, isso diz algo. A mágoa é a conta cobrando. Não precisa se condenar por ela; basta notar e voltar à oração: "Tira de mim a conta silenciosa do que já dei."

Como rezar esta oração devagar

Esta não é uma oração para ler de uma vez e passar adiante. Ela foi escrita para ser rezada com pausas.

Primeiro, volta ao versículo e fica com uma palavra só. Pode ser "esquerda". Pode ser "secreto". Pode ser "vê". Deixa que ela se repita dentro de você, como quem respira: inspira, a palavra; expira, o silêncio.

Depois, reza a oração frase por frase. Entre uma e outra, para. Em algumas, você vai sentir resistência — "e quero que vejam" é difícil de dizer em voz alta. Não pula. É justamente ali que a oração está fazendo o seu trabalho.

Ajuda rezá-la antes de um serviço concreto, e não em abstrato: antes de visitar alguém no hospital, antes de uma tarefa na igreja, antes de cuidar de um pai idoso em casa, antes de uma reunião em que você sabe que vai ter que ceder. A oração ganha corpo quando tem um lugar para ir.

E, ao terminar, não corre para a próxima coisa. Fica um minuto no silêncio. O silêncio também é diálogo.

O olhar que basta

Jesus não diz qual é a recompensa que o Pai dá a quem serve em secreto. Ele só diz que o Pai vê — e deixa a frase aberta, como quem confia que isso é suficiente.

A oração termina nesse mesmo ponto: "Basta-me o teu olhar sobre o que ninguém vê." Não é uma promessa de que vamos nos sentir recompensados, nem de que alguém vai, enfim, perceber. É uma entrega. O que foi feito, foi feito; o que ninguém viu, Deus viu. Pode ficar com ele.

Senta com isso por um instante. Em secreto, o teu Pai vê (Mateus 6:4).

É errado gostar de ser agradecido por um serviço que fiz?

Não. Gratidão é um gesto bom, e receber um "obrigado" não anula o que você fez. O que Mateus 6 questiona é outra coisa: fazer o bem para ser visto, ou guardar mágoa quando ninguém nota. A diferença está em onde o coração se apoia — no reconhecimento ou no olhar do Pai.

Como sei se a minha intenção é pura?

A Bíblia não entrega um termômetro para isso, e a tradição cristã desconfia de quem se declara puro. Um sinal honesto é observar o que acontece quando ninguém percebe o que você fez. Se há paz, há pureza suficiente. Se há mágoa, há algo a levar para a oração — sem culpa, apenas com verdade.

Jesus está mandando esconder tudo o que fazemos?

Não. No mesmo Sermão do Monte, em Mateus 5:16, ele diz que a nossa luz deve brilhar diante das pessoas, para que glorifiquem o Pai. O contraste não é entre visível e invisível, mas entre fazer para ser visto e fazer para que Deus seja visto. O que se esconde é a vontade de aplauso, não o bem em si.

Posso rezar esta oração antes de um trabalho voluntário ou ministério?

Pode, e é um dos melhores momentos para ela. A oração foi escrita para preceder um serviço concreto — uma visita, uma tarefa na igreja, o cuidado com alguém em casa. Rezada antes, ela ajusta o olhar antes de as mãos começarem.

E se eu sirvo esperando que Deus me recompense?

Jesus mesmo fala de recompensa em Mateus 6:4, então esperar algo de Deus não é pecado. O que a passagem ensina é a não exigir que essa recompensa seja visível, agora, do jeito que imaginamos. Ele não diz qual é; diz apenas que o Pai vê. Confiar nisso já é parte da humildade que a oração pede.

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