Pular para o conteúdo
Publicidade

Oração e fé: cura à distância e autoridade em Mateus 8

Redação Bíblia Online Publicado em

  • Publicado em .
  • Atualizado em .

Oração por alguém doente que está longe

Homem grisalho de camisa azul segura um livro marrom e olha pela janela.

Esta é uma oração para quem ama alguém doente e não pode estar lá. Ela toma emprestadas as palavras de um centurião que, em Mateus 8:8, pediu a Jesus pela cura de um servo sem conseguir levá-lo até a cama: "basta uma palavra". Quando as mãos ficam vazias — sem poder segurar a mão, levar um copo de água, ficar por perto —, é essa confiança que sobra.

தத​: ஸ ஸ²தஸேநாபதி​: ப்ரத்யவத³த், ஹே ப்ரபோ⁴, ப⁴வாந் யத் மம கே³ஹமத்⁴யம்ʼ யாதி தத்³யோக்³யபா⁴ஜநம்ʼ நாஹமஸ்மி; வாங்மாத்ரம் ஆதி³ஸ²து, தேநைவ மம தா³ஸோ நிராமயோ ப⁴விஷ்யதி|(Matthew 8:8)

Um fôlego em silêncio. E então, quando estiver pronto, a oração começa.

Senhor, há alguém que eu amo doente e longe de mim. Não posso estar ao lado dessa cama, nem segurar essa mão, nem saber como foi a noite.

Não mereço que entres na minha casa, mas basta uma palavra tua. Diz essa palavra sobre o corpo que está longe dos meus braços. Toca a dor que eu não alcanço. Dá descanso a quem está acordado com medo, e força a quem está cuidando.

Onde eu não chego, tu já estás. O que eu não posso fazer, eu deixo contigo. Essa vida já estava nas tuas mãos antes de estar nas minhas. Amém.

(Mateus 8:8)

Este artigo faz parte de Orações Cura e Saúde

Quem foi o homem que disse "basta uma palavra"

A cena está em Mateus 8:5-13. Jesus entra em Cafarnaum, uma cidade de pescadores à beira do lago, e um centurião vem ao encontro dele. Centurião era oficial militar romano, homem acostumado a dar ordens e a ser obedecido. Estrangeiro, de fora do povo de Israel. E chega pedindo.

O pedido é por um servo. O texto diz que ele estava em casa, paralítico, sofrendo muito. Não é filho, não é esposa. É alguém que trabalhava para ele — e ainda assim a dor desse homem chegou ao centurião a ponto de tirá-lo de casa e levá-lo para a rua, atrás de um mestre judeu.

Jesus responde que vai até lá e cura. E aqui o centurião faz uma coisa rara: recusa a visita. Não por falta de fé; por excesso dela. Diz que não é digno de receber Jesus debaixo do seu teto, e explica o motivo com a vida que conhece. Ele mesmo é um homem sob autoridade, com soldados sob o seu comando. Diz a um "vai", e ele vai. Diz a outro "vem", e ele vem. Se a palavra dele move soldados, a palavra de Jesus pode mover uma doença.

Uma leitura comum entre os comentaristas é que o centurião também sabia que um judeu entrando na casa de um gentio criaria problema para Jesus, e preferiu poupá-lo. Pode ser. O que o texto registra é a admiração de Jesus: ele se volta para os que o seguiam e diz que não encontrou em Israel fé tão grande. Depois manda o homem para casa, dizendo que lhe seja feito como ele creu. O servo foi curado naquela mesma hora.

Soldado romano gesticula diante de homem de túnica em vila de pedra com aldeões.

Por que a distância não impediu nada

Repare no que o centurião entendeu antes de todo mundo: a palavra não precisa das pernas. Ele vivia disso. Uma ordem dada no quartel acontecia a quilômetros dali, sem que ele saísse do lugar. Por que seria diferente com quem tem autoridade sobre a febre e a paralisia?

É essa a confiança que a oração acima pede emprestada. Você está do lado de fora — de uma cidade, de um país, às vezes só de um quarto de hospital onde não pode entrar. Sua voz chega pelo telefone, mas suas mãos não. E a oração não tenta esticar as suas mãos. Ela se dirige a quem já está lá.

Pense nisso um instante. Deus não precisa viajar até a cama da pessoa que você ama. Ele não está ausente de lá enquanto você está aqui. A distância que pesa tanto sobre você não existe para ele. Quando você diz "basta uma palavra tua", não está pedindo que Deus se desloque — está reconhecendo que ele nunca saiu.

Isso muda o que a oração é. Ela deixa de ser um esforço para alcançar e vira um descanso em quem alcança.

Quando a cura não vem

Há uma pergunta que fica debaixo de toda oração por doente, e é melhor olhar para ela do que fingir que não está ali: e se a palavra não vier? E se a pessoa não melhorar?

A história do centurião termina com cura. Nem toda história termina assim, e a própria Bíblia não esconde isso. Paulo, que viu gente levantar de leito de doença, deixa um companheiro enfermo em Mileto e segue viagem (2 Timóteo 4:20). Não há explicação ao lado do versículo. Só a notícia, e a vida que continua.

Por isso a oração acima pede — não decreta. "Diz essa palavra" é o pedido de quem sabe que a palavra é de Deus, não sua. E a última frase é a mais difícil de dizer com honestidade: "o que eu não posso fazer, eu deixo contigo." Quando se chega aí, a oração parou de ser sobre controlar o resultado e virou sobre confiar o resultado a alguém.

Pode doer rezar assim. Pode ser que a frase saia pela metade, e que a metade seja tudo o que você tem hoje. Tudo bem. O centurião também não disse muito.

Rezar por quem está longe no meio do dia

Esperar notícia é uma forma própria de cansaço. O telefone vibra e o coração dispara; não vibra e o coração dispara também. A tradição contemplativa aprendeu, ao longo dos séculos, que momentos assim não pedem muitas palavras. Pedem uma só, repetida.

"Basta uma palavra tua." Pode ser essa. Quando o nome da pessoa aparecer na tela, antes de atender. Quando você se pegar imaginando o pior às três da tarde. Quando deitar e não dormir. Uma frase inteira que cabe num fôlego, e depois silêncio — porque o silêncio também é parte da conversa.

Vale rezar também por quem está perto da cama no seu lugar: a enfermeira do turno da noite, o irmão que conseguiu ir, a vizinha que levou comida. A oração acima pede força para "quem está cuidando" porque esse alguém existe, e quase ninguém reza por ele.

E vale perguntar, em silêncio, o que está de fato nas suas mãos. Uma mensagem curta, sem frase bonita, dizendo só que você pensou nela hoje. Uma ligação de dois minutos. Às vezes isso é toda a presença que se pode oferecer — e às vezes é exatamente a que faltava.

Uma palavra só

O servo do centurião nunca viu Jesus. Não ouviu a voz dele, não sentiu a mão dele, não soube o que o patrão foi fazer na rua. Estava deitado, longe, doente. E foi curado assim mesmo, por uma palavra dita onde ele não estava.

A pessoa que você ama também está longe. E a palavra que você pede também não precisa atravessar estrada nenhuma.

Respira. Diz a frase mais uma vez, devagar. E deixa o resto no silêncio, onde Deus também escuta.

A Bíblia conta outros casos de cura à distância?

Sim. Em João 4:46-54, um oficial pede a Jesus, em Caná, pelo filho que está morrendo em Cafarnaum; Jesus diz que o filho vive, e os servos encontram o pai no caminho com a notícia de que a febre passou naquela mesma hora. Em Marcos 7:24-30, uma mulher da região de Tiro pede pela filha, que está em casa, e volta para encontrá-la curada. Em nenhum dos casos Jesus precisou ir até o doente.

Posso pedir cura mesmo sem saber se é a vontade de Deus?

Pode. O centurião não sabia o que Jesus ia responder e pediu assim mesmo. Pedir é diferente de exigir: a oração diz o que você deseja com todas as letras e entrega a decisão a quem sabe mais. O próprio Jesus, no Getsêmani, pediu que o cálice passasse e, em seguida, deixou a escolha com o Pai (Mateus 26:39). Essa é a forma madura do pedido.

Preciso saber detalhes da doença para orar bem?

Não. O centurião resumiu em uma frase: paralítico, sofrendo muito. Deus não precisa do laudo. Se você sabe pouco, reze com o pouco; se souber mais, nomeie o que souber. O que a oração precisa é do nome da pessoa e da sua honestidade, não do prontuário.

Como rezar por alguém doente que não tem fé?

Do mesmo jeito. O servo do centurião não pediu nada — quem pediu foi outro, por ele. A fé que Jesus elogiou naquela cena foi a de quem intercedeu, não a de quem estava na cama. Reze pelo corpo, pelo descanso, pela paz da pessoa; o que Deus fará com isso é dele.

Seja o primeiro

Este artigo te tocou? Faça uma oração!

+581 estão orando agora.

Junte-se à corrente de oração.