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Renovação da esperança e o cansaço dos anos: uma oração

Redação Bíblia Online Publicado em

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Antes de orar

Idoso sentado em poltrona, com um livro aberto no colo, em sala com janela e estantes.

A oração está logo abaixo. Antes de rezá-la, pare um instante onde você está. Solte os ombros. Respire fundo uma vez, devagar, e deixe o ar sair sem pressa.

Os anos de espera deixam uma marca que não aparece de fora: a esperança vai ficando fina, como uma vela que queimou tempo demais. Não precisa esconder isso de Deus. Ele já sabe.

Uma pergunta só, para levar à oração: o que pesa mais hoje — a demora em si, ou o medo de ter esperado em vão?

Este artigo faz parte de Orações Vida de Oração

Oração pela renovação da esperança

Senhor, os anos passaram e o que esperei de ti ainda não aconteceu. Tu conheces este cansaço: a esperança que foi minguando, o medo de ter esperado em vão. Abraão esperou contra a esperança e não enfraqueceu na fé. Eu enfraqueci. Não te escondo isso. Tu chamas à existência o que ainda não é. Chama de novo a esperança neste coração. Livra-me da amargura, da pressa e de comparar a minha vida com a de outros. Convence-me, devagar, de que podes cumprir o que prometeste. Entrego-te os anos que se foram e o futuro que não posso apressar. Em ti eu descanso e espero. Amém.

(Romanos 4:20-21)

O que Abraão esperou

A oração ecoa duas frases de Paulo sobre Abraão, em Romanos 4:20-21. Vale ler devagar, porque ali está um homem que conheceu de perto o cansaço dos anos.

Yet he did not waver through disbelief in the promise of God, but was strengthened in his faith and gave glory to God, being fully persuaded that God was able to do what He had promised.(Romans 4:20,21)

Abraão recebeu uma promessa quando já era velho: um filho, e dele um povo. Depois, nada. O texto diz que ele considerou o próprio corpo "já amortecido", perto dos cem anos, e o ventre de Sara igualmente sem vida (Romanos 4:19). A promessa envelheceu junto com ele. Foram cerca de vinte e cinco anos entre a palavra e o nascimento de Isaque.

Paulo descreve esse tempo com uma expressão estranha e exata: Abraão "esperou contra a esperança" (Romanos 4:18). Quer dizer, continuou esperando quando já não havia motivo humano para isso. E o Deus em quem ele confiou é apresentado como aquele que "chama à existência as coisas que não existem" (Romanos 4:17) — não o que ajeita o que já está lá, mas o que faz nascer o que não é.

Homem idoso de barba grisalha olha o céu estrelado ao lado de tendas e rebanhos no deserto.

Gênesis conta a cena por trás disso: Deus leva Abraão para fora da tenda, à noite, e lhe pede que conte as estrelas, se puder. "Assim será a tua descendência" (Gênesis 15:5). Um homem sem filhos olhando um céu que não cabia na contagem. É isso que Paulo tem em mente ao dizer que ele não enfraqueceu.

Aqui cabe uma honestidade. Gênesis também registra que Abraão riu quando a promessa foi repetida (Gênesis 17:17) e que tentou apressar o resultado por outro caminho (Gênesis 16). A fé que Paulo elogia não foi uma fé sem tropeço. Uma leitura comum entre cristãos é que Paulo olha o arco inteiro da vida de Abraão, não cada dia dela — e no arco inteiro, ele não largou a mão de Deus. Isso importa para quem reza esta oração cansado: dizer "eu enfraqueci" não é sair da história de Abraão. É entrar nela.

Vale lembrar também o lugar da passagem em Romanos. Paulo não está escrevendo um tratado sobre espera; está mostrando que Abraão foi aceito por Deus pela fé, antes de qualquer obra (Romanos 4:3). A espera longa é o cenário onde essa fé aparece. Quem quiser ver o trecho inteiro pode ler Romanos 4:17-21.

Como rezar esta oração devagar

Uma oração assim não é para ser dita de uma vez e esquecida. Ela pede o ritmo de quem lê a Bíblia pausadamente: uma frase, um silêncio, a mesma frase de novo.

Leia a oração inteira uma vez, só para conhecer o caminho. Depois volte ao começo e vá frase por frase. Quando uma delas tocar em alguma coisa — um aperto no peito, uma lembrança, um nome — pare ali. Não é preciso terminar. Repita essa frase baixinho, duas ou três vezes, e deixe que ela diga por você o que você não sabia dizer.

Talvez seja "eu enfraqueci". Talvez seja "não posso apressar". Qual frase ficou? Essa é a sua oração hoje. O resto pode esperar até amanhã.

E quando acabarem as palavras, fique mais um pouco. O silêncio depois da oração não é a oração acabando; é Deus ainda ali, e você ainda ali, sem precisar produzir nada. A tradição contemplativa chama isso de escuta. Não é esperar uma voz. É deixar de preencher o espaço.

Quando a espera continua

Rezar pela renovação da esperança não encurta a espera. Abraão rezou, acreditou, e continuou sem filho por muitos anos. A Bíblia não promete que o tempo passa a andar mais rápido para quem confia.

O que o texto mostra é outra coisa, mais quieta. Paulo diz que Abraão "se fortaleceu, dando glória a Deus" (Romanos 4:20) — e isso antes de Isaque nascer, não depois. A glória veio no meio da espera, não no fim dela. Algo mudou no homem enquanto nada mudava ao redor.

Pode ser que a oração faça isso em você também, sem que o relógio se mexa. Uma amargura que afrouxa. Uma comparação que perde a força. O cansaço, que continua, mas já não vem sozinho.

E há uma pergunta que a passagem deixa aberta, sem responder por você: o que, afinal, você está esperando — a coisa prometida, ou aquele que prometeu? Abraão parece ter aprendido, devagar, a esperar o segundo. Não é uma lição que se aprende de uma vez. É uma que se volta a aprender cada noite em que a resposta ainda não chegou.

Uma frase para levar

Se o dia já pesa demais para a oração inteira, leve só o fim dela. Diga uma vez, devagar, como quem solta uma pedra que carregou tempo demais:

"Entrego-te os anos que se foram e o futuro que não posso apressar. Em ti eu descanso e espero. Amém."

raniel danese
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