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Oração por serenidade na espera e Salmo 56

Redação Bíblia Online Publicado em

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Para quem está esperando uma resposta

Mulher de cabelo cacheado, de olhos fechados, sentada no sofá com uma Bíblia aberta no colo.

Esta oração é para a espera: a de um resultado, de uma resposta, de uma notícia que ainda não chegou e que você não tem como apressar. Ela pede duas coisas, nada mais: serenidade enquanto as horas passam, e cuidado com os pensamentos, que nesses dias costumam correr à frente de tudo.

Ela nasce de uma frase do Salmo 56, dita por alguém que tinha medo de verdade:

Respire uma vez, devagar. Depois reze.

Senhor, eu estou esperando. A resposta ainda não veio — um resultado, uma decisão, uma notícia — e a minha mente corre na frente, inventando o que ainda não aconteceu.

Tu sabes o que eu temo. Guarda os meus pensamentos: tira deles o que é só medo, deixa neles o que é verdade. Quando a espera apertar, lembra-me de respirar antes de imaginar.

Quando eu estiver com medo, eu confio em ti. Eu não sei o que vai chegar; eu sei quem está comigo enquanto não chega.

O que eu não controlo, eu deixo nas tuas mãos. A espera é minha, mas eu não estou só nela. Amém.

A frase que atravessa esta oração está no Salmo 56:3.

Este artigo faz parte de Orações Ansiedade e Medo

Um salmo escrito no meio do medo

O título do Salmo 56 o situa num momento preciso: quando os filisteus prenderam Davi em Gate. A história está em 1 Samuel 21. Fugindo de Saul, que queria matá-lo, Davi procurou abrigo justamente na terra dos inimigos de Israel — e foi reconhecido ali. Atrás dele, um rei. À frente, uma cidade que podia acabar com ele a qualquer hora.

Ele não sabia como aquilo terminaria. É daí que vem a frase.

Repare que o salmo não começa sereno. Começa num pedido de socorro: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, porque homens me perseguem". A calma não é o ponto de partida; é o que se pede. E o versículo 3 não diz "se eu tiver medo", como quem admite uma possibilidade distante. Diz "quando". O medo é dado como certo. O que se decide é o que fica ao lado dele.

Uma leitura antiga desse versículo observa que Davi não pede para o medo ir embora. Ele coloca a confiança no mesmo lugar onde o medo está, e deixa os dois ali, lado a lado. Talvez seja isso que você também possa fazer hoje: não expulsar o que sente, mas pôr alguma coisa junto dele.

O Salmo 56 inteiro é curto, e vale ler devagar. Repare como a mesma pergunta volta duas vezes, no versículo 4 e no 11, como uma respiração: "que me pode fazer o homem?". Quem repete uma frase assim não está afirmando uma certeza. Está voltando a ela.

Jovem encostado em parede de barro observa soldados armados passando por um beco antigo.

A espera tem muitos nomes

O exame que ficou no laboratório. A entrevista que terminou com "entraremos em contato". A decisão de um juiz, de uma banca, de alguém que ainda não respondeu. A mensagem enviada e lida, sem resposta. A notícia de um filho que viajou. A proposta que depende de outra pessoa.

São esperas diferentes, e a mesma. Em todas há algo que saiu das suas mãos e um espaço vazio onde a resposta ainda não está. E a mente, que não suporta espaço vazio, começa a preenchê-lo.

O que ela está colocando ali, nesse vazio? Cenários inteiros, com começo, meio e fim, nenhum deles acontecido ainda. Conversas que ainda não existiram. É curioso: quem espera costuma sofrer duas vezes — uma por antecipação, outra se a notícia vier ruim. E uma dessas vezes é sempre invenção.

Por isso a oração acima não pede uma resposta. Pede serenidade para o intervalo. O intervalo é o que você tem agora. É nele que Deus está, e não no resultado que ainda não veio.

O que significa pedir proteção para a mente

Pedir que Deus guarde os pensamentos não é pedir para parar de pensar, nem para deixar de sentir. É pedir companhia dentro da própria cabeça.

O mesmo salmo mostra como essa companhia funciona:

You count my wanderings.

You put my tears into your container.

Aren’t they in your book?(Psalms 56:8)

A imagem é concreta: alguém que anota cada lamento e recolhe as lágrimas num odre, como se fossem água que não se pode desperdiçar. Davi não esconde o medo de Deus; ele o entrega para ser contado. O que você sente nesta espera não precisa ser disfarçado antes de ser rezado. Pode ser levado inteiro.

Séculos depois, Paulo, preso e também esperando, escreve que a paz de Deus "guardará o coração e a mente" de quem apresenta a Ele os seus pedidos — está em Filipenses 4:6-7. A palavra que ele usa para "guardar" é a de uma sentinela postada na porta de uma cidade. O texto não diz que os pensamentos param. Diz que há alguém de guarda enquanto eles passam.

Essa é a diferença entre esvaziar a mente e confiá-la. A primeira coisa quase ninguém consegue. A segunda é um movimento pequeno, que se repete quantas vezes for preciso.

Como levar a oração pelo dia

A oração inteira não cabe em cada hora de espera. Uma linha cabe.

Uma prática antiga da tradição contemplativa cristã é rezar com a respiração: uma frase curta da Escritura, dividida em dois. Ao inspirar, "quando eu estiver com medo". Ao expirar, "confio em ti". Nada mais. Não é uma técnica para produzir calma — se fosse, a Bíblia a chamaria de outro nome. É um caminho de volta, para quando a mente foi longe demais.

Quando perceber que os cenários começaram de novo — na fila, no trânsito, ao olhar o telefone pela décima vez — não brigue com eles. Apenas volte à frase. Uma vez. Depois outra. Como quem volta à margem depois de ser levado pela corrente, sem culpa por ter sido levado.

Pode ajudar escolher um sinal para lembrar: toda vez que olhar o relógio, toda vez que o telefone vibrar. O sinal não muda a espera. Muda quem você está sendo dentro dela.

O que esta oração não pede

Ela não pede que o resultado seja bom. Pode ser que seja; pode ser que não. A Bíblia não promete que toda espera termina do jeito que se queria, e uma oração honesta não promete por ela.

O Salmo 56 termina com Davi dizendo que Deus livrou a sua vida da morte. Ele saiu de Gate vivo — a história conta como. Mas ele diz isso no fim, depois. No meio, quando ainda não sabia, o que ele tinha era o versículo 3. Era isso que ele segurava: não a certeza de como terminaria, e sim de quem estava ali enquanto não terminava.

Talvez a pergunta desta espera seja essa: você consegue entregar o intervalo sem exigir o desfecho? Confiar não é saber o que vem. É saber com quem se espera.

Antes de fechar os olhos

A espera às vezes atravessa a noite. Se for o caso, reze curto, e depois deixe o silêncio fazer o resto.

Senhor, hoje a resposta não veio. Eu deixo a espera contigo esta noite e volto a ela amanhã. Quando eu estiver com medo, confio em ti. Amém.

(Salmo 56:3)

Bruno FF
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