Por que o diabo é o pai da mentira segundo Jesus?
Por que Jesus chamou o diabo de pai da mentira?
A expressão «pai da mentira» foi usada por Jesus em João 8:44 para definir o diabo como o criador e a fonte original de todo engano. Na linguagem bíblica, chamar alguém de «pai» de algo significa apontar quem gerou aquilo: a mentira não é apenas um comportamento passageiro do maligno, mas a sua própria natureza.
Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.(João 8:44)
No contexto desse diálogo, Jesus confrontava os líderes religiosos no templo de Jerusalém. Eles afirmavam ter Abraão e Deus como pais, mas rejeitavam a mensagem de Cristo e planejavam matá-lo. Jesus esclareceu que a filiação espiritual se revela pelas atitudes: quem odeia a verdade e procura a destruição age em harmonia com o diabo, que foi homicida desde o princípio.
A falsidade e a morte andam juntas nas Escrituras porque o engano sempre tem como objetivo final separar o ser humano de Deus e conduzi-lo à ruína.
As formas do engano nas Escrituras
O texto bíblico alerta que o adversário raramente se manifesta de forma explícita. O apóstolo Paulo advertiu em 2 Coríntios 11:14 que ele se disfarça para parecer digno de confiança:
E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.(2 Coríntios 11:14)
O objetivo desse disfarce é distorcer o entendimento e afastar as pessoas da luz de Deus, conforme registrado em 2 Coríntios 4:4:
nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.(2 Coríntios 4:4)
Além de tentar enganar a humanidade, o texto de Apocalipse 12:9-10 destaca outro papel atribuído ao inimigo: o de acusador, que explora a culpa para gerar desespero e afastar o homem da misericórdia divina:
E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora chegada está a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derribado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite.(Apocalipse 12:9,10)
Na explicação da parábola do semeador em Mateus 13:19, Jesus descreve como a mentira opera de forma imediata: ela age para roubar a mensagem de Deus antes mesmo que ela possa criar raiz:
Ouvindo alguém a palavra do Reino e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho;(Mateus 13:19)
Diante desse cenário, a instrução em 1 Pedro 5:8 pede sobriedade e constante discernimento:
Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;(1 Pedro 5:8)
Como a verdade vence o engano
A Bíblia ensina que a resposta contra a mentira não é a retórica humana, mas a pessoa e a obra de Jesus Cristo. Em João 14:6, Jesus se apresenta como a própria verdade:
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.(João 14:6)
A encarnação de Cristo teve como propósito explícito confrontar e anular o império do engano, segundo 1 João 3:8:
Quem pratica o pecado é do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.(1 João 3:8)
A postura orientada pelo apóstolo Tiago em Tiago 4:7 reúne duas atitudes práticas: a rendição da vontade a Deus e o firme posicionamento contra as ilusões do maligno:
Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.(Tiago 4:7)
Para quem permanece firmado na verdade, o texto de 1 João 5:18-19 traz a garantia de preservação espiritual:
Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus e que todo o mundo está no maligno.(1 João 5:18,19)
Para examinar o diálogo completo entre Jesus e os religiosos sobre verdade e escravidão espiritual, leia João 8.
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