Pular para o conteúdo
Publicidade

Quantos livros tem a Bíblia? Descubra o total por tradição

Três homens de turbante leem livros e pergaminhos à luz de velas numa mesa.

Quantos livros tem a Bíblia

A Bíblia tem 66 livros na edição protestante, 73 na católica e entre 76 e 81 na ortodoxa, dependendo da igreja. O número muda, mas a diferença está toda no Antigo Testamento: o Novo Testamento tem 27 livros em qualquer uma delas, e nisso cristãos de todas as tradições concordam há mais de 1.600 anos.

Dito de outro jeito: a Bíblia que você tem no celular, se for protestante, tem 39 livros no Antigo Testamento e 27 no Novo. Se for católica, tem 46 e 27. Os sete a mais são Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruque, mais alguns trechos extras em Daniel e Ester.

Antes de entrar na conta, vale ver como o próprio Jesus se referia às Escrituras do seu tempo. Ele não falava em "39 livros" — falava em três partes:

Lino wakabaambila wati, "Ngiimajwi ngindakamwaambila, nindakachili andinywe, kuti zyoonse ezi zyeelede kuzuzikizigwa zilembedwe mumulawu waMozesi, akubasinsimi amuntembawuzyo atala andime."(Lukku 24:44)

Lei, Profetas e Salmos (ou Escritos) é a divisão da Bíblia hebraica, a mesma que os judeus usam até hoje. Guarde essa frase, porque ela explica boa parte de onde vem o número 39 e por que ele é diferente nas outras tradições.

| Tradição | Antigo Testamento | Novo Testamento | Total | |---|---|---|---| | Protestante | 39 | 27 | 66 | | Católica | 46 | 27 | 73 | | Ortodoxa grega | 49 | 27 | 76 | | Ortodoxa etíope | até 54 | 27 | até 81 |

Por que o Novo Testamento tem 27 livros em todas as Bíblias

Comece pela parte fácil, porque aqui não há desacordo. O Novo Testamento é o mesmo conjunto de 27 livros para protestantes, católicos e ortodoxos, na mesma ordem.

A divisão costuma ser apresentada assim:

  • 4 Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João

  • 1 livro histórico: Atos dos Apóstolos

  • 13 cartas de Paulo: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemom

  • 1 carta sem autor nomeado: Hebreus

  • 7 cartas gerais: Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas

  • 1 livro profético: Apocalipse

Some: 4 + 1 + 13 + 1 + 7 + 1 = 27.

Você vai encontrar listas que dizem "14 cartas de Paulo". É porque, durante muitos séculos, Hebreus foi atribuída a Paulo e contada no bloco dele. Hoje a maioria dos estudiosos, inclusive evangélicos, considera o autor desconhecido — o texto nunca diz quem escreveu. Mas repare: isso só muda em que pilha Hebreus fica. O total continua 27, com Hebreus contada uma vez só.

E por que 27 e não 25 ou 30? Porque esses eram os escritos que as igrejas do primeiro e segundo século já liam no culto como vindos dos apóstolos ou dos companheiros deles. Isso começou cedo. Paulo pede que uma carta sua seja lida em voz alta e passada adiante para outra igreja:

Alimwi kuti lugwalo oolu lwakumana kubalwa akati kanu, mukalubale lubo mumbungano yakuLayodisiya; mpawo mukabone kuti lwabalwa lubo lugwalo luzwa kuLayodisiya.(BaKkolose 4:16)

E Pedro, ainda no primeiro século, já coloca as cartas de Paulo no mesmo nível das "outras Escrituras":

Olha o que isso significa: a ideia de que os escritos apostólicos eram Escritura não foi inventada por um concílio séculos depois. Ela aparece dentro do próprio Novo Testamento. O que os concílios fizeram, como veremos adiante, foi reconhecer e fechar uma lista que as igrejas já usavam.

Os 39 livros do Antigo Testamento protestante

A Bíblia protestante tem 39 livros no Antigo Testamento, divididos em cinco grupos:

  • 5 livros da Lei (Pentateuco): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio

  • 12 livros históricos: Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester

  • 5 livros poéticos e de sabedoria: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares

  • 5 Profetas Maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel

  • 12 Profetas Menores: de Oseias até Malaquias

Some: 5 + 12 + 5 + 5 + 12 = 39.

Aqui tem um detalhe que confunde muita gente. A Bíblia hebraica, a dos judeus, tem exatamente o mesmo conteúdo — mas contado como 24 livros, não 39. Não falta nada; a conta é que é diferente. Os doze Profetas Menores formam um livro só. 1 e 2 Samuel são um livro, 1 e 2 Reis também, 1 e 2 Crônicas também, e Esdras e Neemias são um só. Quando a Bíblia foi traduzida para o grego, esses livros ficaram longos demais para um rolo só e foram divididos. Daí 24 virou 39.

A ordem também é outra. Os judeus organizam em três partes, e é a essa divisão que Jesus se refere em Lucas 24:44:

  • Torá (Lei): os cinco livros de Moisés

  • Nevi'im (Profetas): Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze

  • Ketuvim (Escritos): Salmos, Jó, Provérbios, Rute, Cantares, Eclesiastes, Lamentações, Ester, Daniel, Esdras-Neemias e Crônicas

Repare que a Bíblia hebraica termina em Crônicas, não em Malaquias. Isso ajuda a entender uma frase de Jesus que parece estranha à primeira vista:

kuzwa kubulowa bwa Abbelo kuyosika kubulowa bwaZakkariya, ooyo wakafwa akati kaŋanda yaLeza achipayililo abusena busalala. Iyi ndambwaambila buyoyitwa kumazyalani aaya!(Lukku 11:51)

Abel morre em Gênesis 4, o primeiro livro. Zacarias, filho do sacerdote Joiada, é morto no pátio do templo em 2 Crônicas 24 — o último livro, na ordem hebraica. Uma leitura comum entre intérpretes, e que eu acho convincente, é que Jesus está dizendo "do começo ao fim das Escrituras", usando o primeiro e o último mártir da Bíblia que ele tinha nas mãos. Isso é interpretação, não algo que o texto afirme com todas as letras — mas se estiver certa, mostra que a Bíblia de Jesus tinha os mesmos limites da Bíblia hebraica de hoje.

E é esse o argumento central da tradição protestante para ficar nos 39: são os livros que os judeus, o povo a quem essas Escrituras foram confiadas, reconheciam como Palavra de Deus no tempo de Jesus. O Novo Testamento cita o Antigo centenas de vezes, e nenhuma dessas citações vem dos sete livros a mais da Bíblia católica.

Os 7 livros que estão na Bíblia católica e não na protestante

A Bíblia católica tem 46 livros no Antigo Testamento. Os sete a mais são:

  • Tobias

  • Judite

  • 1 Macabeus

  • 2 Macabeus

  • Sabedoria (ou Sabedoria de Salomão)

  • Eclesiástico (também chamado Sirácida; não confundir com Eclesiastes)

  • Baruque

Além deles, Daniel e Ester aparecem mais longos. Daniel ganha a oração de Azarias e o cântico dos três jovens dentro do capítulo 3, e mais dois capítulos no fim: a história de Susana e a de Bel e o Dragão. Ester ganha cerca de cem versículos extras, com orações e decretos. Como são acréscimos a livros que já existem, não mudam a contagem: 39 + 7 = 46.

Os católicos chamam esses livros de deuterocanônicos — "segundo cânon", no sentido de reconhecidos num segundo momento. Os protestantes costumam chamá-los de apócrifos, palavra que originalmente quer dizer "escondidos" e que ganhou o sentido de "fora do cânon". São dois nomes para o mesmo conjunto; qual você usa já diz de que lado está.

De onde vêm esses livros? Da Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento feita entre os séculos III e I antes de Cristo para os judeus que viviam fora da Palestina e já não liam hebraico. A Septuaginta circulava com esses livros a mais, e foi ela que a igreja primitiva, de língua grega, adotou. Como Tobias, Judite e os outros estavam nos mesmos rolos, muitos cristãos passaram a lê-los junto.

Mas a aceitação nunca foi unânime. Jerônimo, que traduziu a Bíblia para o latim por volta do ano 400, dizia que esses livros serviam para edificação, não para firmar doutrina, porque não existiam no cânon hebraico. Essa foi a posição que Lutero retomou no século XVI: na Bíblia dele, os sete livros foram colocados numa seção separada entre os testamentos, com a nota de que eram "bons e úteis de ler", mas não Escritura. Com o tempo, as edições protestantes passaram a omitir essa seção.

A resposta católica veio no Concílio de Trento, em 1546, que declarou os sete livros canônicos de forma definitiva. Até aquele momento, a questão estava em aberto dentro da própria igreja — havia bispos e teólogos que seguiam Jerônimo. Trento fechou a porta.

Vale dizer com clareza, porque é aqui que a visão de cada tradição entra: eu escrevo da perspectiva evangélica, que não considera esses livros inspirados, pelas razões do item anterior — não estavam na Bíblia dos judeus, não são citados como Escritura no Novo Testamento. Mas um cristão católico tem razões próprias, honestas e antigas para a posição dele, começando pelo fato de que a igreja dos primeiros séculos leu a Septuaginta. E, de qualquer lado, ninguém precisa ter medo desses livros: 1 e 2 Macabeus, por exemplo, contam a história dos judeus entre Malaquias e os Evangelhos, e ajudam a entender o mundo em que Jesus nasceu.

Por que a Bíblia ortodoxa chega a 76 livros ou mais

As igrejas ortodoxas também seguem a Septuaginta, mas uma Septuaginta um pouco mais larga. A Bíblia ortodoxa grega tem tudo o que a católica tem e ainda acrescenta:

  • 1 Esdras (chamado de 3 Esdras em algumas edições, para não confundir com o Esdras canônico)

  • Oração de Manassés

  • Salmo 151

  • 3 Macabeus

Com isso o Antigo Testamento chega a 49 livros, e o total a 76. 4 Macabeus costuma aparecer num apêndice, sem o mesmo status.

A Igreja Ortodoxa Etíope tem o cânon mais largo de todos: até 81 livros, incluindo Enoque e Jubileus, escritos que nenhuma outra tradição cristã considera Escritura. Por isso você vê o número "76 a 81" — depende de qual igreja ortodoxa, e mesmo dentro de cada uma a lista exata nem sempre foi fixada com a precisão de Trento.

Note o padrão: quanto mais uma tradição se apoia na Septuaginta grega, maior o Antigo Testamento dela. Quanto mais se apoia no cânon hebraico, menor.

Como se decidiu quais livros entrariam

A pergunta que fica é: quem escolheu? E a resposta mais honesta é que ninguém "escolheu" no sentido de sentar e montar uma lista do zero. O que aconteceu foi reconhecimento — ao longo de séculos, as comunidades identificaram quais escritos carregavam autoridade de Deus e quais não.

Para o Antigo Testamento, esse reconhecimento já estava feito antes de Jesus. Quando ele fala em "Lei, Profetas e Salmos", está pressupondo uma coleção conhecida, que ninguém na conversa precisa explicar. Josefo, historiador judeu do primeiro século, fala em 22 livros (outro jeito de contar os mesmos 24) e diz que nada foi acrescentado desde o tempo de Artaxerxes, por volta de 400 anos antes de Cristo.

Para o Novo Testamento, o processo levou mais tempo, e três critérios pesaram:

  1. Origem apostólica — o livro foi escrito por um apóstolo ou por alguém do círculo direto deles, como Marcos (companheiro de Pedro) e Lucas (companheiro de Paulo).

  2. Uso nas igrejas — o livro era lido no culto em igrejas espalhadas pelo Império Romano, não só numa região.

  3. Coerência — o que o livro ensinava batia com a fé recebida dos apóstolos.

Os quatro Evangelhos, Atos, as cartas de Paulo, 1 Pedro e 1 João foram aceitos muito cedo, sem discussão. Alguns livros menores — Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse — levaram mais tempo em algumas regiões, exatamente porque eram curtos, circularam menos ou tinham autoria debatida. Nenhum livro que ficou de fora chegou perto de entrar.

A primeira lista com exatamente os 27 livros que temos hoje está numa carta de Atanásio, bispo de Alexandria, escrita em 367 d.C. Os concílios de Hipona (393) e Cartago (397), no norte da África, confirmaram a mesma lista. Repare na ordem dos fatos: a carta e os concílios vêm quase três séculos depois dos apóstolos. Eles não criaram o Novo Testamento; registraram oficialmente o que as igrejas já liam.

Esse reconhecimento se apoiava numa convicção que o próprio texto declara sobre si mesmo:

Woonse malembe akayoyelwa aLeza alimwi alabeleka kukuyiisya akukukalalila akukululamika akukulayilila mubululami,(2 Timoti 3:16)

Paulo escreve isso a Timóteo falando, em primeiro lugar, do Antigo Testamento que Timóteo aprendeu desde criança. Mas o princípio é o que orientou a igreja ao reconhecer também os escritos apostólicos: se é Palavra de Deus, não é a igreja que lhe dá autoridade — a igreja só a reconhece.

Tudo isso — do primeiro livro de Moisés ao Apocalipse — foi escrito ao longo de cerca de 1.500 anos, por mais de quarenta autores, em hebraico, aramaico e grego koiné. É impressionante que um conjunto tão disperso tenha chegado a uma lista estável. Mas essa história, de como cada livro foi escrito e preservado, é outra conversa.

O que fica para quem lê

Quando Jesus disse aos discípulos que tudo o que estava escrito "na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos" falava dele, ele não estava fazendo uma lista. Estava dizendo que aquela coleção inteira — não importa se você conta 24, 39 ou 46 — tinha um assunto só.

Leia Lucas 24 completo e veja o que ele faz com essas Escrituras nos versículos seguintes.

A Bíblia tem 66 ou 73 livros? Qual está certa?

Depende da tradição cristã. A protestante tem 66 porque segue o cânon hebraico no Antigo Testamento, com 39 livros. A católica tem 73 porque inclui sete livros da Septuaginta grega (Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruque), somando 46 no Antigo Testamento. Os 27 livros do Novo Testamento são idênticos nas duas. A diferença tem raízes históricas sérias dos dois lados e foi fixada de forma definitiva só no século XVI.

Quantos capítulos e versículos tem a Bíblia?

A Bíblia protestante tem 1.189 capítulos: 929 no Antigo Testamento e 260 no Novo. O número de versículos varia um pouco conforme a tradução, mas fica em torno de 31.100. A divisão em capítulos foi feita por Estêvão Langton, no século XIII, e a numeração de versículos do Novo Testamento por Robert Estienne, em 1551. Nenhuma dessas divisões estava nos textos originais; são ferramentas de localização.

Qual é o maior e o menor livro da Bíblia?

Em número de capítulos, o maior é Salmos, com 150. Em quantidade de texto, Jeremias é o mais longo. O menor é 2 João, com apenas 13 versículos, seguido de perto por 3 João, Filemom, Judas e Obadias, que têm um só capítulo cada.

Os livros apócrifos podem ser lidos por evangélicos?

Podem. A tradição protestante não os considera inspirados nem base para doutrina, mas desde Jerônimo e Lutero eles foram reconhecidos como leitura útil, especialmente para história. 1 e 2 Macabeus, por exemplo, narram o período entre o Antigo e o Novo Testamento e explicam a origem da festa de Hanucá, mencionada em João 10:22 como "festa da dedicação". A recomendação é lê-los como se lê um livro de história antiga, não como Escritura.

Por que a Bíblia hebraica tem 24 livros e a protestante 39, se o conteúdo é o mesmo?

Porque a forma de contar é diferente, não o conteúdo. Na Bíblia hebraica, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas e Esdras-Neemias são um livro cada, e os doze Profetas Menores formam um único livro chamado "Os Doze". Quando esses textos foram traduzidos para o grego, foram divididos em rolos menores, e a contagem de 24 virou 39. Não há um versículo a mais ou a menos entre as duas.

Maria Clara de Paula Istrisoski pastanaClaudio Martins de Souza
2 deram Amém

Este artigo te tocou? Faça uma oração!

+581 estão orando agora.

Junte-se à corrente de oração.