Qual o significado da ressurreição de Jesus? As 4 respostas
O que a ressurreição de Jesus significa
A ressurreição de Jesus significa que Deus aceitou a morte dele na cruz como pagamento pelo pecado, confirmou que ele é de fato o Filho de Deus, e quebrou o poder da morte — não só para Jesus, mas para todo aquele que está unido a ele. Em uma frase: a cruz é o lugar onde a dívida foi paga; o túmulo vazio é o recibo.
Olha, isso não é um detalhe bonito no fim da história. É o fato que segura o cristianismo inteiro. Paulo chega a dizer que, se Cristo não ressuscitou, a fé cristã é inútil e quem crê continua no pecado. Nenhuma outra religião depende tanto de um único acontecimento verificável.
Então a pergunta "o que significa a ressurreição" tem na verdade quatro respostas, e elas se apoiam uma na outra: ela garante o perdão, revela quem Jesus é, derrota a morte e inaugura uma vida nova que começa agora. Cada uma delas tem passagem bíblica própria, e é isso que o resto desta página mostra — junto com o que aconteceu naquele domingo e por que os primeiros cristãos tinham tanta certeza.
O que aconteceu no terceiro dia
Jesus morreu numa sexta-feira à tarde, às vésperas do sábado judaico. José de Arimateia, um homem rico que era membro do conselho judeu, pediu o corpo a Pilatos e o colocou num túmulo novo, cavado na rocha, com uma pedra grande rolada na entrada (Mateus 27:57-60). Os líderes religiosos, lembrando que Jesus tinha anunciado que ressuscitaria, pediram a Pilatos uma guarda. O túmulo foi selado e soldados ficaram ali (Mateus 27:62-66).
No sábado, nada. Na madrugada de domingo, Maria Madalena e "a outra Maria" foram ao sepulcro. Encontraram a pedra removida, o túmulo aberto e um anjo sentado sobre a pedra.
Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham e vejam o lugar onde ele jazia.(Mateus 28:6, NVI)
Vale notar o "como tinha dito". O anjo não apresenta a ressurreição como uma surpresa de Deus, e sim como o cumprimento de algo que Jesus repetiu várias vezes aos discípulos — e que eles nunca entenderam direito (Marcos 8:31). O túmulo vazio é a primeira peça. Mas, sozinho, um túmulo vazio só prova que o corpo não está lá. O que deu certeza aos discípulos foi o que veio em seguida: Jesus apareceu a eles, vivo, com um corpo que podia ser tocado, comendo com eles, durante quarenta dias (Atos 1:3).
Deus aceitou o sacrifício: o perdão está garantido
Imagine que alguém pague uma dívida sua, mas você nunca receba a confirmação de que o pagamento entrou. A dívida pode estar quitada — mas você não tem como saber. A ressurreição é essa confirmação.
Paulo liga as duas coisas numa única frase em Romanos:
Ele foi entregue à morte pelas nossas transgressões e ressuscitou para a nossa justificação.(Romanos 4:25, NVI)
"Justificação" é a palavra que Paulo usa para a declaração de Deus de que a pessoa está em paz com ele, com a dívida zerada. Repare que Paulo não diz que a justificação veio pela morte de Jesus, e sim pela ressurreição. Não porque a cruz não baste, mas porque é a ressurreição que mostra que a cruz bastou. Se Jesus tivesse ficado no túmulo, a conclusão natural seria que ele morreu como qualquer outro condenado — e que o pecado venceu.
É por isso que Paulo, em 1 Coríntios 15, diz que sem a ressurreição os cristãos "ainda estão nos seus pecados". A ressurreição é o sinal de que a oferta foi recebida. Na tradição evangélica histórica, isso costuma ser dito assim: a cruz paga, a ressurreição prova.
A ressurreição confirma quem Jesus é
Jesus fez afirmações enormes sobre si mesmo. Disse que perdoava pecados, que era o caminho até o Pai, que estava antes de Abraão. Qualquer um pode dizer essas coisas. O problema é como verificar.
Paulo abre a carta aos Romanos apontando para a prova:
…foi declarado com poder Filho de Deus pela sua ressurreição dentre os mortos…(Romanos 1:4, NVI)
Isso aqui é importante: o texto não diz que Jesus se tornou Filho de Deus na ressurreição. Ele já era. O que a ressurreição faz é declarar isso publicamente, "com poder" — do mesmo jeito que um juiz não cria a inocência de alguém ao proferir a sentença, mas a torna oficial. Deus ressuscitar Jesus foi o veredito de Deus sobre tudo o que Jesus disse e fez.
Pedro usa o mesmo raciocínio no primeiro sermão cristão, poucas semanas depois, em Jerusalém: a este Jesus, que vocês crucificaram, Deus ressuscitou — e nós somos testemunhas disso (Atos 2:32). O argumento dele é simples: a cidade condenou Jesus como blasfemo; Deus reverteu a sentença da cidade.
A morte deixou de ter a última palavra
Esta é a parte da resposta que a maioria das pessoas procura quando digita "significado da ressurreição" — e é também o versículo que serve de centro para toda a passagem.
Contudo, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias entre aqueles que dormiram.(1 Coríntios 15:20, NVI)
"Primícias" era uma palavra do calendário agrícola de Israel. Antes de colher o campo inteiro, o agricultor levava ao templo o primeiro feixe de cevada que amadurecia (Levítico 23:10-11). Aquele feixe dizia duas coisas: a colheita começou, e o resto está vindo. Ninguém oferecia primícias de um campo que não ia dar fruto.
Quando Paulo chama Jesus de primícias "entre aqueles que dormiram", ele está dizendo exatamente isso: a ressurreição de Jesus não é um caso isolado, um milagre único e encerrado. É o primeiro feixe de uma colheita. O que aconteceu com o corpo dele vai acontecer com o corpo de todo aquele que pertence a ele (1 Coríntios 15:22-23).
Por isso o Novo Testamento chama a morte de cristãos de "dormir". Não é eufemismo para suavizar: é a convicção de que aquele estado tem fim. Paulo termina o capítulo citando os profetas e provocando a morte como quem provoca um inimigo já vencido:
O "aguilhão" é o ferrão, a parte da morte que machuca. Paulo não diz que a morte deixou de existir — cristãos continuam enterrando quem amam. Diz que ela perdeu o ferrão: a separação definitiva, o pecado sem resposta. Para quem está vivendo um luto, essa é a diferença entre despedida e fim.
Uma vida nova que começa agora, não só depois
Seria fácil achar que a ressurreição só diz respeito ao futuro — ao que acontece depois de morrer. O Novo Testamento não deixa isso acontecer.
Pedro, escrevendo a cristãos que estavam sofrendo perseguição, começa a carta assim:
…Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos…(1 Pedro 1:3, NVI)
Uma "esperança viva" é o oposto de uma esperança abstrata. Pedro não diz que os cristãos têm uma ideia agradável sobre o futuro; diz que eles foram gerados de novo — nasceram outra vez — por causa de algo que já aconteceu. A esperança está viva porque Jesus está vivo.
Paulo vai pelo mesmo caminho em Romanos 6: quem é batizado é sepultado com Cristo e, assim como ele foi ressuscitado, passa a viver uma vida nova (Romanos 6:4). O mesmo poder que tirou Jesus do túmulo é o que, segundo ele, dá vida ao cristão hoje (Romanos 8:11). A ressurreição, portanto, não é só o destino do crente; é a fonte da força para viver de outro jeito agora.
Há mais um desdobramento prático que o Novo Testamento repete: porque Jesus está vivo, ele continua agindo. Ele intercede pelos seus (Hebreus 7:25), ele está presente com a igreja (Mateus 28:20). Orar a Jesus só faz sentido porque ele não é um mestre do passado — é alguém vivo.
Por que a fé cristã cai sem a ressurreição
Em Corinto, alguns cristãos haviam começado a duvidar de que mortos ressuscitassem. Paulo não trata isso como uma opinião entre outras. Ele leva o raciocínio até o fim, e o resultado é um dos trechos mais ousados da Bíblia:
Se Cristo não ressuscitou, a fé que vocês têm é inútil, e ainda estão nos seus pecados.(1 Coríntios 15:17, NVI)
Repare na honestidade. Paulo não diz "mesmo que não tivesse ressuscitado, os ensinamentos de Jesus continuariam valendo". Ele diz o contrário: se não ressuscitou, a pregação é inútil, a fé é inútil, os apóstolos são mentirosos e os cristãos são as pessoas mais dignas de pena do mundo (1 Coríntios 15:14-19).
Isso ajuda a entender por que o cristianismo não é, no fundo, um conjunto de valores. Valores não dependem de um túmulo em Jerusalém. A fé cristã depende. Ela afirma que algo aconteceu num lugar e numa data, e que esse algo muda a situação de todo ser humano diante de Deus e diante da morte. Se o fato cair, tudo cai junto. Se o fato ficar de pé, tudo o que esta página descreveu está de pé também.
Quem viu Jesus vivo: as testemunhas
Toda essa certeza se apoiava em pessoas que viram. Paulo, escrevendo por volta do ano 55, registra o que ele mesmo recebeu da igreja anterior a ele — um resumo que já circulava quando ele se converteu, poucos anos depois da cruz. A sequência está em 1 Coríntios 15:3-8: Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro, depois aos Doze, depois a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, depois a Tiago, depois a todos os apóstolos, e por último ao próprio Paulo.
Três detalhes dessa lista valem atenção.
Os quinhentos. Paulo escreve que a maioria deles "ainda vive". Isso é um convite à verificação: os leitores de Corinto podiam procurar essas pessoas. Ninguém faz essa afirmação numa carta pública se não espera ser conferido.
Tiago. O irmão de Jesus não acreditava nele durante o ministério (João 7:5). Depois, aparece liderando a igreja de Jerusalém. Algo aconteceu entre uma coisa e outra, e Paulo diz o que foi: Jesus apareceu a ele.
Paulo. Ele era perseguidor da igreja, e se tornou cristão depois de um encontro com Jesus ressuscitado na estrada de Damasco (Atos 9:1-9). Três anos depois ele subiu a Jerusalém e passou quinze dias com Pedro, conhecendo também Tiago (Gálatas 1:18-19). Ou seja: o resumo que ele transmite aos coríntios é o mesmo das testemunhas diretas.
Há ainda os detalhes que uma história inventada evitaria. As primeiras testemunhas são mulheres, num mundo em que o testemunho feminino tinha pouco peso em tribunal; quem quisesse convencer alguém na época não começaria por elas. Os discípulos, ao ouvir o relato, não acreditaram (Lucas 24:11); Tomé exigiu tocar as feridas (João 20:24-29). E a explicação alternativa mais antiga que se conhece — a de que os discípulos roubaram o corpo — vem dos próprios opositores, que pagaram aos guardas para espalhá-la (Mateus 28:11-15). Ninguém, na época, disputou que o túmulo estava vazio. Disputou-se o motivo.
Nada disso substitui a fé. Mas mostra que a fé cristã nunca pediu para ser crida no escuro: ela nasceu de pessoas que afirmavam ter visto, e que sustentaram isso até a morte.
Ressurreição de corpo, não um espírito que voltou
Uma confusão comum: achar que "ressurreição" quer dizer que a alma de Jesus continuou viva, ou que ele apareceu como uma espécie de visão. Os Evangelhos se esforçam para descartar isso. Jesus ressuscitado diz aos discípulos para tocarem nele, porque "um espírito não tem carne nem ossos" (Lucas 24:39), e come peixe na frente deles (Lucas 24:42-43).
Ao mesmo tempo, não é simplesmente o corpo antigo religado. Ele entra em salas fechadas, nem sempre é reconhecido de imediato. Paulo explica a diferença em 1 Coríntios 15:42-44: o corpo é semeado corruptível e levantado incorruptível, semeado em fraqueza e levantado em poder. É o mesmo corpo — o túmulo ficou vazio — mas transformado para uma vida que não acaba mais.
Isso também separa a ressurreição de Jesus da de Lázaro (João 11). Lázaro voltou à vida de antes e, mais tarde, morreu de novo. Jesus ressuscitou para uma vida sobre a qual a morte não tem mais domínio (Romanos 6:9). Por isso só ele é chamado de primícias.
Tudo o que esta página desdobrou está condensado em 1 Coríntios 15: o resumo da fé, as testemunhas, o que se perderia sem a ressurreição, o primeiro feixe da colheita e a morte sem ferrão. Vale ler 1 Coríntios 15 completo de uma vez, do começo ao fim — é o capítulo que a igreja leu por dois mil anos ao enterrar os seus, e continua sendo o lugar onde Paulo explica melhor por que "Cristo ressuscitou dentre os mortos" é a frase que muda todas as outras.
Como Jesus ressuscitou "ao terceiro dia" se morreu na sexta e ressuscitou no domingo?
Porque os judeus contavam os dias de forma inclusiva: qualquer parte de um dia contava como o dia inteiro. Sexta-feira (morte e sepultamento) é o primeiro dia, sábado o segundo, domingo o terceiro. É a mesma contagem que aparece em outras passagens da Bíblia, como Ester 4:16 e 5:1. Não é uma afirmação de que passaram 72 horas.
Qual é a diferença entre a ressurreição de Jesus e a de Lázaro?
Lázaro, a filha de Jairo e o filho da viúva de Naim voltaram à mesma vida mortal de antes e, mais tarde, morreram. Jesus ressuscitou com um corpo transformado, para uma vida sobre a qual a morte não tem mais domínio (Romanos 6:9). Por isso Paulo o chama de "primícias" em 1 Coríntios 15:20: ele é o primeiro de um tipo novo de vida, e não apenas alguém que foi revivido.
Por que os cristãos se reúnem no domingo?
Porque foi o dia da ressurreição. Os primeiros cristãos, quase todos judeus, começaram a se reunir "no primeiro dia da semana" (Atos 20:7; 1 Coríntios 16:2) para lembrar que Jesus ressuscitou naquele dia. O domingo passou a ser chamado "dia do Senhor" (Apocalipse 1:10). A Páscoa cristã é a celebração anual desse mesmo acontecimento.
O que acontece com quem morre, segundo a doutrina da ressurreição?
A Bíblia ensina que a morte não é o fim da pessoa e que, no retorno de Cristo, os que morreram nele serão ressuscitados com corpos transformados, à semelhança do dele (1 Coríntios 15:51-52; Filipenses 3:21). Sobre o estado entre a morte e essa ressurreição, Paulo fala de estar "com Cristo" (Filipenses 1:23; 2 Coríntios 5:8). Há diferentes ênfases entre as tradições cristãs quanto aos detalhes desse período intermediário, mas o ponto comum é a ressurreição do corpo no fim.
Os Evangelhos se contradizem no relato da ressurreição?
Os quatro relatos diferem em detalhes — quantas mulheres foram ao túmulo, quantos anjos aparecem, a ordem das aparições — como acontece quando várias testemunhas descrevem o mesmo evento de ângulos diferentes. No essencial, concordam: o túmulo foi encontrado vazio no domingo cedo, mulheres foram as primeiras a saber, e Jesus apareceu vivo aos discípulos. A maioria dos estudiosos cristãos entende essas variações como sinal de relatos independentes, não de invenção coordenada.
Este artigo te tocou? Faça uma oração!
+581 estão orando agora.
Junte-se à corrente de oração.