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Explicação do Salmo 91: o significado e a autoria

Mãos seguram uma Bíblia aberta diante de um anjo de asas brancas com braços abertos: "Stalem 91"

O que o Salmo 91 significa

O Salmo 91 é um salmo de confiança: ele descreve o que acontece com quem faz de Deus a própria casa. Não é um contrato contra tudo o que pode dar errado, e sim um retrato — feito com imagens bem concretas, como esconderijo, sombra, asas e escudo — da vida de quem se abriga em Deus. E o salmo termina de um jeito raro: Deus mesmo toma a palavra e diz, em primeira pessoa, o que faz por essa pessoa.

Người nào ở nơi kín đáo của Đấng Chí cao, Sẽ được hằng ở dưới bóng của Đấng Toàn năng. Tôi nói về Đức Giê-hô-va rằng: Ngài là nơi nương náu tôi, và là đồn lũy tôi; Cũng là Đức Chúa Trời tôi, tôi tin cậy nơi Ngài.(Thi Thiên 91:1,2)

Tudo o que vem depois nasce desse primeiro verbo. Quem habita — não quem visita de vez em quando — é o sujeito de todas as promessas. O salmo é anônimo no texto hebraico, foi atribuído a Moisés pela tradição judaica e a Davi pela tradução grega, e se organiza em três vozes: o crente que fala (v. 1-2), alguém que fala ao crente (v. 3-13) e Deus que fala sobre o crente (v. 14-16). O que segue explica cada parte.

Quem escreveu o Salmo 91

Ninguém sabe ao certo. No texto hebraico, o Salmo 91 não tem título — diferente de muitos salmos, que começam com "Salmo de Davi" ou "Cântico de Asafe". Por isso ele é classificado como anônimo: não é que a autoria foi perdida; é que o próprio texto nunca a informou.

Duas tradições antigas tentaram preencher esse vazio.

A primeira é judaica e aponta para Moisés. O Salmo 90, logo antes, traz o título "Oração de Moisés, homem de Deus", e a tradição rabínica registrada no Talmude e no Midrash dos Salmos entendeu que Moisés compôs também os salmos seguintes, até o 100. O argumento tem alguma força: o Salmo 90 termina pedindo que Deus se volte para o seu povo e o sacie, e o Salmo 91 soa como resposta. Para quem viveu as pragas do Egito e a travessia do deserto, falar de peste, de setas e de serpentes não seria metáfora distante.

A segunda tradição aponta para Davi. A Septuaginta, tradução grega feita entre os séculos III e II a.C., acrescentou o título "Louvor de cântico, de Davi". Como Davi é o salmista por excelência e a maior parte do saltério leva o nome dele, essa atribuição também pegou — e é por ela que muitas Bíblias católicas antigas falam em "salmo de Davi".

Vale notar o que isso não muda: o sentido. O Salmo 91 não depende de sabermos quem o escreveu. Ele fala de uma experiência que Moisés, Davi e qualquer pessoa que leia hoje podem reconhecer. A posição evangélica histórica trata o salmo como inspirado e canônico independentemente do autor humano, e nisso há concordância ampla entre as tradições cristãs.

As três vozes do salmo e como ele se organiza

Olha, isso aqui é importante para ler o resto: o Salmo 91 muda de quem fala três vezes, e perceber a troca é o que evita ler as promessas de modo torto.

Primeira voz — o crente (v. 1-2). Alguém anuncia uma verdade geral ("o que habita no esconderijo do Altíssimo…") e depois a assume para si: "Direi do Senhor: ele é o meu Deus, o meu refúgio". É uma confissão de fé. A pessoa diz quem Deus é para ela antes de ouvir qualquer promessa.

Segunda voz — alguém que fala ao crente (v. 3-13). O "tu" aparece: "ele te livrará", "te cobrirá", "não temerás". Muitos estudiosos chamam essa parte de voz profética ou sacerdotal: é como se um sacerdote no templo, ou um levita, respondesse à confissão de fé com uma bênção. Há quem imagine o salmo sendo cantado em alternância, com um lado respondendo ao outro.

Terceira voz — Deus (v. 14-16). O texto muda para "eu": "eu o livrarei", "eu lhe responderei", "com ele estarei na angústia". Não é mais alguém falando sobre Deus; é Deus falando. Em todo o saltério, são poucos os momentos em que isso acontece, e é por isso que o final do Salmo 91 tem o peso que tem.

Essa estrutura dá o movimento inteiro: a confiança sai da boca do crente, é confirmada por uma voz de bênção e, no fim, é selada por Deus. Quem lê o salmo com pressa costuma guardar só a parte do meio — os perigos e a proteção — e perde justamente o começo e o fim, que dizem para quem e por que a proteção existe.

Esconderijo, sombra, asas e escudo: as imagens de proteção (v. 1-4)

Os dois primeiros versículos usam quatro nomes de Deus e quatro palavras para abrigo, e nada disso é enfeite.

Os nomes: Altíssimo (Elyon, em hebraico), que fala de quem está acima de tudo e de todos; Todo-Poderoso (Shaddai), o nome que Deus usa com Abraão em Gênesis 17, ligado a poder e suficiência; Senhor (Yahweh), o nome pessoal e da aliança; e Deus (Elohim). Em duas linhas, o salmista junta a transcendência e a intimidade: o Deus que está acima de tudo é o mesmo que ele chama de "meu".

As palavras de abrigo: esconderijo (seter), lugar secreto onde ninguém acha você; sombra, que no clima do Oriente Próximo é alívio de vida ou morte, não detalhe de paisagem; refúgio (machaseh), lugar para onde se corre quando a ameaça chega; e fortaleza (metsudah), a mesma palavra usada para as fortificações de Davi nas montanhas. Quatro imagens para dizer a mesma coisa de ângulos diferentes: há um lugar seguro, e esse lugar é uma pessoa.

Depois vem a imagem que mais ficou:

Ngài sẽ lấy lông Ngài mà che chở ngươi, Và dưới cánh Ngài, ngươi sẽ được nương náu mình; Sự chân thật Ngài là cái khiên và cái can của ngươi.(Thi Thiên 91:4)

Pássaro de asas abertas abriga três filhotes num ninho entre galhos, sob a chuva.

A figura é a de uma ave que estende as asas sobre os filhotes. A Bíblia usa essa imagem várias vezes para falar de Deus: Deuteronômio 32:11 compara o Senhor a uma águia sobre a ninhada, Boaz fala com Rute sobre o Deus "sob cujas asas" ela veio se abrigar (Rute 2:12), e Jesus retoma a cena ao dizer que quis ajuntar Jerusalém "como a galinha ajunta os seus pintos" (Mateus 23:37). A asa não é uma parede: é algo vivo, quente, que se interpõe entre o filhote e o perigo. Se o perigo atinge alguém, atinge a mãe primeiro.

E o versículo termina mudando de registro: "a sua verdade será o teu escudo e broquel". Da ternura da ave, o salmo salta para o equipamento de guerra. O escudo grande (tsinnah) protegia o corpo inteiro; o broquel era a proteção menor. O que protege, aqui, é a fidelidade de Deus — a palavra hebraica (emet) fala de algo firme, em que se pode encostar. A proteção não é vaga: tem a forma do caráter de Deus.

Laço, peste, terror noturno e seta: as ameaças (v. 3-8)

O salmo não promete proteção abstrata. Ele nomeia perigos, e a lista vale a leitura devagar.

O primeiro é o laço do passarinheiro (v. 3): a armadilha que o caçador de aves esconde no chão. É a imagem do perigo que ninguém vê chegar — a cilada, a traição, o engano. Ao lado dele, a peste perniciosa: a doença que mata sem distinguir ninguém. Um perigo vem de pessoas, o outro vem da natureza; o salmo cobre os dois.

Depois vêm quatro ameaças em pares:

Ngươi sẽ chẳng sợ hoặc sự kinh khiếp ban đêm, Hoặc tên bay ban ngày, Hoặc dịch lệ lây ra trong tối tăm, Hay là sự tàn diệt phá hoại đang lúc trưa.(Thi Thiên 91:5,6)

Terror de noite e seta que voa de dia. Peste que anda na escuridão e destruição que devasta ao meio-dia. O arranjo é proposital: noite e dia, escuro e claro, o que é oculto e o que é visível. Em vez de listar todos os perigos possíveis, o salmista escolhe extremos opostos e deixa que o leitor entenda que tudo o que está entre eles também está coberto. Não há hora do dia nem tipo de ameaça fora do alcance dessa proteção.

Há um detalhe de tradução que vale conhecer. A palavra para "destruição" no versículo 6 (qetev) é rara, e a Septuaginta a traduziu como "demônio do meio-dia". Alguns estudiosos acham que o salmista está usando de propósito nomes que, nos povos vizinhos, designavam espíritos malignos ligados à noite, à doença e ao calor do dia — e dizendo que, para quem habita no Altíssimo, nenhum deles tem poder. Outros leem os termos de modo mais simples, como figuras de perigos naturais. Nas duas leituras, o ponto é o mesmo: o medo que vem de noite e a flecha que vem de dia pertencem à mesma categoria de coisas que não governam a vida do crente.

Os versículos 7 e 8 mudam de escala: "mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido". A cena é de batalha ou de epidemia, com gente caindo em volta, e a pessoa fica de pé no meio disso. O versículo 8 acrescenta que ela verá "a recompensa dos ímpios" — ou seja, o salmo coloca essa cena dentro da ideia de justiça: há um juízo em andamento, e quem se abriga em Deus está do lado protegido dele.

Vale ser honesto aqui, porque é o ponto que mais gera dúvida: isso é linguagem poética de confiança, não estatística. O mesmo saltério tem salmos em que o justo adoece, é perseguido e morre. O Salmo 91 não contradiz esses; ele pinta, em cores fortes, qual é a direção da vida de quem está com Deus. Voltamos a isso mais adiante.

Anjos, pedra no caminho, leão e serpente (v. 9-13)

O versículo 9 recomeça do mesmo lugar do versículo 1: "Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio; fizeste do Altíssimo a tua habitação". Repare na troca: por um instante a primeira voz volta — "meu refúgio" — e depois o texto se dirige de novo ao crente. É como se o salmista não conseguisse falar de proteção sem lembrar que ela é dele também. E a repetição tem função: toda a parte do meio é sustentada por essa condição. A proteção descrita não é um dado da natureza; ela acompanha quem fez de Deus a sua morada.

Dessa condição saem as promessas mais citadas do salmo:

Vì Ngài sẽ ban lịnh cho thiên sứ Ngài, Bảo gìn giữ ngươi trong các đường lối ngươi. Thiên sứ sẽ nâng ngươi trên bàn tay mình, E chân ngươi vấp nhằm hòn đá chăng.(Thi Thiên 91:11,12)

A Bíblia fala de anjos como servos de Deus enviados em favor dos que herdam a salvação, e aqui a tarefa deles é notavelmente comum: impedir que alguém tropece numa pedra. Não é uma batalha cósmica; é o cuidado com o chão onde a pessoa pisa. O salmo coloca a grandeza de Deus a serviço do detalhe pequeno.

Esses dois versículos têm uma história que ajuda a interpretá-los. Foram exatamente eles que o diabo citou a Jesus no deserto, quando o desafiou a se jogar do alto do templo — está em Mateus 4:5-7 e em Lucas 4:9-12. A resposta de Jesus foi outra Escritura: "Não tentarás o Senhor, teu Deus" (Deuteronômio 6:16). Isso diz muito sobre como ler o Salmo 91. A promessa não é um convite para fabricar o perigo e cobrar o resgate. Ela é para quem habita em Deus e segue andando pelo caminho que Deus deu — não para quem pula do telhado para ver se os anjos aparecem. Quando o salmo é usado como se obrigasse Deus, ele está sendo lido do jeito que o tentador leu, não do jeito que Jesus leu.

O versículo 13 fecha a parte do meio com leão e serpente debaixo dos pés. No hebraico são quatro animais — dois tipos de leão e dois de serpente —, e as traduções variam ("áspide", "cobra", "dragão" nas mais antigas). Leão é a força que ataca de frente; serpente é a que ataca escondida. Desde os primeiros séculos, a igreja leu esse versículo também em chave cristológica, vendo em Cristo aquele que pisa a serpente — ligando-o à promessa de Gênesis 3:15. É uma leitura que vai além do sentido imediato, mas que a tradição cristã abraçou com consistência.

Deus toma a palavra: os versículos finais (v. 14-16)

Nos três últimos versículos, Deus fala. E a primeira coisa que ele diz é por que faz tudo isso: "porquanto tão encarecidamente me amou" — ou, numa tradução que acompanha melhor o hebraico, "porque a mim se apegou com amor" (Salmo 91:14). O verbo hebraico (chashaq) é o de alguém que se agarra a quem ama, que não solta. É a mesma palavra usada para o amor de Deus por Israel em Deuteronômio 7:7.

Então a sequência fica clara. O crente se apega a Deus e conhece o seu nome; Deus responde. E responde com uma lista em primeira pessoa que vale ler como lista mesmo, porque cada item é uma promessa distinta:

  • "eu o livrarei" e "o porei num alto retiro" — tirar do perigo e colocar em lugar alto, fora do alcance;

  • "quando me invocar, eu lhe responderei" — a oração não cai no vazio;

  • "com ele estarei na angústia" — e aqui o salmo diz uma coisa que muda tudo;

  • "o livrarei e o glorificarei" — não só resgate, mas honra;

  • "dar-lhe-ei abundância de dias" — vida longa e saciada;

  • "lhe mostrarei a minha salvação" — a promessa final, e a maior.

Pare na terceira. "Com ele estarei na angústia." Se o salmo prometesse que a angústia nunca vem, essa frase não faria sentido. O que Deus promete é a presença dentro dela. Isso reorganiza a leitura de tudo o que veio antes: o escudo, as asas, os anjos não desenham uma vida sem perigos — desenham uma vida em que o perigo nunca encontra a pessoa sozinha.

E a última palavra do salmo é "salvação". Não "segurança", não "saúde", não "sucesso". No Antigo Testamento a palavra (yeshuah) fala de resgate concreto, mas o Novo Testamento a lê no sentido mais amplo e definitivo. Vale notar que é dessa palavra hebraica que vem o nome Jesus. Para um leitor cristão, é difícil chegar ao fim do Salmo 91 sem pensar nisso.

O Salmo 91 promete que nada de ruim vai acontecer?

Essa é a pergunta que quase todo mundo faz, e merece resposta direta: não, não é isso que ele promete — e o próprio salmo mostra por quê.

Primeiro, o versículo 15 pressupõe a angústia, como vimos. Segundo, Jesus, que habitou no Altíssimo como ninguém, foi preso, açoitado e crucificado; os anjos não o seguraram no ar. Terceiro, Hebreus 11 lista pessoas de fé que fecharam a boca de leões e escaparam da espada — e, nos versículos seguintes, pessoas de igual fé que foram serradas ao meio e morreram sem receber o que foi prometido (Hebreus 11:33-39). A Bíblia não esconde isso de quem a lê inteira.

Como entender as promessas, então? Há mais de uma leitura cristã legítima, e é justo apresentá-las.

Uma leitura — a mais comum na teologia evangélica histórica, e a que este texto adota — entende o Salmo 91 como poesia de confiança: ele descreve, com a força própria da poesia hebraica, a forma normal da vida de quem anda com Deus. Deus de fato protege, livra, sustenta, responde, incontáveis vezes e de modos que ninguém registra. Mas o salmo não é uma apólice que exclua toda exceção, e lê-lo assim transforma Deus em devedor e o crente em cobrador. A realização plena das promessas — nenhum mal, vida que não acaba, salvação vista com os olhos — pertence ao fim da história, na ressurreição.

Outra leitura, presente em correntes pentecostais e carismáticas, dá mais peso ao sentido literal e presente das promessas, entendendo que o salmo deve ser reivindicado em fé diante de cada perigo concreto. Quem lê assim costuma apontar, com razão, que o salmo não foi escrito para ficar na teoria. O risco, que os melhores autores dessa corrente também reconhecem, é concluir que quem adoeceu ou sofreu não creu o bastante — conclusão que o livro de Jó e a cruz de Cristo desautorizam.

Há ainda quem leia o salmo em chave messiânica, como descrição daquele que habita perfeitamente em Deus — Cristo — e, por meio dele, de todos os que estão nele.

Em todas essas leituras, uma coisa permanece: a proteção do Salmo 91 não é uma força impessoal, mas a presença de uma pessoa. E é por isso que Paulo pode dizer que nem tribulação, nem perigo, nem espada separam o crente do amor de Deus — não porque essas coisas não venham, mas porque elas não têm a última palavra (Romanos 8:35-39). O Salmo 91 e Romanos 8 dizem a mesma coisa em registros diferentes.

Uma observação histórica ajuda a fechar o ponto. Esse salmo foi usado como amuleto por séculos — gravado em medalhas, escrito em pergaminhos dobrados, pendurado no pescoço. O Talmude o chama de "cântico contra as pragas". Em 2020, durante a pandemia, ele voltou a ser um dos textos mais buscados do mundo. O impulso é compreensível e não é errado em si: o salmo foi feito para ser recitado no medo. O que ele mesmo não permite é virar objeto que funciona independentemente de quem o usa. A proteção é de quem habita; o papel dobrado não habita em ninguém.

Onde o salmo começou

Depois de todos os perigos, dos anjos e da voz de Deus, o Salmo 91 continua sendo o que o primeiro versículo disse: a vida de quem habita no esconderijo do Altíssimo. Habitar é verbo de permanência — não de emergência. E é exatamente por isso que, quando a emergência chega, a pessoa já está no lugar certo.

Leia o Salmo 91 completo, com atenção à primeira voz e à última: a confissão de quem se abriga e a resposta de quem abriga.

O Salmo 91 é de Davi ou de Moisés?

O texto hebraico não traz autor. A tradição judaica, registrada no Talmude, atribui o salmo a Moisés por causa da ligação com o Salmo 90, que leva o nome dele. A Septuaginta, tradução grega antiga, acrescentou um título atribuindo-o a Davi. Nenhuma das duas atribuições muda o sentido do salmo, que é tratado como anônimo pela maioria dos estudiosos.

Por que o Salmo 91 é chamado de salmo da proteção?

Porque praticamente todo o seu conteúdo descreve Deus protegendo quem confia nele: esconderijo, sombra, asas, escudo, anjos. Ele nomeia perigos concretos — laço, peste, terror noturno, seta, leão, serpente — e afirma que nenhum deles governa a vida de quem habita no Altíssimo. Por isso é lido em hospitais, viagens, guerras e epidemias há mais de dois mil anos.

O que significa "mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita"?

É uma cena de batalha ou de epidemia: gente caindo em volta enquanto a pessoa fica de pé. A linguagem é poética e hiperbólica, não uma estatística de sobrevivência. O versículo seguinte liga a cena ao juízo de Deus sobre os ímpios, ou seja, afirma que há uma justiça em curso e que quem se abriga em Deus está do lado protegido dela.

Jesus citou o Salmo 91?

Não foi Jesus quem o citou, mas o diabo, na tentação do deserto (Mateus 4:6 e Lucas 4:10-11), usando os versículos 11 e 12 para desafiar Jesus a se jogar do templo. Jesus respondeu com Deuteronômio 6:16: "Não tentarás o Senhor, teu Deus". O episódio ensina que o salmo não é uma licença para provocar o perigo e exigir o resgate.

Posso orar o Salmo 91 todos os dias?

Pode, e muitos cristãos fazem isso. O salmo foi escrito para ser recitado no medo e na confiança. O cuidado é com a expectativa: ele não é uma fórmula que garante ausência de problemas, e sim a confissão de quem faz de Deus a sua morada. Orá-lo diariamente faz sentido quando a oração acompanha essa vida de habitar em Deus, não quando substitui essa vida.

Carla CamposSuelen Dias
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