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Quem é o Salvador segundo a Bíblia e sua obra

Redação Bíblia Online Publicado em

Jesus é o Salvador — e o nome dele já diz isso

Homem em pé aponta para uma frase na parede enquanto quatro pessoas leem à mesa.

Segundo a Bíblia, o Salvador é Jesus Cristo: aquele que tira o ser humano da condenação do pecado e o devolve a Deus, por meio da própria morte e ressurreição. "Salvador" não é um elogio nem um título honorífico. É a descrição de uma função: salvador é quem resgata alguém de um perigo do qual a pessoa não sairia sozinha.

Olha como isso aparece no anúncio aos pastores, na noite do nascimento:

સર્વ્વેષાં લોકાનાં મહાનન્દજનકમ્ ઇમં મઙ્ગલવૃત્તાન્તં યુષ્માન્ જ્ઞાપયામિ|

Em uma frase o anjo junta três palavras que a Bíblia inteira vinha preparando. Salvador (em grego, sōtēr) é quem livra. Cristo é a forma grega de "Messias", o rei ungido prometido a Davi. Senhor (Kyrios) é a palavra que a tradução grega do Antigo Testamento usava para o nome de Deus. Quem nasceu em Belém é libertador, é rei e é Deus — tudo na mesma pessoa. E vale notar onde: no mundo romano, "salvador" era título que se dava a imperadores, mas o anjo não o anuncia em Roma, e sim na "cidade de Davi", uma aldeia pequena, para pastores. Lucas sabe o que está fazendo.

E tem mais: o nome "Jesus" é a forma grega do hebraico Yeshua, "o Senhor salva". Quando o anjo diz a José que o menino se chamará Jesus porque salvará o seu povo dos pecados, está dizendo que o nome é o programa de vida.

Agora, há um problema aqui — e ele é proposital. Séculos antes, Deus tinha dito ao povo de Israel:

«Não há Salvador senão eu» (Oseias 13.4, ACF). Oseias profetizava no reino do norte, num tempo em que Israel misturava a adoração ao Senhor com os ídolos de Baal. Deus lembra o povo do Egito: foi ele, e não um deus de pedra, que os tirou da escravidão. Isaías diz a mesma coisa: fora do Senhor não há salvador.

Então, quando o Novo Testamento chama um homem de Salvador, só há duas saídas: ou está contradizendo Oseias, ou está dizendo que aquele homem é o próprio Senhor que falou em Oseias. A Bíblia escolhe a segunda. É por isso que "Salvador" e "Senhor" aparecem juntos na frase do anjo. Dizer que Jesus salva é dizer que Jesus é Deus.

Este artigo faz parte de Versículos por Tema Vida e Salvação

De que o ser humano precisa ser salvo

Ninguém procura um salvador se não acha que está em perigo. Por isso a pergunta "quem é o Salvador" vem sempre colada em outra: salvo de quê?

Paulo responde em Romanos, depois de passar dois capítulos mostrando que tanto o judeu religioso quanto o grego sem lei estão na mesma situação:

તેષાં કોપિ પ્રભેદો નાસ્તિ, યતઃ સર્વ્વએવ પાપિન ઈશ્વરીયતેજોહીનાશ્ચ જાતાઃ|

ત ઈશ્વરસ્યાનુગ્રહાદ્ મૂલ્યં વિના ખ્રીષ્ટકૃતેન પરિત્રાણેન સપુણ્યીકૃતા ભવન્તિ|(Romans 3:23,24)

Repare na ordem das palavras. Primeiro o diagnóstico: todos pecaram e «carecem da glória de Deus» (Romanos 3.23, NAA). "Pecar" aqui não é só fazer coisa feia; é errar o alvo para o qual fomos criados — refletir a glória de Deus. Depois vem o remédio: ser "justificado gratuitamente".

"Justificar" é palavra de tribunal: ser declarado inocente diante do juiz. "Gratuitamente" (dōrean) quer dizer de presente, sem pagamento de quem recebe. E a base disso é a "redenção que há em Cristo Jesus" — palavra do mercado de escravos, que a gente vai ver daqui a pouco.

Juntando as peças, a Bíblia descreve três coisas de que o Salvador nos livra. Da culpa do pecado, que nos coloca em dívida com Deus. Do poder do pecado, que nos escraviza a um jeito de viver que não conseguimos abandonar. E da ira de Deus, que é a resposta justa dele ao mal — Paulo diz logo adiante que seremos salvos da ira por meio de Jesus. A consequência disso tudo é a morte, e dela também o Salvador livra, como a ressurreição vai mostrar. O problema, portanto, é uma dívida que ninguém paga com o próprio esforço. Daí a necessidade de alguém de fora.

O Salvador precisou se tornar um de nós

Se só Deus salva, mas a dívida é humana e precisa ser paga por um humano, a solução da Bíblia é que Deus se torne homem. Paulo descreve esse caminho num trecho que muitos estudiosos acham que era um hino cantado nas primeiras igrejas:

સ ઈશ્વરરૂપી સન્ સ્વકીયામ્ ઈશ્વરતુલ્યતાં શ્લાઘાસ્પદં નામન્યત,

કિન્તુ સ્વં શૂન્યં કૃત્વા દાસરૂપી બભૂવ નરાકૃતિં લેભે ચ|

ઇત્થં નરમૂર્ત્તિમ્ આશ્રિત્ય નમ્રતાં સ્વીકૃત્ય મૃત્યોરર્થતઃ ક્રુશીયમૃત્યોરેવ ભોગાયાજ્ઞાગ્રાહી બભૂવ|(Philippians 2:6-8)

O texto desce em degraus. Ele era "em forma de Deus" — não parecia Deus, era Deus. Mas não tratou essa igualdade como vantagem a ser explorada: tinha o direito, e escolheu não usá-lo para si. «Esvaziou a si mesmo» (Filipenses 2.7, NVI): não deixou de ser Deus, mas abriu mão da glória e do privilégio. Tomou "forma de servo". Tornou-se homem. Humilhou-se. Foi obediente até a morte. E não qualquer morte: «morte de cruz» (Filipenses 2.8, NVI), a execução reservada a escravos e rebeldes, a mais vergonhosa que o mundo romano conhecia.

Por que isso importa para quem está lendo? Porque o Salvador bíblico não resgata de longe, assinando um perdão lá de cima. Ele entra na condição humana, sente fome, cansaço, abandono, e morre. Hebreus vai dizer que é por isso que ele pode socorrer: porque passou pelo que nós passamos.

A cruz como preço de resgate

A primeira palavra que a Bíblia usa para explicar o que a morte de Jesus fez é redenção — em grego, apolytrōsis, da raiz lytron, o valor pago para libertar um escravo ou um prisioneiro de guerra. Pedro usa exatamente essa imagem:

યૂયં નિરર્થકાત્ પૈતૃકાચારાત્ ક્ષયણીયૈ રૂપ્યસુવર્ણાદિભિ ર્મુક્તિં ન પ્રાપ્ય

નિષ્કલઙ્કનિર્મ્મલમેષશાવકસ્યેવ ખ્રીષ્ટસ્ય બહુમૂલ્યેન રુધિરેણ મુક્તિં પ્રાપ્તવન્ત ઇતિ જાનીથ|(1 Peter 1:18,19)

Pedro escreve a cristãos espalhados pela Ásia Menor, muitos vindos do paganismo. Ele lembra que foram resgatados de uma «maneira vazia de viver» (1 Pedro 1.18, NVI), herdada dos antepassados, e diz quanto custou: não prata nem ouro, mas o «precioso sangue de Cristo» (1 Pedro 1.19, ACF).

A comparação com um "cordeiro sem defeito" não é poesia solta. É o cordeiro da Páscoa, de Êxodo 12, aquele cujo sangue na porta livrou as casas de Israel na noite da saída do Egito. Lembra que Oseias disse "desde a terra do Egito"? A salvação do Egito era o molde; a cruz é a peça definitiva.

Paulo diz o mesmo com outra ênfase:

વયં તસ્ય શોણિતેન મુક્તિમ્ અર્થતઃ પાપક્ષમાં લબ્ધવન્તઃ|(Ephesians 1:7)

Aqui a redenção "pelo seu sangue" é explicada como «o perdão das transgressões» (Efésios 1.7, NVI); a ACF traduz "remissão das ofensas". A palavra grega, aphesis, é a mesma que se usava para cancelar uma dívida ou soltar um preso. O que o resgate compra é isto: a dívida da culpa é riscada. E a medida disso não é o tamanho do nosso pecado, mas "as riquezas da sua graça".

A cruz como propiciação e reconciliação

A segunda palavra é mais estranha ao ouvido moderno: propiciação. João a usa duas vezes.

સ ચાસ્માકં પાપાનાં પ્રાયશ્ચિત્તં કેવલમસ્માકં નહિ કિન્તુ લિખિલસંસારસ્ય પાપાનાં પ્રાયશ્ચિત્તં|(1 John 2:2)

વયં યદ્ ઈશ્વરે પ્રીતવન્ત ઇત્યત્ર નહિ કિન્તુ સ યદસ્માસુ પ્રીતવાન્ અસ્મત્પાપાનાં પ્રાયશ્ચિર્ત્તાર્થં સ્વપુત્રં પ્રેષિતવાંશ્ચેત્યત્ર પ્રેમ સન્તિષ્ઠતે|(1 John 4:10)

O termo grego é hilasmos, e as traduções da casa divergem aqui de um jeito que muda a ênfase. ACF e NAA dizem "propiciação"; a NVI prefere "expiação". Expiação olha para o pecado: ele é coberto, removido. Propiciação olha para Deus: a sua justa indignação contra o mal é satisfeita, e ele passa a ser favorável. A teologia evangélica histórica entende que o termo carrega as duas coisas — o pecado é tirado porque a justiça foi atendida.

Agora, veja o que João faz para que ninguém entenda isso errado. Em 1 João 4.10, quem envia o Filho para a propiciação é o próprio Deus, por amor. Não é um Deus irado sendo convencido por um Jesus bondoso. É o Deus que ama resolvendo, ele mesmo, o problema da própria justiça. «Nisto consiste o amor» (1 João 4.10, NVI): não no que fizemos por ele, mas no que ele fez por nós.

E em 1 João 2.2 o alcance: não só pelos pecados "nossos", da comunidade a quem João escreve, mas "de todo o mundo". Como isso se aplica a cada pessoa é um ponto em que tradições cristãs divergem — algumas enfatizam a suficiência para todos, outras a eficácia para os que creem —, mas o texto não deixa dúvida de que a porta está aberta para qualquer um.

O resultado prático dessa propiciação é a terceira palavra: reconciliação.

ફલતો વયં યદા રિપવ આસ્મ તદેશ્વરસ્ય પુત્રસ્ય મરણેન તેન સાર્દ્ધં યદ્યસ્માકં મેલનં જાતં તર્હિ મેલનપ્રાપ્તાઃ સન્તોઽવશ્યં તસ્ય જીવનેન રક્ષાં લપ્સ્યામહે|(Romans 5:10)

Paulo não suaviza o ponto de partida: «quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele» (Romanos 5.10, NVI). Não "distantes", não "confusos". Inimigos. E a reconciliação aconteceu "pela morte do seu Filho" — na cruz, antes de qualquer gesto nosso.

Mas repare nos dois tempos do verbo. "Fomos reconciliados" está no passado, pela morte. "Seremos salvos pela sua vida" está no futuro. A morte de Jesus resolve o passado; é a vida dele — a vida de ressuscitado — que garante o futuro. Isso nos leva à parte da obra do Salvador que muita gente esquece.

Sem a ressurreição não há Salvador

Um salvador morto não salva ninguém. Se Jesus tivesse ficado no túmulo, a cruz seria só a execução injusta de um bom homem. Por isso os evangelhos terminam não com a morte, mas com um anúncio — e, de novo, por um anjo:

સ દૂતો યોષિતો જગાદ, યૂયં મા ભૈષ્ટ, ક્રુશહતયીશું મૃગયધ્વે તદહં વેદ્મિ|

સોઽત્ર નાસ્તિ, યથાવદત્ તથોત્થિતવાન્; એતત્ પ્રભોઃ શયનસ્થાનં પશ્યત|(Matthew 28:5,6)

Dá para ouvir o eco de Lucas 2. Lá: "não temam, nasceu o Salvador". Aqui: "não tenham medo, ele não está aqui". As mulheres vieram ao sepulcro procurar um corpo; encontram um lugar vazio. «Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito.» (Mateus 28.6, NVI). E o anjo não pede que acreditem no escuro: "venham e vejam o lugar". A fé cristã nasce de um túmulo que podia ser inspecionado.

Duas mulheres olham para dentro de um túmulo aberto, com a pedra rolada ao lado.

Anos depois, Paulo resume diante do rei Agripa, em julgamento, o que ele pregava:

તથાપિ ખ્રીષ્ટો દુઃખં ભુક્ત્વા સર્વ્વેષાં પૂર્વ્વં શ્મશાનાદ્ ઉત્થાય નિજદેશીયાનાં ભિન્નદેશીયાનાઞ્ચ સમીપે દીપ્તિં પ્રકાશયિષ્યતિ

ભવિષ્યદ્વાદિગણો મૂસાશ્ચ ભાવિકાર્ય્યસ્ય યદિદં પ્રમાણમ્ અદદુરેતદ્ વિનાન્યાં કથાં ન કથયિત્વા ઈશ્વરાદ્ અનુગ્રહં લબ્ધ્વા મહતાં ક્ષુદ્રાણાઞ્ચ સર્વ્વેષાં સમીપે પ્રમાણં દત્ત્વાદ્ય યાવત્ તિષ્ઠામિ|(Acts 26:22,23)

Duas coisas, diz Paulo, estavam nos profetas e em Moisés: que «o Cristo devia padecer» (Atos 26.23, ACF) e que, «sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos» (Atos 26.23, ACF), anunciaria luz a judeus e gentios. A palavra "primeiro" é a chave. Jesus ressuscitou como o primeiro de uma fila. A ressurreição dele é a garantia da nossa — é assim que o Salvador salva da morte, e não só da culpa.

A Bíblia sugere que essa esperança é mais antiga que a cruz. Jó, no fundo do sofrimento, diz algo surpreendente:

A palavra hebraica traduzida por "Redentor" é go'el: o parente próximo que tinha o dever de comprar de volta a terra perdida da família, pagar a dívida de um irmão escravizado ou fazer justiça por um morto. Jó, abandonado por todos, afirma que tem alguém assim — e que esse alguém vive. Vale ser honesto: Jó não tinha o quadro completo que nós temos. Mas a tradição cristã, desde cedo, leu aqui um esboço do Salvador que haveria de vir: um redentor que vive, e que no fim se levanta em favor de quem está perdido.

O que o Salvador faz hoje, no céu

A obra do Salvador não acabou no domingo da ressurreição. A carta aos Hebreus, escrita a cristãos de origem judaica tentados a voltar ao sistema do templo, insiste nisso: Jesus continua trabalhando. Três versículos resumem o que ele faz agora.

ઇત્થં સિદ્ધીભૂય નિજાજ્ઞાગ્રાહિણાં સર્વ્વેષામ્ અનન્તપરિત્રાણસ્ય કારણસ્વરૂપો ઽભવત્|(Hebrews 5:9)

"Consumado" ou "aperfeiçoado" aqui não quer dizer que Jesus era moralmente incompleto. Quer dizer que ele chegou ao fim do caminho — passou pela obediência e pelo sofrimento até o ponto final — e por isso se tornou a "causa" da salvação eterna. Repare também em "para todos os que lhe obedecem": salvação, na Bíblia, não é uma transação que termina no dia em que a pessoa crê; é uma relação com alguém que agora é Senhor.

તતો હેતો ર્યે માનવાસ્તેનેશ્વરસ્ય સન્નિધિં ગચ્છન્તિ તાન્ સ શેષં યાવત્ પરિત્રાતું શક્નોતિ યતસ્તેષાં કૃતે પ્રાર્થનાં કર્ત્તું સ સતતં જીવતિ|(Hebrews 7:25)

Esse é talvez o versículo mais consolador da carta. Os sacerdotes do templo morriam e precisavam ser substituídos; Jesus "vive para sempre". Por isso pode salvar "perfeitamente", ou "completamente" — até o fim, sem deixar ninguém no meio do caminho. E o que ele faz com essa vida eterna? Intercede. O Salvador que morreu por você agora fala a Deus a seu favor, todo dia.

સ નૂતનનિયમસ્ય મધ્યસ્થોઽભવત્ તસ્યાભિપ્રાયોઽયં યત્ પ્રથમનિયમલઙ્ઘનરૂપપાપેભ્યો મૃત્યુના મુક્તૌ જાતાયામ્ આહૂતલોકા અનન્તકાલીયસમ્પદઃ પ્રતિજ્ઞાફલં લભેરન્|(Hebrews 9:15)

"Mediador" é quem fica entre duas partes em conflito para fechar um acordo. Jesus é o mediador de uma "nova aliança" — a que Jeremias tinha prometido —, e a sua morte paga até as transgressões cometidas sob a aliança antiga. Ou seja, os fiéis do Antigo Testamento também foram salvos pelo que Jesus fez, mesmo sem conhecer o nome dele. E o que ele garante é uma "herança eterna": a salvação não é só escapar de algo, é receber algo.

É aqui que a pergunta "por que só Jesus pode salvar?" encontra a resposta mais direta. Só ele reúne as condições: é Deus, é homem, morreu como cordeiro sem defeito e vive para interceder. Nenhum profeta, sacerdote, anjo ou santo cumpre essa lista. É por isso que Pedro diz que não há salvação em nenhum outro e Paulo fala de um só mediador.

Como alguém recebe essa salvação

Se tudo foi feito por ele, o que cabe a nós? A resposta curta da Bíblia é: fé. Paulo descreve a própria vida assim:

ખ્રીષ્ટેન સાર્દ્ધં ક્રુશે હતોઽસ્મિ તથાપિ જીવામિ કિન્ત્વહં જીવામીતિ નહિ ખ્રીષ્ટ એવ મદન્ત ર્જીવતિ| સામ્પ્રતં સશરીરેણ મયા યજ્જીવિતં ધાર્ય્યતે તત્ મમ દયાકારિણિ મદર્થં સ્વીયપ્રાણત્યાગિનિ ચેશ્વરપુત્રે વિશ્વસતા મયા ધાર્ય્યતે|(Galatians 2:20)

Repare como Paulo passa do geral para o pessoal. Não é "Cristo morreu pelo mundo", embora isso seja verdade. É o Filho de Deus «que me amou e se entregou por mim» (Gálatas 2.20, NVI). A fé bíblica é isto: deixar de confiar no próprio esforço e passar a confiar que aquilo que Jesus fez foi feito por mim. A vida antiga, a que tentava se justificar sozinha, acabou. A nova é vivida "pela fé".

Em outros lugares ele diz a mesma coisa de forma mais direta: somos salvos pela graça, mediante a fé, e não por obras; quem confessa Jesus como Senhor e crê que Deus o ressuscitou será salvo. Fé, na Bíblia, vem junto com arrependimento: reconhecer o pecado e virar as costas para ele. São dois lados do mesmo movimento de voltar-se para Deus.

É preciso dizer onde as tradições cristãs se separam. A teologia evangélica histórica — a leitura que este texto segue — entende que a pessoa é justificada pela fé somente, e que batismo, ceia e boas obras são fruto dessa fé, não parte do seu fundamento. A tradição católica e a ortodoxa ligam mais estreitamente a graça aos sacramentos. Todas, porém, concordam no essencial: a base da salvação é a obra de Cristo, e não o mérito de quem recebe.

E para quem já creu, há ainda um detalhe que Hebreus deixa para o fim da carta:

યશ્ચાસ્માકં વિશ્વાસસ્યાગ્રેસરઃ સિદ્ધિકર્ત્તા ચાસ્તિ તં યીશું વીક્ષામહૈ યતઃ સ સ્વસમ્મુખસ્થિતાનન્દસ્ય પ્રાપ્ત્યર્થમ્ અપમાનં તુચ્છીકૃત્ય ક્રુશસ્ય યાતનાં સોઢવાન્ ઈશ્વરીયસિંહાસનસ્ય દક્ષિણપાર્શ્વે સમુપવિષ્ટવાંશ્ચ|(Hebrews 12:2)

Jesus é "autor e consumador" da fé: ele começa e ele termina. A palavra grega para "autor" é archēgos, o que vai na frente abrindo caminho. A salvação é uma corrida em que quem abriu o caminho é também quem garante a chegada. E o texto termina dizendo que ele "se assentou". No templo, o sacerdote nunca sentava, porque o trabalho nunca terminava. Jesus sentou. A obra está feita.

É isso que estava embrulhado naquela frase do anjo aos pastores: «nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor» (Lucas 2.11, NVI). Um bebê numa manjedoura, com o nome "o Senhor salva" — e por trás dele, a cruz, o túmulo vazio e o trono. Vale a pena ler Lucas 2 completo, agora sabendo o peso de cada uma daquelas três palavras.

Qual a diferença entre Salvador, Redentor e Mediador?

São três ângulos da mesma obra. Salvador (sōtēr) é o termo mais amplo: quem livra de um perigo. Redentor olha para o preço: quem paga para libertar alguém. Mediador olha para a relação: quem fica entre duas partes em conflito e fecha a paz. A Bíblia usa os três para Jesus porque nenhum sozinho dá conta do que ele fez.

No Antigo Testamento, quem era chamado de salvador?

Em primeiro lugar o próprio Senhor, que livrou Israel do Egito. A palavra também é usada para libertadores humanos que Deus levantou, como os juízes, mas sempre como instrumentos — eles salvavam porque Deus salvava por meio deles. O Novo Testamento aplica o título a Jesus no sentido pleno, o que era reservado a Deus.

Jesus se chamava a si mesmo de Salvador?

Ele raramente usou o título, mas descreveu a própria missão nesses termos: disse que veio "buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19.10) e que daria a vida "em resgate por muitos" (Marcos 10.45). O título aparece mais na boca de anjos, de apóstolos e das primeiras igrejas, que o reconheceram depois da ressurreição.

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