A segunda vinda de Cristo: sinais e como esperar por Ele
Jesus prometeu voltar — e disse como
Sim, Jesus prometeu voltar. Não foi um discípulo que deduziu isso depois: foi ele mesmo, na última noite com os doze, quando viu que eles estavam com medo de ficar sem ele. A promessa tem três partes, e vale ler na ordem em que ele falou: vou preparar lugar, vou voltar, vou levar vocês comigo.
Let not your heart be troubled: you2f believe in God-The Father, believe also in me.
In my Father’s house are many offices: if [it were] not [so], I would have told you. I go to prepare a place for you.
And if I go and prepare a place for you, I will come again, and receive you unto myself; that where I am, [there] you2f may be also.(John 14:1-3)
Olha o que está escrito antes da promessa: "não se turbe o vosso coração". Jesus não anuncia a volta para assustar ninguém. Ele anuncia porque os discípulos estavam prestes a perdê-lo e precisavam saber que a separação tinha prazo.
E como será essa volta? A resposta mais direta da Bíblia está no dia em que ele partiu. Quarenta dias depois da ressurreição, no monte das Oliveiras, Jesus foi elevado diante dos discípulos até uma nuvem encobri-lo. Enquanto eles ainda estavam de pescoço erguido, dois homens de branco apareceram ao lado e disseram isto:
And while they looked stedfastly toward heaven as he went up, behold, two men stood by them in white apparel;
Which also said, You2f men of Galil [circuit, district], why stand you2f gazing up into heaven? this same Yeshua [God is Salvation], which is taken up from you into heaven, shall so come in like manner as you2f have seen him go into heaven.(Acts 1:10,11)
"Do modo como o vistes subir." Ele subiu em corpo, visível, de um lugar concreto, diante de testemunhas. Então é assim que volta: em corpo, visível, para um mundo que vai vê-lo. É "este Jesus" — o mesmo que comeu peixe com eles na praia — e não uma força espiritual difusa nem uma ideia que "volta" quando as pessoas se tornam melhores.
Isso já responde o essencial. O que vem abaixo é o que a Bíblia diz sobre os sinais que antecedem esse dia, sobre o momento em si, sobre onde os cristãos discordam na interpretação — e sobre o que Jesus pediu que a gente fizesse enquanto espera.
Os sinais que Jesus apontou em Mateus 24
A lista de sinais que circula por aí — falsos líderes, guerras, catástrofes, perseguição — não é invenção de pregador. Ela vem de um discurso específico de Jesus, registrado em três evangelhos: Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21. O cenário é o mesmo nos três.
Jesus acabou de dizer que o templo de Jerusalém seria destruído, pedra por pedra. Os discípulos, sentados com ele no monte das Oliveiras, olhando para o templo do outro lado do vale, perguntam em particular: quando isso vai acontecer, e qual será o sinal da sua vinda e do fim? O discurso inteiro é a resposta a essa pergunta dupla.
O que ele lista, e em que ordem, está em Mateus 24:3-14:
Gente dizendo "eu sou o Cristo" e enganando muitos (v. 4-5).
Guerras e rumores de guerra, nação contra nação (v. 6-7).
Fomes e terremotos em vários lugares (v. 7). Lucas acrescenta pestes e "grandes sinais do céu" (Lucas 21:11).
Perseguição dos discípulos, ódio das nações, traição entre irmãos, falsos profetas (v. 9-11).
Esfriamento do amor por causa da multiplicação da maldade (v. 12).
O evangelho pregado a todas as nações — "e então virá o fim" (v. 14).
Agora, o detalhe que costuma passar despercebido: junto com cada sinal, Jesus coloca uma instrução, e a instrução é quase sempre "calma". Guerras? "Não vos assusteis… ainda não é o fim" (v. 6). Fomes e terremotos? "Princípio de dores" (v. 8) — ou seja, começo, não fim. Perseguição? "Aquele que perseverar até o fim será salvo" (v. 13).
Vale notar: nenhum desses sinais é novidade na história. Guerra, fome, terremoto, impostor religioso e perseguição existiam no século 1 e existem hoje. Jesus sabia disso. Por isso a função dos sinais no texto não é permitir um cálculo de data; é impedir que os discípulos sejam pegos de surpresa ou enganados quando essas coisas acontecerem. É o que ele diz logo depois, em Mateus 24:23-26: se disserem "o Cristo está no deserto", não vão; "está no quarto escondido", não acreditem. A vinda dele não vai precisar de intermediário anunciando — vai ser tão óbvia quanto um relâmpago atravessando o céu (v. 27).
Então o sinal mais confiável, segundo o próprio Jesus, é este: qualquer "Cristo" que exija que você vá até ele em segredo não é ele.
Como a Bíblia descreve o momento da vinda
Depois dos sinais, Jesus descreve a chegada em si. O trecho está em Mateus 24:29-31: o sol escurece, a lua não dá luz, as estrelas caem. Aí aparece "o sinal do Filho do Homem no céu", todas as tribos da terra o veem "vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória", e ele envia os anjos, "com rijo clamor de trombeta", para reunir os escolhidos dos quatro cantos da terra.
Três marcas desse texto se repetem no resto do Novo Testamento:
É público. "Todas as tribos" veem. Apocalipse abre dizendo a mesma coisa: ele vem com as nuvens e "todo olho o verá" (Apocalipse 1:7). Esse é o contraste com a primeira vinda. Em Belém ele chegou de noite, num estábulo, e quase ninguém notou. Na volta, ninguém vai conseguir não notar.
É em glória e com juízo. Jesus diz que o Filho do Homem virá "na glória de seu Pai, com os seus anjos", e "então dará a cada um segundo as suas obras" (Mateus 16:27). A volta não é só reencontro; é acerto de contas. Apocalipse termina com Jesus dizendo que vem sem demora e que "o meu galardão está comigo" (Apocalipse 22:12).
É reunião dos que são dele. Os anjos juntam os escolhidos. Paulo detalha essa parte quando escreve para a igreja de Tessalônica, que estava angustiada com uma pergunta concreta: e os irmãos que já morreram? Vão perder a vinda? A resposta está em 1 Tessalonicenses 4:16-18, e a sequência importa:
O próprio Senhor desce do céu, "com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus" — a mesma trombeta de Mateus 24.
Os que morreram em Cristo ressuscitam primeiro. Quem morreu não perde nada; é o primeiro na fila.
Os que estiverem vivos são "arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares".
"E assim estaremos sempre com o Senhor." Paulo fecha mandando que eles consolem uns aos outros com essas palavras.
Aqui o grego ajuda numa coisa só. A palavra para "encontrar" (apántesis) era usada quando os moradores de uma cidade saíam pelos portões para receber um rei ou governador que chegava e entrar com ele de volta. Não é a cidade que vai embora; é a cidade que sai para recepcionar quem está chegando. O texto, lido assim, encaixa com João 14: ele volta para nos receber consigo.
E por que ele volta? A carta aos Hebreus coloca as duas vindas lado a lado em uma frase:
So Moshiach [Messiah] was once offered to bear the sins of many; and unto them without sin that look for him shall he appear the second time unto salvation..(Hebrews 9:28)
Na primeira, ele veio carregar o pecado. Na segunda, "sem pecado" — isto é, sem ter mais o que carregar, porque aquilo já foi resolvido na cruz — vem trazer a salvação completa "aos que o esperam". A espera não é um detalhe nesse verso; é a descrição de quem é alcançado.
Onde os cristãos discordam — e onde todos concordam
Aqui é preciso ser honesto com você. O que foi dito até agora — Jesus volta em corpo, de forma visível, em glória, para ressuscitar os seus, julgar e reunir — é o que a igreja cristã confessa desde o começo. O Credo Apostólico, recitado por católicos, ortodoxos e protestantes, diz que ele "há de vir a julgar os vivos e os mortos". Essa é a base, e ela é firme.
O desacordo está na ordem e no calendário dos acontecimentos ao redor, e ele é antigo e sério. Entre evangélicos, as grandes correntes são estas:
Pré-milenismo (em versões dispensacionalista e histórica): Cristo volta antes de um reino de mil anos na terra, lido a partir de Apocalipse 20. Dentro dessa corrente há quem entenda que o arrebatamento de 1 Tessalonicenses 4 acontece antes de um período de grande tribulação, separado da vinda visível, e quem entenda que arrebatamento e vinda são o mesmo evento.
Amilenismo: os "mil anos" descrevem simbolicamente o período atual, entre a ascensão e a volta; a segunda vinda é um só evento que traz ressurreição, juízo e novos céus e nova terra de uma vez.
Pós-milenismo: o evangelho avança até transformar amplamente o mundo, e Cristo volta depois desse período.
Este texto está escrito a partir da tradição evangélica histórica, que sustenta a volta pessoal, corporal e visível de Cristo, mas que abriga as três leituras acima sem considerar nenhuma delas uma heresia. Se alguém lhe apresentar o esquema exato de datas, períodos e fases como se fosse a única leitura possível da Bíblia, desconfie — não da sinceridade da pessoa, mas da certeza.
E há um ponto em que Jesus encerrou a conversa: "daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai" (Mateus 24:36). Todo cálculo de data que já foi publicado estava errado, e o próprio texto já explicava por quê.
Pedro, escrevendo para uma geração que começava a se perguntar "mas por que demora tanto?", responde com duas coisas: para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia (2 Pedro 3:8); e a demora não é lentidão, é paciência — ele está dando tempo para que mais gente se arrependa. A espera longa é parte do plano, não falha dele.
Como esperar por Cristo no dia a dia
Se os sinais não servem para calcular, para que servem? Jesus responde no mesmo discurso, logo depois de dizer que ninguém sabe a hora:
"So you should be prepared, because you do not know at what hour the Son of Man is going to come".(Gosel 24:44)
Estar preparado é o oposto de estar ansioso. É o que ele vem pedindo desde "não vos assusteis". E, lendo as cartas do Novo Testamento, dá para montar com bastante precisão como é essa prontidão na prática.
Vigiar é não entorpecer. Em Lucas 21:34-36, Jesus diz o que faz o coração ficar pesado demais para perceber a chegada: "glutonaria, embriaguez e cuidados desta vida". Repare que o último item não é pecado grosseiro — é ansiedade cotidiana, conta para pagar, preocupação com o amanhã. Isso também entorpece. O antídoto que ele dá é "vigiai e orai". Pedro repete o par: "o fim de todas as coisas está próximo; sede, pois, sóbrios e vigiai em oração" (1 Pedro 4:7).
Esperar é viver de um jeito que faça sentido quando ele chegar. Paulo escreve a Tito que a graça de Deus nos ensina a renunciar à impiedade e a viver "sóbria, justa e piamente neste presente século, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória" de Jesus (Tito 2:11-14). Na frase de Paulo, a espera e a vida reta são a mesma coisa olhada de dois ângulos. João diz o mesmo pelo lado do coração: permaneçam nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não fiquemos envergonhados diante dele (1 João 2:28). A imagem é de alguém que recebe uma visita esperada e não precisa esconder nada da casa.
Esperar é guardar o que já se tem. À igreja de Filadélfia, Jesus diz: "eis que venho sem demora; guarda o que tens" (Apocalipse 3:11). Não é "faça algo extraordinário"; é "não solte o que você já recebeu". Fidelidade comum, repetida.
E esperar é confiar que quem sustenta a espera é Deus. Esta parte quem está ansioso costuma pular. Paulo diz aos coríntios que, enquanto aguardam a manifestação do Senhor, é ele quem os confirmará "até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor" (1 Coríntios 1:7-8). Aos filipenses: aquele que começou a boa obra "a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo" (Filipenses 1:6). Aos tessalonicenses, ele ora para que Deus os santifique por inteiro e os conserve até a vinda (1 Tessalonicenses 5:23). Em todos os três, o sujeito do verbo é Deus. A prontidão não é um desempenho que você precisa manter sozinho até o fim; é uma obra que ele começou e se comprometeu a terminar.
Juntando tudo: a espera que a Bíblia descreve não tem cara de bunker nem de calculadora. Tem cara de alguém sóbrio, que ora, que trabalha, que não se deixa afundar pelas preocupações, que trata os outros sabendo que vai dar contas, e que descansa porque o desfecho não depende só dele.
Jesus deu a frase que resume isso em Mateus 24:42: "vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor". Vigiar porque não sabe — não calcular porque quer saber.
A última oração da Bíblia
A Bíblia inteira termina com uma conversa curta. Jesus fala primeiro, e a igreja responde. É a última palavra dele e a última palavra nossa:
He which testifies these things says, Surely I come quickly. Amen. Even so, come, Lord - Kurios [he to whom a person belongs] Yeshua [God is Salvation].(Revelation 22:20)
Tudo o que foi dito acima sobre sinais, trombeta, nuvens e vigilância existe para que alguém consiga dizer essa frase sem medo — do mesmo jeito que, lá em João 14, a promessa de voltar foi feita para acalmar um coração turbado. Quem quiser ouvir o discurso completo de Jesus sobre esse dia pode ler Mateus 24 inteiro e, logo depois, 1 Tessalonicenses 4.
Arrebatamento e segunda vinda são a mesma coisa?
Depende da corrente. Para muitos evangélicos (e para a maior parte da história da igreja), o "arrebatamento" de 1 Tessalonicenses 4:17 é parte da própria segunda vinda: Cristo desce, os mortos ressuscitam e os vivos sobem para recebê-lo, tudo num evento só. O pré-milenismo dispensacional entende que o arrebatamento acontece antes de um período de tribulação, separado da vinda visível. A Bíblia não usa a palavra "arrebatamento" como termo técnico; ela vem do latim de 1 Tessalonicenses 4:17.
Alguém pode saber a data da volta de Jesus?
Não. Jesus disse que "daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu" (Mateus 24:36), e Paulo compara o dia do Senhor a um ladrão que vem de noite (1 Tessalonicenses 5:2). Todas as datas já anunciadas na história falharam, e o próprio texto bíblico explica por quê. Os sinais servem para não ser enganado nem pego de surpresa, não para fazer cálculo.
Os sinais do fim já estão acontecendo?
Guerras, fomes, terremotos, perseguição e falsos mestres existem desde o século 1, e Jesus chamou isso de "princípio de dores" (Mateus 24:8), não de fim. Então sim, esses sinais acontecem — e sempre aconteceram. O que a Bíblia pede diante deles não é alarme, mas sobriedade e perseverança (Mateus 24:6, 13).
Quem já morreu vai perder a volta de Cristo?
Não. Essa era exatamente a preocupação dos cristãos de Tessalônica, e Paulo responde que "os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro" (1 Tessalonicenses 4:16). Quem morreu na fé não fica para trás; é o primeiro a ser alcançado, e só depois os vivos se juntam a eles.
O que acontece com quem não crê quando Jesus voltar?
Jesus diz que virá "na glória de seu Pai" e "dará a cada um segundo as suas obras" (Mateus 16:27), e Apocalipse 22:12 repete que ele traz consigo a recompensa. A volta inclui juízo, e a Bíblia é clara que ele é real. Ao mesmo tempo, 2 Pedro 3:9 diz que a demora atual é paciência de Deus, "não querendo que alguns se percam". O tempo da espera é também o tempo do convite.
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