Separação: o consolo de Deus para o término e o luto
Redação Bíblia Online Publicado em
Quando o término parte o coração
Acabou, e a casa ficou com um silêncio que você não pediu: o lado vazio da cama, a xícara a mais, a conversa que você ainda abre para reler. Nenhuma passagem faz isso passar rápido. Há passagens que ficam com você enquanto não passa.
Davi escreveu este salmo fugindo, depois de se fingir de louco para sobreviver na cidade de um rei inimigo. Não era um homem inteiro quando orou. O que o versículo faz por você é dispensar a arrumação: você não precisa estar de pé, nem fazer sentido, nem ter parado de chorar para Deus chegar perto. "Quebrantado" é o coração em pedaços — e é nesse estado, não depois dele, que o salmo diz onde o Senhor está.
Davi vai ao abandono mais impensável que existe, o de pai e mãe, e diz que nem esse esgota o acolhimento de Deus. O que isso faz por você é colocar um chão por baixo do seu pior cenário. Quem terminou costuma listar, de noite, quem mais pode ir embora. Este versículo pega a pior linha da lista e responde por ela. Se nem essa fecha a porta de Deus, a sua separação também não fecha.
O Salmo 147 é de um povo que voltou do exílio e encontrou Jerusalém em ruínas. No versículo anterior, Deus reconstrói a cidade e reúne os que foram espalhados (Salmos 147:2); logo em seguida, no mesmo fôlego, entra o coração quebrantado — na mesma lista das paredes e das casas. O que o versículo faz é tratar o fim do seu relacionamento como obra de verdade, não como frescura que você devia superar logo. Enfaixar uma ferida leva tempo e é mão de quem cuida. Ele não diz quando a atadura sai. Diz quem a colocou.
Este artigo faz parte de Versículos por Tema Consolo e Paz
Quando a pessoa foi embora e levou a confiança junto
Nem todo término é limpo. Às vezes sobra briga, mentira, coisa não dita — e a vontade de ficar vigiando o que a pessoa faz agora.
Essa frase não é de dois amigos se despedindo. É de Jacó e Labão, genro e sogro, depois de vinte anos em que Labão mudou de palavra mais de uma vez e Jacó acabou fugindo de madrugada com a família. Labão saiu atrás. Quando se encontraram, não houve reconciliação: fizeram um acordo, levantaram um monte de pedras e cada um seguiu para o seu lado. A história inteira está em Gênesis 31.
"Mispá" quer dizer torre de vigia. O que o versículo faz por você é tirar da sua mão a vigilância. Você não precisa saber o que a outra pessoa está fazendo, com quem, se está bem ou não. Deus vigia entre vocês dois; você pode fechar o aplicativo. E ele dá uma oração para quando você não consegue dizer mais nada a ela: que o Senhor fique olhando entre nós.
Paulo escreve isso logo depois de contar que, na Ásia, chegou a achar que ia morrer (2 Coríntios 1:8). Não é teoria de quem nunca sofreu. O que o versículo faz por você é dar ao que você está vivendo um destino fora de você. Daqui a um tempo, alguém que você conhece vai terminar um casamento ou um namoro, e vai precisar de alguém que não diga "você vai encontrar outra pessoa". Vai precisar de quem sabe. O consolo que Deus está dando a você agora — a frase certa, o silêncio certo, a hora que passou — é o que você vai ter para oferecer.
Quando a separação é a morte
Aqui ninguém volta, e todo mundo em volta parece ter pressa de que você fique bem. Estes três versículos não têm pressa.
Os cristãos de Tessalônica estavam enterrando gente e com medo de que os mortos tivessem perdido a volta de Jesus. Repare: Paulo não proíbe a tristeza; proíbe a tristeza sem esperança. O que o versículo faz por você é duas coisas. Dá licença para o luto — você pode chorar a saudade sem que isso seja falta de fé. E muda o nome do que aconteceu: "dormem" é a palavra de Paulo para quem morreu em Cristo, e quem dorme tem manhã. O restante da passagem, até o versículo 18, conta como ele imaginava esse reencontro; vale ler em 1 Tessalonicenses 4.
O pastor não tira a ovelha do vale — atravessa com ela. O que o salmo faz por você é mudar a sua posição dentro do luto: você não é alguém procurando sozinho a saída de um lugar escuro; é alguém sendo levado por quem conhece o caminho. A vara e o cajado são ferramentas de pastor: uma afasta o que ameaça, a outra puxa de volta quem escorrega. Algumas traduções dizem "vale da sombra da morte" (ACF), outras "vale de densas trevas" (NVI). As duas descrevem o mesmo lugar, e nas duas a frase que importa não muda: "tu estás comigo" (Salmos 23:4).
Jesus disse isso na última noite, horas antes de ser preso, para onze homens que iam perdê-lo e ainda não sabiam. Ele escolheu a palavra "órfãos" — sabia exatamente o que a ausência dele ia parecer. O que o versículo faz por você é colocar ao seu lado alguém que conhece o luto pelos dois lados: já foi o que fica, chorando diante do túmulo de um amigo (João 11:35), e já foi o que parte, consolando quem ia ficar. O "voltarei" se cumpriu primeiro no Espírito que Ele prometeu nessa mesma conversa (João 14:16-17) e aponta para o dia em que a separação acaba de vez. Até lá, a frase vale do jeito que foi dita, por quem a disse: você não ficou órfão.
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