Pular para o conteúdo
Publicidade

Orações na Bíblia: os cinco tipos que você precisa conhecer

Mulher de cardigã marrom, de olhos fechados e mãos unidas, ora diante de uma Bíblia aberta.

Os cinco tipos de oração na Bíblia

A Bíblia não traz um capítulo chamado "tipos de oração", mas quem lê os Salmos e as cartas de Paulo encontra cinco jeitos de falar com Deus que se repetem do começo ao fim: adoração, ação de graças, súplica, intercessão e confissão. Adoração é falar com Deus sobre quem ele é; ação de graças, sobre o que ele fez; súplica é pedir por si; intercessão é pedir pelos outros; confissão é nomear o próprio pecado diante dele.

Paulo chega a juntar quatro desses cinco numa frase só, quando orienta Timóteo sobre o culto da igreja:

Recomendo-te, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, petições, acções de graças por todos os homens,(1 Timóteo 2:1)

Vale notar que as quatro palavras não são sinônimos empilhados para dar peso. No grego são termos diferentes: deēseis (pedidos nascidos de uma necessidade), proseuchas (a oração em geral, voltada a Deus), enteuxeis (a oração que se faz em favor de outro) e eucharistias (agradecimento). Paulo está dizendo que uma igreja saudável ora de vários jeitos — e que nenhum deles pode faltar.

A confissão não aparece nessa lista, mas aparece em praticamente todo o resto da Bíblia, dos Salmos de Davi à primeira carta de João. Por isso ela entra como quinto tipo. Alguns autores ainda separam o louvor da adoração ou tratam a oração de entrega como categoria própria; aqui esses casos aparecem dentro dos cinco, porque é onde o próprio texto os coloca.

O resto desta página mostra cada um dos cinco no texto bíblico — quem orou assim, o que disse, e o que isso ensina sobre como praticar.

Adoração: orar por quem Deus é

Adoração é a oração em que a pessoa não pede nada e não agradece por nada específico. Ela simplesmente olha para Deus e diz o que vê.

Não confiéis nos príncipes, nem no homem que não pode salvar.(Salmos 145:3)

Repare no que o Salmo 145:3 faz: fala de grandeza, e logo em seguida admite que essa grandeza não tem fundo. É o movimento típico da adoração — a palavra chega perto e reconhece que não alcança. O Salmo 8 faz o mesmo: Davi olha o céu à noite, pensa na lua e nas estrelas, e pergunta "que é o homem?". Não há pedido no salmo inteiro.

Isso aqui é importante: adorar não é um sentimento que a pessoa precisa produzir antes de orar. É uma afirmação. Nos Salmos, a adoração costuma vir em frases diretas — "o Senhor é bom", "o Senhor é rei", "o Senhor é fiel" —, e a razão de cada afirmação vem logo depois. Quem quer praticar pode começar exatamente assim: dizer a Deus uma coisa verdadeira sobre ele, e depois dizer por que sabe que é verdade.

Ação de graças: orar pelo que Deus fez

Se a adoração olha para quem Deus é, a ação de graças olha para trás e conta o que ele fez. O Salmo 103, atribuído a Davi, começa com uma ordem que ele dá a si mesmo:

envolvido em luz como num manto. Tu estendeste o céu como um pavilhão,(Salmos 103:2)

"Não te esqueças" é a chave. A ação de graças, na Bíblia, é um remédio contra o esquecimento. O Salmo 103 segue listando: perdão, cura, livramento, misericórdia, renovação. Não é uma lista genérica — é o inventário de uma vida.

Paulo leva isso para um lugar incômodo quando escreve a uma igreja perseguida: "em tudo dai graças" (1 Tessalonicenses 5:18). Olha, o texto diz em tudo, não por tudo. Não se agradece pela doença ou pela perda; agradece-se dentro delas, porque há coisas que a perda não leva — e o Salmo 103 é justamente uma lista do que não se perde.

O refrão mais repetido de gratidão no Antigo Testamento é o de 1 Crônicas 16:34, cantado quando a arca chegou a Jerusalém: "rendei graças ao Senhor, porque é bom, porque a sua benignidade dura para sempre". Ele reaparece quase igual em vários Salmos. Era, na prática, a frase que o povo inteiro sabia de cor.

Adoração ou ação de graças: qual é a diferença?

Na vida real as duas se misturam, e isso não é problema. Mas elas respondem a perguntas diferentes, e saber qual é qual ajuda a oração a não ficar mancando de um lado só.

Um teste simples: se a frase continua verdadeira num dia em que nada deu certo, é adoração. "Deus é fiel" não depende do que aconteceu hoje. Se a frase precisa de um acontecimento para existir — "obrigado pelo emprego", "obrigado porque o exame veio limpo" —, é ação de graças.

O Salmo 145:3 é adoração: "grande é o Senhor" não aconteceu, simplesmente é. O Salmo 103:2 é ação de graças: fala de benefícios, coisas recebidas. Uma oração que só agradece corre o risco de tratar Deus como fornecedor; uma oração que só adora pode esquecer que ele agiu na história concreta da pessoa. Os Salmos quase sempre fazem as duas coisas na mesma página.

Súplica: pedir por si mesmo

Súplica é o pedido — a oração que a maioria das pessoas faz primeiro e, muitas vezes, a única que faz. A Bíblia não tem vergonha dela. Jesus manda pedir, com três verbos seguidos: "pedi, buscai, batei" (Mateus 7:7).

As súplicas registradas na Bíblia são quase sempre curtas e concretas. Ana, estéril e humilhada, pede um filho no templo e chora tanto que o sacerdote acha que ela está bêbada. Bartimeu, cego, grita por cima da multidão: "Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim". Quando Jesus pergunta o que ele quer, a resposta é uma frase: "que eu veja". Ninguém nessas cenas enfeita o pedido.

Paulo dá a orientação mais completa sobre como suplicar:

Não vos inquieteis com nada, mas em todas as circunstâncias manifestai a Deus as vossas necessidades por meio de orações e súplicas unidas à ação de graças.(Filipenses 4:6)

Vale notar a ordem em Filipenses 4:6: a ansiedade é o ponto de partida, não um defeito que a pessoa precisa resolver antes de orar. E o pedido vem "com ação de graças" — Paulo costura dois tipos de oração na mesma frase, porque pedir sem lembrar do que já foi recebido vira desespero.

Há um limite na súplica, e quem o mostra é o próprio Jesus. Na noite da prisão, no Getsêmani, ele pede para não passar pelo que vem:

dizendo: "Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice; não se faça, contudo, a minha vontade, mas a tua."(Lucas 22:42)

Homem ajoelhado reza entre oliveiras, enquanto três homens dormem encostados nas árvores.

Isso aqui é importante: Jesus pede de verdade — "passa de mim este cálice" não é figura de linguagem. E na mesma frase entrega o pedido. A súplica bíblica não é escolher entre pedir e se submeter; é fazer os dois. Quem pede sem se submeter está dando ordens; quem se submete sem pedir está fingindo que não quer nada.

Intercessão: pedir pelos outros

Intercessão é a súplica que muda de direção: em vez de pedir por si, a pessoa se coloca entre Deus e alguém, e pede por esse alguém.

O exemplo mais forte do Antigo Testamento é Moisés em Êxodo 32. O povo acabou de fazer um bezerro de ouro, Deus fala em destruí-los, e Moisés discute. Lembra a Deus das promessas a Abraão, pergunta o que os egípcios vão dizer, e no fim oferece o próprio nome para ser riscado do livro no lugar do povo. O texto diz que o Senhor "se arrependeu do mal" — a intercessão, no relato, mudou o desfecho.

Paulo pede intercessão para si mesmo com uma palavra que soa a esforço físico:

Rogo-vos, pois, Irmãos, por Nosso Senhor Jesus Cristo e pela caridade do Espírito Santo, que me ajudeis nas minhas lutas com as vossas orações por mim a Deus,(Romanos 15:30)

"Lutar junto" (synagōnizesthai, a mesma raiz de agonia) em Romanos 15:30 não parece descrição de alguém dizendo "vou orar por você" de passagem. Paulo trata a intercessão dos outros como trabalho que ele precisa e que custa a quem faz.

Em 1 Timóteo 2:1-2 — o versículo-âncora desta página —, a intercessão é "por todos os homens", e o versículo seguinte especifica: "pelos reis e por todos os que estão em eminência". A igreja de Timóteo vivia sob um império que não a protegia. Mesmo assim, a ordem era orar por quem governava, e não contra.

E há um dado que muda o peso de tudo isso: segundo Hebreus 7:25, o próprio Jesus "vive sempre para interceder" pelos que se aproximam de Deus. Quem intercede não inventa uma prática: imita o que Cristo está fazendo agora.

Confissão: nomear o pecado diante de Deus

Confissão é a oração em que a pessoa diz a Deus o que fez de errado, sem desconto. A promessa que a sustenta está na primeira carta de João:

Porém se confessamos (com humildade e arrependimento) os nossos pecados, (Deus) é fiel e justo para no-Ios perdoar e para nos purificar de toda a iniquidade.(1 João 1:9)

Olha o que 1 João 1:9 não diz: não diz "se nos sentirmos mal", nem "se melhorarmos". Diz confessar — do grego homologeō, literalmente "dizer a mesma coisa". Confessar é dizer sobre o pecado a mesma coisa que Deus diz sobre ele. A promessa que segue não depende do tamanho do remorso; depende da fidelidade de quem perdoa.

O modelo bíblico de confissão é o Salmo 51. O título do salmo dá a situação: Davi o escreveu depois que o profeta Natã o confrontou pelo adultério com Bate-Seba e pela morte do marido dela, Urias — a história está em 2 Samuel 11 e 12. Davi era rei; ninguém podia obrigá-lo a nada. E o salmo começa com "tem misericórdia de mim", não com justificativa.

Vale notar três coisas no Salmo 51 que servem de guia para a prática. Primeiro, Davi fala do pecado no singular e no plural — "o meu pecado", "as minhas transgressões": ele nomeia, não generaliza. Segundo, ele admite que a ofensa foi contra Deus ("contra ti, contra ti somente, pequei") antes de qualquer outra pessoa. Terceiro, ele pede mais do que perdão: pede um coração novo ("cria em mim um coração puro"). Confissão bíblica não termina na culpa; termina pedindo mudança.

E o Salmo 34:18 lembra que esse é o lugar em que Deus está mais perto: "dos que têm o coração quebrantado". A confissão não afasta; aproxima.

O que significa orar continuamente

Logo antes de mandar agradecer em tudo, Paulo escreve — e a pergunta óbvia é como alguém faz isso e ainda trabalha, dorme e conversa.

A palavra grega em 1 Tessalonicenses 5:17 é adialeiptōs, "sem interrupção". Mas na literatura da época ela descrevia coisas como uma tosse persistente: não um som ininterrupto, e sim algo que volta sempre, que nunca é descartado de vez. Paulo usa a mesma palavra em Romanos 1:9 para dizer que lembra dos romanos "sem cessar" — e evidentemente ele fazia outras coisas no dia.

Orar continuamente, então, é manter a conversa aberta. Não é ficar de joelhos o dia inteiro; é não fechar a linha. A pessoa que recebe uma notícia e a primeira coisa que faz é falar com Deus sobre ela — um agradecimento de três palavras, um pedido de uma frase — está orando sem cessar no sentido que Paulo quis. Os cinco tipos desta página cabem nisso: adoração ao ver algo bonito, confissão no momento em que a palavra errada sai, intercessão quando o nome de alguém vem à cabeça.

O que é orar no Espírito (e orar em línguas)

"Orar no Espírito" aparece em Efésios 6:18, no fim da passagem da armadura, e em Judas 20. Em Efésios, Paulo pede "toda oração e súplica" no Espírito, "em todo tempo", e com "perseverança" por "todos os santos" — ele junta intercessão, súplica e oração contínua numa frase, e diz que tudo isso acontece no Espírito.

No contexto da carta, orar no Espírito é orar dependendo do Espírito Santo: com a orientação dele, no poder dele, alinhado com o que ele quer. Romanos 8:26 completa a ideia: quando a pessoa não sabe o que pedir, o Espírito intercede por ela. Essa é a leitura que a maioria das tradições cristãs — reformada, batista, luterana, pentecostal — compartilha sobre Efésios 6:18.

A divergência está em outro texto. Em 1 Coríntios 14:14, Paulo descreve uma oração em que "o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica infrutífero" — a oração em línguas, que segundo 1 Coríntios 14:4 edifica quem a faz.

Aqui as correntes se separam, e é honesto nomear quais são. A tradição pentecostal e carismática entende que orar em línguas é uma forma legítima de orar no Espírito, disponível hoje, e muitos a praticam na devoção pessoal com base justamente em 1 Coríntios 14:14-15. A tradição cessacionista, presente em parte dos reformados e batistas, entende que esse dom pertenceu ao período dos apóstolos e que "orar no Espírito" em Efésios 6:18 não se refere a línguas. Há ainda uma posição intermediária, às vezes chamada continuísta cautelosa, que admite o dom hoje mas não o vê como marca necessária da vida cristã.

Dois pontos do próprio texto ajudam a baixar a temperatura dessa conversa. Em 1 Coríntios 12:30, Paulo pergunta "falam todos diversas línguas?", e a resposta esperada é não — ou seja, nem no tempo dele era uma exigência para todos. E em 1 Coríntios 14:15 ele mesmo diz que ora de dois jeitos: "orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento". Seja qual for a posição da igreja de quem lê, a Bíblia não trata a oração em línguas como superior à oração com palavras que a pessoa entende.

Os cinco tipos na mesma oração

Quando os discípulos pediram que Jesus os ensinasse a orar, ele não deu uma categoria por vez. Deu uma oração curta, o Pai Nosso de Mateus 6:9-13, e nela cabem quatro dos cinco tipos em sequência: adoração ("santificado seja o teu nome"), intercessão (toda a oração é no plural — "nosso", "nos"), súplica ("o pão nosso de cada dia") e confissão ("perdoa-nos as nossas dívidas"). A ação de graças é a única que não está escrita, mas a doxologia com que a igreja aprendeu a terminar — "porque teu é o reino" — ocupa esse lugar.

Isso dá uma ordem possível para quem quer praticar: começar por quem Deus é, lembrar do que ele fez, pedir, pedir pelos outros, confessar. Não é regra; é o caminho que os Salmos e o Pai Nosso costumam fazer.

E volta ao que Paulo escreveu a Timóteo em 1 Timóteo 2:1: súplicas, orações, intercessões e ações de graças, por todos. Não eram quatro palavras para encher a frase. Eram quatro modos de falar com Deus que ele não queria que a igreja perdesse — e que continuam todos disponíveis para quem abre a boca hoje.

Quantos tipos de oração existem na Bíblia?

A Bíblia não numera os tipos, então as contagens variam conforme quem organiza. A divisão em cinco (adoração, ação de graças, súplica, intercessão e confissão) é a mais comum porque segue de perto 1 Timóteo 2:1 somado à confissão dos Salmos. Alguns autores chegam a sete ou mais separando louvor de adoração, ou tratando entrega, lamento e oração de concordância como categorias próprias. Nenhuma dessas listas é mais "bíblica" que a outra; são jeitos de organizar o que o texto mostra.

Qual é a diferença entre oração e súplica?

Oração é a palavra geral para qualquer conversa com Deus; súplica é um tipo específico de oração — o pedido, em geral nascido de uma necessidade concreta. Em Filipenses 4:6 Paulo usa as duas lado a lado ("pela oração e súplica"), e em 1 Timóteo 2:1 também, justamente porque não são a mesma coisa. Toda súplica é oração; nem toda oração é súplica.

Oração de louvor é o mesmo que adoração?

Na prática as duas se confundem, e muitos usam como sinônimos. Quem distingue costuma dizer que o louvor declara em voz alta as qualidades e feitos de Deus, enquanto a adoração é a postura interior de reverência que o louvor expressa. Nos Salmos os dois aparecem juntos o tempo todo — o Salmo 145:3 é ao mesmo tempo louvor e adoração.

Existe uma ordem certa para orar?

Não há um comando bíblico fixando sequência. O Pai Nosso (Mateus 6:9-13) começa com adoração e termina em pedido e confissão, e muitos Salmos seguem caminho parecido, por isso a ordem "adorar, agradecer, pedir, confessar" é um costume útil. Mas Bartimeu começou gritando um pedido (Marcos 10:47), e Jesus o atendeu. A ordem ajuda a não esquecer nada; não é condição para ser ouvido.

Oração de intercessão precisa ser feita em grupo?

Não. Moisés intercedeu sozinho no monte (Êxodo 32), e Paulo pede em Romanos 15:30 que os romanos intercedam por ele, cada um de onde está. A oração em conjunto tem valor próprio na Bíblia (Atos 1:14, Atos 12:5), mas a intercessão é definida por quem se ora, não por quantos estão orando.

Seja o primeiro

Este artigo te tocou? Faça uma oração!

+581 estão orando agora.

Junte-se à corrente de oração.